segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

::A FLECHA ::

A flecha rasga o céu, a paisagem da clareira se desfaz!
O rosto do atirador é negro, sua roupa é a escuridão.
O pensamento sobre tudo que se tem, ainda é pequeno, não cabe, não preenche.
As coisas que aprendeu sobre si, são devastadoras e confundem as tempestades que brotam no horizonte.
No horizonte, só tem rastros de pequenas e severas conquistas que abriram porta para uma solidão existencial, que só dói quando não quer ser lembrada.
Tudo, nada, tem claro o que é obvio e obscuro, não tem morada em si.
O lobo que uiva nas montanhas quer rasgar sua pele, ele quer devorar seus sentidos.
Não  possui mais pontes para atravessar, não existem mais ladeiras e nem descidas para transitar.
É tudo opaco!
Existe uma falta de segurança, que não tem cordas fortes para sustentar o peso do pensar.
Uma faísca, uma falha, uma chama, uma explosão de si mesmo começa a ouvir em algum lugar.
Não é a morte, não é a vida, não é o que é claro ou escuro, é ela.
Uma trovoa em uma tarde fria de outono se transformando em uma manhã quente de verão.
O choque transmuta, a desordem, reflete.
O caos desmonta tudo aquilo que precisava ser preenchido, as bordas.
Voam os pássaros para o Norte.
O Sul, ainda está desocupado.
Nordeste, cheio de ocultamentos, cadáveres, passagens bloqueadas.
O Sudeste ainda é mistério, transfigurado.
A poesia está no lugar da mente, vaga, caminha, devagar sem exitar que pode ser noite quando se vive no dia.
E tudo está em movimento, lento, ardiloso e movediço.
Os passos cansados ainda procuram descanso na deitada noturnal.
É a vida, o laço, descaso, o poder de não conseguir se ter.
De ter o que apenas consegue por dor, manter de si.

domingo, 8 de janeiro de 2017

:: TURBILHÃO DE BOLHAS::

Um turbilhão de imagens se formam em minha mente.
Uma grande bagunça, imagens picotadas, jogadas como velhos móveis sem utilidade em uma casa que está prestes a ser devorada por uma mudança.
Não entendo mais sobre as grandes virtudes, tento me manter em movimento, para trás e para frente.
Um grande amor é minha inspiração principal, família que se quebra e se renova, mas deixando sempre um gosto de amargo na minha consciência.
Tenho um sério problema, não consigo processar uma coisa por vez, parece que as coisas vão simplesmente se entrelaçando e formando um nó na minha realidade.
Poderia tentar reduzir tudo em um monte de bolhas de sabão, elas sobem até o alto, coloridas e redondas, cheias de ar, de repente, estouram e deixam seus rastros sobre um pátio mental úmido.
A verdade é que meu silêncio tem sido constante, paradigmas vão se cruzando no meu dia a dia, pedaços de construções internas que vão cortando meu presente.
Minha felicidade consistiu até agora em poder estender as mãos e ajudar as pessoas que amo, hoje, com dificuldade consigo me levantar para poder ajudar a mim mesmo.
Tenho um coração apaixonado inquebrável, aonde uma dama reside em toda sua perfeição, beleza, inteligência e sensibilidade incríveis, de repente, sinto uma insegurança, me deparo com minha falta de beleza, inteligência e morbidez.
Um som de socorro aflito que toda vez que escapa, magoa, entristece, a culpa não ignora a minha lamentação.
Fiquei pequena demais, meu tamanho é igual a palma de uma mão, surrada e cheia de futuro incerto.
Toda esta força, a minha força, ambas estendem-se para um infinito de possibilidades que eu não consigo edificar.
O único pensamento de esperança , atravessa meu peito.

A queda foi grande, meus pés são pequenos e meus passos parecem apertados.

domingo, 24 de julho de 2016

::SOBRE A NOITE::



A minha noite é longa, desastrosa, acolhedora, produtiva e não me cansa.
A minha noite é acesa, de luz, cigarro e pensamento.
A noite é quando eu não me deito, eu apenas sou a noite.
A noite é um rastro, um desenho que desenha em mim.
A noite é veloz quando estou parada e é lenta quando estou com ela.
Na noite vivo o absurdo da vida, o espanto do tempo caótico.
A noite é aonde eu me amo, me devoro, me odeio e ressuscito.
O tempo da noite é um tempo escuro, que vai se revelando pouco a pouco, até que a minha luz se esvai.
De noite é onde eu sou.
De noite é aonde eu não sou.
À noite, pouco escuto de minha voz, mas a noite me escuta.
À noite trás minhas revelações, segredos e medos.
Não tenho medo da noite e ela nunca me abandonou.
A noite pode ser só, eu não, com a noite nunca estou mergulhada na solidão.
Meus fantasmas e memórias vivem na noite.
Na noite é aonde vivo e revivo intensamente todo o dia que se passou.
O dia que se passou, vem conversar comigo a noite.
À noite eu medito, balbucio e me resguardo.
À noite eu penso, sou pensada e sou noite.
Penumbra não me cega, luz demais não me arde.
A noite é quando visito meus livros, minhas contas, glórias e derrotas.
Com a noite eu apreendo tudo aquilo que passou em branco.
Tudo que passou por mim, vem tagarelar na minha mente, a noite.
A noite não tem feiura, não tem civilização, a noite é estranha e arquitetônica.
À noite trás o uivo dos animais que moram em mim.
À noite me deixa primitiva.
Na noite eu não abandono minhas perspectivas e poesias.
De noite eu choro e solto risadas.
À noite eu sou silêncio que me denuncia.
À noite sou sem fim.
À noite eu sou histérica, mística e real.
À noite eu sou imaginária e substancial.



segunda-feira, 4 de julho de 2016

:: AMOR ::

Amei, nasci.
Nasci, amando.
Cresci, amando.
Morrerei te amando.
Que destino tenho eu se não o do amor?
E que rota tomará meu destino se não a do seu caminho para te amar?
Amo-te de manhã, a tarde e a noite.
No escuro, no claro e no desvelado.
Amo à medida que o amor não arrebenta.
Só arrebento meus dentes de riso por te amar tanto.
Grito de felicidade por te amar.
No silêncio também estou te amando, vorazmente.
Amo-te do ângulo de cima, do lado, de baixo, por dentro e por fora.
Amo-te aonde o dia ainda nem nasceu e a escuridão irá chegar.
Amo-te nos versos, nas páginas dos jornais de notícias cotidianas.
Amo-te no outdoor calado e na voz que vem dos amantes enfurecidos.
Amo-te sem roupa, com roupa, de sapato ou vestida de eu.
Amo-te aonde não há espaço,.
Amo-te no esconderijo do mistério do mundo.
Amo-te em toda sua beleza e inteligência.
Amo-te na sua lealdade e fidelidade.
Amo-te por toda sua força e coragem.
Amo-te com orgulho e com intensidade.
E que presente quero eu, maior do que esse amor que sinto?
Talvez, multiplicar esse amor e distribuir em cada molécula do seu corpo, para você ver e sentir o meu amor.
O amor da amada, que é arrebatada pelo seu amar.
Amo-te no percurso do tempo, do lugar, do agora, do jamais e do para sempre.
Tudo que é universal, amor!
Tudo que é você, amor!
Você é o meu amor universal.
O meu amor que ri, que chora, que abraça, que soluça, que espirra e que é amor em tudo no todo.
Você é amor, meu amor é o seu caminho em cada passo que eu der.
Em cada passo, tem amor, o nosso amor é um trajeto a ser cumprido.
Trajeto de amor, não fecha, só abre o coração e a alma.
Estamos entrelaçadas, designadas a viver um mundo de descobertas.
O meu destino caminha na direção que sopra o vento que trouxe você à vida.

