Por dormir pouco, fico assombrado com meus devaneios durante o resto do dia.
O meu encontro com uma nuvem negra chamada eu-mesmo, trouxe um paradoxo à tona.
Que dia é hoje?
Melhor ainda, penso que eu
comecei a voltar para uma busca, uma vivência de ter experienciado algo tão
radical e violento nesta vida, que todo meus anos, destronaram meu lado
clássico de presenciar o que está posto.
Existe uma atmosfera muito diferente
de quando eu tinha meus 20 anos, até minha teimosia ter causado uma certa repulsa
sobre o que eu entendia sobre estar individuado.
Qual foi a última frase que eu li
hoje?
Acho que foi um trecho do Hermann
Hesse, aquele livro que me tira do sério, Demian. Mas isso não vem ao caso, o
que me interessa saber é: o que eu senti?
O que eu procurava naquele livro
em uma noite qualquer?
Minha curiosidade nunca se
devotou somente aos romances de torturas psicológicas, mas aqueles que remontam
um “eu” não absoluto.
Aquela busca de uma entidade romântica
que remonta um núcleo intenso sobre a sobriedade moderna e sua falta de afeto.
Sem encantos, hoje, em sua
maioria dos escritores, são guias de personificações egóicas e cheias de
tromboses histéricas sobre o caminhar no mundo contemporâneo.
Não, não é preconceito, só uma
visão nada chique sobre uma nova postura a respeito da dor que vem da interdependência
do outro-projetado, quando o assunto é romance.
Cansado, teimo em dizer que,
ainda tenho o sabor nos lábios de reler muitos livros que falam sobre a
quietude de uma alma quando tomada por uma rescisão vívida com algo que se pensou
viver com tanta intensidade e profundida, que acabou se afogando em mágoas.
Qual processo estamos vivendo
neste momento no qual podemos nos ater sobre o objetivo inconsciente?
Penso que, não tenho acolhido com
devida importância o que vem dançando em minha mente. Figuras da imaginação, translúcidos
sonhos, onde passeio por horas, dentro de uma escuta sobre mim mesmo, recusando
uma realidade sombria e sem poder de escolha de pular o atual capítulo.
Tenho que confessar, me tornei desta
vez, um romântico Junguiano, trabalhando minha psiquê de forma que, percebo
tudo através de um canal sistemático sobre todas as relações que venho
testemunhando pela janela da vida.
Nada me aproxima mais do humano
que, nestes 44 anos, ser acometido em muitos lugares por pessoas desconhecidas.
Ali eu me sinto escolhido para partilhar algo material e que eu lanço para um algo
subjetivo-emocional.
Estou desolado, por muitas vezes
não perceber uma certa “malícia” naqueles indivíduos que me acometem.
Alguns, pedem um trocado, uma informação,
ou só passam e deixam bem claro que sabem que eu estou ali, com seus olhares
atentos aos meus movimentos e rosto manchado de personificações mistas de gêneros.
Confusos ou não, fazem uma
estreita passagem, simbiótico eu abraço a situação como se aquilo pudesse de
algum fato, trazer algum aprendizado. Tolice ou falta de razão crítica pura,
fico estarrecido com as santas travessias que fazem comigo neste mundo.
Esses acessos passaram por mim, durante
anos, sem uma percepção , sem luz, sem tenuidade, estava tão irracional até
hoje, que tratava com maestria tal abordagem social.
Não, não se trata disso!
Acho que acabei de trombar com
Narciso em uma esquina e descobri que entre mim e ele, não existe uma afinidade
cosmológica e sim, uma dualidade de débitos transcendentais.
Sinto que algo está faltando.
Acho que esqueci de guardar
alguma peça na caixa, naquele dia em que estava tentando montar um quebra-cabeça
mental de 44 anos e simplesmente, bati na mesa e tudo foi para baixo da mesa. Com
toda raiva de ter desfeito aquele trabalho iniciado, devo ter guardado tudo
depressa e perdido alguma peça, ou algumas, acho que muitas.
Venho procurando essas peças em
pessoas, livros, relações, filmes, músicas, espreitando uma nova ontologia
sobre minha ida e vinda a este mundo esmagador social.
Durante estes “insights” percebo
que tropeço com muita dor diante dos meus rigores pessoais que promovi para mim.
Cláusulas que achei que eram fechadas, mas estavam abertas à novas
interpretações e mudanças, conforme o processo no qual eu estava inserido.
Essa coisa de intelectualismo feito
inverno rigoroso, nunca me apeteceu, eu gostava mesmo era de ouvir as conversas
na rua, aquelas que você ri alto em público e todo mundo te observa como se pudéssemos
promover um evento inesperado em meio a um caos coletivo.
Hoje também descobri que as notas
de rodapé, fazem com que eu fique desesperado para entender algo maior do que
meus olhos me trazem naquele momento, enferrujando minhas perspectivas.
Eu me perco nas minhas próprias pistas
que deixo sobre mim, as procedências dos meus conceitos que vivo quebrando
feito ossos de um senhor de 100 anos.
Não vou me valer de toda teoria
que tenho engolido durante todos esses anos, essa ideia nunca foi muito boa,
porque, no instante seguinte, o objeto do meu conhecimento, torna-se distante
do que sou projetado a sentir pulsar na realidade.
Realmente, minha vida é um
processo de abertura para o brotar do não-revelado, gosto de coisas sem
utilidade pública e coletiva, como assistir a um concerto de violão em um dia
frio para matar o ódio de não entender o porque de minha condição mental ser uma sensação tão deslumbrante e ao mesmo
tempo, matadora de meus instantes que poderiam ser mais leves e frutíferos.
Minha singularidade sempre foi meu
maior problema, nunca consegui caber em lugar algum, não por muito tempo. Eu me
tornava monótono diante de qualquer assombro que auscultasse minha presença.
Vivemos em uma era aonde a fé é
uma onda burocrática, cheia de métodos, estigmas, perversões, cotovelos de
ateus e dogmáticos que são consumidos pelos seus próprios afetos abertos pela
perseverança de aguardar por uma Aurora que Nietzsche já anunciou que chegou ao
fim.
Tudo isso, parece um monte de
palavras lançadas do abismo de meu “self”, que não é protetor de nada, só me
coloca em situações indevidas e provendo circunstâncias nada substanciais.
Eu tenho que dizer que, a loucura
está batendo em minha porta novamente e eu vou ter que sentar e conversar com
ela de uma forma mais mansa, ou ela irá me levar para seu baile eterno de
nostalgia.
