segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

:: INCONSCIENTE E RUPTURA::

 

Inconsciente é ruptura...

 

Passagens, incessantes, qual a definição do manifestar?

Um objeto que não diz, utiliza a linguagem do que antecede a fala.

Podemos aprender pela razão, o intelecto, ressoa, brando, irrompendo o novo.

Chamo de caminho desconcertante, percepção da prática do agora.

Em alguns lugares incômodos, os cômodos do consciente estão arrastados, cadeiras com suas pernas quebradas, sem equilíbrio.

Podemos nos dar conta deste fio que tece a vida, através das relampejadas da obra de si mesmo.

O jogo místico, se sobrepõe a performance da iniciação para uma vivência-do-agora.

Alguns dizem, que este lugar é abrigo, outros relatam, um lugar de perdura.

Existe um enunciado, desconhecido pelo sistema de apreensão do sentido-estar.

Proposições inadequadas de pensamentos, desdobramentos quânticos, resultados de trágicos momentos experienciados.

Estamos passando pela ponte central do entendimento, um lugar cheio de escombros sentimentais.

Sobreviventes de um mundo torto, que esquiva da solidez humana, transformando nossa alma em animal, selvagem e inquieta.

Neste percurso, morremos muitas vezes, deixando alguns sentidos vazios, sentados nas calçadas geladas.

Guardamos nossos segredos mais antigos, borrados e que se esvai diante de nossos olhos.

Entusiasmados, pensamos em ficar, mas acabamos partindo quando o sol quer se deitar.

O que motiva uma alma continuar reinando dentro de nosso corpo?

Talvez, uma sobrecarga de amor, ódio, frustração, paixão e compaixão pela estadia.

Não tem visita marcada, nos encontramos em um lugar individuado.

Somos massacrados pela máquina do agora, que procura anteceder um futuro incerto.

Este movimento frenético, nos desdobra e nos transborda até a margem dos nossos dramas.

Trágicos instantes aonde a ruptura do inconsciente, conversa com nossas extremidades, misteriosas.

Quem vive isso intensamente, volta para o lugar de origem?

Não se sabe, relatos são vorazes, pouco se tem de narrativa, balbucios inadequados.

É a forca da sobriedade a força da inquietude, a sombra da realidade.

Neste lugar, se tem amor e devoção, causa com efeitos melancólicos, diurnos, parecem devaneios arrastados pela sombria tarde de verão.

Quanto mais eu tento expectar esse lugar, mais ele escapa do que realmente é...

quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

::SENTIDO INVERSO::

 

Apague as luzes, as nuvens cinzas estão se aproximando....

 

Um carro em alta velocidade, está dentro de seu coração.

Não existe uma razão para tal, mas acontece.

Enquanto a cidade está apagada, você está dando volta dentro de si.

Não brinque, você sabe o sabor amargo da infelicidade de as vezes não realizar a verdade.

Não é tão ruim quando o céu não fica azul.

Você está alta, tentando provar o gosto da sua frieza e deslealdade.

Então, projete-se aonde as coisas não podem deixar de aparecer.

A fumaça que você traga, te muda e tudo parece flamejar.

É irregular, mas você sabe o que quer e continua tentando não se perder.

Procurando nos olhos cegos da maldade o que enxergar com tanto temor.

Pesque algo dentro de si, algo que realmente pode acreditar sobre seus sonhos ruins.

Seu coração é feito de pedra e ele também quebra, mas se refaz toda vez que se apaixona por algo do lado de fora.

As coisas começam a se movimentar, lentamente e suas batidas estão fora de frequência.

Isso não significa que você irá exatamente se perder de onde começou a se identificar.

Ascenda as luzes, agora você pode se ver, inteira.

A vida passou como um flash, agora você está trêmula.

Os rios começam a rolar ao contrário, as razões estão controversas.

Você queria viver isso tudo, mil vezes, sem se distanciar das suas perversidades.

Quero lhe dizer algo, você ainda consegue sentir aquele gosto amargo?

Então, vou pintar seu céu, da cor de seus olhos para te provar que você está acima de tudo que te ensinaram sobre si.

A fortuna não é algo estranho quando não se pode guardar a satisfação de querer sempre escolher algo para ganhar.

Estamos aqui, você condizendo com suas crendices, presa em pequenos detalhes, simbólicos, como aquela vez que te vi, entrando naquele lugar escuro.

Você consegue acreditar que agora pode ter sonhos bons?

Seu coração está disparado, correndo como flecha por essa floresta solitária.

Então o que você guardou por tanto tempo, não era segredo, somente medo.

Medo de não conseguir caminhar sozinha diante daquelas montanhas que lhe deram para escalar.

Você se machucou tanto, agora a dor não te incomoda mais.

Vista sua roupa preferida, aquela que pode matar qualquer um.

Lembre-se de seus nomes, porque você ama até querer morrer.

Não se desculpe, porque você continua correndo pelos vales que não são mais encantados.

Você diz que o amor pode te obrigar a ver a insanidade em sua proeza mais profunda.

Não peça, por favor, porque toda vez que a semana termina, você fica exausta e cheia de saudade de quem foi ontem.

Toda vez que eu fecho meus olhos, eu vejo você sonhando com as coisas que um dia me disse que eram impossíveis.

Seus delírios te sufocam e você adora o peso deles no seu peito.

Você pode correr para onde quiser, mas sabe que sua sombra é mais veloz.

O vento mudou a direção, está na porta de sua casa, te obrigando a sair.

Então, caia e dance sua dança proibida para tentar se relembrar o quanto ainda conseguia ser humana, mesmo amando como um animal ferido...

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

:: TUMULTO NO TUMULO: :

 

Desprender-se...

O que volta para seu início, principia-se em um gesto fatal.

Explanados, estamos duelando contra nossas carnes.

Alguns corpos se desprendem, constituindo uma dança mórbida.

Hoje o dia foi tão pesado que parecia que eu não tinha corpo para tal.

Então, eu digo, aonde estava minha energia?

Despenquei de 11 andares, de braços abertos, procurando um adeus sincero.

Percebi aquele punhado de pessoas, tentando regenerar uma parte da alma, inacabada.

Os sonhos estavam todos suspensos.

Como se eu pudesse sentir o cheiro do meu travesseiro, atravessei a cortina cinza.

Alguém sussurrou no meu ouvido, estava tudo acabado, as luzes contaminadas pela tristeza.

Como é que eu cheguei até aqui?

Aquelas árvores sonolentas me perseguiram por todo campo esverdeado.

Não tinha razão, não tinha lógica, só um grande cheiro de melancolia.

Estar inacabado, encerrado, mas, de punhos cerrados, mudei de lugar.

Acabei em um lugar de silêncio, aonde as datas não se encontram mais.

Então, consegui quebrar um pedaço de minhas memórias, ela não estava mais lá.

Deixou uma ofegante presença, porque não mais, iria voltar.

Todos aqueles anos, remotos, maremotos, sua voz, calada para sempre.

Estou explanada, dando adeus para alguém que me viu de costas e de frente.

Tantas coisas não fazem o menor sentido, estou pequena.

