sábado, 28 de maio de 2011

:: Folhas de piadas::

Quebrando o que sobrou de um muro que eu construi dentro de mim...

A poça está cheia, são lágrimas, antigas e sentimentais.

Parece que eu não consigo ir para frente, alguma coisa me puxa,

Quando eu consigo me libertar, dói.

Eu tento recomeçar de novo, mas minhas pernas estão machucadas.

Estou alta, e então eu percebo as folhas me rodeando, com suas piadas sujas.

E é isso?

Tenho que ser uma, qualquer coisa, pode ser um brinquedo, mas um que faça menos barulho.

Eu venho tentando e isso não me trouxe as estrelas.

Correndo, o grito sai correndo de minha garganta, pois, eu estive só ali.

Embriagada de certezas, escavando um esconderijo que me lembrou um abismo.

E finalmente eu cheguei no fundo, não, eu não cheguei, não existe fundo.

O vazio conversa comigo, e as vozes estão sorrindo dos meus olhos apertados.

Gostaria de parar tudo, simplesmente um pouco mais de paz, ou de ser capaz de me deixar para trás quando minha insegurança tentar me sufocar.

De onde eu venho, o sol é sempre laranja, e o mar sempre verde.

Os olhos são neutros, misteriosos globos anedotas.

Minha especialidade sempre foi perceber o que estava errado, e eu sempre fui indiferente quando as coisas pareciam estar indo bem.

Não consigo reconhecer nada, me tornei egoísta, fechada, isolada e desamparada pela esperança.

Perdi o controle, meu corpo está rachado em milhões de pedaços e cada um deles, narra uma parte minha que quer ser removida para sempre...

sábado, 16 de abril de 2011

::Fio da Morte::

Puxando o fio da vida, conceituando as dores ancestrais.

Não adiantou ter um bom coração, eu estava alta, cutucando o destino com fúria.

Demorou muito, acabei de perceber que esta força que me move, me ergue para uma dimensão aonde as turbulentas memórias me desconstroem.

Agora eu posso ver um par de olhos suplicando carinho, são os meus olhos que um dia eu deixei de notar.

O caminho é longo e estar longe me faz querer ficar para trás.

O que eu poderia descrever sobre tudo que tenho vivido?

Talvez, pelas circunstâncias em que me encontro,a falta de risada brinca com a minha piedade.

Eu disse, lá atrás, que nada era totalmente certo o refúgio que eu sempre desconfiei, me ilude com seus brilhos ofuscantes.

As luzes estão se apagando, e o meu coração bate lentamente, eu estou novamente perto de descobrir algo, e logo, sou acometida por uma coisa maior do que eu julguei ser minha existência.

Por onde começo a procurar os sentidos que perdi?

Como eu posso negar tudo isso?

sábado, 2 de abril de 2011

:: DOENTIO E NEGRO::

Possibilidade carrega perigo...

As vezes eu tento tocar uma parte em mim que está morta,

E tudo fica estranho, eu viro uma massa de ódio.

Uma massa cheia de devaneios e o passado caminha dentro de mim.

Ser franca uma hora destas e abrir a boca e fechar os olhos.

Os problemas vão correndo por todos os lados e as portas estão com as chaves esgotadas.

O que você poderia querer com um coração tão amargurado?

Talvez um adeus, uma brincadeira de mal gosto, e tudo está abalado.

Quando eu tento resistir, eu sou tragada por uma fumaça negra,

Meus ossos doem e minha tosse asquerosa se espalha por todo ar.

Se gosta de tudo isso, masoquismo passa longe.

Veja, as coisas vão ficando de uma cor vermelha

Cancelaram os últimos pedidos para pílulas anti – depressivas,

Então vamos caminhando para a beira do abismo.

Lá em baixo estão as incertezas, e aqui em cima os dedos estão silenciando as obras primas.

Deixando rolar, então um grande amor está dilacerado e isso nunca é o fim.

