quarta-feira, 16 de outubro de 2013

::GRÃO DO NADA::

O homem vive a medida daquilo que ele apenas conhece de si mesmo.
Sinto que cada vez mais o homem está preso a um sistema de reconhecimento banalizado sobre o mundo que vive.
Persistindo cada dia mais naquilo que ele tem medo de buscar, me refiro as coisas múltiplas que se fecham anos após anos. Dos mistérios do não compreendido que se exaltam apenas no silêncio das montanhas.
O homem moderno é exaltado pela arte do pensar, mas pensamento em que?
Para onde é direcionada a razão do homem moderno?
Talvez para tudo aquilo que ele e seu maquinário racionalizado o levam, para um abismo de ferro, lamaçal e estrangulado de certezas e condicionamentos tão distantes da realidade que o cerca.
Por algum motivo a lógica padronizou-se de uma forma que o homem ficou completamente chocado diante do espanto que ele proporciona a si mesmo, fetichismo cultural.
Vejo adoecer uma sociedade que não sabe o que é ser coletivo. Não participa daquilo que não o ocupa do tempo-espaço-paterno.
Aonde foi parar o homem que via de longe sua caça?
O homem atira com sua arma de fogo, sem mira, sem beira, sem eira, no mais confuso habitar irracional que ele compreende como padrão evolutivo.
Não se ocupa em pensar o não pensado, quer tudo mastigado, tudo concretizado, experienciado por uma ciência que ignora o Nada.
O vazio que o homem moderno procura preencher com seus métodos excêntricos e histéricos.
Qual a voz da modernidade?
Avanço?
Futuro?
Porque então buscar algo que só pode ser transmitido através da linha do positivo?
O confortável tornou-se uma prisão para os pensadores intelectualizados.
O homem sabe demais!
Sabe que tanto sabe que esquece do que soube.
Esquece-se de si mesmo.
Procurando uma cura para a morte, a solução para a boa sorte e luta contra a degeneração da impunidade.
Todos voltados para uma única questão.
O futuro.
Se pensamos no trabalho, nos filhos, nos amigos, nos bens, na moral, na ética, na lógica, no sentido, nas construções filosóficas, no que já está, pensamos no futuro.
Um futuro que parece estar sendo engendrado em uma panela de pressão.
Todos sabem, prestes a explodir!
Pessoas implodindo suas questões primárias, comendo suas próprias fezes, cuspindo o seu próprio veneno, borrando suas calças diante de um Armaggedon que parece libertador.
E quando se diz que não vamos nos importar diante do espanto da vida que escorre diante dos rios poluídos e das mentes pervertidas, somos acometidos pelo incidente do agora.
Não vamos fazer parar de chover.
Qual a nossa parte humana que ainda resiste a todos estes séculos?
Creio que apenas uma, a da dor.
Talvez também a da culpa nem se exaure diante dos sons magnéticos das notas que saem dos caixas eletrônicos, euforia!
A meta-linguagem, meta-física, nos fez meta-humanos.
Cada vez menos próximos de conquistarmos nossa humanização.
Voltar-se-á ao primitivo apenas aquele que procurar o refúgio na culpa por uma desumanização irracional.
Viver a espreita da natureza sem temer o Uno.
Os movimentos de sincronicidade estão cada vez mais refletidos das retinas quase cegas dos espertos.
Quem percebe, arde, vibra, chora, culpa-se por não ter notado um tempo que se dissolvia porque não era tempo vivido.
Não é possível ouvir o silêncio, nem mesmo quando estamos sem a nossa própria voz.
O pensamento replica, fica dizendo tudo aquilo que nos é obvio saber, o que aprendemos.
Tornaremos-nos grandes por sabermos de tudo?
Pela via mais condenada de todas,
A busca pelo absolutismo.
A busca por um conhecimento que não é cedido a quem quer saber demais.
Isso é tão gigantesco que ultimamente ouvir um índio andando na mata é mais intenso que escutar um estouro de uma granada em uma rua movimentada.
Estamos seguindo para uma nova era, ou velha, tardia, vadia!
A era do pensar que se pensa.
Do pensar o já pensado, buscado, dramatizado e incorporado.
As janelas da psique estão embaçadas pelo sopro dos que sonham pouco e agem demais.
Cansados de ler e reler milhares de feitos literários que só se destinam a nos acusar de só um fato,
Existência redundante!
Passamos por tudo, por todos, enxergamos cada vez melhor, pela ótica que fomos projetados a observar.
Ouvimos com os aparelhos moderados que nos ausentam do som profundo de uma gota diante de uma poça paralisada pela seca da maldade.
Estamos preparados para tudo mesmo.
Mas não para o Nada.








segunda-feira, 30 de setembro de 2013

:: VIVENCIANDO ::

O problema não é a falta de amor.
O problema é não ter amantes para receber o amor.
Não ter alguém com desejo para receber as rosas a serem retiradas dos campos virgens.
O amor escolhe os anfitriões que não temem nunca descobrir a verdade.
Por onde andarão os loucos, os bêbados caídos nas ruas frias com seus rascunhos poéticos?
Agora vivem em suas sociedades secretas a fim de tentarem desmitificar a sua compaixão.
Mundo sem amantes, sem ilusões e sem delirantes.
Existe um pouco de tudo isso, em algum lugar, eu sei que tem.
Quem beberá da última gota do veneno que extinguirá toda uma vida baseada em caos e egoísmo?
Quem abriria mão do hábito de pensar só em si e compartilhar com outrem a própria existência?
Hoje se reclama de tudo, do emprego, da falta de companheirismo, da ausência de respostas, das casas que desabam, dos carros que entopem uma cidade completamente melancólica.
Só se reclama!
Quem aprende a viver no tédio, não exclui a verdadeira experiência do Nada.
É fácil construir uma vida cheia de certezas, declarações de meia-verdade, construções projetadas para um fim que não nos cabe racionalizar.
A ideologia do início é baseada em um fim sem progresso, em um fio que antecede uma roda inteira de arrogância e desumanidade, tudo enroscado nas gargantas eufóricas de austeros.
Quem tem coragem de viver e dizer que não cabe saber de tudo, que não irá ter acesso ao suprassumo, mas que estará feliz em saber que se realizou em um processo enigmático e temperamental a respeito da engrenagem da vida.
Cada vez que comtemplo uma imagem sólida de uma noticia na televisão, mas chego a uma só ideia de mundo moderno.
Rachadura!
Porque as vozes que gritam e quebram barreiras são as mesmas que em um dia ensolarado estão trancafiadas em suas vontades tão mesquinhas, que se esquecem do outro lado de si, o outro.
O outro que calado, fica isolado da questão do agora.
Não resta muita coisa a ser feita, mas o pouco que temos, eu diria que se cultivarmos tudo sem ansiedade e egocentrismo, mudaria toda uma geração.
Para onde foi parar o amante nestas últimas linhas?
Aonde está o amor?
Está em tudo, porque não se pode vivenciar um copo cair sem se lembrar que ele irá fazer falta.
É preciso andar sobre os cacos, deitar levemente e perceber que também podemos ser quebrados a todo instante, mas que restará de nós uma lembrança, a ausência.



sexta-feira, 27 de setembro de 2013

::NUNCA-JAMAIS::

Sempre esperando o sol se deitar no horizonte...

