segunda-feira, 5 de outubro de 2009

::CASCA::

Agora vamos embora...

Estou sempre sendo destronada pelo meu ego.

Dentre todas as coisas que eu gosto em mim, a que mais me cativa é a minha persistência.

Eu contagio o silêncio, a ausência das minhas falas egóicas trás de volta a calmaria para meu ser.

Doce vida e seus flagrantes, a natureza dos fatos que vêm à tona em ângulos mais claros e justos.

Cabe em mim! Vantajosas horas em que, posso sentir que algo está me possuindo, derramando as minhas fraquezas, e disso consigo minhas virtudes.

Eu choro, o que eu posso fazer é matar meu desejo, conseqüências de suspensões antigas.

Extraio de mim os raios verdes, contemplo a lua cheia, toda tomada pela saudade ancestral de outras vidas.

Sai da caverna do passado!

Não critico mais o que se foi o que passa agora atirando pedras nas minhas profundas manhas inescrupulosas.

É um zelo com este meu coração, vocês nem imaginam.

Portanto, ser sensata me trás de volta, a sabedoria, o caminho da paciência e da plenitude espiritual inquietante que movimenta-se dentro de mim....

terça-feira, 29 de setembro de 2009

::CORO DOS ARCANJOS::

Busco meios pelos quais a vida pode-a –ser um pouco menos raivosa...

Eu vou convertendo astros, sentindo acasos, quebrando os braços do impiedoso passado.

Ando boba, com um lado poético calado, humildemente venho gritar para os montes isolados das civilizações:

- Algo vai ter que mudar novamente!

Meu manual de ódio é anônimo, esta parte irracional freqüenta as casas da inconsciência.

Não quero ser útil, nem quero somente ter ambição para alcançar a vitória parcial.

Não faz sentido, a minha inteligência de mulher-bicho, foi jogada no fogo.

Ela se entregou ao fico, foi consumida pelos meus desejos, não participa por agora das ocorrências presentes.

Esta espécie de inclinação a tragédia, é um encontro entre verso, êxtase e frustração.

Nossa eu posso ouvir, um coro cantando a narrativa da minha comédia interior.

Pensamento na cena, no ato, fenômeno vivido, o paradoxo novamente me conquistou.

Mostra-me personagem!

Revela-me!

Abre meu mistério, rompe minha passagem, desliza em meu desligamento exterior.

Conjura-me!

A vida é minha narrativa, o amor é meu dom avassalador...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

:: É ASSIM::

Não existe vida sem conflito...

A construção de si no mundo, o mundo em si no tudo.

O todo no nada, o nada mergulhado nisso que vivemos agora.

Agora somos o que anteontem fomos.

Esquecemos de sermos esquecidos, convencidos de nossos méritos antigos

Participamos da vida em milhares de fatos, somos alvo do ego reprimido.

Reprimir demanda, comanda, age como uma manada de elefantes loucos,

Esmagando o nosso verdadeiro querer saber e não entender.

E hoje tudo é cósmico, divino, dividindo terra e ares.

Água e lugares desertos em nossa morada do espírito.

Insisto em dizer que, caminhamos sem nos distanciarmos de nossa verdadeira jornada.

Existe uma janela, uma ponto, uma nova morada.

Lá fora existe um sol e uma lua.

Secamos dia após dia, esperando uma Aurora.

Em mim, não causa estragos, eu ando vivendo catando meus cacos por todos os lados.

Nesta dimensão sou mulher primitiva, instintiva, mas sei ainda bordar no chão as minhas emoções experimentadas.

Não existe temperatura para manter algo dentro de mim sem que morra.

Cativada pelo querer, vou seguindo insana e corro para frente daquelas colinas, já não preciso me esconder.

Transbordo, sou ato, fenômeno marcado!

Fui sacada pela amada adrenalina abençoada.

Se for de uma maldição que me rogaram, sinto as circunstancias em mim sem demanda, a cortina da minha alma está aberta, estou no meio do palco, isolada.

Não tem coroa e nem rainha, a guerreira não volta sem um pouco de sangue em sua espada.

Se for mito, eu não omito, se for caos eu não me desfaço!

Nem disfarço quando quero agonizar!

Nada mais faz com que eu fique intimidada pelo medo.

O medo me salva!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

::ESCONDE O SEGREDO::

Um momento infantil rodeava a minha criatividade...

Eu estava querendo uma compaixão, um limite sonoro que voasse através da alma.