O fim vem quando eu percebo que posso sempre ressuscitar qualquer tipo de sentimento.

E sentir é um vento forte, avalassador e as crianças gostam disso também.

Eu ouvi um barulho, uma veia estourando.

Estou só no meio de milhares de pessoas e não posso escapar disso.

O lugar está todo abandonado, e então se eu quero ter honra é melhor eu ficar quieta.

A noite está horrível e eu sinto que algo está se aproximando.

Um jogo paradoxal, aonde a quântica dos argumentos está estacionada atrás do presente.

O agora faz uma brincadeira insana sobre o que temos pra hoje,

E hoje é extremamente doentio e negro...

domingo, 20 de fevereiro de 2011

::O Castelo::

Porque quando eu imagino um castelo, eu não me vejo dentro dele?

Sabe aonde eu estou nesta paisagem?

Do lado de fora, escondida atrás de uma arvore gigante, observando as rachaduras naquele concreto antigo.

Vendo que toda aquela imensidão de concreto, a qualquer instante pode ser derrubada por uma tempestade...

Naqueles arredores não existem cavalos brancos, são touros fortes, bravos e onipotentes.

Gramas selvagens, ervas daninhas que crescem na borda daquele lago que banha as estruturas fajutas daquele castelo.

Aquele lago é sujo, erótico e desprovido de qualquer beleza.

É impróprio para banhos noturnos de melancolia, não lava, ele polui de vez uma alma caída.

Quem tenta entrar no castelo, chegando a ponte, e ela desce lentamente, vê a visão de algo tenebroso, algo tão real que é avassalador.

Quem entra ali, choca-se com o esplendoroso monumento que tem na porta principal.

Um homem de asas negras, abaixado, chorando e suas lágrimas se transformam em veneno mortal.

Alguns bebem daquele veneno, outros são tragados para o intestino da estátua e ali ficam até que crescem tanto que são expelidos para fora.

Naquele castelo, eu só entro quando preciso buscar um jeito real de conversar comigo mesmo, através do meu inconsciente fantasmagórico, brusco e abismal.

E quando eu saio dele, novamente eu me transformo em humana...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

::LINGUAGEM DO ACOLHIMENTO::

Que tipo de linguagem deve eu usar para expressar o que sinto?

Uma vez que, quando tento explicar a linguagem, ela escorre por minhas veias, adentrando em meu inconsciente.

A vida é um experimento, um saber que não se sabe nunca tudo, e o jamais é o acaso do tempo finito.

Uma derradeira viagem sobre o espaço que se rompe quando tento expandir minha consciência, não medito, estou sempre ligada a um acontecimento maior do que o meu eu explicável.

É sol que se parte em dois, transformando – me em cinzas, clareiras se ascendem na montanha, o meu tempo de renovação começa a todo instante.

Transporto-me para aonde o meu ser se abre para as coisas do nunca-vivido.

E o nunca-vivido se revela quando eu estou ou não preparada.

Ali, a linguagem se manifesta através do silêncio do oculto.

Oculto que tem fonte no mistério, e deste somente tenho eu vestígios.

Talvez, bem lá no fundo eu tenha sido vivida por milhares de mistérios, pelos quais, ainda adormeço na ingenuidade de encontrar uma trilha de perguntas maiores do que as que criei por meio de um trajeto suicida existencial.

Como vou usar palavras se tudo que disponho é de um vocabulário enriquecido de frustração e amor?

Não uso, as palavras me usam, a vida que me traga e se alivia.

Os manifestos do meu inconsciente desenham um caminho pelo qual eu tenho que passar quando supero a minha própria solidão.

E estar só é grande, difícil e requer muito trabalho.

Neste momento, sou pequena no mundo e grande em espírito.

Não sei por qual razão me questiono sobre a temporalidade, cada vez mais quando estou quase no limite da sensação do agora, o passado me puxa para trás e o futuro me agarra para frente.