Porque viver é uma arte e eu me sinto um pouco frustrada por não saber dominá-la tão bem.
Vivo a espreita das pessoas que andam pelas ruas pensando que estão atuando, brincando de ser gente grande enquanto no peito delas arde um coração tão infantil.
E porque viver é tão inconstante que eu tenho que me reinventar sempre,
Confesso que me perder é algo que é constante, já que escolhi não ser fixa, não ser dura, não ficar presa a qualquer experiência.
É quando de repente percebo que não consigo mais olhar gentilmente uma folha cair do alto de uma árvore e me dar conta da imensidão que me cerca.
Não sou capaz de ouvir o estalar dos galhos se desprendendo quando um pássaro a toca tão bruscamente.
Fiquei tão ocupada em tentar perceber que o tronco daquela árvore era rígido e mesmo assim, nas suas ondulações eu poderia deixar as marcas das minhas unhas.
Eu perdi uma parte, as raízes, eu sei que elas estão ali em algum lugar, mas estão tão profundas, enterradas aonde meus olhos não podem enxergar, mas sei que estão ali.
Então me deito no chão úmido, com o frescor da tarde de uma primavera silenciosa, fecho meus olhos e me entrego a esta tentativa angustiante de sentir que as raízes podem fazer parte de mim, são parte de mim, eu sei.
No fundo, bem lá no fundo, aprendi que estar triste também é estar de alguma forma vivendo algo bonito.
Porque quando a melancolia se vai, o sorriso, brota, singelo, sincero e puro.
Júbilo!
Como aquele sorriso que perdi quando descobri que o mundo não poderia mais caber dentro da minha realidade.
Porque eu sempre sonhei, ainda me sinto uma criança, um pouco mais hipnotizada do que o comum pelas coisas que passam e entrecruzam com a minha realidade.
Na verdade, eu nunca tive medo de nada, ser destemida sempre foi o meu lema, isso fez com que tudo que eu tenho até agora, se desfaça em um piscar de olhos na minha ilusão.
Sempre transformei meus medos em uma brincadeira de ser Deus.
Quando sou Deus, eu posso sentir que tudo que existe também é meu de alguma forma e que as pessoas também são como eu queria que elas fossem, no entanto,
Quando a brincadeira acaba eu percebo que não posso fazer isso sem sentir a mais profunda decepção, porque quando as pessoas somem da minha imaginação elas se revelam tão antipáticas e se dissolvem transformando-se em minhas angústias mais obscuras.
A vida vai caminhando sabe, para um lugar do desconhecido, aonde o mistério se mistura com o que eu percebo como pura sanidade.
Não temo mais a loucura, uma vez que aprendi a compreender que perceber o que está acontecendo na história de cada um, depende de como você se relaciona com o mundo que um dia quis apreender para si mesmo.
O meu mundo é repleto de amor, dor, satisfação, dissabor, prazer e fantasia.
Sinto falta de sentir que não posso me sentir.
De sumir e aparecer quando eu desejar, um dormir com a mente acordada.
Mas não posso escolher quando acessar as coisas que fazem parte de mim sem que eu queira.
Elas surgem no Nada, ou quando sinto um frio intenso, ali sou tocada, transformada e inundada.
Deste lugar, Nunca volto a mesma, eu entendi que não posso me manter como eu queria, eu sempre estarei sendo algo e no outro instante me transformarei para uma vida toda, aceitei!
Aceitei também que tudo que passa pelo meu caminho, ouço, respeito, observo e depois de perceber que posso consumir algo, cuspo em um movimento antropofágico.
Eu quero que permaneça em mim apenas as coisas que brotam do acaso.
 Transbordar dói, tira a veracidade dos instantes aonde rompo com as minhas certezas.
Não gosto das coisas completas, gosto do inacabado, do esgotado, do vazio e do que está sendo transmutado.
Eu gosto do  nunca-jamais.


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

::APELO AO AMOR::

Toda vez que penso em você, imagino um lago.
Não tenho medo da profundidade, da temperatura ou se poderei por fim, enxergar a margem mais adiante.
Não existe em meu coração a ousadia de duvidar que tudo que vem de você, me envolve imensamente.
Não me perco neste amor, me encontro nas horas mais gloriosas, que só se dão em sua presença.
Como posso eu falar de saudade se ela me cala quando não me aguento de vontade sua e corro feito louca para tentar quebrar um dia qualquer, a monotonia não me satisfaz.
No meu amor não existe tempo regular, existe o nosso tempo.
O mesmo é pedante, persistente e apaixonado pelos segundos nos quais estamos a sós.
Diz-me agora como se faz para desfazer este mundo todo que nos separa por longos quilômetros?
Eu te amo como se pudesse amar tudo e a todos em um só instante, você me preenche de multidões e de lugares os quais eu nunca vi ou estive, mas posso sentir através da sua presença que o amor revela todas as coisas que passei minha vida toda insistindo que não eram possíveis,  felicidade, sonho, amor e cumplicidade.
E é com você, exatamente contigo, que fui e sou capaz de viver intensamente todos os dias como se eles jamais pudessem me levar a um destino certo, chegar ao seu abraço, ao seu beijo, a sua alma e finalmente tocar o seu bondoso coração.
Por isso, não me canso de lhe bajular.
Todos os dias são os meus dias de lhe retribuir tudo de bom que você tem me dado e tudo aquilo que ainda irá me entregar.
Eu te amo com a loucura do devaneio mais frenético e incabível que possa ser possível para um humano suportar.
Não me sobra sigilo, desesperadamente procuro demonstrar fielmente o que sinto.
Porque sentir ainda não é suficiente.
O amor verdadeiro não se desgasta, não se isola, ele se contrai por virtuosas noites de solidão que quero que sejam estranguladas.
Como posso eu estar só se você inteira vive dentro de mim o tempo todo?
Eu não me retraio e escrevo a você.
Porque está é a minha maneira de tentar lhe explicitar o quanto você é única e por isso meu amor não se romperá como corda de relógio ao sol do meio-dia.
O meu amor é eterno porque é legitimado pelo que acredito e pelo que sou, fiel com as palavras, gestos e respeitosa com o que vem de meu coração.
Para sempre, amor.
Amor, meu para você, sempre.
Para o amor eterno.