Apertando algum botão mental, queimando, apenas jogando com a humanidade.

Eu poderia ser Deus, mas naquele momento, era mortal, queria fechar meu próprio caixão.

Minhas sinceras dores, não mais consigo explicar, porque estava enraizada naquele mórbido momento.

Não conseguia dizer adeus, minha garganta doía tanto, que via aquele rosto antigo em todas as janelas dos carros enquanto tentava encontrar meu caminho de volta.

Sei que algumas coisas, não voltam para seu lugar de partida, mas eu queria ver meus ossos entrecruzados com a salvação de algum momento que ali, eu pudesse me render.

Chorei, esvaziei e retornei ao meu lugar, naquele velório iniciático.

As flores não tinham cheiro, eram absolutamente impenetráveis odores.

O dia estava cinza e coberto de angústia, quebrando as nuvens em pedaços, choveu!

Então, esse silêncio, virou abertura...

domingo, 8 de dezembro de 2024

:: PRELÚDIO DE UM BROTAR::


Nem tudo cabe no silêncio e tão pouco, nas palavras. Algumas sensações, moram dentro de nós, em um lugar aonde o vazio não existe por muito tempo. Este lugar, condensado e insano, provocador e modesto, lembra profundamente alguém procurando motivo para entender o calor do sol e o frio que se esconde atrás da Lua.

Passamos muitos anos tentando constituir um lugar de narrativa para nossos acontecimentos mais profundos. Muitas vezes, conseguimos, sussurramos, murmuramos, mas poucas pessoas escutam ou conseguem decifrar o que de fato precisamos para daquele lugar de expectativas, nos iluminar.

Com quem podemos de fato contar quando cuspimos nossa história mais secreta, sem que este, possa não nos julgar com sua morbidez e egocentrismo? 

Algumas pessoas passam pela nossa vida, tão passageiras, que os acentos não ficam reservados para que elas voltem e também, talvez elas nunca queiram ali voltar a sentar. Indiferentemente, continuamos vivendo procurando prerrogativas para felicidade e angústia, melancolia e sucesso. Mas, até quanto pudemos suportar sem sermos entendidos? É possível que nunca nos entendam, esse lugar de dúvida é substancial e pode parecer, vulgar.

Todos nós, em algum lugar escondido, estamos aguardando um amor, um ponto força, um novo amanhã chegar.

O lugar do pensamento é imaginário, a concretude de nossos sonhos, não tem tempo e nem espaço, ele só vive a se instaurar, pelas paredes, chão, teto, linhas, presentes, futuro, pessoas, promessas e frustrações.

Quem consegue subir até onde tudo que idealizamos, reside?

Nós mesmos e outros, como nós, transgressores de memórias, afetos e considerações, procuram escrever, contar, ou simplesmente, se desmancham em lágrimas, tentando passar para outro, o que ele está a vivenciar.

Encontramos diversas controversas a respeito de quem somos, para onde vamos e para que abandonar a ideia de enaltecer o que querermos alcançar.

Talvez, bem lá no fundo, saibamos que o nosso toque no mundo, pode ser tão sensível, que vira um bicho humano brutal. Tudo bem, o que precede a queda de todos nós, vem da não realização. Um não, ou um, sim, muda toda uma gestação de estação mental.

Não existe lugar para quem não quer se encontrar! 

Mas depois que nos encontramos, o que faremos com quem iremos nos deparar?

Minha prosa é acelerada, fugaz, densa, vem de algum lugar que não me recordo, mas sei que vivi, de alguma forma, testemunhei algo que me acometeu e no meu universo particular, que de repente, desabrocha, perturba, me faz cair de amores e no outro ato, me torna fraca e preparada para novamente, transmutar.

Não me esqueço de tudo que já atropelei, presenciei e silenciei, da paixão, fúria, desconexões, encontros marcados por desencontros, pelas ruas que já tive que passar correndo, outras, que andei tão só, que andava devagar para tentar me encontrar.

Ser livre é um desejo, ardente, mas a liberdade não está apenas em fazer o que se quer e sim, não ter que lutar contra si mesmo para chegar aonde não temos medo de não ter limite.

Passamos tanto tempo querendo justificar o que não cabe somente em nós, desejos e projeções cheias de preceitos e degustações de um prazer qualquer, sem nos dar conta que ali, não estávamos tão preparados para nos aceitar.

No meu mais íntimo desejo,  queria que nada se permanecesse intacto em minha vida como sonhei, mas que meus sonhos possam ser percebidos por alguém que tenha a vontade de comigo, montar em um cavalo arisco,  feroz, cheio de medo, ressentimentos e que ao galopar tão rapidamente, talvez não saiba o caminho para dentro de si, voltar.

Desejo a todos, que sonhem, sejam primitivos, seguros de si, que saibam que o caminho que escolham, talvez não seja o melhor,  mas que neste momento, só sirva de passagem para te levar para um novo lugar dentro de si mesmo.

Convido a todos, para dançar em meus pensamentos substanciais e imaginários, não se esqueçam que permeio o nunca, o não-pensado, o mistério, a culpa, o amor, a dor, a realização e o pensar. Espero ser capaz de transcender o que aqui deixo, na honra das palavras, nos minutos que me fazem tardia.

 Que seja possível que vocês sintam o calor de sol na beira do mar, forte, incandescente ou sintam o frio do cair de uma noite, eu esperando uma tempestade chegar.

 Em um aceno breve, me despeço, esperando tudo se entrelaçar, naquela tarde de domingo...



domingo, 3 de novembro de 2024

::EUPHORIA::

Lá vem aquela garota que sorri, alto, como se o mundo fosse dela...


Epifania!

Uma falta de lucidez, cômica, rebelde e um tanto fugaz.

Translúcida em suas próprias tragédias, talvez uma ópera sem limite para acabar.

Com seus passos tortos, seu coração inebriado de amores, paixões e com apenas um desejo.

Encontrar sentido nas coisas que não quer deixar escapar por onde ela passa.

Sua beleza, efêmera e intra-sexual, não remete a nada e nem a nenhum gesto erótico, desconexa.

Brota de sua mente, poesia, prosa e lugares escuros por onde somente os passos dela, recordam.

Emancipada por sentimentos que ela não quer guardar, sai distribuindo, são dores, aos avessos.

Não economiza em dizer que o mundo é bravo, feroz e redundante quando não se pensa.

Suas condições, passagens, portas abertas, janelas escancaradas.

As pessoas que olham de frente mergulham em um caderno velho de rabiscos, só se percebem quando são pequenas.

Prefere a pequenez, por onde divaga suas torrenciais saudades, nos nebulosos domingos, insuportavelmente, tranquilos.

Anunciada está uma tempestade e ela fica excitada, escreve e recua, tentando encontrar palavras e desejos que, há muito tempo, não sentia.

A euforia passa correndo, entre os vãos da casa, escapando pelas transversais conversas mudas, entre o silêncio e a vaidade, foge!

Com seus antigos livros, filmes e seriados de si mesma, se diverte, com as alegrias que tanto intui em conseguir.