Desta briga nasce o acolhimento.

Recolhimento!

Aprofundamento no ser...

sábado, 8 de janeiro de 2011

::Flores no asfalto::

Está acontecendo um grande conflito ali dentro.

Ás vezes eu fico do lado de fora vendo minhas mãos alcançarem o céu.

Então tudo que é sério eu ando percebendo que eu dou volta nos postes sem luz.

Os carros passam sobre minha pele, esta cidade está apertada demais.

O céu está negro, e tudo agora está quieto.

Complicando minha situação, estou ofegante, existe um desvio no final da estrada.

Tudo está ao redor, e esta noite eu quero ficar dentro, porque eu quero chorar sem ser vista.

Com passos curtos vou caminhar dentro das minhas memórias.

Eu preciso de uma chance para rever tudo sem analisar o que eu perdi.

Minhas entranhas estão doloridas.

O meu peito pega fogo, e meus olhos sangram.

Tive uma overdose de tristeza...

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

::Arvore surda::

Era uma voz noturna,

Sussurrando em meus ouvidos uma tempestade de palavras.

Delicadas sementes saiam de meus olhos.

Eu chorava, lançava em meu rosto pétalas negras.

Um sofrimento infeliz, que me deixava perto da felicidade.

Se eu não tive um só momento de solidão neste dia,

Ali eu estava na companhia de uma árvore surda e muda.

Como nunca acredite, aqueles acordes iam se formando,

Conforme o vento assoprava a melodia da melancolia.

Dia que não irradia, noite que me sacia.

Pele macia, assim era a gentil forma da minha outra camada.

A camada externa, sanguinolenta, violada pelos sentidos ocultos do universo.

Pelos cantos, florescem videiras cheias de raiva,

As esperanças de um tecido que se forma através dos passos longos da liberdade.

Era tudo, em nada que eu podia não narrar, mas eu tentava.

Então ensurdeci, enlouqueci com meus próprios gemidos.

Estava eu desejando demais a liberdade?

Não, eu estava apenas em um dia cinza...

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

::Paralisia Local::

Arranque toda minha pele, tente encontrar o sentido da minha tristeza.

Eu ando me sentindo perdida, como se algo se aproximasse de mim,

E quisesse tudo que eu tenho, e então eu me coloco a justificar o resto que construi.

Todas as coisas choram, a liberdade tem ficado estreita perto das salvações.

Justamente quando a serenidade quer se acolher nos meus braços,

Eu me sinto fraca e puxo com força minha agressividade.

Correr para onde, os laços estão rompidos.

É grave, não tem como escapar.

A chave está do lado de dentro.

Vou mergulhar no abismo e sentir aquela chuva me destruir.

Tento me concentrar, e o que eu penso é futuro ou passado.

O agora não aparece, eu não consigo decifrá-lo.

Tento me concentrar, e tudo que eu consigo, náusea.

Você sente o frio que vem de mim?

As conseqüências são gigantes e eu me fecho.

Não é uma brincadeira, os ânimos estão desgastados,

Sorrir é um veneno para mim.

Sinto, sinto que nada mais pode me salvar,

Sou surpreendida por nostálgicos finais de tarde.

Toda vez que eu olho no espelho, eu vejo uma faixa negra no meu rosto.

O cavalo se aproxima e eu sei que ele quer ver como eu me saio montada no meu destino.

E eu não vou, simplesmente eu levo um tombo atrás do outro.

Então, eu persisto!

Envolvida por uma dor ancestral, e a realização vem do meu ego.

Deste jeito eu vou arrancando as minhas defesas,

Sem lágrimas, eu vou caindo...caindo... até o fundo da minha alma.

Rastejando, e como se meu corpo não tivesse peso,

Os meus joelhos já não sei dobrar para suplicar.

Ninguém neste deserto sobreviveu nos meus sonhos.

O inferno inflama minhas saudades.