Uma delicada folha que se entrega ao destino do vento, agora caia sobre meus pés.

Pés calçados, não mais senti aquela terra bruta sobre minha sola existencial.

Eu queria retribuir a mim mesmo, todo valor e todo custo que um dia entreguei ao mundo.

Era preciso lidar com a vida, usando a paciência que aprendi através do silêncio.

Não sou tola, e uma vez que, exercitei a minha confiança na vida, ela nunca me abandonou.

Posso ver brotar a água de dentro das pedras, e maravilhar-me com tudo que existe no mundo, sem usar de conceitos prontos do que é o ser natural.

Eu sempre penso que estou preparada para viver as coisas mais intensas do cosmo.

Ás vezes eu sou surpreendida com as tempestades e com os ventos do norte.

Não caibo mais naquela cabana isolada do pensamento moderno,

Tudo que tenho visto e sentido, vem de um lugar desconhecido, aonde,

Busco porquês, sem querer obter respostas.

O mistério me cativa a aprender a re-educar o meu aparelho psíquico.

Eu almejo viver realmente, agir diferente com todas as coisas que aparecem fora da minha orbita,

Porém, não sei o que me preencherá de sentimentos ruins ou bons, estes, carrego em mim não como um fardo, mas como um aprendizado da vida aqui.

Com o decorrer do tempo, vi amores, paixões avassaladoras, corações quebrados, anjos tomados pelo “daimon” e não mais me surpreendi...

O que me traz de volta a tona dos fenômenos, é quando eles se manifestam simbolicamente no mundo através de seus sinais.

Este sinais que não consigo deixar passar em branco!

Eu fui tomada pela vida, e a vida tomou todo meu sangue!

Bebeu minha falsa sabedoria, me limpa de tudo que sei a cada dia.

Estou nova, sempre renovando, quero aprender a viver as coisas como elas são, como aparecem, como nascem.

Quero o berço materno do universo para dormir!!!!

terça-feira, 8 de setembro de 2009

::AGUA NEGRA::

Eu gostaria de guarda a vida dentro de um pequeno baú dentro de minha mente...

Vejo as linhas em volta do sol,

Vejo minhas centenas de construções feitas a aço e pó.

Dentro de um viagem, eu me transformo em uma água velha no topo de uma montanha larga,

Pesada, alta e desvairada.

Escorrem os rios naquelas beiradas, amadas verdes, azuis, águas salgadas.

É setembro, e ainda não compreendo,

O que ainda estou fazendo deitada sob esta chuva de verão.

Dou risada dos sátiros, mergulho no inconsciente, dobrada está minha alma.

Meus braços estão maiores, menores são minhas fraquezas, eu ando afinada e amada.

A vida tem vãos, nada que eu vejo entra e sai de mim sem deixar uma sensação de solidão.

A primavera está pronta para nascer, e com ela também, brotando vem o soneto de separação.

Não tenho tempo para morrer, a morte para mim tornou-se uma grande contradição.

Os mitos são muitos, os que querem ser queridos, esquecidos estão.

Está tudo preparado, a colheita já começou.

Estou diante de um espetáculo individual,

Sei que ainda tenho enganos, passos indecisos, avançando estou.

Não tenho mais interesse algum em quebrar regras, para o mundo eu vou.

Espanei os sentidos das metamorfoses conscientes, o espetáculo da nova jornada me escalou...

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

::CAPTURA DO AGORA::

Eu nunca tive propriedade alguma...
Sempre quis me apossar das coisas, para tentar alargar minha essência,
E não Vivi, não vivenciei o mundo, não compreendi o sensível no seu “uno”.
Estou me desapegando das coisas, pessoas, sentimentos.
Eu quero ser possuída pelo instante originário primitivo.
Preciso ser tomada por um absurdo cósmico, surpreender-me como que está agora.
O agora, quero ser laçada por ele, sentir o cheiro do perfume da manhã cinza,
Sentir o vazio que brota das almas nas ruas, ouvir os balbucios dos cômicos repertórios de diálogos alheios.
Não quero ficar embalsamada em um período só.
Quero todos os tempos contra meu intelecto, quero um mundo de oportunidades únicas.
Eu ando ouvindo a mim mesma, e esquecendo de ouvir os meus passos nesta terra.
Fértil, eu preciso ser fértil, procriar a liberdade de meu espírito de uma forma singela.
Poder sentir que, cada dia mais, estou me desprendendo da matéria,
Mas para isso, preciso senti-la em seu todo, como eu sendo parte do uno.
Estou em um processo de formação assombrosa.
Aflita, mas com uma força muito grande, vontade de ver as pequenas coisas da vida brotarem.
Fui capturada pelo agora, e ainda não voltei...