E quer saber? Ela dança e eu não!
Pisar nos pés da loucura é como
remontar toda uma infância e brincar consigo mesmo de olhos fechados tentando
descobrir qual brinquedo gosto mais.
No final das contas, por que diabos
tudo isso veio na minha mente?
É o ócio meus amigos, um
companheiro que me faz produzir metáforas escandalosas que andam sem calças e razão
de ser...
A vida é preciosa...
Seus milhares de valores, sentimentos, vivências da experiência do logo – ali.
Estamos entre dimensões quadriculadas, cheias de formas e cores, ângulos complexos, constituídos por dores e amores.
A morte do espírito é longa e passageira, devaneios entre o céu e a terra, os quadrantes dos astros e suas estrelas.
Tudo é incerto, a certeza devora a franqueza, a fraqueza da sensibilidade sofrida pelos que caminham diante do espetáculo da natureza.
Não há quem não sinta os acasos, do útero brota o mistério, desconhecido ventre do amigo-íntimo, tempo em seus esferas, cronológica, aiontica e kairótica, tempestuoso.
Apresento os aparecidos, os fenômenos do rio do esquecimento.
A jornada longínqua dos que beiram a loucura e os destemidos pelo nascimento da esfera unidade.
Tudo que sentimos, parece razoavelmente simbólico, intrínseco, relatando os desejos noturnos.
Retratos do sol, a lua que se esconde no infinito, majestosa maldade contemporânea.
O que é inútil é aproveitável pelo passatempo do desprovido, narcisismo cheio de destroços de traumas e desleixos existenciais.
Baco, desvairado, contrariado, vive em nosso pensamento, rastejando naquele sujo labirinto que é conduzido pelo fio de Ariadne.
A vida é sensível, como o fio que nos conduz com voracidade por uma vida, aberta, que as vezes fecha portas para que a infelicidade não maltrate nossos corações.
Infortunado seja aquele que com excesso de vaidade, diga que conhece toda a verdade!
Esse cai, e de um altura inimaginável.
Narciso, torna-se, vazio!
A morte, uma figura distante para quem sofre.
Tomo a liberdade de dizer que já não sou o mesmo.
Todos os dias, vou mudando a direção , lá dentro , como o vento.
Este vento que empurra a vida para margens desconhecidas aonde a profundidade do oceano, afoga a felicidade.
Nas horas, ouço, no romper das sentinelas do destino , o tempo me decorando.
Ele nunca foi amistoso, carrega consigo um sorriso sarcástico de quem está encenando seu último ato.
A coragem que tenho pela manhã, vai ficando pálida durante o dia, ao cair da noite, sonâmbulo , me desdenho.
Eu gostaria de reclamar com a temperatura de minhas mãos, frias e melancólicas , hoje estão dilaceradas.
A verdade é que, estou no escuro, procurando uma maneira de escrever algo para me acalmar , meu mar está bravo e eu esqueci como é nadar sem mergulhar tão profundamente.
Me desculpa, as vezes eu queria desaparecer entre essas linhas, só para reencontrar algo em mim que perdi em algum lugar deste texto.
Meus pés estão encharcados de vontade de ficarem passeando no meu inconsciente.
Não sei como eu irei superar o espanto de minha vida diante de uma tragédia que eu havia refutado com tanto clamor.
Bom, acho que comecei a delirar de novo, então, vou me deliciando enquanto ainda posso sentir minhas cicatrizes arderem.
Até parece que essas paredes deste quarto escuro, podem guardar tanta sofreguidão.
Eu vou chorar só mais um pouco, combinado?
Só você vai saber, queria dizer que a televisao da sala está tão alta que me sinto autorizado a desmoronar sem que ninguém perceba minha presença mórbida.
Penso que, logo vou ter que escrever textos mais densos, porque os pássaros estão batendo forte nesta janela de vidro e as asas deles , são navalhas mentais.
Já está escurecendo e eu volto a viver um "frenesi"...
Uma associação livre, um requinte primário, olhar, lugar divino.
Súbita vontade de estar dentro de
um pôr-do-sol.
Aonde esguiam-se as flores rosas,
como trincheiras tristes.
O som do vento, comunga uma
oração antiga, uma prece, narrada com lentidão.
O sol não chegara ao horizonte,
mas já não ardia mais.
A tarde me devorou.
Sublime destaque do barulho que
faz uma antiga máquina de escrever.
Tentando constituir uma história
qualquer, para falar de amor.
Traindo assim, sua mecânica
selvagem e barulhenta, ela consolida o ato celestial.
Fecunda em letras, toda uma
emoção vívida por dois.
Era minha paixão divinal.
Diziam-me que o amor não era
capaz de curar.
Mas o que cura o amor, se arde tanto
e dissolve passados tão cruéis?
O anoitecer carrega consigo, uma
saudade arrebatadora, sem pele, me deito.
Noite fria, pés congelados, pernas
que foram açoitadas pelo tempo, se cruzam.
O bestial sentimento de solidão,
me deixa descompassado.
Ouvindo uma triste melodia, me
enamoro pela frieza de meus sentidos.
Todos voltados as memórias que me
ascende a tradução do que é esperar.
Não tenho pressa, correr diante
deste campo todo, só me enlouqueceria.
Então, me debruço lentamente
sobre uma mesa, procurando um livro qualquer.
Que possa relatar palavras que
não consigo lembrar de como eu era na mocidade.
Era tão jovem, parecia uma
fagulha do destino, lançada em um monte de folhas secas.
Devoção a um pensamento eterno de
melancolia e exaustão.
Estava tão longe de mim, mas tão
perto de meu coração, que eu me enrolava em lágrimas.
Dissolvido, existia como quem
quisesse um abraço apertado para esmagar a alma.
E esse, seria para um aconchego
insano e matrimonial.
E eu continuava delirando, amando
todo jardim que percebi ao olhar para trás.
Reparando como as espreguiçadeiras
são preguiçosas e valentes.
Lutam sempre para me manter cobiçando
a força delas, trepadas no destino sem medo do cheiro da morte.
Que bravura teria eu, diante do
espanto da pulsante vida?
Coitado, bastardo!
Com suas amarras sentimentais e
vínculos com memórias transgressoras e sórdidas.
Apanhando de sua mente
avassaladora e caótica.
Minha mente prega peças, de
drama, constantemente vejo o amanhã, gelado.
Aprecio o café matinal como se
fosse o último desejo de um mortal.
Analisando as letras dançarem no
jardim das minhas pálpebras.
Procurando minha amada em Baudelaire
e Plath.