Amante do som do piano mais melancólico, fragilizada pela própria sensatez, não se desgoverna como queria, mas, assombrada pela sua sombra, não se vê.

Estar cega neste momento é uma Dádiva, um dom maior de apenas ali se encontrar.

Ofegante, suas artérias parecem que vão explodir.

Sua filosofia preferida não serve, esta noite não.

O relógio bate na frequência de seus batimentos cardíacos, parece que o tempo irá parar, por um momento.

A retomada de seus instintos, caminhando sem certezas, encontra o bosque de si.

Um lugar de reencontro com seu ego, seu Self!

Neste lugar, encontrei um bilhete, lançado em seu desejo mais íntimo de felicidade, lá está escrito: Euforia!


sábado, 2 de novembro de 2024

:: OUTRO DAQUELES SONHOS::

 Então, só podemos estar dentro de um risco de saudade...


Então isso é o que vem de mim?

Andando por lugares aonde os meus sentimentos tem saudade de serem vivos.

Por favor, se existe alguma coisa que eu possa fazer para estar inteira, me comunique.

Algumas coisas começam a florescer, o divino se afasta.

Eu não estou aqui, de novo.

Agora me sinto infeliz, fora da gama de felicidade que me contraria.

Ontem a noite eu contei para uma garota que poderia esperá-la e ela partiu.

Queria estar dentro de uma história de amor, qualquer uma, aonde meu coração pudesse me dizer que as flores vão voltar a florescer.

Os dias estão sendo contados, os segredos e todas aquelas juras de paixão, não me deram a chance de insistir que poderia ter um final feliz.

Existindo no final de uma estrada, esperando um trem carregado de pessoas, cair na minha ribanceira. 

Eu sei que em algum momento deixei de pensar claramente, mas a única coisa que parece compreensível é que talvez eu já estivesse lúcida demais para entender minha loucura.

Estou procurando aquela rainha de copas, em uma carta de insanidade, isso é deprimente.

Ei, hoje pensei em você, mas de uma forma diferente.

Era um quem estava dentro, regozijando as minhas memórias, os olhos inchados de chorar.

Queria muito que você pudesse ver os meus pedaços, mas você está se ocupando com outro de mim.

Acho que está na hora de eu partir...


terça-feira, 30 de julho de 2024

::FUSÕES ENIGMÁTICAS::

 Na encosta Sul, o Deus Sol se curva...

Mostre como posso flutuar sobre todas as minhas dúvidas.

Toda vezes que tento escolher algo, sou acometido por algo que me destrói.

São sonhos, entendo, mas é que, as minhas paisagens estão suspensas.

O oceano me apunhala e estou assistindo minha derrocada por um simples prazer.

Então, me dê mais uma chance de continuar a vislumbrar um novo caminho.

Está ficando tarde e eu nem sempre consigo voltar para casa em segurança.

Essa noite, só essa noite eu queria simplesmente ter um sono breve de mim mesmo.

Pouco sei sobre colisões internas, fusões enigmáticas que me assombram.

Não sei mais como encontrar as estrelas naquela manhã ensolarada.

Algumas coisas conversam comigo todo tempo, fico imaginando as horas, rompidas.

Estou vivendo com um poder que não posso controlar, minha fúria.

Por uma vez, minha coluna está pronta para se espatifar nos meus delírios.

Me tornei replicante e insolúvel, minhas dádivas estão confusas e incontroláveis.

Muito de mim, sabe pouco de tudo que tenho aqui dentro.

E isso me desloca para baixo...

terça-feira, 23 de julho de 2024

::ENTIFICANDO::

 O corpo encena o momento intimo, eu narro às sensações do estar no templo sagrado carnal...

Sem mérito algum, poeticamente eu abro o vazio inegável da minha existência.

O que ando vivendo não é possível narrar, é um transbordamento de sentidos, um prazer inigualável, uma tempestade formando-se dentro de minhas artérias...

A vida é poesia do desejo, a continuidade puxa a correspondência da atração pelo outro ente.

Demonstro o raso passo da liberdade e a profunda passagem pela linguagem do espírito solitário que salta de uma dimensão à outra, tentando habitar um tempo honesto e revelador.

Ando acompanhando o movimento do “estado oculto” do segredo não revelado, criações que criam conflito com a moralidade.

Não basta o encobrimento, eu interpreto as coisas que tenho nos espaços intensificados, como entificação do meu ser-ali.

Estou em estado de graça, desmembrada pelas minhas raízes no passado lançadas no presente.

Principio de correspondência, finalmente eu sinto uma possibilidade enorme de ser feliz por alguns instantes... e isso me deixa em êxtase!

Não posso virar as costas para as coisas que surgem no meu caminho, surgir para mim, já é o próprio fenômeno em si revelado para ser vivenciado.

Eu quero transmitir tudo isso, e não posso acolher outra perspectiva por enquanto...

Vou vivenciar as coisas do modo que elas se apresentam, sem medo de cair no abismo futuramente...

:: QUANDO A NOITE DESTRÓI O DIA::


Quando a noite destrói o dia

E a coisa mais importante a fazer é esperar
Corra, para onde as letras se encontram
O outro lado de sua mente está cheio de prazer
Isso é um tesouro que você não sabe aonde guardar
No fundo você já entendeu boa parte do que acontece
Mas você insiste em navegar por águas profundas
Suas rimas não acordam mais os deuses
Suas mãos estão atadas e você está com o coração cheio de euforia
Você vai ter que quebrar outra vidraça , já estamos em pedaços
Me mostre aquele outro lado? Pode ser em uma outra hora?
Estamos vindo de um lugar desconhecido
Aonde os trens se colidem e não temos medo
As praças estão cheias de corações partidos
Eu estou tentando segurar suas mãos e você não tira as mãos dos bolsos cheios de sonhos
Podemos voltar a falar sobre aquela coisa misteriosa?
Porque minha cabeça está cheia de causalidades
Vou ter que voltar com a minha caravana para onde o sol não dorme
Aquela noite, assustamos os cavalos e nos tornamos selvagens
Me leve para aquele lugar que você me ensinou a ir de olhos fechados?
Me conte suas histórias mais loucas?
Porque a vida está sem cor.
Aonde consigo acessar seus poemas secretos?
Eu sinto um medo de não conseguir fazer chover para você.
Você está vendo aquele meteoro?
Acabamos de apagar uma estrela, agora o céu está nebuloso.
Vou abrir meu peito para você ver minha constelação particular, aonde a vida é só poesia e sonhos.

 

sábado, 20 de julho de 2024

::PESADELO LÓGICO::

Prevalece o fundamento lógico, o pensador enlouqueceu...

Aceitar a dominação, a carência e a necessidade de estar só, tornou-se artificial.

Pensando, entro em uma luta que combina, ódio, tensão, paixão e devoção ao poético.

Meus fundamentos lógicos, tornaram-se obsoletos e frágeis, estou pendurado!

Quando tento ilustrar tudo que vivenciei, percebo que minha alma, vive uma catexe libidinal.

Sem fluentes, um rio desgovernado de filosofia Kantiana, silenciosos devaneios platônicos me assombram.