O meu destino é você, amor.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

:: O VENTRE DO NADA::

Eu gosto de descrever o infinito, mas é ele quem me descreve.
Desce e sobe ruas escuras dentro de mim, acaba por encontrar saídas que desconheço.
Uma noite pode ser longa, distante, dispersa e errante.
Errar um segundo e ser arrebata no outro, para um lugar de experiência com o Nada.
O Nada vive no vazio, o mesmo não preenche, não desmancha, nem dissolve em sangue.
A carne arde, escorre como um fio manso sobre a pele manchada pelo desatento tempo.
O som do piano torna-se enlouquecedor, as grandes nuvens são assopradas para o horizonte cinzento.
Cinza, mancha meus olhos, cheios de curiosidade, vontade de ver o que me vê.
Enxergando um turbilhão de cores, o universo dança a melodia da minha esperança.
A chuva cai...
E me lava, jorra felicidade pelos meus poros, vai limpando bem devagar, sentindo meu corpo esfriar lentamente.
Lento é o processo que se dá quando eu fico imaginando uma noite de chuva, com aqueles trovões dançando, fazendo um jogo de mímica no reflexo da janela do meu quarto.
Eles trazem o segredo de uma sinfonia perdida, de um lugar aonde as coisas não estão prontas.
De um lugar que sinto que já estive, como molécula, como humana, como uma flor em um asfalto quente, cheio de entulhos, mas estou ali, ou como um punhado de terra, junta, aglomerada, esperando um chute desapercebido do destino para espalhar toda minha consciência.
Eu nunca tive medo de sumir, de fogo, de água ou de bicho algum, meu medo se esvai quando aceito que a minha finitude se resume em possibilidades.
Possibilidades me abrem, fazem fendas gigantescas na minha alma, como se o cosmos rompe-se tudo aquilo que pudesse ter limite.
Eu não tenho limite, eu vivo e persigo aquilo de que preciso.
Espaço, aberto, acolhedor e curador, eis a minha perseverança no que acredito,
Em Tudo, no Todo que se dá no ventre do Nada.



terça-feira, 10 de junho de 2014

:: O FRESCOR DA NOITE::


Olhos fechados...

Tudo está tão obscuro e eu sei exatamente para aonde eu estou indo.
Arrumando as malas para caminhar por estradas tortuosas e o frescor da noite nunca me assustou.
Mostre-me onde fica a perdição e eu queimo a ponta dos seus dedos no fogo de Prometeu.
Tudo está tão obscuro e eu sei exatamente para onde estamos indo.
Deslocando todos meus sentimentos desconexos para um lugar de adeus.
Não tente despistar minhas intenções.
Mostre-me onde fica a sua dor que eu vou te dar um banho de ilusão.
Tudo está tão obscuro e eu não sei para onde correr quando você se perder nesta jornada.
Esta luz toda que vem de você não pode me enganar por muito tempo.
Eu nunca deixei que as facilitações arranhassem meus joelhos em pensamentos tão ardilosos.
Mostre-me onde fica seu lado escuro e eu lhe darei um pouco da minha compreensão.
Não adianta tentar preencher todo vazio de uma vida em uma só lamentação.
Aqui dentro tudo pode ir embora em um piscar de olhos.
Mas as tendências que me cercam de esperança estão me enlouquecendo.
Tudo está tão obscuro e eu sei exatamente aonde encontrar o fogo para nos guiar.
Mostre-me amor e eu lhe entregarei um pouco de humanidade.
Você pode morrer ficando no mesmo lugar aonde acreditou que estava vivendo.
Tudo está tão obscuro e eu não tenho certeza de que tudo que eu digo é inevitável.
O subsolo pode ser um esconderijo seguro quando você precisa passar horas chorando.
Mas quando as lágrimas acabarem, você vai precisar de um pouco de sol para perceber o quanto a escuridão também pode ter te limitado.
Mostre-me compaixão e eu te mostro um pouco de dor.
Quantas pessoas você pode manter vivas dentro de seus sentimentos?
Talvez não todas, algumas delas padecem quando você está sendo tão egoísta com seus planos cotidianos metódicos.
Tudo está tão obscuro que estamos andando em círculo marcando nosso território desbravado por nossas melancolias.
Não precisamos ficar debaixo das escadas vendo as pessoas subirem e descerem a todo instante.
O rugir dos nossos pensamentos perturba quem precisa parar um pouco para respirar.
Mostre-me um pouco de felicidade e eu lhe entrego minha risada.
Quando éramos pequenos, nosso mundo parecia uma grande batalha sem inimigos, sem vigias e nem espectadores de carne e osso.
Nós crescemos e agora tudo que percebemos é que somos capazes de ferir um exército todo mesmo quando estamos estagnados.
Porque você pode me mostrar tudo aquilo que você acredita e mesmo assim, eu não poderei te dar um mundo para viver.
Tudo está tão obscuro porque você criou um mundo imaginário aonde eu e você coexistimos nos nossos medos.
Mostre-me o que somos agora.
Tire o véu, reprove todos os seus argumentos, desnudo você vai perceber que não é a toa que estamos sendo a mesma pessoa desde que você começou a se descrever.
Revele-se porque não faz mais sentido algum ficar bancando um herói imortal quando no seu interior está desabando.
Mostre-me!
Tire nosso ar, leve-nos para algum lugar aonde podemos nos desfazer de nossas malas e perceber que, tudo esteve tão obscuro que nem mesmo o fogo de Prometeu pode nos desvelar. 

segunda-feira, 2 de junho de 2014

::TRAMPOLIM::