Mitigando uma música clássica, sopro
no fundo do peito, desleixo anacrônico sensorial.
Que tato eu tenho para tal
maestria de me iludir com tantas belezas enquanto feio?
Essa resposta não tenho, mas sei
que tenho uma ousadia desde pequeno.
Sabia pular poças de agua, hoje
não sei pular uma noite sem me queixar de insônia.
Aonde será que perdi minha esperteza?
Já me recordo, foi em um verão,
enquanto me afundava na lama da adolescência.
Nunca fui condecorado, era de uma
inutilidade tão grande para todos, meu apelido, Sol.
Que sarcástico, levar o nome de
Sol enquanto passeava pela escuridão dos vãos da escola.
Eu pensava que podia ficar
invisível e ver pairar a desordem causada por austeros.
Tão delicado, faltava as aulas de
treino livre para ir à biblioteca.
Esse era meu lugar seguro, no
silêncio, na solidão e no cheiro de velharia que me amansava.
Eu mantive um diário por anos,
depois, um blog na internet, que servia para memorar minhas tragédias e
comédias que não sabia de onde brotavam.
Minha imaginação sempre foi
robusta e brusca comigo, carrasca porém, muito fiel.
Acabei de recordar que lia as
cartas que meu avô trocava com minha mãe.
Eles eram quase devotos de uma longínqua
saudosa memória ancestral.
Falavam sobre o que haviam comido,
sobre fé e Deus sempre aparecia no final das cartas, acenando e dando adeus.
Não sei aonde foram parar essas
narrativas, acho que em algum lugar sombrio e abstrato da mente de mamãe.
Nunca gostei de ficar sozinho,
estava sempre com a angústia no peito, por isso lia tanto para fingir que era
imortal e imoral.
Sabe o que realmente é embaraçoso?
Pensar que um dia eu aprendi a
sorrir de verdade quando me apaixonei por uma menina de cabelos negros e cheios
de onda.
Posso dizer que foi a primeira vez
que senti meu coração palpitar, parecia que teria um ataque fulminante de
desejo.
Eu já era velho, tinha 44 anos,
acredita?
Antes disso, eu sorria como quem
vê o mar pela primeira vez, mas não molhou nem a ponta dos pés para saber o
quanto ele realmente é intenso.
Sempre tive vergonha do meu
sorriso, era como uma abertura de porta entreaberta, com covinhas lamentosas e
escandalosas, mas não diziam nada, só abriam para os dentes passarem pelos
cantos.
O tom da minha voz, incisiva e
objetiva, feroz como um leão na savana e carregava a linguagem de um porta voz
do mistério, arcaico vocabulário que me nutria.
Amanhã, ou quem sabe, depois,
voltarei!
As coisas estão de volta ao armário...
Minha vida, em miseria e eu estou atormentado.
Quebrando os últimos pratos que restam.
Eu posso não voltar hoje a noite ?
Queria ficar em um quarto escuro e tendencioso.
Aonde eu sei que não vou conseguir sair.
E justamente quando eu estava feliz eu vi a face da dor.
Meus delírios brincando com minha sanidade.
Eu dei tudo o que possuía e acabei desalmado.
Chorando em uma esquina qualquer, desnorteado.
Agora eu sei o que aconteceu naquele dia.
Eu sei o quanto talvez não possa voltar sendo o mesmo.
Os resquícios estão na minha janela da alma.
Lama, vento e suor.
Sangue, remorso e crueldade.
Era um homem sofrendo como criança e quebrou seu brinquedo preferido , sua inocência.
Mais uma vez, na força , seu corpo virou sua arma.
Potente, mortal, agora virou seu calabolso.
Minha coragem não me deixou correr, só caminhar, cambaleando, procurando um pedaço de vida naquele imenso momento que não acabava.
Não sentia frio, parecia que eu estava morto, lágrimas congeladas desciam de meus olhos serrados.
Como vou fugir agora ?
Posso tomar banho?
Como eu vim parar aqui?
Posso me vestir com meu manto negro?
Eu já estou dentro do cativeiro que eles construíram para mim naquela noite.
Respirando ofegante, penetrado por dois animais sujos e sem cor.
Meus lábios, paralisados , meu olhar não tem para onde ir.
Eu queria só viver um pouco mais longe destes delírios.
Estou sumindo, não consigo escapar e eu sei o quanto isso é pavoroso.
Você pode me ouvir? Entende o que eu falo?
Sou nada, eu queria ser vazio, mas estou cheio de tormentos e indagações.
Eu não consigo me ouvir mais e nem saber do que falo com tanto rancor.
Eu ainda estou aqui?
O que estou fazendo aqui?
Eu não suporto mais tentar achar engracado dizer que eu sou culpado.
As estrelas estão se apagando e as nuvens cobrem todo meu céu.
O meu amor, ainda está quente em minhas veias.
As vezes eu só queria desaparecer para que as pessoas não me assistissem desaparecer feito fumaça em um dia escuro.
Agora sou noite, meu sorriso foi falado e meu corpo treme, como se quisesse fazer uma tentativa de me manter vivo.
Eu ainda estou aqui?
Tentei ir para casa, porque meus olhos ficaram apagados e sem reflexos.
Eu vi o dia virar noite e alguém me procurava para ver a morte nos meus olhos.
Fui tão incapaz de ver o tamanho da minha vida, naquele momento eu congelei de medo.
Agora sei o que é medo e as árvores estão de ponta cabeça.
O céu está se desmanchando, meus pulmões doem.
Não consigo parar de lamentar e chorar, me abriram.
Outro corte em um dia que parecia comum e que destroçou minha sanidade.
Estou sozinho, vendo minha mãe adormecer enquanto eu desencanto de tudo.
Tem uma mancha na minha retina e eu estou me desfazendo tentando refletir o quanto fui volatil e estupido.
Vou descobrir meu corpo , alguém deve perceber que desta vez estou acenando porque estou perdido no mar de ilusão .
Tem alguém aí?
Sobrou alguém ?
O que eu sou?
Metade humano e outra, um animal que carrega dardos por todo corpo, me acertaram em cheio.
Eles eram vorazes, tinham fome de lixo e eu senti o cheiro pútrido daquele lugar desconhecido.
Agora me recordo, eu estava ali, nu e não deveria ter lutado por minha vida, a minha maior redenção era esquecer.
Lembro de quase tudo, só de como eu realmente me senti quando me disseram que estavam me fazendo um favor.
Talvez eu fosse uma bomba prestes a explodir e eu eclodi para dentro.