Me dê um tempo, eu preciso ir até aonde eu não tenha medo de voltar.

E a volta é sempre trágica e estranha.

Então, esquecer que respiro é só um detalhe.

Eu vou me deixar, como uma pena sobre uma nuvem no oceano...

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

::Dialogos Obscuros::

Que sonolência estranha é essa?

Parece que existe alguma coisa querendo que eu saia deste mundo.

O outro é desastroso,porém não tem nada de caótico.

Lá o ventre jorra veneno.

Não consigo achar um pedaço de mim.

Algo maior se aproxima, é como se eu pudesse a qualquer momento ser soterrada.

É terra firme, grossa, ingênua, aonde as tempestades fazem suas moradas.

Aonde os ventos fazem curvas e amassam os olhos úmidos e doentes.

São buracos gigantes, portas entre abertas, muros esburacados é a morte.

A cama não está feita, e as figuras agora conversam comigo.

Elas narram suas misérias mais profundas e me fazem rir com toda aquela falsa alegria.

Eu tenho medo, mas medo de que?

Pode ser de quem, de mim?

Ora, se isso não me valesse noites a fora pensando em como eu posso vir-a-ser eu acreditaria.

E acredito, fielmente.

Não é medo deste mundo, talvez, nem do outro e nem dos outros que me cercam.

É medo de uma água rasa que coloco os pés, ela é um rio de ponta cabeça.

Não é da profundidade que eu desconfio.

É de quando eu sair dela, o que eu vou encontrar na margem a me espreitar...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

::FATOR::

A outra metade pode não ter uma saída.

Uma pequena parte de mim, um outro gênero de experiência substancial desqualificada.

São sonhos, aberturas inconscientes.

Uma volta por cima de um espírito inerte.

Misturei tudo, uma escuridão por onde caminho a dias.

Todos os destinos estão cruzados, não posso tentar escapar.

Fugir é remediar o que eu tenho certeza que acontecerá.

É fato, o fator é exato.

Inato, bolhas de água, estou de cabeça para baixo.

Negando as intuições, enferma, os cristais estão rachando.

As partículas estão chegando.

Não adianta correr, a distância me aproxima do meu self.

Aqui eu sou, lá não estou.

Aonde os mundos se conectam.

Preciso voltar a dizer que eu posso sempre estar um pouco mais feroz do que fui ontem.

A minha existência é uma penitência por causa da minha excessiva demência.

Se eu contar, eu narro algo trágico, se eu calar, eu silencio o meu fator isolado.

Estou com meu piloto automático desligado...

terça-feira, 28 de setembro de 2010

::O grande conjunto::

É um novo plano.

E o ataque vem de cima, da onde o meu teto está caindo.

A vida é estranha e eu sei que não dá para querer quebrar tudo de uma vez.

Venenoso, sangue violento, famosa dica de uma nova fórmula de destruição.

Pronto ou não o mundo está de ponta-cabeça.

Um lunático com uma luz verde, a luz vermelha ficou presa no farol.

Luta que equivale a 200 quilos é uma mente acesa eu posso ver o sinal brotar da terra.

Megalomaníaca ou não, a idéia da nova versão de mim vem do abismo.

Comendo os biscoitos enfeitiçados, as letras serão alteradas.

Não tem como para tudo isso, é um som infernal.

Alguma coisa está fora do lugar, e eu sei que posso colocar fé nas mensagens que vem de mim.

Pego um trem carregado de tristeza, estou terrificada.

Pessoas correndo, um sangue intoxicado está sendo dividido entre mil e uma pessoas.

Está tudo lotado, então a via mais acessível para escapar, é a morte.

Um prato frio, palavra vulgar distribuída de forma irregular.

Vou pular da ponta do penhasco, a água é gelada e eu tenho certeza que a dor será menor desta vez.

Idiotice ou não, estou de volta a vida.