O que realmente eu quero?
Um estresse em volume alto e um pouco de algum pensamento impróprio.
Não, eu acabo sempre esbarrando em algo que espirra meu sangue na parede.
Então está tudo certo e eu me sinto aliviada.
Um pouco de paciência e eu estou intoxicada de mim mesmo.
O som continua alto e eu sinto que estou acompanhada, pelo meu coração de amante e um pouco de poesia para conversar sobre quem eu estou sendo.
Se você ficar sem se mover por um pouco de tempo, vai respeitar a minha natureza.
Nunca é tarde demais para ver as rachaduras brotando por todos os lados.
Eu nunca quis saber sobre o que eu realmente preciso ser para ser aceita em uma vida complexa e brava que pretende me engolir.
Eu não posso ficar simplesmente petrificada com estas linhas que extraem a minha lamentação egoísta.
As pedras continuam rolando e matando tudo que está abaixo de nossos calcanhares.
Agora eu sou uma boa garota, com um tênis desamarrado tentando cumprir minhas responsabilidades.
Por mais que eu tente levar uma vida leve, nunca é tarde para que eu possa resplandecer esta voz que parece sufocar meus pulmões.
Eu nunca quis ser a primeira da fila, minha falta de timidez nunca foi um problema tão isolado.
Então eu  puxo uma gaveta e descubro que no fim do dia eu só queria não ter tanta razão sobre tudo que eu penso e sinto.
Eu vi corações despedaçados, vi árvores chorarem, vi sinos quebrarem toda uma estrutura que parecia inabalável, mas isso não fez com que eu pudesse levar no meu bolso toda uma vida só de melancolia.
Estamos procriando uma realidade que está construída sob uma cultura, fria, pré-fabricada, triste e pronta para se desculpar daqui a um segundo, mas isso tudo ainda não faz com que eu ignore o mundo e coloque o nariz para cima dizendo que posso exaltar uma auto piedade.
Quebramos todos os copos e pratos que estavam em cima da mesa, agora vamos recolher tudo e tentar deixar exatamente como estavam quando nos sentíamos famintos.
Estamos servidos de um monte de pensamentos que estão sempre querendo fazer com que nos sentimos tão exuberantes, mas no fundo de nossos corações, temos tanto medo de fazer algo errado que possa prejudicar o que acreditamos e isso é tão profundamente real que nos abandonamos no meio do caminho.
Por horas as informações vão circulando em nossa mente e os sentimentos transmutados vão tomando forma de fumaça.
Eu me rendi ao canto de um pássaro no fundo do meu quintal, ele se espantou quando eu cheguei tão perto, então nós dois sumimos.
Qual foi aquela vez que você ouviu uma piada e sua vida toda fez sentido?
Porque nunca podemos sorrir quando percebemos que estamos realmente angustiados?
Vamos continuar assistindo o show, alguém lá no fundo se levantou e perguntou porque só faz sentido ser algo quando temos alguém para nos assistir?
Então vamos assisti-lo no escuro, enquanto a luz está voltada apenas para ele.
Porque quando os refletores se voltarem para nós, estaremos bestificados.
Eu recomendo que você tenha um pouco de paz de espírito e realmente tenha medo de si mesmo quando procurar um equilíbrio enquanto está precisando estar desgovernado.
Caminhe devagar, porque quando andamos devagar, o vento parece soprar quem somos nos nossos ouvidos.
O que aconteceu com toda aquela sanidade?
Os tempos ficaram difíceis e eu me sinto perturbada porque não consigo acessar um pilar que está pronto para romper.
Estou no escuro e sei que a qualquer instante, os refletores vão me fazer ficar catatônica.
Eu tenho um amor e um monte de ilustrações sobre um futuro promissor e um agora que me faz ficar forte e posicionada para qualquer desafio.
É impossível ficar protegida quando se ama alguém e só se quer ter o papel de heroína.
O amor pode ser tudo e atravessar tudo aquilo que temos medo, pode tornar-se uma aventura sem volta, porque o combustível mais poderoso da vida é a paixão pelo que permanece mutável.
Eu digo que sou apaixonada pela dor, mas quando ela vem eu só posso fazer uma coisa, escrever e ouvi-la resmungar em minha mente e dançar nos meus dedos.
Não é incrível o quanto podemos ser vulneráveis as coisas que parecem tão insignificantes?
Eu sento, espero, observo, recebo tudo isso e no outro instante estou tão cansada e sem presença.
Vai ficar tudo bem, porque desde criança a minha solução para o que eu não conseguia decifrar, era escrever por horas palavras que ficavam me isolando do mundo.
Na maioria das vezes eu gosto tanto do que escrevo que não sei mais o que é meu e o que eu realmente absorvi do mundo.
Eu estou sempre captando coisas, lugares, sensações, atravessando ruas sem olhar para o lado, esperando um sinal verde para ultrapassar meus limites.
Quando me conecto a algum pressentimento eu fico submersa e desta experiência eu recordo apenas como fui parar ali.
Porque eu recebo as pessoas, suas emoções me atravessam e acabam nestas linhas.
Nem tudo que está aqui é meu, talvez só o amor e a paixão por uma vida que eu tento levar da melhor forma, sendo justa e apertada ao mesmo tempo, conversando com um espírito que parece compactuar com minha ancestralidade trágica e me irrito toda vez que choro por não entender porque não fui convidada a entender o que se passa comigo.
Toda vez que indago sobre minha escrita, acabo no mesmo lugar, no lugar dos outros que podem me ler e me julgar.
E isso também é plausível, porque, eu não fui comunicada sobre o que vou escrever, as letras só aparecem no monitor e eu vou tentando dar vida a elas.
Nada neste mundo faz mais sentido que estar diante de uma imensidão de possibilidades e não saber para onde estamos indo.
Então faça seu trabalho, deixe tudo no lugar, desfaça as malas e sente sob um sol que insiste em sumir toda vez que você quer estar bem.
Porque quando as coisas não fizerem sentido algum é que você chegou ao seu lugar assombrado, dentro de si mesmo.

Então acorde, coloque seus pés no chão frio e desperte!

domingo, 11 de maio de 2014

:: RE LANÇAR ::

De repente a noite chega e um suspiro interno me acomete!
E na ilusão das horas que não se cansam de passar em mim,
Reflete a saudade que você me ensinou a ter.
Um sentimento que revira a minha alma,
Que faz com que a cada segundo eu tema cada vez mais a sua distância
E que trás nesta distância um dissabor de não ter o seu afago.
Amago perfurado!
Gosto de dormir no seu silêncio,
Respirar nos seus cabelos, jogados, lançados em suas costas.
Branca!
Como um céu rasgado por um avião em uma tarde de inverno.
Vejo luzes nos seus olhos, um tráfego de emoções por todos os lados.
Percebo brotar de seus lábios palavras, cada sílaba por você pronunciada em meus ouvidos,
Tecem um poema em minha mente.
Translucida!
Nas curvas do seu ombro, percebo as veredas da vida, percorrendo lentamente cada milímetro do seu corpo, nu, estirado nos lençóis coloridos que me consolam nas noites vazias.
Não consigo ficar longe do seu cheiro que me remete ao aroma do amor originário.
O seu viver é o meu alvorecer, nada seu que passa diante dos meus olhos se perde.
É como se eu pudesse ver no seu andar, um caminho novo a cada instante.
Perco-me nos fios de seus cabelos, gosto de me enroscar nos seus desejos,
Como se eu pudesse desenhar cada pedido meu, nos seus cílios quando beijo seus olhos.
E você me responde com um sorriso de canto, amoroso que desvenda o meu querer.
Consigo ver um desfile mágico quando você vem em minha direção.
É como se um vendaval acontecesse ao nosso redor e de repente a calmaria se dá quando você me abraça.
Você me recebe, me acolhe, invoca meus desejos mais íntimos quando me olha e me vê te olhar.
Toco-te, aonde seus olhos me devoram e me revelam, você se faz insinuadora e me invade.
Nos seus suspiros a minha vaidade se enobrece.
Na sua língua a minha palavra se emudece.
Nas suas pernas a minha malícia se faz.
Nos seus braços a minha fraqueza se esvai.
Em meus punhos a sua força se esvai.
E em tudo que eu penso, imagino ou construo você se faz presente.
Em cada batida do meu coração, sinto o ritmo da sua paixão que me orquestra.
No meu futuro, só existe o nosso existir.
Tudo que percebo no mundo, tem um toque da sua leveza, a mesma que me trás paz e harmonia.
Que me serve de calmaria para os dias que são intermináveis sem ter a sua vigia.
No nosso amor eu não me canso, não me irrito, não me constranjo!
Eu me recrio para te poetar todas as vezes que eu quero você a meu lado.
E no apagar da luz, em minha memória vive e sempre viverá o nosso retrato.
Eu cá e você ai, nós distantes, mas sorrindo e nos amando.
E nesta noite de quinta – feira eu sem você, me despeço nesta prosa,
Rimando, sorrindo e neste desassossego, fico na nossa saudade, chorando...