Vivo uma ininterrupta vontade de produção e consumo literário que já não me satisfaz, meus caminhos criaram caninos loucos para me devorar.

Saboreio o látego social, vísceras entorpecidas por medicamentos ácidos e destrutivos.

A mente, balança de um lado para o outro, o Eu não está conseguindo me encontrar.

Já deixou de ser adequado para mim, ouvir as vozes, agora o silêncio permeia minhas ondas altas interiores.

Minhas necessidades instintivas, estão guardadas em um lugar bem distante dos olhos alheios, ganhei um inimigo combativo, odiado, chamado Desejo, que não me deixa em paz.

Criei milhares de apetrechos expansivos, como objetos espaciais colidem em meu inconsciente, me deixando exausto e impuro.

Não tenho medo das pessoas, não costumo rejeitar sussurros e nem lamentações, introjeto substancialidades existenciais, cortesias que me cortam, fatiando minha transcendência.

Meu coração, torna-se um objeto oculto, mágico, que dissolve nas mãos de minha insanidade.

Não faz sentido algum eu falar sobre liberdade, estar livre, para mim, parece já pensar na condição de estar preso por algo.

Mas a verdade é que, não falar de liberdade, já exalta uma liberalidade excessiva de condicionamento moral, opressão.

Vivemos a catarse, uma espécie de miséria gradual, que vem comendo toda população mundial, pelas margens, bordas econômicas e afetivas.

Hesito em empregar a palavra, crime!

A humanidade ainda me choca, trazendo “release” de situações aonde o desfecho é o próprio ego inflado.

O rei está submisso a uma constante reprodução de poder, conversão de servidões voluntárias que são prospectos históricos de escravidão física e principalmente, mental.

As temáticas poéticas agora estão a serviço não só do amor, não só de extravasar os desejos poluídos e não permitidos.

Agora, os poetas são impulsionados a falar para aqueles que sentem uma espécie de dor que não conseguem narrar, só acordam em uma manhã qualquer pressentindo a morte social.

Me proponho a um questionamento menor, a emancipação do meu próprio Eros, minhas meras necessidades de ser “alguém” sem “persona” sem negar a rejeição rumo a um progresso pessoal, falido.

Minha mente nunca foi saudável, nesse momento, estou escrevendo e morrendo por dentro, por paixão, medo e procurando minhas virtudes heróicas aonde perdi tantas guerras conscientes.

Pensei e cheguei a um lugar aonde, nenhuma filosofia, nenhuma base teórica pode desfazer a introjeção democrática dos senhores em seus súditos, estão todos enamorados...


terça-feira, 9 de julho de 2024

:: O SIGILO DE DIONISIO::

 E se o escritor deixar sua obra inacabada...

Perdura um tempo em que a mente é infindável, sofre como tola, desacelera.
Uma síndrome vazia de solidão, desabrochando no horizonte cinzento.
Corre Dionísio para os longínquos lugares escuros onde costuma se esconder.
Não tens mais um bravo coração, choras à toa, não tem discernimento sobre si.
Vai fingir que tua presença pode ser apagada quando queres à luz acesa para ser velado.
Desponta teus medos, sussurros ardentes, desejos insanos que não mais se comunicam contigo.
Tu estás apagado, sem chama para arder seu ego fanfarrão.
Carrega em teus pés, pesos por caminhos que nunca andastes. 
Tu teve medo, tua euforia te enlouqueceu a ponto de te deixar lembranças cheias de penumbras.
Tua essencialidade não reproduz quem de fato tu és, perdido e incapaz de se principiar nas coisas da vida.
Teu coração está partido, pedaços de constelações estão espalhados pelo chão.
Tuas asas quebradas e feridas, dói existir e resistir à dor que causastes, ainda é maior do que o mundo teu.
Estás assombrado, desesperado, tua fraqueza não é efêmera. 
Partistes do inconsciente, não do centro de tuas próprias vértices, românticas.
Tuas poesias estão humilhadas, diante de tuas feridas abertas, escrever não irá te curar.
Tu estás aturdido e abalado, teu corpo está morrendo e tua mente está a solapar. 
Dionísio, tu que amas a noite, o dia, o estar, por que se escondeu de teu amor?
Tinhas medo de morrer ou viver demais para amar?
A tua dúvida faz teu existir, o teu sigilo, corrompe sua originalidade!
Estás destronado de si...

:: DUALIDADE SENSORIAL::

 A que se destina à nossa dualidade existencial, se não, a mesma questão de procurar o que se está diante do destino?

O nosso maior questionamento, quanto ser-no-mundo, sai da redoma existencial e passa a pairar nos adventos de outros sobreviventes do caos.

Não só a nossa relação com o mundo é inversa por dentro, mas nosso desentendimento com o tempo causa uma angústia analgésica e cheia de cólica.

Desesperados por um suspiro de compaixão, nos debruçamos em cima dos livros.

Nossos antigos amores, encontram-se mortos dentro de nós, nas tumbas do inconsciente.

Não é porque alguém te diz adeus, que seu coração irá se desintegrar e sumir no universo.

Não há razão, o conhecimento está isolado do amparo da paixão.

As cores vibrantes que nos cercam hoje, estão ofuscadas pelos ressentimentos do velho passado.

O destino, em algum lugar, acena e sorri.

O devir, ergue os braços para nos acalentar.

É chegada a hora dos instantes inevitáveis, onde os deuses bocejam de tédio das nossas redundantes perguntas sobre o processo de individuação.

O que seremos no próximo segundo, se não, provedores de um destino sem peso e medida?

Racionalistas cospem fogo nas literaturas românticas.

Os poetas batem suas portas da mente com força, par anão serem corrompidos.

O mar, bravo, enaltece meu ego desvairado...


quarta-feira, 3 de julho de 2024

:: PALMEIRAS SOLITÁRIAS:

 Quem poder ter o poder, guarde...


Te imploro, te esqueço, te imploro, universo em constante mutação.

Não percebe que desde criança lhe quero?

O vento que assopro, manda o fogo das velas para dentro do vazio.

Nos meus cânticos mais antigos, estou abrandado, rodeado de sonhos.

As palavras não me têm!

A harmonia que já não possuo mais, agora lamentam a minha ausência de lágrimas.

Desta vez, minha ladainha, não te cerca, universo que não mais é brando.

Sua chama me ascendeu e me enviou para o meio de tantas estrelas ofuscantes, me perdi.

Eu queria ter o poder de roubar um astro qualquer que seja seu, talvez Plutão.

Em minha força total, adormeço em Júpiter e acordo em Urano.

Sou hermético, desdenhado, estrangeiro, sensitivo e inacabado.

Sonho um sonho inventado por um Deus tristonho e fático.

Não me encontro no absoluto, sou tinhoso e maldoso comigo mesmo, engraçado!

A gramática mais tensa é minha temática principal, escrevo poesia para quem me provoca para viver.

Provoco o mundo com minhas delicadezas e minha fala calma é o que causa estrondo nos horizontes.

Vou até os desabrigados, gosto dos desvairados que me assombram, desassossegado é meu coração.