Juntando cacos, conservando o bem estar, e eu estou falando de tudo ao mesmo tempo e não consigo construir algo legítimo.

Se eu perder o controle, eu sinto que a altura da minha imaginação chega ao topo.

Então, se não conseguir compreender tudo, eu fico até feliz.

Já montei um plano, risquei a parede toda, e agora estou enrolando para finalizar.

E então uma voz no fim do túnel me chama para conversar.

Isso pode ser um pouco folk demais, ou uma agressividade se faz mal compreendida.

Porque algumas vezes eu tentei me explicar demais, tive pretensão de sobra,

Mas a mesa virou e eu estou do lado de fora, vendo os cachorros montarem em seus donos.

Eu não digo que alguém caiu do outro lado da rua, eu estava em alta velocidade.

Então posso suprir algumas coisas e em outras ser totalmente egoísta.

Mas o que eu não quero resumir, eu vomito.

Porque a vida pode até ser radical demais, mas eu vou suavemente deslizando nas minhas memórias.

Não existem vitimas, e os que puxam os gatilhos estão suados feito porcos suicidas.

Esperando que uma ordem seja dada.

E quer saber, não tem preço, o valor dado para cada um é menor que a possibilidade deles atirarem na própria cabeça.

Se isso for uma briga consciente, então eu estou montada em um cavalo sem asas.

Pulando de um lado para outro, procurando um buraco para enterrar minha ansiedade.

Estou com as costas doloridas, tudo está confusa.

Porque quando acordo de manhã, sinto uma dor na cabeça, e então estou escrevendo de novo.

Não tem nada de velho, as desculpas dizem sempre a mesma coisa, mudando o trajeto verdadeiro das conseqüências.

Então, se o ônibus atrasar eu vou correr atrás de tudo que perdi um dia.

Não tenho pouco tempo, mas odeio ficar parada personalizando simplesmente o que tenho como propriedade.

A minha prioridade é fazer tudo dentro de mim, explodir...

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

::SEM FIM::

É vento, chuva e fumaça.

A noite me parte ao meio,

Não existe segredo sem medo.

O medo vem da descontração do céu e da terra.

É o som que sai de mim.

Um tipo de som que mata e fere, mas cura e salva.

É cômico e trágico, é vivo!

Vivido em cada rompimento, sentimento de descontentamento.

É ferro que arde, fogo que queima e se espalha.

É palha que voa com a tempestade.

Coisa de bem, nasce da pura maldade.

Vaidade, senso de sinceridade, bondade alojada no negativo.

Positivo quando vicia, inicia um ciclo vital.

Mortal quando se torna banal.

É água que desce com força da cachoeira.

Som da mata, floresta negra, mergulho no infinito.

Falta de ar, concentração e a fala do inconsciente.

Ele não mente, só omite, na hora certa se revela.

Me ascende nos quatro cantos.

Em prantos não perco minha lealdade.

É realidade que se esconde debaixo das asas do dragão.

É melancolia pura, cheiro de honra.

Desonra que afronta a si mesmo,

Descobre que no fundo, esteve brincando com a própria saudade.

Saudosa de mim!

Que viajo sem medo de chegar no fim...

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

::Fogo no céu::

Fogo no céu!

A morte é uma calúnia para os sobreviventes do atentado a vida.

Tulipas e rosas, um cheiro de amargo toma o ar.

Abra os braços, a solidão restaura o amor que anda de cavalos descalços.

Cavalgando por ai, não sabe se vai, ou se fica.

Volta quando o sol não é mais capaz de aquecê-lo.

O quente ardor da angústia é tentador.

É frio, sempre congela o coração abalado.

Cinzas, pétalas choronas, faíscas ranzinzas.

Dorme enquanto some de si.

Em si, acorda sorrindo com lágrimas no colo.

É inverno!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

::Movimento vermelho::

Não cabe em mim.

Nem mesmo ajustando bem forte, ainda assim, não vai!