::ENGRENAGENS OBSCURAS::

Introspecção...
O que é de comum acordo, levantar todos os dias para aprender a viver?
Qual o gosto verdadeiro do amargo se não da lágrima que não rola do nosso rosto quando a felicidade também fere?
Então temos um pouco de loucura aqui por outro lado, estamos conectados a uma experiência doentia de sentimentos obscuros.
Vamos lá um pé por vez esta lama está nos afundando não adianta tentar driblar a força do corpo que nos carrega para o abismo.
O que queremos de verdade ?
Uma pele que possa ser arrebentada pelo frio que vem de nossa ancestralidade.
Puxe tudo para cima a luz parece maior deste ângulo.
Não adianta tentar mentir quando tudo que você acredita começa a despencar em cima da sua cabeça.
Tem um gigante andando em meu quintal e ele parece querer esmagar minha sanidade.
Eu deixo as borboletas rodopiarem no meu quarto em um ritual de desejo e morte.
Renascimento!
A frequência está organizada e tudo está freneticamente acelerado em meus sonhos.
Ouvi falar que uma águia trouxe um flash de tristeza no seu bico dourado e eu estou tomando todas as medidas possíveis para não ver refletido neste sol tudo aquilo que eu deixei passar no passado.
Calma, não pode ser somente um sonho eu não estou satisfeita o suficiente para recordar tantas reflexões.
Está tudo descontinuo, desencontrado com as minhas abstrações.
Sinto-me penetrada, invadida e usada por um tempo que só quer me interrogar e me submeter a uma realidade alternativa.
Eu posso aprender a me concentrar quando o trem arrasta seus vagões em direção ao abismo
Mas isso eu não consigo com os pés fincados a um chão tão gelado.
O meu inconsciente desenha sua abordagem mais profanas no meu consciente.
E então o que eu posso fazer a não ser observar a mim mesmo quando estou me deleitando com toda esta paranoia?
E se isso tudo durar para sempre para onde eu vou para me consultar a respeito das minhas estradas bifurcadas?
Estou autorizada a chorar?
Encontro-me em chamas e as labaredas estão consumindo meu ódio.
Este fogo é revelador, porque eu sempre quis me concentrar em algo que eu pudesse sentir de forma originaria e fortificada.
Eu não posso intimidar esta dor, eu não posso limitar os meus desejos.
Então eu vou desejar que isso tudo seja ácido e tóxico como as palavras que lanço nestas páginas.
Porque eu peguei o ladrão e ainda sim me sinto roubada pelo acaso.
Uma névoa se aproxima do meu peito e eu sinto um furacão me suspender do chão.
E algumas horas eu estava tão ausente que não consegui presenciar que isso estava tão perto.
Sinto muito, mas eu não posso colocar tudo que eu aprendi sobre a decepção nesta frustação imaginária.
Tão insuportavelmente eu vou indo, caminhando sobre um nevoeiro aonde as pessoas usam uma espécie de rosto diabólico e assustador.
Eu não fico nesta realidade por muito tempo, então eu preciso me segurar para que o vento não me arraste para aquele lugar aonde as coisas fazem tão pouco sentido quanto a minha falta de noção do que é real.
Felicidade o que você fez comigo?
Tristeza o que resta de mim depois que você se abrigou na minha alma?
Longe demais, vendo as ruas sumirem da minha visão.
Escute, tem um gerador barulhento em meus ouvidos estão querendo me fazer alucinar.
Engrenagens obscuras, eu não consigo simplesmente dormir para me recuperar.
Penetre em mim, eu preciso que algo me invada, porque eu estou imitando algo que eu já conheço bem, minha falta de vida.
É tudo meu tudo amargamente me pertence e posso pegar quando eu quiser mas não sei aonde guardar...



terça-feira, 17 de dezembro de 2013

:: QUANDO FECHA::

Não consigo me desconectar completamente das referências que tenho já em mim dadas. Falo das coisas aprendidas não apreendidas. Se o soar do sino fosse algo legítimo em meus ouvidos, já não mais seriam o soar dos sinos, mas um barulho tempestuoso.
O bater das asas da imaginação encontra tudo aquilo que concebo como textura do que é mágico. Escuta o barulho das asas?
Não, não é possível. A não ser que possamos transfigurar tudo aquilo que voa.
E se não voar, deixa de ser imaginação?
A pergunta que não cessa de ser:
O que se está sendo?
Talvez cavalos alados ou trens desgovernados indo em direção ao infinito.
E ele não chegará tão cedo.
Pode vir com a morte, se com sorte não teremos medo.
Medo tem cheiro de que?
Talvez de uma torta que está queimada no forno de alguém, exala precaução.
Percebo que no mundo tudo é explicado.
De uma forma ou outra o mundo parece totalmente falsificado.
Podemos fechar os olhos e ver na serenidade do tempo, uma dificuldade.
A dificuldade de ser tempo que não o somos.
Não somos tempo!
O tempo não é o que somos.
E este viver que parece sempre tão desfalcado, faltando algo, nunca se preenche.
Entre os atos conservados entre a disciplina e o pecado, vamos rastejando para o desejado.
O fim.
Porque então não se deixar existir para não compreender?
Compreensão é algo humanimal.
Como sabemos que algo é exatamente como criamos?
Não criamos, está tudo aí.
De uma forma já dada, a sombra é sombra e não deixa de ser sombra só porque olhamos para o outro lado.
Porque não conseguimos nos desvencilhar do que temos já pronto?
Não dá, estamos no processo de andarmos até o calcanhar arriar.
Quando sentimos que a vida já passou, na velhice e que não temos mais o que temer.
Temeremos sempre, este é o paradoxo.
Tememos o que em especifico ?
Tememos não acompanhar a trajetória de quem vem atrás?
Ou quem sabe de quem corre a nossa frente?
Quem está do lado?
Acabamos de descobrir a temível solidão.
Solidão pode ser escolhida, se bem resolvida.
Somos capazes de ficar em silêncio ouvindo os nossos murmúrios sem questionar a razão?
Talvez não.
Mas para que continuar então?
Temos que continuar, algo nos impulsiona fortemente a buscar, amor, prazer, dinheiro, dor e nos sentirmos quase sempre ausentes.
É o mistério que se abre e nos fecha.
Quando fecha, nos abre para uma imensidão de possibilidades.
De alguma forma estamos conectados a uma busca.
E esta busca nos conectar ao estar...




quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

:: CAIR E LEVANTAR::