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

::A VISÃO::


Não é um cisco em meus olhos, é um tornado formando-se em minha face.
Náusea, eu sinto náusea da minha própria condição no mundo.
Eu preciso sair deste estágio, sinto falta de alguma coisa que me complete como ser-aí.
Avisto um fio dourado, um labirinto cheio de vontades, uma tempestade que está pedindo para ser movida para longe, bem longe de mim...
Não tenho medo mais do perigo da insanidade, eu tenho sido verdadeira comigo mesma.
Eu erro demais, e vivo dormindo em cima da esperança.
Agora eu peco menos, e existo de uma forma mais voraz, eu sou eu mesma em vários lugares com expectativas diferentes.
Quem viu o passado, não consegue me ver diante das possibilidades que aprendi a compreender.
As vezes eu desejo ficar um tempo no universo, viver diante dos buracos negros, no choque exato das consciências, pensar lentamente sobre o tempo daqui com os moldes cósmicos.
Mas não dá, a vida não para, e ser somente cosmo não me serve mais, tenho que unificar as coisas, intensificar minhas mudanças, eu tenho que existir cada vez mais diferentemente.
Apreciar as pequenas coisas, prestar atenção nos sinais e não perder oportunidades únicas.
Estou presenciando a herança do amor, da bondade, fidelidade na sensibilidade.
Estou indo além de um monte de livros, de obras fantásticas literárias.
Eu tenho que ter minha própria obra, ter algo palpável neste mundo.
Existir como eu sempre fui criada para viver, liberta do medo de viver.
E se alguma coisa acabar, eu posso contar com minha fé, ela não me faz desandar.
Eis o firmamento!
O desenvolvimento da minha esta em andamento...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

::A MALDIÇÃO DO INDIO::

Um enorme Índio montado em um cavalo negro...

Um moço belo estirado na cama, com o lençol azul manchado de vermelho, sangue puro.

Destruição, maldição, exibição de um ciclo maléfico.

Olhos flamejantes, corpo de Índio forte, com os dez dedos insinuando violência.

Vejo um tridente pendurado na parede, marcando um território conjurado pelo medo.

Eu vejo o suor escorrer do rosto dele, ele parece satisfeito, mas um pouco nervoso.

Este quarto cheia a podridão, a vícios, uma moral corrompida.

Linhas compridas desenham um tetragramaton no teto anunciando uma purificação.

Um jovem deitado em cima de um passado doentio, um bode ofegante em sua cabeceira.

O índio transforma-se em um jovem atraente e despeja melancolia pela ponta do dedo indicador, caindo diretamente na boca do jovem adormecido.

O moço belo, tem uma espada deitada no peito, cheia de remorso, que cheira o perfume de sua mãe.

Seu pai chora no andar debaixo, esperando que o “bode” saia para que ele possa entrar para matar o jovem atormentador de alma ingênua e de um amor doloroso.

O moço chora, em seguida cospe toda melancolia do índio para os vãos da cama, e vomita todo seu sangue amaldiçoado para fora do corpo.

Ele está libertando-se do outro, ele está purificando seus sentimentos, ele está ouvindo a sim mesmo...

Eu vejo o indio ir embora jogando seu coração na fogueira que está montada na sacada do moço belo!!!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

:: PAN ::

Fé, gestos e comoção...
Uma roda da fortuna de ponta-cabeça,
Um balde de lágrimas,
Uma sensação única de sorte futura.
A janela aberta, o paraíso revelado,
O cavalheiro das sombras em seu cavalo alado.
A visão do céu,
A abertura do inferno sendo desvelado.
É coisa divina,
Coisa única, essência de prometeu em sua cura sagrada.
O corpo escultural, a propagação do natural no imanente revigorado.
A estratégia das Moiras, o Pan nu enjaulado.
É coisa de Deus de mãos dadas com o Diabo.
Vai e volta,
Prende e solta!
A alma pendura na terra,
A terra vira, jorrando todo o cosmo,

Começarei minha nova jornada...

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

:: O LUAR ::

Eu vi uma lua brilhante e cheia no céu, e junto dela um banho de mistérios eu tomei.