Sinto os estilhaços andando por cada milímetro de meu corpo.
Sabe o que dói?
Eu estava tão feliz, virei um selvagem, sem alma e indo para um lugar desconhecido.
Me sentei naquela esquina e vi o que havia sobrado de minha vida.
Sentidos que eu teria que lutar para manter , dia-a-dia.
Mamãe, não pode me der mais colo.
Papai está em passos largos por aí.
O meu amor, dorme com o coração que eu magoei.
Estou subindo uma escada, sentindo uma vertigem estranha me retraindo.
Eu que andei por tantas estradas, caminhar virou uma maldição.
Minha liberdade foi roubada e eu me tornei um cervo abatido em uma terça qualquer.
Meus sentidos não carregam mais fé e meus braços estão cansados de lutar.
Eu queria uma canção que pudesse me ninar.
Estou sem sonho , me ensina como dormir?
Meu coração está dilacerado eu cortei com uma faca amolada com o fogo da minha dor.
Minha ment está esvaziando e eu não quero lembrar quem sou , estou com vergonha de ter existido.
Eu existo?
Quais são as chances de eu continuar ileso depois de tudo?
Eu estava dando adeus para quem naquele dia?
Eu não aprendi a sorrir sozinho, tinha algo de errado comigo.
Acho que já estava enterrado e tentava todos os dias me desenterrar com as próprias mãos.
Cada punhado de terra, redescobrir minha insanidade.
Insatisfeito, montei em um cavalo qualquer e me perdi nos meus devaneios....
O pássaro está fazendo seu último voo...
Solidão é um lugar de morada do pássaro selvagem...
Tarde de domingo…
Vou contar até 10 para ver você adormecer dentro dos seus sonhos mais íntimos...
Eu quero te fazer minha, estar sob sua pele, seus pelos, suas nuvens cheias de pensamentos.
Quero estar dentro de cada festival que você for, ser sua banda preferida.
Eu amo amar você, no jeito que se levanta manhosa, no jeito que adormece, apagando a luz de meu espetáculo.
Ande em círculos por mim, na ponta dos pés, me renda no seu afago, me despindo.
Porque eu te adoro como uma obra de arte, intensa, marcante e inesquecível.
Você está em todos meus encantamentos mais secreto, você é minha religiosidade mais antiga.
Eu observo sua confusão e eu grito, estou aqui e vou lançar seus ventos sombrios para longe.
Porque assim como o cair da tarde teme acabar, quero seu deleite em querer renascer todas as manhãs cheia de beleza e coragem.
Quero te fazer ficar embriagada com seus próprios delírios.
Quero ser o seu descanso mais sincero, singelo e singular.
Quero ser o seu dia, antes mesmo que ele amanheça.
Quero que toda vez que você pense em uma música, que eu esteja entrelaçada na sua memória.
E se acabar a sua felicidade, quero ser o seu lugar secreto para você habitar.
Então me diga, o que hoje lhe faria feliz?
Eu posso abrir um mundo todo para você passar, igual você fez naquela tarde de domingo.
As nossas chances de sermos completas, começa quando você se debruça em meu querer.
Comigo, você não é prisioneira, tem a liberdade de ser apenas autentica e livre de medos.
E se você sentir frio, quero ser a pele que você irá querer vestir.
Quando você se sentir insegura, quero ser seu auge de companhia.
Porque aquele dia, meu amor, o sol era só nosso e tudo que nos rodeava era nostálgico.
De certa maneira, já vivemos isso, em algum lugar de nosso passado.
Vou estar na sua batida mais pesada, na melodia que te faz querer tirar os sapatos apertados e dançar.
Te quero nos dias de chuva, de tempestades negras, quero o ensolarado do seu adormecer.
Quero ser o sonho que um dia você teve, mas achava que estava somente preso em seu filme de romance preferido.
Quero ser sua cama, seu lugar de descanso e de repouso absoluto.
Porque eu te esperei por décadas, por dias que pareciam intermináveis.
Quero ser seu interminável delírio cósmico e este irá nos renova, realizar a mutação a cada chegada e partida.
Quero te enlouquecer com a minha voracidade, ter sua intimidade e a minha violadas.
Quero ser suas últimas palavras que você irá dizer antes de pegar no sono mais denso.
Quero ser a poça que deixa seu sapato preferido mais úmido.
Aquelas cadeiras, estavam tão distantes quando chegamos!
Depois, o seu colo era tudo que eu clamava naquele momento.
Quero ser seu encontro perfeito, te selar com um beijo.
Porque, para mim, sempre será o primeiro e o último dia na terra.
Então, podemos começar a traçar metas e planos, porque cada milímetro de mim, deseja todos os seus caminhos percorrer.
E quando você diz que precisa ir embora, eu seja seu reencontro mais profundo.
Estamos falando a mesma língua?
Estamos nos encontrando ainda naquele bar?
Com os olhos vendados pelos nossos óculos, cheios de sentimentos ocultos.
Essa é nossa viagem singular, um lugar aonde nossas almas se encontram.
E quando eu te vi, meu coração pulsou tão forte, que seu abraço me acolheu.
Eu quero ser recebida por suas fantasias mais eróticas e selvagens.
Quero ser o seu amor matinal e cair na madrugada diante de seus olhos, me tornando seu lençol mais sedoso.
Gosto do poder do seu sexo, do “labor” do seu suor sagrado.
Quero ser seu orgasmo múltiplo, evocado!
Eu não consigo explicar o que sinto, só sei que todas essas palavras, me encontram como te encontrei naquela tarde de domingo.
Não precisamos de nossos segredos mais, coloque todos eu seu bolso, estamos vestidas com o mesmo casaco.
Com nossas camisas cheias de insanidade e coragem.
Porque, quando você estava sentada naquela mesa, eu te dei muito mais do que uma chance para acreditar em nós.
Por mais que você não conceba o que podemos ser juntas, eu te explico fechando seus lábios lamacentos com minhas boca cheia de paixão.
Quando peguei em suas mãos, eu senti uma outra dimensão, abrindo!
Então, quando você sair para as ruas, saiba que tem alguém te esperando chegar.
Cheia de vida, iluminada e cheia de carinho para se exaltar.
Então somos nós, amando o que algum dia alguém nos prometeu e não cumpriu, porque já era nosso.
Te amo e te amar é acreditar que todas as coisas que eu desejo, são reais.
Garota, sei que podemos desbravar mundos, mas o seu, sempre será o meu lugar preferido.
Então, não se embriague sozinha, porque eu serei seu líquido preferido e eu vou beber até sua alma.