A vida não escapa...
Se o carro quebra, a chuva molha e os dedos se dobram é porque estamos pulsando.
Não conseguimos viver em uma condição única, combinando as partes que nos faltam, sempre que não podemos, estamos ausentes.
Mas não ausentes para tão somente o mundo,
Ausentes de nossa própria consciência.
Porque tudo parece mover-se contra a corrente do rio, mas só parece.
O rio vai descendo, a enxurrada vai empurrando tudo lá para frente, aonde os olhos não podem observar a queda que está por vir.
E vem forte, como se de alguma forma participássemos de uma engrenagem sistematizada pelo Nada.
Um equivoco que emerge da urgência de que precisamos de alguma forma, despertar.
Mas as perguntas não cessam, destiladas de um pensamento articulado através da substância do agora, perdemos todo o excesso do existir em um segundo fracionado.
E as nuvens no céu não param.
Movimentando o azul que se perde diante de nossos olhos cansados, irritados pela fumaça que nos deixa tontos e instigados para dormir novamente...
De alguma forma, sinto que não dormimos.
Vamos viajando procurando soluções para problemas espirituais, relações, trabalho, família e neste instante, aonde estamos?
Talvez em algum fragmento deslocado no inconsciente.
Ali, aonde a tecnicidade não se instaurou de forma tão brusca.
Tentamos de toda forma nos apoiarmos nos livros, pessoas, opiniões, religiões , qualquer coisa parece que pode nos salvar e de uma hora para outra, nosso tripé arrebenta.
Caímos e só nos damos conta quando já sentimos o impacto do nosso  rosto no chão.
Chão gelado e, toda vez que tentamos entender porque estamos nesta posição, o peso da nossa consciência  temporal dói mais do que  a questão que tenta nos acometer emergencialmente.
O Despertar!
E mais uma vez nos levantamos, erguidos, falidos de sentimentos, somos provisórios, ficamos um tempo cautelosos, até que novamente o processo se dá.
Acabamos perdendo o medo da altura da queda e nos esquecendo de que essa resistência não nos torna sábios e sim estúpidos, mal acostumados com o que parece ocasional.
Não estamos mais montados em cavalos, andando de carro ou de algo que se movimenta para o progresso.
O presente nos açoita!
Quase que rastejamos todos os dias para algo que já sabemos que não tem finalidade.
Um pouco de dinheiro aqui, ali um convívio social e outro dia se foi.
A questão não é para onde ou somente para que estamos aqui.
Isso não mais questiona a autenticidade com que os fatos vão se desconstruindo século após século.
Tudo se trata de uma questão aberta,
Quem somos nós?
Quem se arrisca a perguntar baixinho, escuta um tremor dentro de si, fica de jejum.
Quem grita, perde a estrutura do que conhecia de si, devora a si mesmo.
Quem medita, questiona profundamente, sem voz, ouvido ou mentalidade condicionada.
Ilumina-se!
E quando falo em meditar, não estou dizendo que deve-se chegar no além, apenas falo do meditar como ferramenta da escuta, para que não falarmos em demasia aos ouvidos do EU. 
E desta pergunta em diante, nada mais adormece.
Não se confecciona mais o que um dia aprendeu sobre Eu, eles e o mundo.
Lançados dentro de um vulcão em erupção, a vida vai jorrando com força tudo para fora.
Neste descontrole, existimos!
Acordados.














segunda-feira, 4 de novembro de 2013

:: FUMAÇA::


Lançada na noite, tentando procurar uma palavra perdida, um som auscultado e sombrio que possa refletir em minha mentalidade mais ingênua a respeito da vida que se oculta.

Os móveis todos aqui, paralisados, como deve ser difícil, ter tanta história em cada milímetro de si e não poder narrar, esperar apenas que alguém, nós aqui de fora possamos olhar para eles e meditar profundamente sobre tudo o que eles nos remetem.

Como tornar-se autêntica em meio a este concreto rabiscado com suas teorias metafísicas e confusas, tão pouco lapidadas pela dor do existir?

Meditar sobre a fumaça que sai dos canos ácidos dos carros que correm para aonde o coração dos condutores não podem ir com a imaginação, tornou-se uma tarefa insólita e vulgar.

Sinto-me preguiçosa entre os vãos dos prédios que sobem, sobem e caem em segundos, como a pressão de uma senhora de 90 anos que vê o sol rasgar suas retinas quando pula de paraquedas pela primeira vez.

Percebo cada vez mais certa ignorância a respeito do pensar contemporâneo, eles pensam, pensam demais sobre tudo demasiadamente que os levam a morte de olhos abertos.

Sem que percebam, estão cavalgando em um intelectualismo petrificado e sem magia.

Não relaciono a magia algo racional e banalizado como “esotérico”, mas a magia do mistério a concepção do que nunca pode ser aberto por inteiro.

O mistério que não se fecha, que quando mergulhado, nos encharca até nos sentirmos estufados e no outro instante, vazios, ocos e mistificados...

 

 

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

::GRÃO DO NADA::

O homem vive a medida daquilo que ele apenas conhece de si mesmo.
Sinto que cada vez mais o homem está preso a um sistema de reconhecimento banalizado sobre o mundo que vive.
Persistindo cada dia mais naquilo que ele tem medo de buscar, me refiro as coisas múltiplas que se fecham anos após anos. Dos mistérios do não compreendido que se exaltam apenas no silêncio das montanhas.
O homem moderno é exaltado pela arte do pensar, mas pensamento em que?
Para onde é direcionada a razão do homem moderno?
Talvez para tudo aquilo que ele e seu maquinário racionalizado o levam, para um abismo de ferro, lamaçal e estrangulado de certezas e condicionamentos tão distantes da realidade que o cerca.
Por algum motivo a lógica padronizou-se de uma forma que o homem ficou completamente chocado diante do espanto que ele proporciona a si mesmo, fetichismo cultural.
Vejo adoecer uma sociedade que não sabe o que é ser coletivo. Não participa daquilo que não o ocupa do tempo-espaço-paterno.
Aonde foi parar o homem que via de longe sua caça?
O homem atira com sua arma de fogo, sem mira, sem beira, sem eira, no mais confuso habitar irracional que ele compreende como padrão evolutivo.
Não se ocupa em pensar o não pensado, quer tudo mastigado, tudo concretizado, experienciado por uma ciência que ignora o Nada.
O vazio que o homem moderno procura preencher com seus métodos excêntricos e histéricos.
Qual a voz da modernidade?
Avanço?
Futuro?
Porque então buscar algo que só pode ser transmitido através da linha do positivo?
O confortável tornou-se uma prisão para os pensadores intelectualizados.
O homem sabe demais!
Sabe que tanto sabe que esquece do que soube.
Esquece-se de si mesmo.
Procurando uma cura para a morte, a solução para a boa sorte e luta contra a degeneração da impunidade.
Todos voltados para uma única questão.
O futuro.
Se pensamos no trabalho, nos filhos, nos amigos, nos bens, na moral, na ética, na lógica, no sentido, nas construções filosóficas, no que já está, pensamos no futuro.
Um futuro que parece estar sendo engendrado em uma panela de pressão.
Todos sabem, prestes a explodir!
Pessoas implodindo suas questões primárias, comendo suas próprias fezes, cuspindo o seu próprio veneno, borrando suas calças diante de um Armaggedon que parece libertador.
E quando se diz que não vamos nos importar diante do espanto da vida que escorre diante dos rios poluídos e das mentes pervertidas, somos acometidos pelo incidente do agora.
Não vamos fazer parar de chover.
Qual a nossa parte humana que ainda resiste a todos estes séculos?
Creio que apenas uma, a da dor.
Talvez também a da culpa nem se exaure diante dos sons magnéticos das notas que saem dos caixas eletrônicos, euforia!
A meta-linguagem, meta-física, nos fez meta-humanos.
Cada vez menos próximos de conquistarmos nossa humanização.
Voltar-se-á ao primitivo apenas aquele que procurar o refúgio na culpa por uma desumanização irracional.
Viver a espreita da natureza sem temer o Uno.
Os movimentos de sincronicidade estão cada vez mais refletidos das retinas quase cegas dos espertos.
Quem percebe, arde, vibra, chora, culpa-se por não ter notado um tempo que se dissolvia porque não era tempo vivido.
Não é possível ouvir o silêncio, nem mesmo quando estamos sem a nossa própria voz.
O pensamento replica, fica dizendo tudo aquilo que nos é obvio saber, o que aprendemos.
Tornaremos-nos grandes por sabermos de tudo?
Pela via mais condenada de todas,
A busca pelo absolutismo.
A busca por um conhecimento que não é cedido a quem quer saber demais.
Isso é tão gigantesco que ultimamente ouvir um índio andando na mata é mais intenso que escutar um estouro de uma granada em uma rua movimentada.
Estamos seguindo para uma nova era, ou velha, tardia, vadia!
A era do pensar que se pensa.
Do pensar o já pensado, buscado, dramatizado e incorporado.
As janelas da psique estão embaçadas pelo sopro dos que sonham pouco e agem demais.
Cansados de ler e reler milhares de feitos literários que só se destinam a nos acusar de só um fato,
Existência redundante!
Passamos por tudo, por todos, enxergamos cada vez melhor, pela ótica que fomos projetados a observar.
Ouvimos com os aparelhos moderados que nos ausentam do som profundo de uma gota diante de uma poça paralisada pela seca da maldade.
Estamos preparados para tudo mesmo.
Mas não para o Nada.