O instante coagulou o presente, e eu de tão ausente me vi correspondente com um astro onipotente.
Um circulo, inaugura um ritual bruto do mundo maligno.
O banco dos inocentes, que lutavam contra aquela força agressiva que tentava nos atirar no lago negro.
Eu vi três demônios em forma de gente.
De gente inconseqüente, demente e doente.
De preto, acompanhados por uma mala cheia de pestes violentas.
A grama verde não escondia o cenário de puro terror, aonde cada passo era calculado pelo divino imaculado estar.
Não se ouviu risadas, só duvida e dor.
Rancor, freneticamente pude observar uma dança, o balançar de um anjo, e presenciei um curador marcando seu território, e uma guerreira abrindo-se para um mundo de pavor.
Vi uma estrela do lado daquele astro luminoso, representando que eles não estavam a sós com o terreno.
Vivificando, anunciando, o prenuncio de uma nova era, absorvendo as penumbras do passado, os excessos de intuições, marchas lentas de ingenuidade sempre rompidas por sussurros inconscientes.
Um segredo ali foi revelado, uma ruptura do instante, um tempo revirado!
Duas sombras que nasciam e corriam para baixo dos braços das árvores, presos no solo assombrado.
Uma sombra que escondia-se entre os arbustos lentamente, observava aquelas três figuras santas em solo marcado pelo deus da escuridão.
Eu vi um anjo de asas grandes e volumosas carregando um curador e uma guerreira para um solo sagrado e depois disso, eu vivo o ontem como o agora....

terça-feira, 4 de agosto de 2009

:: ORIGEM PRIMITIVA ::

Um dia a luz desce as escadas e encontra a escuridão sentada no horizonte...

É difícil falar, mas falar de verdade, com sinceridade sem se preocupar com o outro, os outros.

Ontem diante de uma roda de pessoas, amigas e desconhecidas, descobri que posso falar sem medo de julgamentos e arrogância de meu diálogo.

O segredo é deixar fluir?

Nossa mas em mim tantas coisas fluem ao mesmo tempo, e para que eu possa me concentrar é necessário que eu respire profundamente e acesse uma parte mim cheia de experiências.

Algumas experiências eu ainda tenho que separar da realidade que ali aparece, uma situação delicadíssima, minha velha preocupação de não magoar o outro com as minhas tendências.

Tendências?

Um turbilhão de construções, imaginárias passando para o substancial...

Nesta passagem, eu me entrego, sei que não sou boa quanto a finalizar processos, as ramificações são enormes, eu não sei fechar esta teia enorme que se abre diante de minha psique.

É engraçado quando falamos da vida em seus aspectos mais concretos, quando posso perceber o além do nada, por fim, resulta sempre em um monte de símbolos gigantes que cercam minha mente de significações individuais.

A expressão muda da minha surdez, atrapalha as vezes a minha leveza, recorro sempre a margem da minha realidade.

Funciona.

Eu tenho acesso ao bruto e o lapidado, e hoje em dia não escolho mais nada, eu só me deixo ser possuída pelo instante em que sou tocada pelo agora.

A vida é rara, tratá-la de forma banal ainda não aprendi, cometi erros, enganos, acasos, incidentes, acidentes, sou filha da vitima do passado que não teve desfecho.

Cuspo a introdução da base felicitaria que beneficia a minha jornada para o infinito...

Trago com força a organização do meu mundo substancial.

Estou terrificando, alinhando-me a meus antigos cultos ancestrais primitivos, estou sendo a fera que doma o impalpável.

Estou sendo o foco fosco da natureza em sua origem que por mim estava esquecida...

quinta-feira, 30 de julho de 2009

:: RABISCAR A SAUDADE ::

Procuro uma nova cor que eu não tenha tocado sem manchar...

E sempre encontro, aquela cor cinza nos quadros que visualizo quando penso em amor.

Penso em paredes, estradas congestionadas, corações aflitos, poesia, chuva e sol.

E tudo sempre me leva a você.

Quantas noites eu tentei procurar uma maneira de rabiscar a saudade,

Todas estas foram em vão.

Cada palavra que eu tentava rasgar da minha mente, me levava de volta para você.

Este vazio todo, estes arrepios, esta ingenuidade que vacila, é medo das memórias.

Justamente quando o vento tenta me levar, aflita percebo a tempestade que se aproxima.

Mais um dia sem querer, eu penso em lhe ver.

Para ganhar um sorriso, tomar um café, falar sobre as coisas pelas quais eu tenho ironia, para ainda não lidar com as mesmas na minha profana intensidade.