O seu amor.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

:: A ESPADA DO AMOR::

O cavalheiro que antes era solitário, abaixa sua espada  lentamente, até a altura dos joelhos.
Com o coração em chama, sente arder, forte, intensamente.
Ele encontrou a redenção!!!
As batidas em seu peito parecem ensurdecedoras, mas não mortais.
Ele então percebe que o amor que carrega é tão puro que qualquer coisa que esbarre nas bordas do mesmo, dói.
De pensar na amada, tudo que mora dentro dele,  inflama, incha e nem que ele conseguisse respirar lentamente, pararia aquele pensamento todo.
Ele se ajoelha e pede para aquele sentimento ir embora, porque não suportaria perder sua amada, por qualquer motivo que fosse, ela agora havia se tornado um membro do corpo dele.
E ele chora, sua feição é de angústia, mas de repente sorri e seus lábios murmuram, pois o amor também está na saudade, no mal entendido, no erro e também  na compreensão.
Ele arranca lentamente cada parte da sua armadura pesada e fica nu.
Se recorda do abraço mais sincero, das mãos mais suaves e dos beijos mais paradisíacos que ele conheceu em toda sua vida, e se debruça bem devagar diante de tudo que o protegia e não teme mais nada.
O cheiro da pele de sua amada está por todo lugar, e ele sente que pode se levantar e voltar a caminhar sem temor algum, pois não está mais só.
Está com o amor e terá que apreender tudo que lhe for possível de mais belo e de mais terrível, pois todas as coisas que brotam no coração de um ser apaixonado quando é verdadeiro, não se apaga, não dissolve, não se corrói, às vezes dói, mas não trás melancolia, só renasce todos os dias sem que se queira, sem ser permitido, só vem e volta, fica e não se distrai. 
O amor abre as portas para um lugar desconhecido aonde as coisas acontecem e quem vive intensamente este sentimento do sentido, não pode pensar em desistir de si, pois mataria a si mesmo dentro daquilo que construiu através do outro.



domingo, 30 de junho de 2013

:: FORA DA JANELA::


Ela preferiu a morte ao perceber a sua própria pequenez.
Debruçou sobre as pernas e exalou o cheiro do pecado mais profundo.
Viu o louco dançar em frente a um espelho negro.
E a noite que tardava a cair, entrou dentro dela.
Se for possível desistir de si mesma, ela então entrava em um furacão quando pensava,
“Deus não me deu asas, me deu os pensamentos abismais.”
Tola, sossegou com o barulho dos arbustos balançando fora da janela.
Eles queriam entrar, participar daquilo tudo, mas estavam presos na terra.
De onde vinha este gosto de sangue que passeava da gengiva até a ponta da língua ?
Era um doce tormento, o gosto mais singelo do perdão.
Saia do coração...
A palidez mais cálida da madrugada.
E ela apenas sussurrou que não tinha medo de acordar.


terça-feira, 25 de junho de 2013

::SEGUNDO NÍVEL::

Não tem como escapar da vida, os passos são curtos para quem precisa correr de si mesmo.
E quando você consome toda agonia, brota no jardim, a semente da solidão.
Talvez a mais profunda de todas, por este tempo.
É possível beijar a morte, cravar os dentes no destino, mas não engolir a própria exaustão.
As ondas do mar estão altas, o farol coberto de melancolia, o alicerce está caindo.
Como descrever o acaso?
Posso deitar diante de uma muralha de tijolos pesados e morenos.
Ela se parece bem maior do que minha própria dor.
Quanto mais eu tento perceber em qual mundo vivo, menos aqui estou.
Minhas mãos não se cansam de descrever uma tempestade violenta que se aproxima.
Acabo por não desistir de me render a quem realmente eu sou.
As luzes do farol denunciam aonde estou escondida.
Um alarme alto me acorda para uma nova paisagem que o céu negro pintou.
Suas nuvens parecem que podem me degolar.
Elas são frias, parecem o oxigênio que em mim entrou.
Tento imitar os doentes, os valentes, mas a covardia nunca me abraçou.
Existe um porto seguro, uma mensagem vazia, um vazo aonde uma rosa vermelha brotou.
Tem alguém ai?
Talvez eu esteja repudiada, descasada e cansada do que a minha tolerância me ensinou.
O vinho velho minha mente consumou!
Uma vez me perguntaram por que eu vivia triste,
Respondi que não vivo apenas tão somente do amor.
Não importa o tamanho da minha felicidade, eu nasci para descrever o pavor.
Não é preciso estar dentro da escuridão para ser o quanto ela é perversa.
Basta fechar os olhos para se render a um grande mistério.
O Nada!
Então porque não descrever o amor?
Então porque não descrever a doçura?
Então porque não descrever a alegria?
Ambos são gigantes demais para mim, me inundam, preenchem uma parte de mim,
Enquanto a outra grita em meu ouvido pedindo clemencia precisando ser lançada para fora com calor.
E se eu pudesse escolher dentre tantas coisas que eu sinto, aonde estaria o meu fulgor?
Não sei e permanecer neste meio termo me faz visitar lugares aonde minha mente nunca imaginou.
No fundo não é possível escolher sobre o que se vai escrever, só se recebe.
Percebesse algo incomodo entrando vorazmente e a única coisa que salva é tentar descrever o que lá dentro de nós se instalou.
Acredito que sejam pedaços do mundo, do tudo, do Nada, daquele homem, mulher, animal, planta ou até mesmo de uma partícula que se multiplicou.
Só vem, instantaneamente, se não reagimos a este ataque, ele nos fulmina, causando uma sensação de embriaguez, tormenta, mal estar e péssimo humor.
Talvez seja uma maldição, ou não, ou claro porque não pensei nisso, seja no final das contas uma saída para algo que em nós se alojou.
Das experiências que vivemos inconsciente, no paralelo do estar-no-mundo, no choque com os ideias do consciente, algo que não perpetuou.
No final das contas, isso aqui, me relaxa  e espanta qualquer terror...


quarta-feira, 12 de junho de 2013

:: O PENSAMENTO DOS PÁSSAROS::

Eu posso não entender, mas vou dizer não posso servir somente ao dever. Falo do amor,  falo do amor de tudo, de todos, das esquinas e dos ponto isolados, das bancas, dos shoppings, das eufóricas, histéricas, das brigas, dos entendimentos não compreendidos que demoram a ser ouvidos porque, sentimentos verdadeiros sempre permanecem calados. O amor da amizade, da vaidade, da sinceridade, do visceral, do sexo e da saudade. Falo do que não entendo, porque quando estou falando, sou ouvinte e no eco destes falantes, faço do amor, um sentimento apequenado. Então porque não me calo? Porque não sussurro o amor? Não posso. Sinto muito, mas ele me enche rápido, de uma vez por todas, e depois se esvai. Mas volta e quando chega me leva a um lugar aonde existe hóspedes de conversando a respeito de inquietude e solidariedade. Não sei ser só, e ser só eu sei que sou, mas, não posso conversar somente com o escuro, com a sombra, com o sol que teima em tentar me cegar. Mas a noite vem e com ela uma multidão de pássaros quebrando janelas, tentando me ensurdecer, sentam-se no meu pensamento e escrevem aquilo que eu não posso me abster... O amor.

terça-feira, 4 de junho de 2013

::REPORTADA::

Cartas manchadas, baralho viciado.
Os melhores dias estão por vir, uma vez que eu aprendi a sentir algo novo.
Não posso dar as minhas coordenadas, eu sempre sei sucumbir quando preciso renascer.
A cabeça do louco está a prêmio eu vejo as rosas murcharem no jardim.
Nossa comunicação está surda.
Apague a luz, não tenha medo do meu escuro.
São estas figuras todas que podem te assustar?
Venha pode entrar no meu útero, eu não arriscaria tanto se não confiasse no que temo.
Quanto pode durar o tempo desta pílula?
O quanto você pode aguentar dentro de mim sem o seu ar de cada dia?
Eu sacrifico tudo, eu vou sangrar , me assista a apagar a luz interna.
Porque eu criei um mundo para escapar e não deu certo porque o caos me dominou.
Então me puna, arranque meus distúrbios e tudo que eu acredito com tanta força.
Devore-me até seus dentes rasgarem minha carne, eu quero sentir o sangue te purificar.
Em que você acredita agora?
As emoções estão de cabeça para baixo e estou entorpecida com a sua realidade.
Vire-me estou me afogando com as suas angústias.
Segure meu coração em suas mãos, você pode senti-lo agora com mais intensidade?
Acaricie-me lentamente, porque eu estou dependendo da sua tragédia para me libertar.
Sai fora de mim quando perceber que não pode sustentar por muito tempo o que eu lhe transmito.
Eu sou uma fera tentando sair da jaula lentamente.
Já não tenho tantas forças, eu sei, mas não desisti.
Você me deu outro mundo e eu apenas quero compartilhar do que podemos fazer em meio esta multidão de aflitos e estabilizados.