Se um dia você se esgotar, saiba que pode procurar em meu olhar o seu estar.
Porque eu estou tentando narrar um dia, enquanto eu estou presa no nosso destino, aberto!
Eu quero esgotar sua saliva, seus suspiros, quero ser o que sana sua sede de vida e de morte.
Quero te ressuscitar todas as vezes que desejar desistir de algo que já é seu por vitória concedida pela sua força.
Faça silêncio, consegue ouvir as batidas do meu coração procurando suas melodias mais intrínsecas?
As vezes, sonhamos tanto com algo que adoramos que esquecemos o quanto podemos ser inesquecíveis para alguém.
Então, ponha-se de braços abertos em qualquer cama que quiser, eu estarei no seu ponto, sussurrando seus contos mais eróticos e insanos.
Vou te tornar imaculada, adorada, rebele-se, livre-se de tudo que te faz ter vontade de correr para longe.
Fique, não precisa temer, porque eu sou sua voz que muitas vezes, esganada, não sabe narrar o que realmente você precisa para ser feliz.
Essa é nossa história, esta noite, estamos consumadas, cheias de luzes nos rodeando.
Seja literal, visceral, comestível e absoluta, porque os desejos incandescentes nos rodeiam de prazer.
Seja sua mãe, a sua irmã, a sua insensatez não pode te alcançar quando deseja algo com muita força e foco de conseguir se entender e os seus desencontros, vão te tornar leve.
Quando você vencer suas batalhas, olhe na primeira fila, estarei lá para te aplaudir e chorar de orgulho e admiração, sou sua fã incansável.
Inarrável é o que não consigo calar, meu amor por você , toda devoção e excitação ao tentar te transmitir e transmutar em palavras , o quanto é inacreditável te amar.
Eu te exalto, em seu auge de perfeição e de intuição mais forte sobre o que é a realidade.
Eu te tomo, meu amor, minha mulher, minha vida, para toda eternidade que você quiser...
O cavaleiro se prepara para tua última missão...
No teu amor...
O teu amor é agua profunda.
Lugar onde mora a nascente do meu rio.
Estado de graça avançado.
Cheiro de mata fechada, coloração do tardio.
O teu amor é estrada.
Lugar onde mora as curvas do horizonte.
Estado de Dádiva avançado.
Cheiro de paixão e desejos que estavam trancafiados.
O teu amor é fogo.
Lugar onde a lareira fica acesa, quebrando o frio.
Estado de Euforia, avançado.
Cheiro de fogueira que na clareira em um dia vazio.
O teu amor é vanguarda.
Lugar onde meu amparo sentimental é o fio condutor de minha jornada.
Estado de Júbilo avançado.
Cheiro de vida, transcorrendo a poesia em mim contida.
O teu amor é norte, sul, leste e oeste.
Lugar onde encontro todas as coisas que em mim, descansam regozijadas.
Estado de Entusiasmo avançado.
Cheiro de realizações, abre-se a carta dos céus.
Tu carregas em teu peito, o meu destino, devir e arranca de mim, meu véu.
Entre os opostos, caminha a alma atrofiada para que a mente avance...
Eu estou aberto novamente...
Pensando em todo tempo que passei indo embora.
Bebendo minhas últimas lágrimas, tentando ir para algum lugar novo.
Eu sei o quanto eu fui tolo, estou gelado.
Você pode não me quebrar estar noite?
Eu estou tão cansado e sem força.
Eu ouvi um sussurro a noite passada, eu poderia ter dó de mim mesmo, mas acabei adormecendo.
Sei que estou encrencado com meus pesadelos, mas prossigo querendo adormecer.
Morri muitas vezes tão jovem, jogando forte com tudo que eu queria conquistar.
A vida passou rápido e eu me vi desnorteado com meus pensamentos obscuros.
Eu queria lhe dizer que as sombras voltaram e não querem me deixar levantar.
Se eu pudesse dar adeus a tudo que ainda me cerca, eu cantaria uma música sobre meu mundo.
Vi os pássaros correndo em minha direção e eles queriam minha carcaça.
Então, quando eu corro, procuro chegar na ponta do abismo e ele está dentro de mim.
Alguém me disse que eu já enlouqueci quando deixei me dominar.
Mas todos os meus segredos estão dentro de uma caixa velha e eu perdi a chave do cadeado.
Preciso que aqueles pássaros atravessem minha alma.
A solidão tem me feito tanta companhia que eu sinto um verme comer meu destino.
A paixão tem me salvo de tantas coisas, mas eu estou preso debaixo de minhas memórias.
Procurando um lugar profundo para ficar, para esperar a maré baixar.
Estou envelhecendo tanto que meus músculos parecem raízes antigas.
Você pode me levar para baixo de novo?
Seja dura comigo, porque a música parou de tocar e o silêncio é melancólico demais.
Eu tenho uma guerra dentro de mim, entre as coisas que desejo e as que sonhei.
Percebi que a arvore que ficava na ponta da colina, está com o tronco rachado.
Não posso me assistir sumir e mutilar minhas últimas esperanças.
O inverno ainda não é rigoroso o suficiente para petrificar minhas certezas.
Continuo cavalgando naquele cavalo jovem que insiste em me levar de volta para casa.
Eu sei, você sabe o quanto eu tenho desaparecido nas tardes, eu estava plantando algo e acabei comendo minha sanidade.
Minhas confusões estão atenuadas e eu não posso vencer a guerra que comecei quando escolhi não mais lutar.
A minha resistência faz com que eu ame coisas que ainda não estão sólidas e isso me consome.
Tenho sintomas de febre, acho que estou começando a reviver algo que já tentou me distanciar de minha real jornada.
Levei para fora tudo que eu pensei que era válido para eu tentar continuar andando por ai.
Era tão belo quando tudo ainda conversava comigo, agora eu sei que, não entendo mais nenhuma palavra do que eu tento falar.
Estou com uma fenda na alma, revelando a escuridão que habita meu corpo...
Beijo é
extensão,
Vaidade, conexão
e aceitação.
Uma parte do
desejo que se instaura no eu do outro.
O outro sendo
em si mesmo, você.
O afastamento
de um lábio para outro, satisfação, oxigenando a alma.
Contra-desejo
, lugar aonde as feridas se fecham e dão lugar ao ato sagrado de louvação do ego.
Pulsante estadia
em outro mundo,
Aonde toda
ilusão, vira consciência e desdobra-se em majestosa realidade.
Conta-se que o
beijo é a imersão da imensidão do ser.