Um empurrão e lá estou eu novamente andando na corda, o abismo!

Me perco entre sonhos e realidades paralelas, entre os mundos aonde reconheço meus medos e vaidades.

Nesta cidade sem muros, aonde a perseverança não morre e o cheiro de morte não existe.

Aonde a minha fala é sinfonia e os lenços são pintados de vermelho sangue.

Por tanto, me perco aonde existem cinzas.

O pó entra em meu nariz, aspiro o que já fui um dia, transpirando o odor do cansaço.

Visto meu casado de pele, pele marcada feito boi.

Aqui não dói, é tudo uma questão de tempo, movimento antropofágico!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

:: Porta de escape::

É para dentro que as coisas correm.

E lá ficam, fabricando armadilhas inconscientes..

Não existe porta de escape, existe o cara a cara com a própria realidade.

Porque, se eu contar os pontos eu saio perdendo.

Servindo a uma rainha interna que sempre quer me deixar para baixo.

Eu fecho a boca para que ninguém saiba o quanto eu ando desapontada com tudo que tenho construído...

quinta-feira, 29 de julho de 2010

::SOBRE O SOL QUE NÃO NASCE::

Eu sei, as vezes tudo é um pouco mais difícil porque eu não costumo deixar que a simplicidade me invada.

E o silêncio faz crescer em mim raízes, negras, suculentas e dolorosas.

O tempo não para de correr e minhas pernas já estão gastas demais para avançar conforme a ampulheta da vida.

Estou construindo um castelo, ele é longe da civilização, ali algumas coisas morrem, eu não.

Os anos vão se passando, e sinto uma necessidade estranha de estar sempre cogitando tudo que tenho e a falta do que não tenho, nunca me incomodou.

É preciso muito, friamente uma dose alta para me incomodar.

Os cômodos estão girando e a toalha ainda está molhada, o meu suor na madrugada, cheira a um campo cheio de flores precisando de água.

Toda vez que eu percebo que alguma coisa vem surgindo em minha direção, viro de costas, e sinto passar por mim um aroma delicado de saudade, e no outro instante, já me perdi neste cheiro azedo de pouca vaidade.

Mármores gelados, sinto como se cada parte do meu corpo estivesse enrijecida, algumas vezes eu penso, penso e só penso, e não consigo deixar de levitar.

Eu viro um balão, cheia de movimento, com uma corda frágil que me prende ao chão.

Quando me puxam, vejo a força que tenho e minha fraqueza é alimento para esta minha falta de terra.

Eu deveria sumir, por um momento inteiro e voltar refeita, não, pensar assim só trás de volta um sentimento de angústia estranho.

Uma melodia atormentadora se forma em mim, uma sinfonia me destrói, sinto as cordas arranharem minha pele, estou envolvida pela mesma música por milênios.

Milênios são segundos, e depois disso, vem àquela famosa queda.

Daquelas de ranger os dentes, me ofereço às cicatrizes, sou drama, perdi o controle da fala.

Agora eu sussurro!

Não sei, acho que eu deveria aprender a falar.

Falar de verdade, sem cochichar, me fazer nítida mesmo quando eu estiver a ponto de derramar todas as lágrimas possíveis, ali, eu seria um pouco infeliz.

Ser feliz é questão de estar, onde eu estou?

As veias entram e saem do meu corpo, a todo tempo.

Não posso resgatar alguma coisa falta, ela volta quando quer me ter por um belo instante.

Sou eu, eu quero me ter por um belo instante.

Mesmo que de costas para tudo, eu estou ali.

Ou ao menos penso que estive...

Não sei se ando triste demais, ou se a felicidade pode ser uma opção.

Optar pelo que?

Aonde começa a felicidade?

E se faz tanto bem, porque vai embora e bate a porta e volta quando quer?

Tanto faz, fez, farei de novo, perderei a vontade de existir como não quero, serei intuição forte.

Sem martírios... Só esta noite, por agora sou eu!