quinta-feira, 30 de maio de 2013

::O GOSTO DO VÍCIO::

Olhando para as estrelas, o que eu poderia não acreditar?
Se eu posso ter a possibilidade de crer que cada coisa possa me capturar.
O som está alto e eu não consigo pensar direito, e isso realmente é uma bomba atômica.
Enquanto um dorme o outro devora um mundo cheio de cicatrizes.
Então vamos abrir os olhos lentamente, as ruínas estão caindo.
É fácil tentar escapar, mas os trilhos estão cheios de sangue.
A solidão você não pode dominar, então não culpe se o frio te congelar.
Os jogos estão acabados e então alguma coisa me diz que pode arrebentar aquelas correntes antigas.
Conto até cinco, prendo a respiração e lá está a memória na sua voltagem máxima.
Me refiro a algo que não pode ser esculturado, ou criado com as próprias mãos.
O futuro é algo que não me assusta, porque no presente eu mato um demônio por dia.
Não adianta reclamar se as coisas não estão no lugar, por onde estivemos todo este tempo?
As lágrimas foram caído e não pudemos nos expressar como deveríamos.
Eu nunca tive sonhos que pudessem me engolir, as fantasias são exatamente voluntárias.
Até certo ponto eu ligo o rádio e ouço minha própria voz gritando que eu não posso desistir de tudo isso.
Apocalipse urbano ou não, os problemas estão me restaurando e eu tenho amado não ter controle sobre o que quero hoje em dia.
Então vamos tirar as mãos do freio.
Desgovernar por onde a estrada seja mais ampla e não cause tanto desconforto.
Você me disse que a realidade é cruel e eu pergunto você foi o bastante?
Doou-se até seus ossos doerem?
Não você tomou as pílulas erradas, caiu aonde o abismo era raso como sua capacidade.
E não pode confirmar a minha mensagem de que as virtudes estão se perdendo e você não pode pular para o degrau de cima?
Engula lentamente o gosto do vício de uma vida cheia de remorso!
Todo mundo dizia que eu iria enlouquecer, e eu o fiz.
Mas e agora?
Qual é a acusação?
Qual a letra de música que vão me dedicar agora?
Levante as bandeiras eu vou travar todo o sistema integrado de normalidades possíveis.
Porque eu não nasci para ficar no caso do acaso.
Eu nasci para escória dos padrões e isso não é rebeldia.
Desculpa se eu não tenho um mundo só para viver, eu vivo nos paralelos deste sistema anormal.
Não falo por um contexto social, não que isso seja tão banal, mas estamos em uma era aonde as pessoas estão se anulando tentando tapar seus traumas com alienações tão pouco subjetivas.
Quero ver a possessão e seu eu digo que os ossos não aguentam é porque eu quero ver as almas andarem por toda esta terra desolada.
Papai trai mamãe, mamãe cozinha com o vizinho e as crianças assistem a guerras civis.
E onde está o padrão?
Deixa os ralos serem abertos, o esgoto a flor da pele, o cheiro da maldade já não incomoda mais as vizinhas.
Então todos nós gostamos disso?
Eu prefiro o perdão em todos os casos, já que todos nós vamos ter que aprender a conviver com a culpa.


sexta-feira, 24 de maio de 2013

::NÃO SABIDO::


Pessoas vão e você permanece.
Então me guie, me deixe em uma direção segura.
Eu posso enlouquecer, porque eu estou com a alma aberta, e isso para você parece não confiável.
Você sabe aonde o lugar é seguro, percebe aonde existe meu apego.
Você finge não saber o que eu sempre quis.
As luzes estão apagadas e agora o show aparece e você pode transmitir o que eu quero ver.
E eu toco as coisas aonde eu queria que você estivesse neste momento.
Eu peço para que você fique, mas não sei se você permitiria que isso aconteça.
Então me acesse, perceba-me porque eu não posso sumir mais diante de seus olhos.
Podemos estar em lugares separados e isso nunca importou.
Porque tudo que eu falo, é para que você ouça, a minha voz é para ser ouvida ao seu ouvido.
Você trava tudo, porque eu sempre lhe trouxe insegurança, eu roubei seus demônios da estante.
E hoje você me traz o acolhimento e eu não vou fugir.
Traga-me o que você nunca conseguiu conceber, e eu consumo as suas independências.
Porque eu resisti a um tempo que você nunca poderá controlar.
Porque eu toquei um  lugar em mim que você não pode ignorar.
Eu peco em dizer que você nunca pode estar presente.
Mas eu sou inconstante, e agora tão imutável  por sua presença.
Não importa agora tudo parece tão distante e você tão perto.
E eu tenho medo que você não mergulhe nesta profundidade...
Eu sei que o mundo não parece justo e eu só peço humildade.
Aonde existem suas lagrimas eu suplico para que você abra seus olhos,
Para que seja capaz de enxergar uma redenção.
Fique calma, a lealdade demora, mas quando ela chega você pode temê-la.
Não precisamos mais de camuflagens, porque eu me sinto descoberta.
Eu posso dizer que é tempo de renascer e você ainda quer ser uma rainha.
E eu me exponho porque as nuvens querem apagar esta lua cheia.
Não tenha medo de sentir-me diante de seus olhos, desnuda.
Porque eu sofri a tudo, mas sei que quando você pode partir, poderei pelejar.
Mas para aonde o amor renasce, ali minha vida se dissipará aonde os deuses rejeitam a divindade.
E então eu tomo a palavra, me dê um tempo para que a confiança brote em seu coração.
Aonde eu pareça imortal pois eu resisti ao tempo para te esperar.
De todos os amores que eu vivenciei você foi o mais real, porque eu tive medo de morrer.

domingo, 19 de maio de 2013

:: INICIADO::


Eu não preciso me concentrar para que isso aconteça.

Refiro-me a esses pensamentos estranhos, insanos e tão amorais.