segunda-feira, 30 de setembro de 2013

:: VIVENCIANDO ::

O problema não é a falta de amor.
O problema é não ter amantes para receber o amor.
Não ter alguém com desejo para receber as rosas a serem retiradas dos campos virgens.
O amor escolhe os anfitriões que não temem nunca descobrir a verdade.
Por onde andarão os loucos, os bêbados caídos nas ruas frias com seus rascunhos poéticos?
Agora vivem em suas sociedades secretas a fim de tentarem desmitificar a sua compaixão.
Mundo sem amantes, sem ilusões e sem delirantes.
Existe um pouco de tudo isso, em algum lugar, eu sei que tem.
Quem beberá da última gota do veneno que extinguirá toda uma vida baseada em caos e egoísmo?
Quem abriria mão do hábito de pensar só em si e compartilhar com outrem a própria existência?
Hoje se reclama de tudo, do emprego, da falta de companheirismo, da ausência de respostas, das casas que desabam, dos carros que entopem uma cidade completamente melancólica.
Só se reclama!
Quem aprende a viver no tédio, não exclui a verdadeira experiência do Nada.
É fácil construir uma vida cheia de certezas, declarações de meia-verdade, construções projetadas para um fim que não nos cabe racionalizar.
A ideologia do início é baseada em um fim sem progresso, em um fio que antecede uma roda inteira de arrogância e desumanidade, tudo enroscado nas gargantas eufóricas de austeros.
Quem tem coragem de viver e dizer que não cabe saber de tudo, que não irá ter acesso ao suprassumo, mas que estará feliz em saber que se realizou em um processo enigmático e temperamental a respeito da engrenagem da vida.
Cada vez que comtemplo uma imagem sólida de uma noticia na televisão, mas chego a uma só ideia de mundo moderno.
Rachadura!
Porque as vozes que gritam e quebram barreiras são as mesmas que em um dia ensolarado estão trancafiadas em suas vontades tão mesquinhas, que se esquecem do outro lado de si, o outro.
O outro que calado, fica isolado da questão do agora.
Não resta muita coisa a ser feita, mas o pouco que temos, eu diria que se cultivarmos tudo sem ansiedade e egocentrismo, mudaria toda uma geração.
Para onde foi parar o amante nestas últimas linhas?
Aonde está o amor?
Está em tudo, porque não se pode vivenciar um copo cair sem se lembrar que ele irá fazer falta.
É preciso andar sobre os cacos, deitar levemente e perceber que também podemos ser quebrados a todo instante, mas que restará de nós uma lembrança, a ausência.



sexta-feira, 27 de setembro de 2013

::NUNCA-JAMAIS::

Sempre esperando o sol se deitar no horizonte...

Porque viver é uma arte e eu me sinto um pouco frustrada por não saber dominá-la tão bem.
Vivo a espreita das pessoas que andam pelas ruas pensando que estão atuando, brincando de ser gente grande enquanto no peito delas arde um coração tão infantil.
E porque viver é tão inconstante que eu tenho que me reinventar sempre,
Confesso que me perder é algo que é constante, já que escolhi não ser fixa, não ser dura, não ficar presa a qualquer experiência.
É quando de repente percebo que não consigo mais olhar gentilmente uma folha cair do alto de uma árvore e me dar conta da imensidão que me cerca.
Não sou capaz de ouvir o estalar dos galhos se desprendendo quando um pássaro a toca tão bruscamente.
Fiquei tão ocupada em tentar perceber que o tronco daquela árvore era rígido e mesmo assim, nas suas ondulações eu poderia deixar as marcas das minhas unhas.
Eu perdi uma parte, as raízes, eu sei que elas estão ali em algum lugar, mas estão tão profundas, enterradas aonde meus olhos não podem enxergar, mas sei que estão ali.
Então me deito no chão úmido, com o frescor da tarde de uma primavera silenciosa, fecho meus olhos e me entrego a esta tentativa angustiante de sentir que as raízes podem fazer parte de mim, são parte de mim, eu sei.
No fundo, bem lá no fundo, aprendi que estar triste também é estar de alguma forma vivendo algo bonito.
Porque quando a melancolia se vai, o sorriso, brota, singelo, sincero e puro.
Júbilo!
Como aquele sorriso que perdi quando descobri que o mundo não poderia mais caber dentro da minha realidade.
Porque eu sempre sonhei, ainda me sinto uma criança, um pouco mais hipnotizada do que o comum pelas coisas que passam e entrecruzam com a minha realidade.
Na verdade, eu nunca tive medo de nada, ser destemida sempre foi o meu lema, isso fez com que tudo que eu tenho até agora, se desfaça em um piscar de olhos na minha ilusão.
Sempre transformei meus medos em uma brincadeira de ser Deus.
Quando sou Deus, eu posso sentir que tudo que existe também é meu de alguma forma e que as pessoas também são como eu queria que elas fossem, no entanto,
Quando a brincadeira acaba eu percebo que não posso fazer isso sem sentir a mais profunda decepção, porque quando as pessoas somem da minha imaginação elas se revelam tão antipáticas e se dissolvem transformando-se em minhas angústias mais obscuras.
A vida vai caminhando sabe, para um lugar do desconhecido, aonde o mistério se mistura com o que eu percebo como pura sanidade.
Não temo mais a loucura, uma vez que aprendi a compreender que perceber o que está acontecendo na história de cada um, depende de como você se relaciona com o mundo que um dia quis apreender para si mesmo.
O meu mundo é repleto de amor, dor, satisfação, dissabor, prazer e fantasia.
Sinto falta de sentir que não posso me sentir.
De sumir e aparecer quando eu desejar, um dormir com a mente acordada.
Mas não posso escolher quando acessar as coisas que fazem parte de mim sem que eu queira.
Elas surgem no Nada, ou quando sinto um frio intenso, ali sou tocada, transformada e inundada.
Deste lugar, Nunca volto a mesma, eu entendi que não posso me manter como eu queria, eu sempre estarei sendo algo e no outro instante me transformarei para uma vida toda, aceitei!
Aceitei também que tudo que passa pelo meu caminho, ouço, respeito, observo e depois de perceber que posso consumir algo, cuspo em um movimento antropofágico.
Eu quero que permaneça em mim apenas as coisas que brotam do acaso.
 Transbordar dói, tira a veracidade dos instantes aonde rompo com as minhas certezas.
Não gosto das coisas completas, gosto do inacabado, do esgotado, do vazio e do que está sendo transmutado.
Eu gosto do  nunca-jamais.