Eu sei, ainda me falta responsabilidade, coragem, para caminhar por aquele caminho que deixei com medo do final da estrada.

Faltam tantas coisas, palavras, sussurros, desculpas, falta minha alta fala!

A fala que não consegue adormecer, que enlouquece e que eu não posso deixar de em mim escurecer.

Tento sempre renovar tudo, e o que anda em minhas veias é a necessidade da sua sinceridade.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

:: A TEIA ::

Aquela infância era uma luz em meio a escuridão....
O que foi feito diante de tantos episódios de minha vida?
Aqueles episódios em que eu juntava areia nos dedos, e via a umidade das emoções, escorrerem diante de meus olhos.
Sempre fui apta em procurar agulha em palheiros, como uma função inerente a minha natureza.
Na veracidade de minhas palavras, me perdi muitas vezes.
Outras, eu apenas buscava um sentido vazio naquela estrada encoberta de vestidos longos e loucos, com suas pernas amarelas que me levavam ao nada.
Um dia, consegui ver as escadas que ficavam escondidas do lado escuro de minha casa.
Aonde os barcos faziam fila para parar, e ali deixar as bagagens do rio do esquecimento.
Quantas jornadas comecei sem ter vontade de terminar?
Muitas.
E como foi doloroso perceber que um processo havia se separado de mim.
Me separei de homens, mulheres, destinos, casos, acasos e sentimentos desesperados.
Porém, jamais fui capaz de separar as partes de mim mesmo.
Não sei como anda aquela ampulheta que marca o tempo de minha existência.
Medo de morrer, nunca tive, nunca terei.
Medo de viver é o que me move, o que me situa como ser –no-mundo.
Ser, é ser, inconstante ou no ato do firmamento divino.
Escorre o jorrar do prazer infinito das longínquas trevas que me assolam.
Mas, que também servem de instrumento para minha vontade de ter a leveza.
Um amor, mil vidas.
Uma vida inteira de amores e promessas.
O corpo templo de uma era sagrada, um plano finito de vaidade e semelhança aos olhos dos deuses.
Nada deixa de mover-se para o desconhecido.
O que sabemos, iremos entender para compreendemos em um daqueles dias, em que a vida não parece ser parte nossa.
E olha, entender tudo o que se passa, é constrangedor.
É como tentar decifrar um baú aberto cheio de poeiras, com aquelas teias de aranhas ferozes e famintas, beliscando as nossas mãos com fugacidade.
Eu quero sentir sempre o amor na poesia.
E quero também, ser sempre capaz de poder não compreende-lo!
Quero apenas sentir-me viva quando os tempos ruins caírem sobre minha alma.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

::O SER-ALI::

Uma armadilha...
Um gato, um rato, um bicho de pernas longas.
Um arco-íris suspenso no ar.
Um vento noturno do norte, uma folha que vai para bem longe.
Uma critica suave da ponta da laje da criação.
O iceberg da humanidade, a cripta dos sentidos violados.
A colisão do espectro sentido pelo acaso abordado.
A abordagem do espírito livre, o fenômeno cristalizado destruído.
A conspiração do gene violento da modernidade.
A iluminação artificial da mente.
O burlador do sistema, o firmamento do alicerce democrata.
O vício das virtudes cartesianas.
A falsa liberdade do barco perdido na imensidão do ser.
O frio trepido do silêncio vivido.
O extração do amor, o utilitarismo da juventude imatura.
O verbo conjugado pelo individuo-objeto do caos moderno.
A sensação da morte pós-existência.
Nódulos pendurados de ponta-cabeça no horizonte.
Tudo é vida!
E morte também!
É raio que corta a 360 graus.
O ser-alí... abrindo-se para a incerteza!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

::O TERCEIRO MUNDO::

É preciso estar só...