Eu avisto um homem montado em um cavalo negro, galopando em minha direção.
Ele trás um amuleto no pescoço, como quem trás uma história toda em seu coração na memória.
A paisagem está em decomposição, eu sinto o cheiro da morte entrando pelas narinas dele.
Jovem, com cara de quem já encarnou milhares de vezes um personagem pesado e fadado uma vida atrás de algo que não está destinado a encontrar.
Está frio, e as arvores sussurram através do balanço de seus galhos.
É como o grito de crianças recém-nascidas, desesperadas para chegarem e contemplarem a desgraça em um mundo derrocado e aonde as labaredas saem por todos os cantos dos vulcões, perseguindo os famintos por amor.
O perigo é um amigo dele, ele tem olhos fortes, penetrantes, aonde a loucura encontra seu acolhimento, aonde a solidão parece debruçar em seus braços longos e resistentes.
Seu tronco é forte como uma macieira antiga, suas veias retratam a força que ele carrega em si, o sofrimento corre pelas suas pernas, musculosas e ágeis, como de um garoto de 12 anos que procura um lugar para se esconder quando pratica algo que não é considerável pelo bem de todos.
O frio passa pelos seus pulmões, ele solta o ar congelado, transformando – os em fumaça, como se pudesse aquecer o que o cerca, em uma tentativa caótica de quem pode perfurar os sentidos do desconhecido.
Ele não tem mãe e nem pai, está desvelado.
Destituído de tudo aquilo que considero leal!
Ele olha de um lado para o outro, como se procurasse algo que precisa estar perdido, mais do que ele.
E encontra uma chance, desce de seu cavalo, curva-se diante de um rio, e suavemente bebe a água do inconsciente.
Quando ele fecha seus olhos para sentir a sede passar, os demônios entram através do seu esôfago e o fazem entrar em transe profunda....

segunda-feira, 6 de maio de 2013

::CÔMICO::


E aonde existia somente a luz, ergue-se o reino das trevas.

Não havia resguardo para o não revelado.

Só existia a penumbra, um errante torto que agora se encontrava enjaulado.

Não chorava mais, engolia o próprio pecado do medo.

Era ódio que brotava de suas lágrimas.

Em um profundo sono, à noite o recolheu.

Talvez porque a noite soubesse, que ele andava muito calado.

Que não era capaz de cuspir o mal para fora.

Aquele homem condenado que vivia desolado e  perturbado, só pensava na morte.

Ligeiramente perdeu-se em um labirinto de tristeza.

E dali, não se soube mais daquele desgraçado.

Como poderia ainda ter calma, se no lugar da sua alma, agora jazia um desespero pelo vício de mutilar-se com suas culpas.

Foi uma tortura imensa, ver suas asas podadas pelo rancor.

Jorrava sangue de suas costas, desenhando o terror como se a dor tivesse dedos afiados.

Debatia-se no chão, respirava como se cada suspiro dele fosse o último.

Da ousadia, desafiava o poder do oxigênio que havia em seus pulmões.

Seu coração se negava a aceitar o sofrimento, batia como se bate em uma porta querendo sair depressa.

Ele não morria!!!

Não podia simplesmente falecer ali.

Ali era perto demais de tudo, era longe demais para chegar ao prometido descanso.

Atordoado, virava-se para o chão, lambia o próprio sangue, procurando nisso a redenção.

E não obtinha sucesso algum, pois era rude demais para aceitar a negação.

Ele tinha que permanecer nisso, até que sua jornada terminasse e a vida lhe desse outro fôlego para gestar uma nova transformação...

 

 

 

 

 






quarta-feira, 24 de abril de 2013

::MENOS::


Eu estou sem cor novamente.
As flores começam a murchar, eu vejo o espiral na minha mente.
Fiz um monte de coisas, senti cada uma delas, toquei cada pedaço das minhas trevas.
Eu pude sentir, novamente...
Os passos estão mais curtos e as lágrimas estão congeladas.
Desejo que eu não consiga mais desejar estar tão longe.
Este tipo de dor não passa com uma pílula e nem com um banho gelado.
Sacrificar tudo que se tem para se arriscar a morrer na tragédia.
Era tudo isso que eu queria?
Escapei para algo terrível aonde eu não me importava em sentir este ressentimento.
Tudo está morrendo, eu estou construindo uma nova abertura.
Esta rachadura parece mais profunda e mais cruel.
Minhas mãos estão atadas e agora eu vejo a emoção densa me estrangular.
Não estou preparada, não deste jeito.
Aonde eu desenhei a minha virtude, se torna um grito de desespero em meio a uma multidão surda.
As paredes estão caindo em cima de mim, e eu não quero ficar para ver cada tijolo me soterrar.
Será este um novo abrigo que estou construindo?
Eu preciso acordar, ou realmente eu deva sentir tudo com esta intensidade para me manter viva.
E se esta penalidade for a única coisa que me torne real?
Eu preciso acordar antes da noite acabar.
Porque eu estou ficando sem ar, eu não consigo escolher o que me torna substancial.
Eu preciso sair, antes que meu ultimo suspiro me traga novamente a vida alada...


terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

::CARREGANDO...::


Melancolia, nome feminino para dor.
Assustador, nome masculino para amor.
Ser temperamental não resolverá.
As peças continuam caindo e eu sinto como se algo quisesse me engolir.
Todas as escolhas, as mortes, as flores, as aberrações eu fui longe.
Estou alta demais e os navegantes estão pulando para fora do barco.
O mar aberto me lembra que estou sem destino.
Confiar em algo que eu não possa sentir, é o destino, marginalizando minhas veias.
Eu sabia que estas ruínas um dia desabariam sobre minha cabeça.
Minha mente dá piruetas e eu tonta percebo o quanto fui tola.
Quando eu pensei que estava acertando, eu tinha na verdade que errar para meditar sobre o que estava suspenso.
Posso substituir tudo, arrecadar doações deste mundo.
Vou selecionar as correspondências, as exibições estão canceladas.
Eu não posso responder a nada, minha noite não pode ter o dia inteiro para durar.
O caminho para o farol está bloqueado, as águas tomaram todo meu espírito.
O meu descanso está nas tardes, assombradas pela melancolia do estar.
Ausente!


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

:: O NÃO QUE É::


Não tem Sol, não tem Lua, porém ainda tem medo.
Não tem rosto, não tem ouro, porém tem Segredo.
O que arde fora e em mim não tem fogo?
O que jorra água dentro de mim e não tem seca?
O que sou eu em mim e não tem mistério?
O nada!!!
A glória renasce, mas não me salva.
O que emite o som, mas não tem ouvido?
O que tem ouvido e não tem voz?
É o cochilo!


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

::O MEDO DO NÃO SER::


Quanto de melancolia podemos suportar?
Se suportamos então de alguma forma vencemos algo que tenta nos consumir.
Morremos e vivemos todos os dias, todos os instantes, cada um em uma tonalidade diferente.
O contraste mais forte acontece quando acordamos e sentimos que ainda somos reais.
Temos que lidar com tantas coisas ao mesmo tempo, será possível nos separarmos de tudo que está conosco mesmo quando não aceitamos?
Não aceitar também é uma escolha, pode ser dolorida, mas também floresce.
Em todo sofrimento que experienciamos, bem ali no meio desta confusão negra, existe esperança, expectativa, dor e satisfação.
Mas, só há e isso basta para que possamos degustar até o final da garrafa da nossa frustração.
Por mais que possamos nos enjaular das tempestades sombrias e das feras que nos habitam, as coisas sempre serão somente nossas em cada partícula em cada átomo de vida.
Ser tão real também é tentar não existir, às vezes dói porque a ferida parece que não cessa enquanto não dormimos.
E quando dormimos, imagino que cada parte do nosso corpo se refaz das amarguras, dos desejos que ainda não estão prontos para vir.
Não se tolera a vida, não se escolhe a morte, não somos capazes de nos abster do que não somos.
Cansa ver os passos que ficam para trás, mas de certa forma eles também nos guiam.
Talvez para um lugar que não tenha conforto, mas é um lugar que também nos abraça.
Neste abraço, é possível sentir o cheiro da chuva cair e as pétalas das rosas trançarem nosso corpo.
É a morte assoprando bem lentamente, quando em um suspiro próximo, sentimos o fogo da vida enxugar nossas lágrimas de dentro para fora.
Não compreendemos muito bem o que temos, o  medo de ter pode ser maior do que o não ter.
E se já temos, conservamos em um lugar paradisíaco aonde dançam nossas fantasias.
Quem nunca teve medo de encarar as próprias fantasias?
Quem nunca teve medo de assumir que quando o barulho do cotidiano para, estamos finalmente a sós com nossas palavras que se instalam em um lugar da mente, que não podemos guiá-las para fora.
E se elas saem, é como se pela primeira vez pudéssemos sentir o palidez do tudo.
É tão bom que se esvai diante da nossa respiração ofegante e sem controle, ficamos mudos, presos, catárticos e assombrados pela raiz da nossa verdadeira fala.
Não temos ouvidos suficientemente bons para ouvirmos os nossos instintos, não percebemos o que somos na totalidade, ali já não somos.
E voltamos para nossa melancolia que talvez não possamos suportar...