Quem me ver chegar, não sabe o peso que Janeiro tem quando a Terra gira na minha mente.

Fascínio pelo desconhecido, faço promessas para o pai Tempo.

Silvestres são as plantas que cultivo, selvagens e inadequadas para os de bom comportamento.

Não gosto do incômodo dos outros, eles falam sussurrando em meus ouvidos, ensurdecidos de tédio.

Eu aprendi a ouvir os mestres, nos louvores, nos salmos esquecidos pelos proseadores. 

Os meus livros são cheios de fábulas, antropofágicos e filosóficos.

O Diabo me quer e Deus me fascina, mas nenhum deles me assombra, sou o desperdício dos fanáticos.

Minha maior fome vem da euforia dos austeros que me buscam em suas tristezas,

Nas folhas avulsas no caderno de rabiscos das crianças que choram sem saber que já são gente.

A noite chega, me causando náusea, minha maior inspiração é a água que sai do canto de meus olhos.

Me perguntam, porque ainda estou aqui.

Não tenho resposta, eu fujo como bicho afoito para as matas escuras.

Se tenho sede, bebo todos os amantes que estão embriagados com o cheiro dos perfumes das moças noturnas.

O meu banho é  no sangue dos culpados, os que ainda não entenderam que o maior pecado é não se permitir pecar.

Minhas palmeiras são solitárias, sem ventanias para lhes balançar.

O mar está secando, não quero saber das desolações do Sol, que cativado pela humanidade faminta, ainda está a brilhar.

Me recuso pegar carona nos desejos alheios, só acredito em quem me faz despencar de paixão.

Estou transportando o que é ancestral, meu fantasma interior, não fala para quem quer prosear. 

Quero deslizar sem pressa, por cada canto deste mundo.

O vão do vento, me empurra com força para dentro de mim mesmo,

As estrelas estão a  me encurralar, querem saber de mim, sem de mim querer cuidar.

Brilham deste jeito para que, se em seus caminhos já não posso caminhar.

Sou antigo, fui açoitado pelas mãos do destino, um rude caso do acaso dos meus sentimentos.

Afrodisíaco é o que não posso possuir e nem controlar, minha triste tarde de domingo, está a me sondar.

Gosto do que é injusto, reparo até nas folhas que se desgrudam tristonhas de suas árvores desponderadas. 

Vou carpir o submundo, para ver o que lá, existe a vagar.

Choro e lamentações, existe uma raiz fincada no meu olhar.

Quem me vê sombra, não pode de mim nada falar.

Estou estrelado, apague as luzes para me ver sumir em seu céu particular.

Tomara que meu último suspiro seja diante de uma chuva torrencial, descontrolada...



domingo, 9 de junho de 2024

:: CRISE CRUZADA::

 Não me deram motivos, mas falarei de mim mesmo...

As linhas me curvam, cruzando minha mente , repartindo meu sentido em dois.

Dois de mim, duplamente complicado e ácido.

Meu único alimento, já não tenho, medo!

Estou com minha sinfonia cardíaca, destoada, desafinada e rouca.

Minhas lamentações estão mais altas que minhas intuições.

Para mim, neste momento, intuir é destruir o pouco que tenho.

Ressoam os sinos, a igreja está fechada, seu público maior, fugiu.

Aquelas badaladas das horas, me confundiam, parecia que a noite, nunca dormia.

Nem a tarde reluzia, mas as badaladas continuavam tentando engolir meu tempo.

Meu relógio, melancólico, parecia um livro do Mario de Sá Carneiro, sem cabeceira.

As poesias que eu costumava ler, foram devoradas pela minha ansiedade.

Eu acostumei com tanta coisa estranha que me coisifiquei. 

Virei uma molécula transcendente e incendiária de costumes.

Vigiado por um monte de pessoas que correm à beira da estrada, desesperadas.

Que elas não me encontrem, eu ando de costas com o coração nas mãos, elas não me enxergam.

Nada é irrelevante neste momento, até a penumbra virou minha brilhante companhia.

Sorrir, tornou-se uma crise cruzada...

terça-feira, 16 de abril de 2024

:: RELATIVIDADE DO SENTIMENTO NO TEMPO::

O coração, vive a relatividade do tempo.

Ama em uma hora, em segundos e se desfaz em instantes.

A alma, vive a relatividade do tempo.

É alma latente em segundos, em uma hora corrói em instantes transcende.

O que é o homem e a questão do tempo da sua jornada?

A jornada do jorro da poesia nos olhos de um pacifista, que acabou de perder o amor da sua vida porque descobriu que era uma mera ilusão.

Ou um cientista que enlouqueceu a perceber que seu relógio estava 13 minutos atrasado e ele perdera completamente sua personalidade.

A cascata forma cores, os obscuros se escondem nas margens.

Temos um tom e meio de vida, um tic - tac na essencialidade do que é originário.

Minha questão não deixa de ser palpável porque não consigo consumi-la.

O consumo, meu desejo, arde e é latente, pulsa!

Já me perguntaram sobre o tempo, sobre outro tempo que não o meu.

Que é diferente do seu e do deles.

Mas de alguma forma, nos encontramos nesse emaranhado de acontecimentos esféricos. 

Não deixamos de ter nossas crendices e nossas repentinas paixões avassaladoras.

Mesmo que seja possível gozar do fruto da virtude do tempo, engravidaríamos no mesmo segundo da mesma vitalidade.

Tempo parado!

Lugares aonde o pensamento vai longe, naquela velha casa aonde passei minha infância.

Tempo rápido!

Acordei com o despertador tentando me chamar para uma vida de rotinas.

Tempo do agora!

Agora entendi que passei grande parte do meu tempo, adormecido.

Tempo do nunca mais!

Foi aquele amor de verão, que ardia tanto, que meus olhos soltavam faíscas ao anoitecer.

Constituir uma relação afetiva com o tempo é a mesma coisa que tentar pegar um peixe morto em um oceano bravo.

Bravo, tempestuoso e sinuoso!

Curvas em toda velocidade percorrem todo meu corpo, inaugurando uma nova tentativa de existir com mais seriedade.

O que seria de mim sem esse tempo?

Ao olhar para o céu, percebo o tempo, devagar, quase como uma fotografia em preto e branco.

Minha incapacidade ocular não me deixa ver o universo colorido, mesmo assim, aprecio com vaidade tudo que está erguido sobre mim.

O rodopiar dos anéis de saturno, marcam as horas que ainda me restam para estar diante do meu próprio espetáculo da vida chamado, temporalidade.

Lembra daquele amor, lá de cima?

Está neste instante a brincando com meus sentidos e a todo momento, na hora H, desmistificando minha construção romana das 24 horas de intensidade.


domingo, 17 de março de 2024

:: DIA ESQUECIDO::

 Está ali, não mais fora de mim.

Andando sozinho, pedindo favores.

Descontando a melancolia em choros abafados.

Andando sozinho, procurando uma paisagem.

Está ali, agora fora de mim.

Ninguém pode ouvir sua voz, ela está engasgada na alma.

Tentando rabiscar o infinito, as palavras estão voltando para o coração.