E isso já não me fascina mais.

Enjoei de mim de novo e agora?

Renascerei das cinzas e assoprarei as velas e deitarei no meu túmulo, depois, me cobrirei de terra azul, nomearei a mim mesma de solidão...

sábado, 17 de julho de 2010

::Sem Sol::

Caminhando aonde os limites não existem.

Aonde o fraco esconde a força no sangue.

As pessoas estão andando devagar,

Eu posso ver as lágrimas escorrerem para dentro com violência.

Tudo já está sendo cobrado,

E a dor vai se sentar na porta dos vaidosos.

Lá dentro as coisas são diferentes, elas não deixam de gritar...

terça-feira, 13 de julho de 2010

::Demanda::

Eu quero uma sandália calada, que não seja capaz de contar os meus passos.

A cidade agora está encantada...

Os prédios estão destorcidos, para onde eu vou caminhar?

Então agora não tem prosa, a demanda da morte é longa,

E o relógio grita sem parar, é hora da rosa chorar...

quarta-feira, 30 de junho de 2010

::Linhagem ancestral::

Estado de vigília, a transformação do inconsciente.

É a abertura, as exteriorizações se comunicando por vias perigosas.

Respondem sem perguntas, perguntas especificas desconsideram toda minha experiência.

Está em tudo que vejo, a essência do que não percebo, reação humana.

Individualizada na própria carne física abatida pelo sofrimento sensorial.

Vibra o ar, a imaginação ativa, objetos lançados pelas entidades internas.

Movimentos, reflexões sobre o estar em outros lugares.

Meu processo, outros fenômenos, percepção desajustada.

Não existe significado para tudo, é uma névoa, uma lua que se esconde dentro da luminosidade.

Sonho, ensina-me, dê orientação a as estas feridas que não secam.

Feridas que não falam, ensurdecidas pela minha fúria constante.

Esta intuição introvertida me irrita.

Me arranca as solas dos pés e me enrijece.

Eu quero debruçar a beira do abismo e poder contemplar as minhas simbólicas plenitudes.

Não penso porque não me alimento de segurança quanto a minha vida.

A minha vida, é uma roda... Moiras...

É o devir antes do agir, furiosamente desgastada pelo cansaço matinal.

Talvez eu chegue um pouco antes...

Antes de ser eu, de quem fui, de quem virei a –ser .

Antes que a morte rompa os vínculos afetivos ancestrais, estarei longe.

Perto de um infinito, um lugar grande... espírito.

Ninguém tem culpa, esta foi minha última descoberta.

Talvez, tarde demais, eram oito da noite e eu estava desorientada...

terça-feira, 22 de junho de 2010

::Jurada::

Alguém está batendo na porta?

Eu estou enganada novamente...

O frio lá fora é perigoso e em mim as flores já voltaram a nascer.

Vou colher algo, a noite está tensa e eu não sei o que fazer.

Andando de um lado para o outro, permanecendo em círculos,

Dentro, para dentro novamente.

Estas confusões todas, ilusões que me vivenciam.

O tempo está passando e alguma coisa vai morrer novamente.

Eu conto até três e minha respiração não consegue me acalmar.

Pertenço a uma espécie de melancolia que me acolhe das pessoas que não conseguem me ver.

Que conflito é este que está andando dentro de mim?

As ruas parecem rios...largos e tranqüilos demais.

A calmaria me trás algo que me embriaga.

Volto para dentro, tudo aqui fora é extremamente familiar demais.

Envelhecer ainda está longe e a minha luta maior é continuar tudo isso sem desistir.

O que acontece quando não posso pendurar minhas tristezas no armário é,

Uma demonstração de piedade para com a alma que destruí um dia.

Tenho esperanças, e o rio fica vermelho...

O céu agora está cinza e as nuvens estão me perseguindo.

Venho peregrinando por um trajeto doloroso e cheio de perigo.