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

::PROFUNDO E SENSATO::



Eu sempre quis ser amelhor,e cai!
E agora eu tento dizer as coisas e as estrelas podem cair.
Então me faça sentir que posso ser honesta, porque estou morrendo de medo.
Antes eu não tinha abrigo, hoje eu não preciso do seu abraço, eu tenho em que confiar.
Você está aqui em minha mente, em algum lugar.
Eu sempre quis ser a melhor!
Mas tudo que eu pude dizer não pode ser contemplado, eu estava em pedaços.
Porque de alguma forma eu estava tentando me manter viva.
Mas por mais que as coisas permaneçam perfeitas falta algo, você.
Quando as sombras aparecem eu vejo você aparecer no meio da neblina.
E no outro segundo, você está longe e eu sinto que deixei de dizer algo.
Então saiba que eu sempre te quis mesmo que não pareça leal querer algo que não se diz.
Abra seus olhos eu sempre estive aqui, morrendo um dia após o outro para te ver renascer.
Porque querida, eu nunca quis te ver mal.
Esta noite eu sinto o seu cheiro e as trevas parecem querer me dispersar do que eu quero.
Entendo sua insegurança, eu lhe causei tanta insegurança , agora minhas mãos parecem escorregadias.
Mas não tenha medo, pode pular eu te darei as asas.
Não tenha medo, meus espinhos não vão te machucar, eu vou sorrir quando você perceber que eu posso te acolher.
Sorria para mim não tenha medo, eu vou te solidificar com as minhas lágrimas.
Porque se eu choro é porque sinto você perto, dentro!!!
Em um lugar que talvez eu não tenha te apresentado, mas que é a melhor parte de mim.
Um lado que me traduz e me dissolve porque me sinto satisfeita.
Porque o amor quando é verdadeiro, permanece e não se esvai com tempo.
Deixe as ilhas nos isolar daquilo que é injusto para esta hora.
Não é preciso que você voe para me ver por cima, eu estou aberta.
Tudo aquilo que não pode ser narrado é algo que deve ser aprofundado...



terça-feira, 30 de outubro de 2012

::AONDE AS FLORES FALECEM::


Todos os dias tentando lutar contra os erros, enganos, dores e angústias.
Eu tenho feito o melhor?
Estou tentando desabrochar, mas sempre estou regredindo.
Não existe precisão no que digo, e minha fala parece murmurar por um silêncio.
Em mim as coisas não param de fluir e eu sinto que minha conexão está fraca.
Os caminhos parecem tão largos, quando estou dentro, eles se estreitam e me esmagam.
Estou corrompida, minha natureza faz com que eu sinta cada vez menos vontade de escutar o mundo.
O mundo me rompe, ilude minhas percepções.
Sigo caminhando aonde as flores jovens faleçam, aonde eu não erre, aonde eu não me contorça de dúvidas.
Abro a porta dos fundos, os gritos estão altos, eu posso sentir, vou enlouquecer de novo.
Qual minha posição nesta sala organizada de fatos e acasos?
Minha mente me fabrica, estou com outro defeito, renasço sempre de uma forma torta.
Tento consumir a força que tenho de uma maneira estranhamente perpendicular.
Balanço de um lado para o outro, até ficar tonta e alta a velocidade não me esconde do irreal.
Recuada, percebo que as orquídeas sorriem para mim, querem me ver com o rosto na grama.
Algumas coisas que sonho se tornam reais demais e eu fico confusa de quem eu estou sendo.
É só esbarrar no limite para ver o quanto estou ligada a algo superior ao meu ego...



sexta-feira, 26 de outubro de 2012

::FALSA AMERICA::