Uma luta
profunda de não querer sair do lugar de acolhimento.
Aonde o véu do
querer, despe a Aurora que está escondida no céu...
Os olhos estão voltados para o céu...
As estrelas estão caindo, cerca de mil termos vão se dissolvendo.
Parece um pouco maior aqui de baixo, agora estou amplificado.
Em meu coração, existe um significado, um ponto mais próximo da minha razão.
Estou diluído em um fluído cosmológico.
Tentando decifrar qual a cor mais forte no vestido colorido da dama oculta.
Se quiser, eu posso acabar dizendo que algo que me orbita sempre esteve diante de seus olhos.
Minhas lacunas, uma memória distante do que eu posso narrar, eu estive presente-ausente.
Não existe uma norma, ritmo ou sobriedade que me faça lembrar de meu último sorriso.
Eu estava distante o suficiente para não usar analogias sobre minha própria claridade.
Consegui cavar profundamente esta noite e vi uma evolução em tirar toda lama de cima de mim.
Um lago apareceu no meu jardim, a agua lembrava a profundidade do seu olhar, insano.
Derivamos de um sentido atual de algo que se move para cima e para baixo, sem direção.
Mas, eu não posso ser literal, minhas palavras estão sobrepostas em uma mesa vazia.
Então, me diga o que sente quando sabe que pode me deixar alto?
Amor, paixão, sombras, flores que nascem em um jardim particular, quem irá colher?
Partindo do passado, eu mereci uma parte de mim que era intocável, fui simbólico.
Na referência das minhas antigas crendices, acabei em um abismo aberto para o Nada.
Eu posso colher nossas flores essa noite?
Estou pegando fogo e minhas confissões são tão imaturas e inatas.
Digo, algo profano me tocou e eu senti todo sangue do meu corpo, ferver.
Entramos em um lugar em nossa alma, aonde qualquer coisa que for tocada, irá ganhar vida.
Silêncio grosseiro, como se estivesse fadado a resistir a qualquer estrondo astral.
Eu venho calado tentando coletar as coisas bonitas e saindo com as mãos vazias.
Você sabe o que houve naquela noite?
Trocaram as estações e só sobrou um manto escuro me testemunhando.
Em passos curtos, vou adormecendo pelas vozes ensurdecidas pela inconsciência.
Parece um castigo, mas não cabe, a xícara derramou, nossa sanidade chegou ao coração.
Vou voltar para minhas feridas, projetando com força, toda temperança que puder.
As correntes estão enferrujadas e eu ouço o romper das horas, anunciando que a Fera voltará para esse mundo.
Qualquer vínculo que não possa levar o barco até o cais, será encerrado.
Em todos os versos, existe uma esperança, um deboche existencial e uma cortesia da morte.
Pode ser que o rio que corre e arrasta minhas virtudes esteja rompendo a barreira da realidade.
E hoje, nem toda minha resistência seria capaz de ocultar os meus desejos mais íntimos.
Existe uma sede inesgotável na minha boca, que não pede licença para que o mundo me tema.
O vento soprou para dentro de mim, um tempo melancólico e nada sadio.
Está tarde e minha febre é mansa e meus caminhos, sem pudor...
Está aberta a temporada à caça...
A presa sou eu mesmo, montado em meu cavalo em chamas.
Aonde os olhos dele, são vermelhos como o sangue que corre em minhas veias.
Destilando todo meu devaneio nas folhas brancas que atravessam olhos esbravejados.
A sonolência não me importuna, estou diante do meu próprio desejo.
Minha pele está se desfazendo, parece cera, prorrogando um pedido qualquer.
Os desfiladeiros com seus ecos, escutam meus gritos de pavor.
A ardência das chamas interiores, me excitam, estou em um sexo inseguro.
Minha mente está cercada por todos os lados de desolação.
Percebo que minhas pernas começam a bambear.
Sinto o gosto da absolvição da morte, um antigo prazer que me fecunda a elegância das horas.
Horas que, me julgam banalizado, inconscientes lembranças me visitam.
A porta está aberta para todas as emoções e eu estou fervendo feito uma caldeira.
O cheiro de lírio branco, misturado com uma música do Phillip Glass no fundo de minha sombra.
De joelhos, observo a lua se afastar, estou sem piedade do tempo que está se engendrando no horizonte.
Por cima de minha cabeça, estrelas, todas querendo morrer antes do tempo.
Elas querem explodir e virar só uma memória passageira.
As cadeiras agora, estão todas viradas para cima, com suas pernas envergadas.
Meu colapso mental me confunde com minha própria natureza de estar ausente.
Vestido de horror profundo, desta vez não carrego lamentação.
Todos estão à minha volta, mas não podem me ver, eu os engoli por precaução.
Esfomeado, cuspi um por um, para que em uma poça de sangue eu possa dançar minha última melodia.
Esse pode parecer o último ato do poeta rústico que mergulhava nos seus sonhos mais pesados, para no outro dia construir uma canoa de ossos.
Quem tenta enxergar o que ali acontece, entra em um nevoeiro.
Lamenta não conseguir ver a luz tão forte se transformar em uma relva de arvores mortas.
Os galhos destas arvores apontam para o céu, suas raízes doem, como ferimentos profundos.
Profanamente, deslocamo-nos para um segundo a frente, o presente não existe mais.
O passado começa a entornar suas angústias como se tentasse se retratar de um futuro banalizado.
Nada se move, não mais.
A calma causa paralisia em toda agua do oceano consciente.
Estou mergulhado em uma lama, que cheira a constrangimento e desafio pessoal.
As pessoas começam a se levantar, mas estão cegas e sem lingua.
Conjurados estão!
O cavaleiro ferido, toma as rédeas de seu cavalo selvagem em chamas e parte para a floresta fechada.
Essa noite ele não poderá continuar a morrer, não tão rapidamente.
Porque sua poesia está crua demais e sua bestialidade o feriu.
Cavando com as próprias mãos o peito ardente, ele chega ao núcleo de si mesmo.
Consumado o pesadelo está!!!
A estrada está aberta
novamente...
Você sabe que o oceano nos
engoliu e agora sabemos a profundidade da solidão.
Eu sinto que meu corpo está
quebrado e minha alma quer fugir do corpo.
Mas, as paredes estão rachadas,
estou buscando uma outra saída para nós.
Abra seus olhos, deixe esse ódio
de lado, estamos longe de nós mesmos.
Se você olhar ao redor, sempre
estivemos sozinhos.
Procurando um lugar melhor para
habitarmos, mas acabamos sozinhos com nossas malas melancólicas.