Pensamentos que não podem ser pensados.

Um futuro incerto, alguma fagulha de amor, foi acesa.

Agora é hora de deixar ir embora, o agora.

Nada mais vai importar quando as luzes forem apagadas.

Temos as estrelas, o sol está queimando a história toda.

Os pés não sabem para onde ir, sua correspondência não chegou ao destino certo.

A prisão de si mesmo, escolhendo um modo de escapar.

Porque dói, o céu está caindo.

Tudo que você tinha de bonito, está apenas na memória de um dia esquecido.

Quando imaginamos demais, acabamos apenas adormecendo e sonhando com nuvens escuras.

Não, não irá chover para você sentir o quanto isso pode ser real.

Porque, estou ali, fora de mim.

Esperando um lugar para morar, entre abrigos sentimentais e ruínas interpessoais. 

quinta-feira, 6 de julho de 2023

::ASAS DE UM PÁSSARO::

 Outro lugar em mim, está aberto....

Agora não são deslizes, não são atos, são atalhos, muitos atalhos.

A melancolia é minha convidada especial, ela entra em mim.

Em mim, as gavetas estão novamente abertas, aguardando serem puxadas, com força.

Aquela leveza, já derrubou árvores e de repente, as cicatrizes começam a surgir.

Cada pedaço do meu corpo, vai rachando, um desconto de cada conta que deixei de fazer quando pensei que pudesse fugir de mim  mesmo.

Não adianta a poesia, essa noite, a escuridão não fala, ela murmura.

Os passos estão largos, as estradas fechadas, os ouvidos ensanguentados de minhas tragédias pessoais.

Acredito que desta vez, eu não possa volta a ser como era antes, na verdade, como eu era, um sonho eu vivi.

Vivi diante de um sonho que a cada construção derrubava paredes dentro e fora de tudo que eu fui construindo.

Minhas construções frágeis, pareciam seguras por dentro, mas fora, as plantas morriam todas as noites.

As manhãs geladas, esfriavam as raízes que poderiam aquecer o alicerce de minha alma.

Já não sei mais se consigo dizer se tenho alma, algo anda aqui dentro, caminhando em círculos.

Trama, trauma, desassossego, sem cama para dormir, sem corpo para morar.

Algumas flores eu ainda consigo sentir que podem me vigiar.

Outras vezes, esqueço o cheiro de cada uma delas, sim, elas embalavam as canções que eu gostava de ouvir quando não podia me escutar sorrir.

Quando eu chorava, andava do lado de fora de mim, soluçando, procurando soluções que fizeram de mim, um mártir.

As cobertas estão aos pés da cama, enroladas, meus pés gelados, quase sem vida...

Então percebo que ainda consigo me mexer, lentamente, levanto da cama e vou até o lado de fora.

A porta continua aberta e as estações não mudam, só outono e inverno, as altas gramas, agora estão desfocadas de minha retina.

Aqueles velhos livros que eu gostava de bater nas páginas, estão cheios de pó, medo e ressentimento.

Não tenho mais lugar para vivenciar minhas próprias experiências de fuga.

Fugir agora virou um tormento, fico apenas com os pés gelados, esperando que de uma vez por todas, eu  não mais tenha força para levantar e ir para fora novamente.

Eu ouvi o bater de asas de um pássaro, talvez seja aquele velho amigo querendo que eu olhe por fora da janela.

A janela que vive escura, parece que não posso abrir os olhos quando preciso ver o sol nascer.

Ele fica tímido no horizonte, a margem está cada vez mais sombria e acelerando as ondas.

Tenho que comunicar, vou ter que partir, mas não sei se devo.

Dever é algo que sempre me tirou o sono, como se minha existência inteira fosse internamente contida.

A cortina balança com o vento que vem gélido do fundo da minha respiração.

Quando eu fecho a boca, engulo a minha esperança.

Já não sei mais traduzir o que eu conseguia sentir de mim mesmo.

Posso considerar que ainda vivo?

Posso considerar que ainda estou tentando o suficiente?

Ou essas linhas por hoje, já são capazes de me acordar deste sonho acordado?

Dormi....

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

:: A RACHADURA ::

 A rocha está se desfazendo...

Dentro, algumas coisas inacabadas começam a se destroçar.

Não existe uma linguagem que eu possa compartilhar a respeito desta destruição.

Mas meus olhos estão negros, estou cego, dentro de um corpo que está machucado.

Eu vim aqui de longe, caminhando por tanto tempo, que ando de lado, disfarçando em diálogos o que eu não consigo entender.

Estou quase sem mim mesmo, tentando despistar o oceano que quer me afogar.

As flores estão murchas, estou escutando os pássaros berrarem meu nome no horizonte.

Olhos negros, tentando encontrar um lugar em mim aonde exista luz para que eles não me apaguem.

A vida me escolheu, a morte me consagrou, agora permaneço em um caminho desconhecido.

Trocando sussurros por gemidos de euforia.

Eu gostaria de ser capaz de ir embora sem levar alguém comigo, mas isso não poderei escolher.

Acordei sentindo minha boca seca, conheci um outro eu, mecânico e engessado.

Cheio de traumas, encostado nas rochas, aonde a maré faz desenhos assombrados sobre a realidade.

Carrego um amor, uma busca, um diálogo com algo que eu não consigo me separar.

Estou em pedaços, procurando nos meus segredos obscuros, motivos para continuar a dar passos silenciosos pela praia de areia escura.

Todo mundo diz que eu costumo deixar as pessoas com os olhos úmidos e soletrando sobre a melancolia.

Eu aceito, estou sentado na frente da angustia e ela me quer de volta.

Aprecio as estrelas, desta vez, eu acredito que vou conseguir chorar.

Derramar algo que em mim, já deveria ter transbordado há anos.

Prazer em me conhecer, eu tenho uma infinidade de dores acumuladas, mas também, tenho esperança, tola que me transmite uma centena de agulhadas no coração.

Alguém poderia me amar, me ama e depois percebe que o amor é circunstancia de um cuidado que eu não consigo ter comigo mesmo.

Mesmo que alguém pudesse andar dentro de mim, se afogaria em minhas passagens secretas que não tem um fim.

É a última carta, os olhos estão quase fechados, esperando o último entardecer.

Começo a imaginar o que tem depois que meu corpo ficar gelado e eu conseguir não mais sentir meus músculos tentarem reagir.

No meu lugar secreto, eu imagino alguém vindo em minha direção, ela nunca chega.

De repente, as mãos dela estão sob meu peito, massageando um ego falido.

No meu lugar secreto, as luzes não se apagam, o sol não brilha só para mim, a lua é minha única saída para acalmar a escuridão.

Quanto tempo eu vou ter que acreditar que posso voltar a ser eu mesmo, definhando a cada amanhecer?

E eu preciso que minhas foras sejam suficientes para quebrar aquela rocha, estou com medo, porque estou muito alto e uma queda seria fatal.

Caso eu me deixe, eu vou acabar procurando alguém para tentar dizer o quanto a vida poderia ser mais calma e leve, vou invejar isso, mas irei me entregar, será a última vez.