Vamos lá eu tenho apenas uma chance de demonstra o que eu sinto.
Uma oportunidade quando nasce eu não perco.
O que você vê?
Não, não pode ser só isso, existe algo maior e isso vai voar.
Estamos brigando de madrugada e eu sinto que vou vomitar tudo isso.
É uma bomba atômica em um mundo não habitado.
Todo mundo diz que eu vou ensurdecer com minhas lamentações.
Estou faminta, então me dê algo para que eu possa me apoiar.
O que é melhor está dentro deste labirinto de dor.
Podemos falar de gloria, e então eu estou tentando escapar de toda esta ganância.
O mundo não é só meu, já aprendi a dominar as leis.
É só eu me fingir de morta e tudo estará certo amanhã.
Mamãe pede para que eu durma, meu pai ronca e do outro lado minha irmã dorme feito uma rainha.
O que eu tenho ao meu redor é apenas uma chance, um tempo que se esvai quando a música ainda toca nos meus ouvidos.
Sem games, eu tive que agüentar uma vida toda diante de um olhar critico e blasfemador.
Não vim aqui para julgar atitudes, porque sempre fui sem partido algum.
Minha família anda distante e nem por isso eu os culpo de eu ter sido tão insignificante.
Porque a moeda já está no ar e eu estou querendo ter sorte para quando ela tocar o chão para reformular minha opção.
Digo que amo algo aqui outra coisa ali, mas na verdade talvez eu nem seja quem escolha isso ou não.
A vontade é de ir embora, mas eu explodo toda vez que tento contemplar o que já não existe mais.
Eu tentei domar uma fúria dentro de mim, e toda vez que alguém me afronta eu fico nervosa.
Me esqueço e pulo para próxima etapa, e dou o perdão.
Não é fácil, confesso eu gostaria de enfiar qualquer coisa na boca de quem diz que eu fico descontrolada, porque meu controle está no fundo do meu abismo.
Quando tudo isso passar eu não serei a mesma, meu ódio está contido e ele é enraivecedor.
O labirinto tem duas saídas, uma a ordem não aconselha o outro só se escapa por um fio de vida.
Eu nunca tive medo de estar viva, o problema é que a vida vale demais para mim e isso faz com que eu a aprecie de uma forma completamente irônica.
Cada trago que dou neste cigarro eu apago um verme que está querendo me devorar por dentro.
Podemos fazer qualquer trocadilho a situação é grava, eu estou tentando decifrar o que quer falar comigo.
Estou quase inconsciente e o sono não vem.
Minhas mãos não param e minha cabeça paira por um lugar podre e doentio, cheio de pus e aonde uma pessoa normal não duraria um só dia.
Não tem receita para sobreviver neste mundo, mas eu vou tentando buscar uma fórmula para que isso não me sufoque.
Chegue bem perto, você não precisa correr, minha força é grande mas eu não vou te achatar.
Você não pode entrar no meu sentido, mas pode sentir o grande problema que eu te causo.
Escute, as vezes fico longe demais, não ouço sequer uma palavra.
Mas o jogo continua, e eu tenho que arrumar uma porta de escape e então escrevo.
Esta é minha maldição?
É meu crime não ter nada genial para compartilhar?
Bem vinda ao clube, eu estou apenas quebrando as algemas sociais com um vocabulário diferenciado.
Porque quando tentando cortar as coisas com suavidade, dói demais.
Meditar esta droga de sistema que vivenciamos só faz de nós monges isolados em um deserto acido e cheio de ódio e rancor.
Jogue os dados, o grande mestre do destino vai nos abençoar com uma nova jornada.
Sou dissimulada mas não posso ser abandonada por minha imaginação.
Então puxe a cadeira, sente, então temos um grande cúmplice de tudo isso.
Uma sociedade que vive se escondendo nestes escombros e eu sou suicida todas as manhas.
Estou histérica porque alguém apertou o botão de destruir tudo ao meu redor com este vocabulário.
Não adianta me pedir para que eu vá devagar, o ritmo é frenético e me consome.
America, quantos já morreram tentando te sustentar e agora estão cansados em algum lugar de uma casa cheia de gente que só quer ter o que comer.
Eu tive um sonho, aonde as pessoas viviam bem sem ter que se vender para sobreviver.
Isso não tem a ver com a noticia do rádio ou da televisão, as pessoas vivem como rochas.
Formulando, o que é preferido hoje em dia é acordar na bagunça da manhã e perceber que estamos vivendo uma mentira.
Então América, desperte porque eu estou enlouquecendo e sei que o seu obsoleto problema está para ressuscitar.
Olhe, agora existem pessoas acordadas, pensando em como vão pagar suas contas, e as crianças dormem feitos anjos usando um uniforme para andar em um destino underground.
Agora não seja tão modesto, quando eu visto preto é porque eu sinto que estou de luto quando eu começo a protestar através de um fio de sentido pelo que me estagna.
Letras que falam de amores perdidos, outros que falam que fazer sexo resolve tudo.
Qual boca você quer beijar?
Talvez estejamos prontos para abrir aquelas velhas covas.
Aonde estão adormecidos nosso sentidos mais pervertidos de brincar de papai e mamãe em uma letra qualquer que vem do gueto e que não pode ser compreendida por alguém tão culto que perdeu sua realidade.
O coelho corre para a gruta, e então eu me sinto exposta.
America aonde foi que você escondeu seus filhos?
Talvez em um útero infértil e cheio de doenças antigas.
Seus problemas são mais do que ancestrais, seus pertences serão sabotados.
Estamos sendo engolidos por seus discursos a casa branca só existe nos filmes.
Quanta hipocrisia meus caros, eu sempre quero imaginar que a estátua da liberdade está escondida nos morros do meu país.
Todo mundo gritando pelas ruas, existem milhões de pessoas sentido que algo não está certo, mas dói ficar em pé durante horas esperando um prato de comida se materializar.
Prenda-me, America seu plano falhou.
Abra seu caixa dois, os problemas estão multiplicados e a população está faminta esperando sua decadência.
Em um canto da cidade posso ouvir maquinas de jogos distribuindo dinheiro.
Do outro lado, um barulho de caminhão contrabandiando suas mercadorias para alguém que precisa acordar sem ter perdido a própria imaturidade.
Então do que gostamos está em falta?
Que grande intenção, tudo deu errado, qual o plano B?
Agora que estão todos quase alienados, é hora de jogar os corpos na fogueira?
Vai feder, e quando isso acontecer vocês serão intoxicados pelo seu próprio veneno.
Um anda rodeado de segurança, e o outro do lado da rua sente a turbulência.
Ele tem ritmo e eu não o culpo por muitas vezes tentar se comunicar com algo que vocês consideram ilegal.
A bala saiu pela culatra.
Então abstenha-se mais uma vez porque eu estou desprendida de tudo que vocês ensinaram um dia.
As crianças já estão nascendo grávidas, e agora vocês serão os pais.
Somos todos irmãos diante de Deus e aqui em baixo vocês tentam nos controlar como se estivéssemos em um parque de diversão, uma noite do terror.
Dane-se suas promessas, vocês não são homens para cumprir algo deste porte.
Estamos bonitos vestindo a imitação que vocês querem que vestimos?
Ah, os sonhos agora estão fora dos outdoors, porque alguém disse que eles são incorretos.
Os escravos estão soltos, cozinhando em algum lugar escuro, tramando sua revolta.
Não existe superman aqui, nós aqui sobrevivemos com o que temos.
E a consciência não pode ser domesticada quando estamos passando por necessidade.
Vocês jogam milhões em uma jaula qualquer, eles vão evoluir e construir uma maneira para escapar.
America, aonde estão suas calças?
Vocês dizem que tudo está evoluindo e eu só vejo cinza e desgoverno por todos os lados.
Não tem mais ditadura?
Então vamos roubar o que vocês tem de melhor,nossa confiança.
Estamos cansados,irritados e vamos parir um filho da discórdia.
Veja, uma fortaleza não é indestrutível quando seus soldados estão dormindo.
Então se preparem porque o inimigo vem de dentro e ele não tem coração.
Já virou um zumbi e se aliou aos dormentes.
No ano que vem vamos ver isso, aquilo, e tudo vai sumir...
Porque sabemos aonde vocês dormem mas poucos tem coragem de cutucar o leão com vara curta.
Nós somos seu troféu ?
Então tome cuidado porque a estagnação pode ser algo que parece inquebrável, mas existe a demência e a rebeldia e essas duas não descansam enquanto um colapso não se alojar no seu ventre...



quinta-feira, 25 de outubro de 2012

::RECORTADA PELO INCONSCIENTE::