Fomos possuídos por alguma coisa
que vem de um lugar cheio de desgosto.
Não se esqueça, nós tínhamos vários
pontos em comum.
Construímos um castelo e os jacarés
estão famintos procurando nossos restos.
Quando buscamos uma ideia de como
poderíamos estar sóbrios.
Lutando contra esse fogo que nos
quer deixar em cinzas.
Fomos tão amigos, amantes e
realmente, não entendo aonde estava o desfiladeiro.
Então, dê a volta, não se esqueça
que eu não posso te odiar de olhos fechados ou abertos.
Porque eu te vejo, te sei no seu
lugar mais instintual.
Esquecemos alguma porta aberta e
nossas cartas estão voando por todo mundo e quem tentar nos compreender, vai acabar
vendo em si mesmo, o que fomos.
Nas certezas que possuímos,
alguns instantes estão se partindo em mil pedaços.
Sinto um gosto ruim na boca,
parece que eu deixei de sentir o gosto da vida.
Mas, minha alma não consegue
esquecer aquele perfume que vinha do seu corpo.
Estou tentando recapitular nosso
último dia, não consigo lembrar de você sorrindo.
Só via a tristeza conversando ao
seu pé de ouvido.
Sussurrando coisas que não eram
nossas e você adoeceu profundamente.
Não te culpo por ser uma garota
tão perdida diante do cenário que construíram para nós.
Poderíamos ter esquecido toda
essa possessão momentânea de raiva, mas o mar nos engoliu.
Tragou para dentro do seu abismo,
nossas memórias e acabamos afogados.
Abra os olhos, eu sei que você me
queria morto para poder fechar meu caixão e esquecer de tudo que não podemos
viver.
Sabemos que o vazio faz eco, as
vezes acabamos esquecendo o que sentíamos.
Mas escolhemos uma dor insana,
que ressalta nossa personalidade mais ferida.
Então, feche seus olhos, eu já
estou dentro do nosso túnel secreto...
Quando você é violado pelo mundo, a sua sombra salta da sua mente...
Você começa a entender os sinais
que buscam na sua sanidade, saída.
Começa a cavalgar como dois
cavalos selvagens em uma corrida desesperada para manter a vida pulsante.
Estreita sua jornada, a sentir
cada veia do seu corpo dilatar.
Sente o seu sangue, engrossar de
tal modo, que quer que ele saia pelos seus poros.
Adentra sua inconsciência de
forma violenta e destrói a fragilidade dos sentidos.
Comendo cada pedaço do seu corpo,
de dentro para fora.
Balbucia o silêncio quebrado da
morte, evocando seus espíritos mais profundos.
Aonde o medo, não reside.
Aonde a solidez da alma não tem escapatória.
Percebe no cheiro da pele humana,
um desejo de consumo incontrolável.
Deseja cada centímetro do
universo como sendo parte sua.
Desloca sua cumplicidade pela
desleal causa a ficar residindo em um mundo superficial.
Destoado, viaja para seu interior
mais maligno e sombrio.
Aonde as trevas, são seu
esconderijo preferido, aonde se alimenta dos desejos mais insanos e imaturos.
Primitivo, o chamado do originário
se descontrola e começa a esvair por todo instante que se movimenta pela luz.
A luz, não te cega mais.
Então, com o estomago embrulhado
de tanto sordidez, alcança o apogeu da Lua de sangue.
Se encosta na sua deidade aonde a
sua humanidade desolada é enterrada, viva!
Não tem perdão, a busca pela
vingança reluz nas linhas que entrelaçam a narrativa de nascimento de um
monstro, feroz, faminto e fulgaz.
Baba como uma fera enlouquecida
em uma tarde de domingo.
Faminto, ressuscita seus demônios
adormecidos que gritavam desesperados por soltura.
Desalmado, abre a porta do seu
inconsciente e invade um novo mundo...
Exposta em um quarto escuro, sem movimento...
Por um instante não estava alta, me desconectei.
E quem poderia sentir tudo isso? Uma escuridão tomou conta de mim, acordei na posição da morte, com dois cavalos em cima de mim, trajando a roupa do meu destino.
Eles me marcaram e eu senti que alguma coisa dentro de minha se desconectou.
Abri os olhos, no susto, minhas roupas estavam imundas e impuras.
Me abriram como se eu fosse uma caixa, arrebentada sem mais poder carregar nada, parti.
Me recordo apenas do gosto de sangue, lambuzando minha boca, dançando na minha língua.
Minha dor corporal dilatava minhas veias, me subtraindo por uma noite fria e cheia de medos.
Em qual posição eu estava? Rendida!
Uma secreção escorre do meu destino, está tentando me engravidar do suicídio assistido.
Eu tenho os lábios marcados pela força de um punho maltratado e parece um beijo forçado pela destruição.
Não sei como fui parar lá, mas estou tentando contar sobre o que resta de mim.
E agora, todo meu sonho parece querer me levar para aquele quarto escuro, que cheirava morte.
Acho que garoava, porque minhas roupas estavam molhadas e frias.
Cheguei em casa, fiquei sentada, tentando entender, mas o meu trono era de perdição.
Se eu pudesse, escolheria ter partido a ficar com o que ficou comigo.
Não sei como eu estou, não sei o que sinto, só pressinto algo maior do que eu posso suportar.
Eu não sei a quem clamar, estou tentando me achar, em pedaços de vidro quebrados.
Alguém quebrou a janela da minha alma e os estilhaços estão me ferindo.
Você consegue ouvir as batidas do meu coração?
Esse ritmo é frenético e parece que o céu vai despencar sob minha cabeça.
Estou cuspindo os dejetos, mastigando minha falta de solidez.
Eu não estou mais aqui, isso parece um grão de felicidade.
Eu não estou mais aqui, isso parece um fato terrivelmente engraçado.
Porque eu sei que todos os meus passos, vão querer me levar para o quarto da destruição.
Porque eu sei que todos os meus passos, vão querer me levar para debaixo da terra, aonde a escuridão não me assombra.
A porta escura ainda está na minha mente, com sua fechadura quebrada, alguém foi arrombado.
Eu não estou mais aqui, porque meu corpo dói tanto que eu fico inconsciente tentando lutar.
Eu não estou mais aqui, porque minha mente foi violada e eu perdi minha liberdade.
Então, quando eu fecho meus olhos eu tenho medo de abrir e retornar para o lugar do pânico.
Querida, eu não estou mais aqui, então vou arrumar minhas malas e sei que já te falei o que sinto.