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

::APELO AO AMOR::

Toda vez que penso em você, imagino um lago.
Não tenho medo da profundidade, da temperatura ou se poderei por fim, enxergar a margem mais adiante.
Não existe em meu coração a ousadia de duvidar que tudo que vem de você, me envolve imensamente.
Não me perco neste amor, me encontro nas horas mais gloriosas, que só se dão em sua presença.
Como posso eu falar de saudade se ela me cala quando não me aguento de vontade sua e corro feito louca para tentar quebrar um dia qualquer, a monotonia não me satisfaz.
No meu amor não existe tempo regular, existe o nosso tempo.
O mesmo é pedante, persistente e apaixonado pelos segundos nos quais estamos a sós.
Diz-me agora como se faz para desfazer este mundo todo que nos separa por longos quilômetros?
Eu te amo como se pudesse amar tudo e a todos em um só instante, você me preenche de multidões e de lugares os quais eu nunca vi ou estive, mas posso sentir através da sua presença que o amor revela todas as coisas que passei minha vida toda insistindo que não eram possíveis,  felicidade, sonho, amor e cumplicidade.
E é com você, exatamente contigo, que fui e sou capaz de viver intensamente todos os dias como se eles jamais pudessem me levar a um destino certo, chegar ao seu abraço, ao seu beijo, a sua alma e finalmente tocar o seu bondoso coração.
Por isso, não me canso de lhe bajular.
Todos os dias são os meus dias de lhe retribuir tudo de bom que você tem me dado e tudo aquilo que ainda irá me entregar.
Eu te amo com a loucura do devaneio mais frenético e incabível que possa ser possível para um humano suportar.
Não me sobra sigilo, desesperadamente procuro demonstrar fielmente o que sinto.
Porque sentir ainda não é suficiente.
O amor verdadeiro não se desgasta, não se isola, ele se contrai por virtuosas noites de solidão que quero que sejam estranguladas.
Como posso eu estar só se você inteira vive dentro de mim o tempo todo?
Eu não me retraio e escrevo a você.
Porque está é a minha maneira de tentar lhe explicitar o quanto você é única e por isso meu amor não se romperá como corda de relógio ao sol do meio-dia.
O meu amor é eterno porque é legitimado pelo que acredito e pelo que sou, fiel com as palavras, gestos e respeitosa com o que vem de meu coração.
Para sempre, amor.
Amor, meu para você, sempre.
Para o amor eterno.

O seu amor.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

:: A ESPADA DO AMOR::

O cavalheiro que antes era solitário, abaixa sua espada  lentamente, até a altura dos joelhos.
Com o coração em chama, sente arder, forte, intensamente.
Ele encontrou a redenção!!!
As batidas em seu peito parecem ensurdecedoras, mas não mortais.
Ele então percebe que o amor que carrega é tão puro que qualquer coisa que esbarre nas bordas do mesmo, dói.
De pensar na amada, tudo que mora dentro dele,  inflama, incha e nem que ele conseguisse respirar lentamente, pararia aquele pensamento todo.
Ele se ajoelha e pede para aquele sentimento ir embora, porque não suportaria perder sua amada, por qualquer motivo que fosse, ela agora havia se tornado um membro do corpo dele.
E ele chora, sua feição é de angústia, mas de repente sorri e seus lábios murmuram, pois o amor também está na saudade, no mal entendido, no erro e também  na compreensão.
Ele arranca lentamente cada parte da sua armadura pesada e fica nu.
Se recorda do abraço mais sincero, das mãos mais suaves e dos beijos mais paradisíacos que ele conheceu em toda sua vida, e se debruça bem devagar diante de tudo que o protegia e não teme mais nada.
O cheiro da pele de sua amada está por todo lugar, e ele sente que pode se levantar e voltar a caminhar sem temor algum, pois não está mais só.
Está com o amor e terá que apreender tudo que lhe for possível de mais belo e de mais terrível, pois todas as coisas que brotam no coração de um ser apaixonado quando é verdadeiro, não se apaga, não dissolve, não se corrói, às vezes dói, mas não trás melancolia, só renasce todos os dias sem que se queira, sem ser permitido, só vem e volta, fica e não se distrai. 
O amor abre as portas para um lugar desconhecido aonde as coisas acontecem e quem vive intensamente este sentimento do sentido, não pode pensar em desistir de si, pois mataria a si mesmo dentro daquilo que construiu através do outro.



domingo, 30 de junho de 2013

:: FORA DA JANELA::


Ela preferiu a morte ao perceber a sua própria pequenez.
Debruçou sobre as pernas e exalou o cheiro do pecado mais profundo.
Viu o louco dançar em frente a um espelho negro.
E a noite que tardava a cair, entrou dentro dela.
Se for possível desistir de si mesma, ela então entrava em um furacão quando pensava,
“Deus não me deu asas, me deu os pensamentos abismais.”
Tola, sossegou com o barulho dos arbustos balançando fora da janela.
Eles queriam entrar, participar daquilo tudo, mas estavam presos na terra.
De onde vinha este gosto de sangue que passeava da gengiva até a ponta da língua ?
Era um doce tormento, o gosto mais singelo do perdão.
Saia do coração...
A palidez mais cálida da madrugada.
E ela apenas sussurrou que não tinha medo de acordar.


terça-feira, 25 de junho de 2013

::SEGUNDO NÍVEL::

Não tem como escapar da vida, os passos são curtos para quem precisa correr de si mesmo.
E quando você consome toda agonia, brota no jardim, a semente da solidão.
Talvez a mais profunda de todas, por este tempo.
É possível beijar a morte, cravar os dentes no destino, mas não engolir a própria exaustão.
As ondas do mar estão altas, o farol coberto de melancolia, o alicerce está caindo.
Como descrever o acaso?
Posso deitar diante de uma muralha de tijolos pesados e morenos.
Ela se parece bem maior do que minha própria dor.
Quanto mais eu tento perceber em qual mundo vivo, menos aqui estou.
Minhas mãos não se cansam de descrever uma tempestade violenta que se aproxima.
Acabo por não desistir de me render a quem realmente eu sou.
As luzes do farol denunciam aonde estou escondida.
Um alarme alto me acorda para uma nova paisagem que o céu negro pintou.
Suas nuvens parecem que podem me degolar.
Elas são frias, parecem o oxigênio que em mim entrou.
Tento imitar os doentes, os valentes, mas a covardia nunca me abraçou.
Existe um porto seguro, uma mensagem vazia, um vazo aonde uma rosa vermelha brotou.
Tem alguém ai?
Talvez eu esteja repudiada, descasada e cansada do que a minha tolerância me ensinou.
O vinho velho minha mente consumou!
Uma vez me perguntaram por que eu vivia triste,
Respondi que não vivo apenas tão somente do amor.
Não importa o tamanho da minha felicidade, eu nasci para descrever o pavor.
Não é preciso estar dentro da escuridão para ser o quanto ela é perversa.
Basta fechar os olhos para se render a um grande mistério.
O Nada!
Então porque não descrever o amor?
Então porque não descrever a doçura?
Então porque não descrever a alegria?
Ambos são gigantes demais para mim, me inundam, preenchem uma parte de mim,
Enquanto a outra grita em meu ouvido pedindo clemencia precisando ser lançada para fora com calor.
E se eu pudesse escolher dentre tantas coisas que eu sinto, aonde estaria o meu fulgor?
Não sei e permanecer neste meio termo me faz visitar lugares aonde minha mente nunca imaginou.
No fundo não é possível escolher sobre o que se vai escrever, só se recebe.
Percebesse algo incomodo entrando vorazmente e a única coisa que salva é tentar descrever o que lá dentro de nós se instalou.
Acredito que sejam pedaços do mundo, do tudo, do Nada, daquele homem, mulher, animal, planta ou até mesmo de uma partícula que se multiplicou.
Só vem, instantaneamente, se não reagimos a este ataque, ele nos fulmina, causando uma sensação de embriaguez, tormenta, mal estar e péssimo humor.
Talvez seja uma maldição, ou não, ou claro porque não pensei nisso, seja no final das contas uma saída para algo que em nós se alojou.
Das experiências que vivemos inconsciente, no paralelo do estar-no-mundo, no choque com os ideias do consciente, algo que não perpetuou.
No final das contas, isso aqui, me relaxa  e espanta qualquer terror...