Se cure porque seu rosto está se desfazendo.
Você está tentando quebrar uma parte da sua alma que já está morta.
Seu coração parece estar querendo estourar, sinto as batidas dele no meu pulso.
Você ainda permanece acordada, vendo a noite sumir, mas quem irá desaparecer será seu contentamento.
Não tente permanecer nesta posição por muito tempo, seus braços estão sendo esmagados por sua vontade de querer quebrar seus ossos com seu passado.
Se você não puder reagir, se concentre, sinta o que está querendo lhe drenar, fique consciente, eu preciso ouvir a sua risada.
Você sabe alguma vez a culpa foi sua aliada, mas agora tudo que temos você destrói com sua insanidade.
As luzes precisam ser apagadas, posso ascender uma vela para tentar entender a sua escuridão pelo lado de fora deste globo negro que se tornou seus olhos.
Tenho que ficar longe, porque suas feridas estão se transformando em mim, virando minha segunda pele.
Estanque este sangue que escorre do seu útero, deixe fluir, diga adeus ao seu amado cinismo, ele agora é tão real quanto a sua instabilidade.
Vou lhe servir aquela sopa quente que você tanto gostava, eu te vi chorar em cima daqueles fios de cabelo que no seu paladar sempre pareciam carregar o gosto de macarrões frustrados.
Qual a direção agora?
Então você, está completamente debruçada sobre esta mesa suja e velha, se infectando de ódio e angústia, estamos fazendo algo errado, eu posso sentir, por mais não que não tenha sentido.
Pare de chorar em cima da comida, você sempre fingiu ser uma rainha, agora está sendo dominada por uma colecionadora de fúria.
Você nunca...
Eu nunca fui tão próxima da sua melancolia, agora sinto como se ela tivesse passando por dentro das minhas veias.
Eu nunca fui tão segura em minhas decisões, agora parece que tenho que julgar o que você sente.
Eu nunca senti vergonha de enlouquecer na sua frente, agora eu a dor me desmonta e eu estou exposta no seu mundo.
Não ria, eu sei que eu não pude dizer que poderia ficar quando as nuvens cobrissem o seu céu.
Não se abstenha do que eu te digo, minha boca está cortada pelas suas unhas afiadas.
Você me deu, eu te dei, eu me lembro, algo de ruim chegou perto de nós, não consigo narrar.
Porque agora eu preciso que você não seja você, que eu não seja você em mim.
Apunhale-me com sua insatisfação, faça de mim sua escrava, me deixe alta.
Sirva-me seu veneno mais amargo, quero expelir esta sua decadência pelo suor.
Eu e meu dragão estamos esperando um lugar para descansar, e você não está acordada.
Os seus caminhos eu não posso guardar e meus pés doem tanto por ter te seguido por um longo tempo.
Arde, você não é a única, e eu não posso ser só sem encarar que isso sempre foi irreal.
Ser uma só dói!
Então porque você não levanta sua voz e me derruba para dentro do seu útero.
Crie-me, depois me solte e faça com que eu envelheça tão rápido para que eu tenha medo do agora.
Minha doce clandestina, sua personalidade me aterroriza desde criança.
Eu podia perceber seus olhos mergulhando lentamente na escuridão.
Enquanto todos brincavam sorridentes, você estava procurando um motivo para se manter acesa diante da multidão falante.
Você desmontava todas as bonecas na tentativa de criar a si mesma, mas nunca se lembrava como você realmente era.
Lembro-me de quando você caminhava em direção ao mar e dizia bem baixinho para que aquela imensidão te tragasse para dentro e não te devolvesse mais.
Você criou meu dragão com seu sentido mais doentio, eu vi a morte assoprar os fios do seu cabelo enquanto você dormia, e você sorria alegremente como se a mesma lhe fosse tão próxima.
Eu não tenho medo de você, eu te rodeio como se pudesse contemplar a sua virtude mais escondida dentro desta lama na qual você se enterrou.
Cobiço sua suavidade quando você transita de um lado para o outro, as vezes tenho a sensação de que quando eu piscar, você suma para sempre.
Sinto-me estranha, estrangulada e intragável, é como se você pudesse me manter desligada com suas palavras tão profundas, reclamando da palidez desta cidade.
Gosto de quando fecho os olhos e sinto o cheiro de flores na sua pele, eu alimento uma doçura e uma suavidade que você acha tão desnecessária.
Resta algo, algo maior do que tudo que eu possa descrever.
Mas eu continuo tentando repetir e desgastar os meus dedos na incansável busca pelo nosso elo que ilustra o meu amor por você que é um lado meu que não morre, apenas tenta se sabotar, eu estou de luto toda vez que eu imagino a nossa partida.
Fico excitada com tudo isso, porque somos uma pessoa só, porque eu fiquei doente, eu chorei em cima daquele prato, aquele gosto do macarrão que só eu sei como é.
Eu sou a mesma, dor, fúria, melancolia, doçura, rainha, morte, vida, o que é, o que sou, o que está por vir, porque eu me divido em partes para tentar provar a mim mesma que eu não posso conviver com estes pensamentos deitados na minha mente sem se enroscarem na minha realidade...


quarta-feira, 26 de setembro de 2012

::VENTRE OBSCURO::



Para que ter uma honra tão grande?
Não podemos possuir tantos troféus dentro desta sala mental.
O vento sopra para longe nossas angústias.
Faça a volta, sua tempestade negra se aproxima, a graça será perdida.
Algo tenta ficar sólido dentro de nós, então vamos devagar.
Não precisamos acordar, os vermes vão nos devorar, então reze.
Uma vez eu queria ser grande, do tamanho da minha melancolia.
Mas, por algum motivo eu virei uma pedra e cai de um precipício,
E aquele sentimento me quebrou em mil pedaços, agora eu rasjeto entre as folhagens virgens.
As ruas estão ficando cinza e sinto como se o chão irá começar a se partir.
Sempre voltamos para o caminho das sombras, ali nossos medos nos abraçam lentamente.
Estamos vivendo em um sótão por muito tempo, o sol irá nos carregar para o desconhecido.
Não tenho tempo para colocar minhas lágrimas na bagagem, o tempo está se acabando.
Você soube que carreguei tantas coisas desnecessárias por muito tempo...
Mantenha-me lúcida, porque quando as paredes caírem vou precisar que você me encontre novamente, em um dia de primavera.
Precisarei florescer de novo, para andar na escuridão procurando minha integridade.
Sonhe os meus sonhos, pois sinto que estou me perdendo nesta cidade de pedras frias.
Preciso que os meus olhos fiquem fechados, vou desfilar pelo desfiladeiro dos sonhos sem retorno.
Esta realidade me condena no fundo você sabe que eu vou desejar algo que não poderei mudar.
A comunicação está ficando confusa, agüente firme eu vou mergulhar para te buscar.
Levante a cabeça, respire novamente, estamos em alto mar.
O mar estará vermelho quando percebermos que não podemos perder tudo de uma vez só.
Sangraremos até que nosso corpo não tenha mais vida, porque esta vida que construímos é tão vazia de humanidade.
Recarregue seus sentidos, não se limite, agora estamos longe demais para pensar em voltar.
Qual a sua posição diante dos seus sentimentos mais obscuros?
Não posso te ouvir, nem ler seus lábios, a mensagem que você tenta me transmitir está transfigurada.
Percebi que não temo enlouquecer como na adolescência, a maturidade me fez renascer.
Mesmo que tudo que eu diga não se conecte com as coisas que você acredite, tente ficar por perto, eu não conseguirei te encontrar novamente.
Minha mente pedinte de sentidos me abrace me acolha, me dê um útero duradouro.
Já me dissolvi tantas vezes, fui ao seu encontro e você já havia partido.
Você é minha sombra, meu calor ascende a sua caverna, lá ouço nossos gritos se interligando.
Aquelas vozes são suas não são?
Elas me rondam, me iludem, transtornam minha consciência, não ando me sentindo tão social.
Puxe o cordão umbilical, preciso entrar novamente, aqui fora é frio e obsoleto.
Tudo parece falso, me sinto real quando não estou aqui fora.
O que sinto é desconsiderável diante desta moral massacradora.
Você não pode deixar de me ouvir, agora que estou tão perto de te ter.
Tentei encostar no infinito, eu senti a vida parar de pulsar, no outro instante eu estava acordada.
O que me sustenta ainda está encoberto.
Não posso me revelar sem ser desvelada pelo que eu não compreendo no meu mistério.