terça-feira, 25 de junho de 2013

::SEGUNDO NÍVEL::

Não tem como escapar da vida, os passos são curtos para quem precisa correr de si mesmo.
E quando você consome toda agonia, brota no jardim, a semente da solidão.
Talvez a mais profunda de todas, por este tempo.
É possível beijar a morte, cravar os dentes no destino, mas não engolir a própria exaustão.
As ondas do mar estão altas, o farol coberto de melancolia, o alicerce está caindo.
Como descrever o acaso?
Posso deitar diante de uma muralha de tijolos pesados e morenos.
Ela se parece bem maior do que minha própria dor.
Quanto mais eu tento perceber em qual mundo vivo, menos aqui estou.
Minhas mãos não se cansam de descrever uma tempestade violenta que se aproxima.
Acabo por não desistir de me render a quem realmente eu sou.
As luzes do farol denunciam aonde estou escondida.
Um alarme alto me acorda para uma nova paisagem que o céu negro pintou.
Suas nuvens parecem que podem me degolar.
Elas são frias, parecem o oxigênio que em mim entrou.
Tento imitar os doentes, os valentes, mas a covardia nunca me abraçou.
Existe um porto seguro, uma mensagem vazia, um vazo aonde uma rosa vermelha brotou.
Tem alguém ai?
Talvez eu esteja repudiada, descasada e cansada do que a minha tolerância me ensinou.
O vinho velho minha mente consumou!
Uma vez me perguntaram por que eu vivia triste,
Respondi que não vivo apenas tão somente do amor.
Não importa o tamanho da minha felicidade, eu nasci para descrever o pavor.
Não é preciso estar dentro da escuridão para ser o quanto ela é perversa.
Basta fechar os olhos para se render a um grande mistério.
O Nada!
Então porque não descrever o amor?
Então porque não descrever a doçura?
Então porque não descrever a alegria?
Ambos são gigantes demais para mim, me inundam, preenchem uma parte de mim,
Enquanto a outra grita em meu ouvido pedindo clemencia precisando ser lançada para fora com calor.
E se eu pudesse escolher dentre tantas coisas que eu sinto, aonde estaria o meu fulgor?
Não sei e permanecer neste meio termo me faz visitar lugares aonde minha mente nunca imaginou.
No fundo não é possível escolher sobre o que se vai escrever, só se recebe.
Percebesse algo incomodo entrando vorazmente e a única coisa que salva é tentar descrever o que lá dentro de nós se instalou.
Acredito que sejam pedaços do mundo, do tudo, do Nada, daquele homem, mulher, animal, planta ou até mesmo de uma partícula que se multiplicou.
Só vem, instantaneamente, se não reagimos a este ataque, ele nos fulmina, causando uma sensação de embriaguez, tormenta, mal estar e péssimo humor.
Talvez seja uma maldição, ou não, ou claro porque não pensei nisso, seja no final das contas uma saída para algo que em nós se alojou.
Das experiências que vivemos inconsciente, no paralelo do estar-no-mundo, no choque com os ideias do consciente, algo que não perpetuou.
No final das contas, isso aqui, me relaxa  e espanta qualquer terror...