quarta-feira, 12 de junho de 2013

:: O PENSAMENTO DOS PÁSSAROS::

Eu posso não entender, mas vou dizer não posso servir somente ao dever. Falo do amor,  falo do amor de tudo, de todos, das esquinas e dos ponto isolados, das bancas, dos shoppings, das eufóricas, histéricas, das brigas, dos entendimentos não compreendidos que demoram a ser ouvidos porque, sentimentos verdadeiros sempre permanecem calados. O amor da amizade, da vaidade, da sinceridade, do visceral, do sexo e da saudade. Falo do que não entendo, porque quando estou falando, sou ouvinte e no eco destes falantes, faço do amor, um sentimento apequenado. Então porque não me calo? Porque não sussurro o amor? Não posso. Sinto muito, mas ele me enche rápido, de uma vez por todas, e depois se esvai. Mas volta e quando chega me leva a um lugar aonde existe hóspedes de conversando a respeito de inquietude e solidariedade. Não sei ser só, e ser só eu sei que sou, mas, não posso conversar somente com o escuro, com a sombra, com o sol que teima em tentar me cegar. Mas a noite vem e com ela uma multidão de pássaros quebrando janelas, tentando me ensurdecer, sentam-se no meu pensamento e escrevem aquilo que eu não posso me abster... O amor.

terça-feira, 4 de junho de 2013

::REPORTADA::

Cartas manchadas, baralho viciado.
Os melhores dias estão por vir, uma vez que eu aprendi a sentir algo novo.
Não posso dar as minhas coordenadas, eu sempre sei sucumbir quando preciso renascer.
A cabeça do louco está a prêmio eu vejo as rosas murcharem no jardim.
Nossa comunicação está surda.
Apague a luz, não tenha medo do meu escuro.
São estas figuras todas que podem te assustar?
Venha pode entrar no meu útero, eu não arriscaria tanto se não confiasse no que temo.
Quanto pode durar o tempo desta pílula?
O quanto você pode aguentar dentro de mim sem o seu ar de cada dia?
Eu sacrifico tudo, eu vou sangrar , me assista a apagar a luz interna.
Porque eu criei um mundo para escapar e não deu certo porque o caos me dominou.
Então me puna, arranque meus distúrbios e tudo que eu acredito com tanta força.
Devore-me até seus dentes rasgarem minha carne, eu quero sentir o sangue te purificar.
Em que você acredita agora?
As emoções estão de cabeça para baixo e estou entorpecida com a sua realidade.
Vire-me estou me afogando com as suas angústias.
Segure meu coração em suas mãos, você pode senti-lo agora com mais intensidade?
Acaricie-me lentamente, porque eu estou dependendo da sua tragédia para me libertar.
Sai fora de mim quando perceber que não pode sustentar por muito tempo o que eu lhe transmito.
Eu sou uma fera tentando sair da jaula lentamente.
Já não tenho tantas forças, eu sei, mas não desisti.
Você me deu outro mundo e eu apenas quero compartilhar do que podemos fazer em meio esta multidão de aflitos e estabilizados.


quinta-feira, 30 de maio de 2013

::O GOSTO DO VÍCIO::

Olhando para as estrelas, o que eu poderia não acreditar?
Se eu posso ter a possibilidade de crer que cada coisa possa me capturar.
O som está alto e eu não consigo pensar direito, e isso realmente é uma bomba atômica.
Enquanto um dorme o outro devora um mundo cheio de cicatrizes.
Então vamos abrir os olhos lentamente, as ruínas estão caindo.
É fácil tentar escapar, mas os trilhos estão cheios de sangue.
A solidão você não pode dominar, então não culpe se o frio te congelar.
Os jogos estão acabados e então alguma coisa me diz que pode arrebentar aquelas correntes antigas.
Conto até cinco, prendo a respiração e lá está a memória na sua voltagem máxima.
Me refiro a algo que não pode ser esculturado, ou criado com as próprias mãos.
O futuro é algo que não me assusta, porque no presente eu mato um demônio por dia.
Não adianta reclamar se as coisas não estão no lugar, por onde estivemos todo este tempo?
As lágrimas foram caído e não pudemos nos expressar como deveríamos.
Eu nunca tive sonhos que pudessem me engolir, as fantasias são exatamente voluntárias.
Até certo ponto eu ligo o rádio e ouço minha própria voz gritando que eu não posso desistir de tudo isso.
Apocalipse urbano ou não, os problemas estão me restaurando e eu tenho amado não ter controle sobre o que quero hoje em dia.
Então vamos tirar as mãos do freio.
Desgovernar por onde a estrada seja mais ampla e não cause tanto desconforto.
Você me disse que a realidade é cruel e eu pergunto você foi o bastante?
Doou-se até seus ossos doerem?
Não você tomou as pílulas erradas, caiu aonde o abismo era raso como sua capacidade.
E não pode confirmar a minha mensagem de que as virtudes estão se perdendo e você não pode pular para o degrau de cima?
Engula lentamente o gosto do vício de uma vida cheia de remorso!
Todo mundo dizia que eu iria enlouquecer, e eu o fiz.
Mas e agora?
Qual é a acusação?
Qual a letra de música que vão me dedicar agora?
Levante as bandeiras eu vou travar todo o sistema integrado de normalidades possíveis.
Porque eu não nasci para ficar no caso do acaso.
Eu nasci para escória dos padrões e isso não é rebeldia.
Desculpa se eu não tenho um mundo só para viver, eu vivo nos paralelos deste sistema anormal.
Não falo por um contexto social, não que isso seja tão banal, mas estamos em uma era aonde as pessoas estão se anulando tentando tapar seus traumas com alienações tão pouco subjetivas.
Quero ver a possessão e seu eu digo que os ossos não aguentam é porque eu quero ver as almas andarem por toda esta terra desolada.
Papai trai mamãe, mamãe cozinha com o vizinho e as crianças assistem a guerras civis.
E onde está o padrão?
Deixa os ralos serem abertos, o esgoto a flor da pele, o cheiro da maldade já não incomoda mais as vizinhas.
Então todos nós gostamos disso?
Eu prefiro o perdão em todos os casos, já que todos nós vamos ter que aprender a conviver com a culpa.