Então eu grito, eu preciso reviver, renascer, reconhecer que já morri e que tudo isso é obra de um defeito de alma, aonde para o reparo só pode ser feito por dentro.

Me ajuda, estenda suas mãos, eu não vou estar tão pesado, estou tentando ir a algum lugar novo, para te levar as alturas.

Você me conhece, sabe porque eu sorrio com tanta vergonha, mesmo assim, os meus pedaços te chamam atenção.

Você me vê brilhar em um sol de 40 graus e minha pele gruda na sua alma, eu não quero te obscurecer.

Concentre-se, o silêncio será quebrado por meus passos alvoraçados ao anoitecer...

Estou fazendo sinal para um pedido de ajuda, estou chorando, esbarrando nas últimas paredes da realidade.

Olhando os cães ferozes correrem para devorarem o que sobrou da minha civilidade.

Estou dizendo, fique parada, eu vou voltar, mas estarei tão pequeno que você pode não me enxergar.

Sinto falta, a verdade é essa, sinto falta de uma verdade que não me condene.

Sinto falta, a verdade é essa, sinto falta de uma versão minha que não me iluda.

Estou fazendo sinal para um pedido de ajuda, estou chorando, esbarrando nas últimas paredes da realidade.

As verdades estão descolando meus ossos, minha virtude está indo embora.

Continuo dizendo que eu sinto falta de mim, estou tentando me segurar na ponta de seus dedos para não me perder para sempre.

A sua verdade me cura, sua sobriedade é tão surreal que eu estou pintado de escuridão, quando de repente, você ascende a luz e eu estou de volta outra vez.

Sinto falta, a verdade é essa, sinto falta de uma versão minha que fez com que eu me perdesse...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

:: LUGAR DE MORTE::

 Estou EM pedaços, agora eu vou tentar chorar, só preciso disso apenas uma vez.

Preciso me libertar, existe algo caminhando dentro de mim, a porta está fechada.

Eu acabo sempre voltando para um lugar, nu, dando volta e sofrendo por coisas que eu não sei entender com razão.

Não sei para onde ir, só sei que estou me preparando para morrer, mais uma vez.

Não tenho como segurar as mãos de ninguém daquele lado.

Fico de pé por horas, a clareira está me chamando.

Eu estou com medo, as vezes eu tenho receio de esperar a chuva cair.

Meu mundo está destruído e eu só queria um lugar para ficar abrigado por uma noite.

Me liberte, eu estou inebriado, constrangido e acuado.

Não consigo me perdoar, não tenho sangue para isso.

Covarde, tive que não ter planos para mudar, só acabei vendo as coisas desabarem.

Meu coração continua batendo fraco, não sei mais aonde estou.

Estou voltando para aquele lugar, me libera, talvez desta vez eu não suporte mais.

Meu lobo mal interno, me devorou, não tive pernas para correr desta vez.

Querida, vou precisar desistir por um tempo de mim mesmo, se eu não voltar, não me procure.

Não tenho notas novas para tocar, as melodias estão todas comprometidas.

A melancolia de novo, voltou a ser a minha amante e eu não a desejo mais.

Todas as manhãs eu me procuro e me encontro em um lugar diferente, mas eu simplesmente volto para o zero.

Eu não sei quem eu sou, o lençol está sobre meu corpo morto e minha alma vaga, na tentativa de não perder o que temos.

Se eu não voltar, esquente o café, sinta o cheiro da manhã chegar, vou estar em um lugar sombrio, mas estarei a tentar voltar para o nosso lugar.

Existe um lugar em mim, aonde a dor é uma desconstrução...

:: DE VOLTA A CLAREIRA::

Você consegue ver as nuvens suspensas?

Acredite em mim, eu estou abortando mais uma vez um sonho comum para viver uma nova realidade.

A clareira está pronta para me abrigar novamente...

As arvores estão distantes, não consigo ver nada além de uma grande área morta.

O que me rodeia, areia escura, um breu, eu estou em uma superfície destruída pelo tempo.

Eu quis dizer tantas vezes que eu poderia não voltar se você dissesse que ficaria bem com a minha partida.

Eu chorei por noites, imaginando como seria se ficássemos bêbadas com nossas memórias e você simplesmente adormeceu.

Estou arrebentada por dentro, agora só consigo pensar no que construímos com tanta força ser devastado em segundos.

Tentei te guardar em um lugar seguro, o melhor lugar de mim, a memória.

O coração está fechado, eu só consigo imaginar o quanto seria bom se eu pudesse chorar e você poder projetar seu rio de dor nas minhas lágrimas.

Vou sofrendo, como se alguma coisa me puxasse para dentro de você e me tirasse com muita voracidade.

Estou desprotegido de mim mesmo, estou culpado por não poder te ajudar a se proteger da dor que te deixei.

A solidão me venceu, um estar só que tem como vencedor uma glória que amansava os dias tenebrosos que eu atravessada.

Você me deu tudo de mais precioso que tinha, eu te dei a decepção.

Me encoraje, porque eu sinto um medo tremendo de que a vida não seja justa conosco.

Me beba, cada gota representa nossa cumplicidade e eu, estou sumindo, a clareira me chama.

O chão está molhado, estou desprotegido e você está se afogando.

Uma vez eu sonhei que seria a melhor pessoa para alguém, então eu virei uma rocha, sem entender, fui explicando tanto sobre meus sentimentos que acabei me dissolvendo e caindo pelas suas escadas.

Essa será nossa última parada...

Uma vez eu cantei para você sobre minhas vitorias e derrotas, então você sabe mais do que queria saber sobre o quanto eu sou falha, você não desistiu até eu puxar as cortinas e te mostrar o porquê da minha fúria.

Estou estrangulada, engessada em uma personalidade totalmente errônea e impotente, exaurida de rancor.

Frágil, eu não aprendi a dizer o quanto eu sinto muito, não sei demonstrar o tamanho desta dor de ter que soltar suas mãos para tentarmos ser felizes.

Mas a felicidade parece não existir mais, não daquela forma que desenhamos.

Porque dói, eu sei, todas aquelas manhãs cheias de histórias e as noites aonde pensamos que não teria fim, se foram.

Preciso que você se fortaleça, porque a única razão que eu tenho para ficar, seria a mais cruel de aceitar.

Nossa história é delicada, cheia de flores e de espinhos, mas nossos aspectos continuam os mesmos, em nenhum momento tentamos mudar.

Fomos mudados, não por sermos ruins, aquelas coisas todas que eu lhe dizia, eram verdade.

Sei que no fundo eu nunca fui alguém tão bom, mas eu nem mesmo se pudesse escrever sobre o que penso sobre mim, seria capaz de engajar um adeus mais verdadeiro do que o que eu te dei.

Eu não escolhi mudar desta forma, então agora eu vou ter que definhar para você me ver desaparecer.

Me perdoe pelas palavras horríveis, pelos silêncios doentios, por ter que te ignorar para não dizer adeus de uma só vez, essa é minha covardia.

Preciso que você foque em algo que não seja mais eu mesmo, porque eu me separei de quem eu era, estou em pedaços e você não pode me juntar.