Será que alguma vez eu pude vivenciar as coisas antes delas se quebrarem na minha mente?

Este é aquele cheiro de azedo que eu sempre detestei.

Um cheiro que me lembra um vazio pelo qual eu tenho permanecido inerte em muitos aspectos.

Eu choro quando entro para dentro de mim e vejo que não posso mudar muitas coisas.

Meus ossos doem, minha carne pega fogo, eu estou dentro de um túmulo cheio de mágoas.

Muitas vezes não sei diferenciar o que é real das minhas imaginações.

E ficar em silêncio faz com que minhas cicatrizes aumentem...

Não tem culpados, e nem cúmplices, é tudo meu.

Para dentro, aonde as coisas voltam, para onde eu tenho medo de ir e sempre acabo ficando por muito tempo.

Porque agora que ando me abrigando em sinfonias misteriosas ... vejo o vento trazendo memórias ruins.

E se eu pudesse compartilhar isso tudo... eu morreria duas vezes!

Tenho meu jogo sujo, e as pistas estão se apagando.

Também sei que as coisas estão fora do lugar, e alguém pode me afogar em lágrimas.

Isso é relativo!

Se eu contar um, dois, tudo volta ao normal.

Um monstro bloqueia minha visão, agora eu vejo meus complexos no mundo.

Eu armo uma conspiração, estou tentando não ser negativa.

A névoa se aproxima e eu preciso despistar aquelas lembranças, e eu não vou ficar para ver o sol me denunciar.

Estou a três passos do inferno, rasgando os últimos trapos que me restam.

A sete palmos eu vou dormir como uma doença impetuosa.

Ainda não aprendi a vingança e meus inimigos são pessoas que não existem mais...

Eles apenas sussurram suas verdades, jogam em mim suas necessidades e eu permaneço sonâmbula.

Ouvi um tiro no céu, uma abertura de uma mulher que vai para os confins do universo buscar a saudade de si.

Estou fechada... de novo para dentro...

sexta-feira, 11 de junho de 2010

::Sindrome do nunca vivio::

Vivo a síndrome do nunca vivido.

Pés e mãos torcidos, uma gigantesca ala de mascarados se aproxima.

Não respeito o que vem de mim, é difícil ser conduzida pela desconfiança.

É o que se deita, o que descansa nos meus tumultos internos.

Ouço passo, são pulsos atravessados, uma fúria do que eu fui,

É um momento resgatado do passado.

É assim,uma resistência inútil, rochedo de quem nunca quis ser amada.

Assim nasce o retrato falado.

Aquele que não fala, que abusa da vontade alheia.

Tem um ritmo simples, mas acompanha uma melodia erudita bem tocada.

Ou então, quando tudo parar de vez,

Estarei de pés para o alto.

Solta no descaso desta cidade congelada.

Eu não me desintegro, quero ser consumada, a finada.

Venho do principio do precipício , tudo venta, tudo vai cair.

A inveja quer derrubar tudo.

Estou no meu posto de vigia, irradiando uma nostalgia de portas abertas.

Um largo sorriso miserável e visceral.

Sou uma concha, feita de de retalhos...

::Tarde Irlandesa::

Pele prata, rasgada pela areia.

Nuvem chata, chove chuva porque o sol me chateia.

Vou lá fora, a tarde inteira irlandesa.

Vou beber o sangue, o resto da praia que me sobra.

Até onde vai minha vista?

O sufoco do surfista.

Branco e negro, posto nobre nas nove meia, tudo apaga.

Tudo ascende e a luz é solitária, solidária com quem a noite passeia.

Um grão, vem a saudade, a angústia meu corpo tateia.

Vem do céu, desce diretamente na porta da minha casa,

Estou iludida pelo que me resta, vou ouvir o grito da sereia.

É pedra em fogo, o estojo de canetas vermelhas.

Virtude que em mim brota, sensação de que serei aberta por inteira...