Eu não estou mais aqui, os cavalos correram tão rápido que pisotearam todo meu corpo e me feriram com suas unhas cheias de maldição e terra fresca.
Estou sem meu amuleto, então deixei em algum lugar fora de mim, porque a sorte que eu tinha, se rendeu aos caprichos da vida selvagem.
Entendo que já estava tão frenético, sem controle, no excesso e na intensidade máxima que o mundo tentou me recolher de uma forma imatura e injusta.
E eu aceito como um presente para fazer o que eu preciso fazer, cochilar e sussurrar meus segredos mais pejorativos.
Se eu pudesse, eu andaria até minhas pernas quebrarem no asfalto, mas isso ainda não seria o bastante.
Alguma coisa está acontecendo e eu não sei mais o que é tristeza ou felicidade.
No contorno do meu corpo, vejo variações, catástrofes e sujeira.
Quando toco cada parte dele, sinto que ele não está mais consistente, como se estivesse se esvaindo.
Eu já estava sumindo a algum tempo, agora, o vento está levando minhas cinzas.
Sinto as pegadas dos cavalos por todo meu corpo, eu não posso nem sentar para me ver arder em ódio.
Eu não posso respirar sem que minhas costas não se contraiam a ponto de me machucar.
Eu não estou mais aqui, porque agora não tenho mais força e toda minha brutalidade me mergulha em solidão.
Soltando as rédeas dos cavalos eu vou me desfazendo, porque eles são livres e eu estou presa em mim mesmo.
Eu ouço alguém me chamar?
Esse é um sinal de declínio?
A cama já está posta?
Então eu já posso ir embora?
Eu estou ouvindo vozes de pessoas que nunca conheci, isso é loucura?
Estou cheirando a sémen de cavalos que estavam alados e perderam suas asas para a vida traiçoeira.
Estendi meus braços para tentar roubar uma nuvem e ela vomitou suas demências em mim.
Não tenho cheiro de limão siciliano ou baunilha, estou fedendo a destino de mau agouro.
E seu eu tivesse um aneurisma ? Meu sangue iria drenar toda minha sanidade.
Isso é felicidade?
Eu não estou aqui, mas vou levar um olhar triste que me fez lembrar um momento tão bom diante de um caos, naquele lugar aonde eu estava tentando curar minhas feridas...
Uma garrafa de veneno em cima da cômoda...
Uma garrafa de veneno em cima da cômoda e eu sinto cheiro de morte.
As consequencias estão expostas.
Se eu pudesse engolir a mim mesmo mil vezes,
Eu sentiria o quanto já estou envenenado pelos meus desejos.
Então eu só preciso ir embora para onde as sombras nascem.
Então eu só preciso ir embora para onde eu sou gestado todas as noites.
Aquele medo de me distanciar de tudo, agora me acorda em sussurros sufocantes.
Eu estou queimando, sinto cheiro de algo que está podre e já desalmado, repouso.
Então eu só preciso ir embora para onde as sombras nascem.
Então eu só preciso ir embora para onde eu sou gestado todas as noites.
A dama maior que rodeava meu coração, está enterrada na esquina de casa.
Estou tão doente que rastejo procurando o cheiro de morte que vem dela.
Vou me embriagar novamente com aquele gin que me transmite uma paz de destituição.
Ninguém pode me expulsar por que eu já estou indo embora.
Querida eu queria outro gole do seu prazer.
Prazer em te conhecer, mas eu estou sendo drenado para seu lado obscuro.
Coloque -se diante de minha verdade, estou abandonado.
Procurando você nas melodias mais depressivas e que me levam ao isolamento.
E todas aquelas coisas que trocamos por dias, agora dilatam minha pupila.
Eu vou queimar seu valium, minha estupidez vai me dar uma moeda de garantia.
Porque eu rastejei para te desenterrar de mim, minha boca ainda tem seu gosto de maçã verde.
Querida, eu fiquei tão excitado ao te conhecer que acabei virando um cogumelo na sua garganta.
Agora estou entediado porque eu estou infectado com seu vírus amoroso.
Enquanto você viaja na sua condição mais sóbria eu desbravo seu mar violento de demência.
Estou tão endividado com sua indecência que estou picado em mil pedaços.
Virei um vaso vazio dentro do seu coração.
Sua mente me colapsa e eu agora, estou redundante e estúpido.
Eu queria morrer dentro do vácuo que se tornou meu peito.
Mas, as horas passam e eu quero ser apenas algo que regurgita a própria infantilidade.
Eu nunca vou conseguir dizer ...
Eu nunca vou conseguir dizer por onde ando quando as luzes se apagam.
Eu nunca culpei ninguém por não poder me prometer um mundo melhor que o meu.
Eu nunca me movi tão rápido pelas estradas do medo, as folhas mortas caminham dentro de mim.
Não, desta vez eu não estou sentindo nada.
Não, desta vez eu vou mentir e dizer que eu posso ficar bem esta noite.
Eu nunca consegui contar como cheguei até aqui.
Dentro de mim, um demônio me devora, tira o sabor das coisas que eu como e me faz suar frio.
Sei que não tenho que dizer tantas coisas e acabo nas mãos amargas de uma intensidade que me afugenta.
Muitas vozes cantam na minha mente, melodias destrutivas e nem mesmo minha melhor concentração me faz distante do que sinto com tanta força.
O mundo fala comigo como se eu pudesse voar sem asas para voltar ao meu ponto inicial, a insanidade.
Então, está tudo conjurado!
Eu não posso dividir nada com alguém que não seja tão imundo quanto o que estou me tornando.
Não, desta vez eu não estou sentindo nada.
A tempestade está chegando e eu sei que não tenho para onde ir.
Os colos estão pegando fogo, o ventre da saudade gesta minha própria morte.
Eu queria ficar bem, mas sem estar tão alto.
Os meus sonhos estão cada vez mais deformados, meu corpo transluz o que sonho com veracidade.
Estou secando, igual as árvores que nascem no meu inconsciente.
E eu escutei alguém dizendo que vou conseguir enxergar isso de outra forma.
Então, fecho meus olhos e as sombras me embriagam de incertezas.
Estou conversando com algo que me engole todas as manhãs, que me faz chorar em silêncio.
As coisas estão ficando cada vez mais escuras e tempestuosas.
Eu sinto meu corpo congelar a noite, quando posso ouvir meu consciente pedindo para eu desistir.
Venha devagar, agora estou pensando sobre algo que não me destrua com tanta voracidade.
Estou encostado nas paredes do destino e elas estão desabando...