Juntar o que sobrou de mim para você, seria como escolher viver em um desastre toda uma vida.

As luzes estão apagadas, estou tentando lhe dizer as coisas que eu gostaria de ter coragem olhando em seus olhos, mas eu estou te procurando, nas minhas razões mais obsoletas, estou no final.

Aquela estrada aonde percorremos juntos, está sumindo e sei que não posso voltar atrás de costas, eu cairia para não mais levantar e te levaria junto.

Me mostre como eu posso te arrumar para que não te ferir profundamente?

Você significa algo que eu jamais vou encontrar no mundo, mas você insiste em dizer que eu apenas fui um monstro egoísta e desumano por te deixar.

As luzes estão se apagando, o tempo está virando novamente.

Algumas coisas quando voltam, acabam trazendo uma chuva ácida, cheia de constrangimento e dor.

Então, me conta, de uma vez, como eu posso pegar sua mão sem te magoar com as minhas verdades.

Então, narre seu melhor sono, porque eu quero que você adormeça sem me odiar por ter te libertado de mim.

Ei, eu estou fisicamente esgotado, rezando para não acordar antes de seu mundo estar reconstruído.

Sou um amante doentio, a minha lágrima queima e eu estou em brasa.

Escute, houve uma explosão dentro de mim, estou no meio do nada, esperando um novo caminho para unir o que eu penso sobre o que construímos juntos...

domingo, 12 de dezembro de 2021

:: A MARÉ SUBIU::

 

Você precisou de anos, muitos anos a réplica está feita.

As vezes, só precisamos nos lembrar da cor do céu quando estamos tristes.

Coloque sua melhor roupa, vá desbravar o mundo.

Seu designe está melancólico e dissolvendo.

Não é só o que te faz acreditar que é certo que irá mover o mundo ao seu redor.

As pessoas se movem como peças antigas, indo para aonde os desejos acontecem.

Se concentre, seus olhos estão úmidos, o mar está transbordando na sua retina.

Prenda a sua respiração!

Você na verdade sempre soube, que os anos estão debruçados no que você sonhou.

Agora que acordou, está vivendo uma história que já entendia sendo sua.

O coração está cheio de ressentimentos, não se desestimule, o céu está escurecendo.

Seus métodos conceptivos para uma nova aceitação, lhe direcionaram para onde o sol nasce.

Sua mente está completamente se desintegrando.

Não desmanche sua colcha antiga antes de poder ter certeza de que irá dormir em um lugar que você aceite que será mais confortável que sua dor.

Alguém já te disse que seus olhos estão ficando negros e a noite vai cair quando isso acontecer?

Existem muros para serem escalados e seus pés estão cansados.

Você vai ter que repousar enquanto seu coração ainda tiver uma mancha de vinho para curar.

Mas essa dor, essa dor é sua e eu estou tentando fazer sumir, embriaguez.

Algo me diz que esse vento que bate na sua janela pode rachar sua pele em mil pedaços.

Tem alguém sangrando do outro lado da rua, você pode assistir, mas não pode mudar o curso dessa passagem.

A culpa que você carrega, não precisa ser sua, sua solidão tem sido sua companheira por anos.

Eu ainda penso que você está cheia demais de sentimentos, você tem que deixar sua bagagem em algum lugar seguro.

Quando você sorrir, seja capaz de se manter de pé, porque seu corpo está balançando e você ficar tonta a ponto de pensar que será seu último suspiro.

As luzes estão apagadas, seus pés gelados, suas mãos estão manchando sua lealdade.

Mostre seu melhor lado, sem se magoar com o que está dentro de você.

Mostre sua melhor maneira de fazer alguém sorrir, sem que você chore em seguida.

Os relâmpagos anunciam que a chuva vai cair a qualquer momento.

Algumas coisas não podem voltar ao normal, mas você está mentindo para o tempo que tenta te salvar de sua perdição.

Suba no altar, perceba tudo que você construiu, ascenda a fogueira, deixe o fogo me queimar.

Então, me mostre o seu lado, eu quero ver o que você tem para mim.

Se não puder responder as coisas, fique em silêncio.

A melhor maneira de você se desprender desta mágoa é sair de si mesmo.

Meus pés estão úmidos, agora meu caminho se uniu ao seu.

Aqui a dor está forte, estou inebriado com tudo isso.

Tentando achar uma porta de escape sem querer fugir.

Não se assuste, do mesmo jeito que cheguei, eu sei o caminho da volta.

Uma paisagem nova irá se abrir e eu realmente estou tão triste e conformado.

Alguns sentimentos servem apenas para abrir um lugar desconhecido dentro de nós.

Estranhos, vamos nos engajando com algo que já era nosso.

Não fique perturbada, as decisões vão se amarrando nas suas pernas.

Eu percebo o contorno de suas feridas no seu pescoço, seu penteado, me desnuda.

E aquele olhar, foi para um lugar que eu me parti em dois.

Apenas respire, faça com que seu coração tenha batidas fracas.

Você não pode simplesmente parar no ponto e esperar que alguém te encontre.

O seu movimento é o que irá despertar o que está morto em algum lugar de alguém.

Dentro ou fora, eu vou continuar me banhando na sua tempestade...

segunda-feira, 18 de maio de 2020

::CAVALOS NUS::

Os pés conseguiriam andar quilômetros sem ser alcançados...

Os olhos serrados de dor e prazer, contidos em duas gotas de orvalho, frios.

Não existia uma direção certa, apenas corria, de um lado para outro, selvagem.

Animais soltos, dentro e fora de si mesmo.

Cavalos nus, galopando em uma imaginação primitiva e cheia de emoção.

Carregados de pedras, ilusões, um destino, sem devir, uma assombração de si mesmo.

Desfreado, corrigindo as ladeiras encharcadas de lamúrias e obsoletos desejos sobre a realidade.

Esmagada, real e substancial.

Escorria de sua boca, uma agua virgem, cheia de vontade de vida.

Uma vida que poderia matar, realocar qualquer sentimento para um lugar isolado da mente.

Dormente, consequentemente, estaria fora de tudo que imaginasse que fosse seu.

Nunca obteve êxito em tentar sair de si, quando o fazia, resgatava algo tão profundo, se afogava.

O mar estava bravo, cheio de melancolias e desespero.

Um sofrimento dócil, arrebatador, sua poesia era indelicada, incerta e catastrófica.

Era poético, patético e imoral.

Não existia genialidade para algo tão sorrateiro.

Devaneios, desatualizando dos capítulos antigos do qual vivia, existia, reinando sem trono, sem reinado, só comprometido com o devir.

Não devia nada, não comprava a si mesmo, com moedas inconscientes.

Frequentemente, dormia, cochilava, cochichava com os deslizes matinais.

Sexualmente violento, cruel e cheio de artimanhas para driblar sua própria essência.

Essencial que fosse, já não era sobrenatural.

Era uma natureza desperta, cheia de fogo e inflamando em febre.

Queimaduras em uma alma marcada por vermelho e negro.

Um sol que ardia a noite, a noite, o luar o envadia.

Esvaziou-se...