Mesmo quando eu procuro estar em meio a uma multidão ofegante,
É preciso que eu esteja só.
Enquanto eu tento fingir que posso agrupar as coincidências, as incidências ocorrem, eu fico presa na teia do tecido das Moiras... a roda não para...
Um termo e apaixonado estar, uma construção de vida, um pouco menos de tempo, um pouco mais de experiência, o nada se revela.
A revelação dos instantes, eu ando tentando trocar passos com as coisas do antigo testamento, é preciso que eu re-aprenda a não divulgar o meu estado de sonambulismo.
Este artigo contínuo que em mim anda brotando, precisa de uma nova esfera, uma nova visão de humanidade, um pouco menos de razão, mais explosão em meu espírito.
Esta minha resistência não tem sido autêntica, eu preciso aceitar uma solidão, mas não imortal, um estar só em si sem medo...
Não é eterno, é inconstante, os excessos dos outros corpos me trazem coisas com as quais eu por agora não tenho que lidar.
Tenho medo de mim, medo das minhas figuras simbólicas, medo das vozes que se concentram em minha mente.
O passo tem que ser dado, a névoa está sob meus pés e minha cabeça está tomada pelas trevas.
Não há como escapar, eu vou aceitar esta condição agora, este por hoje, o já estou!
Preciso sentir, receber este sentimento do presente, o sentir-me na essência do divino, para trocar vivências no terreno.
Este térreo que vive me assombrando, este banho de dúvidas indolentes, eu preciso captar os laços do infinito, deitar com minhas mágoas, acordar tomada pelo cósmico, digerir as situações que vem me puxando para a morte-existencial.
Poucos caminharam comigo, estes, serão os amores da minha vida, todos em pedaços, espalhados, cultivados, adorados e bem guardados em minha existência.
Quanto aos outros, tenho de respeitar o processo, como venho fazendo por estes tempos, e não me deixar iludir pelo universo alheio, apenas entrar no mesmo, quando me sentir contagiada pela poesia do ser-ali.
Eu vivo, vivendo o risco do interno, o terceiro mundo faz sua abertura em mim....

segunda-feira, 13 de julho de 2009

::PENSANDO::

Uma nuvem de pensamento...
Um sopro desconhecido em meu ventre.
Uma saudade da vaidade que me cercava de chamas.
Um suspiro que nascia do infinito.
Uma teia nova de possibilidade.
A poesia que fala,transpira que chora.
Tenho lágrimas, muitas, um lago delas.
Elas me sustentam, amamentam minha alma.
Com calma, eu preciso atravessar a ponte do desejo,
Para chegar ao meu novo lar.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

:: O HIEROFANTE::

Uma corrida louca contra o tempo...

Se é que posso dizer que eu tenho corrido!
Minhas asas andam pesadas de mais, e os fardos são bagagens desnecessárias,
Rabisco uma virtude, penduro um quadro meu no mundo.
O mundo anda obscuro, e o tom da escuridão é poético, singelo e cúmplice da minha existência.
Punir, agir, reagir, coagir, resistir!
Simplesmente o que resta é o que me falta, a falta de comunicação.
Ao invés de trocar o sonho pela realidade, troco a irritabilidade pela sensualidade da vida que transmite suas ondas loucas que passam para dentro do meu ventre.
Eu estou enlouquecendo, pulando da torre, abraçando a fera, iludindo os sentidos, vivo caminhando aonde os atritos tem sido desnecessários.
Existe um facho de luz, uma iluminaria linda, grudada na parede do abismo.
Luzes vermelhas, roxas, verdes, fazendo o caminho da descida até o “fundo” ficar mais intrigante.
O mistério do outro que, anda calado a meu lado, aquele feroz cão que guarda a ponte que leva ao paraíso das luzes está dormindo...
Eu vejo dragões brigando no céu, vejo fogo por todos os lados, eu vejo cavalos alados cansados de vigiar minha alma por toda a noite.
Jogo a tocha para longe, bem distante...
Não preciso mais deste fogo, o Hierofante conversou comigo, falou da minha caminhada, eu só tenho de seguir em frente.
Sei que irei lutar com monstros e comigo mesma, e já não me importo, APENAS tenho de estar preparada!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

::RETARDO INFIEL::

Meu corpo não compreende mais a minha alma.
A vida tem sido incomunicável estes tempos, eu não sei por onde estou andando agora.
Não sei como acalmar minha voracidade, minha viagem parece maligna.
Porque eu adormeci, e estou correndo dentro de um túnel.
De vem em quando eu ouço um ruído, vozes murmurando a minha ausência.
Estou deitada aonde o tempo passa muito rápido e as pedras voam para dentro do universo.
Venho tentando traduzir um palhaço assanhado que vive tentando comer minhas úlceras.
Eu ouço relinchos dos deuses, as piadas internas do passado, eu ando comendo grama do jardim do inimigo.
Tenho que levantar e bater palmas para o minha nova aprendiz, a minha Vivi que quer nascer.
Eu quero parto normal, quero parir o novo, mesmo que eu tenha de suportar uma dor terrível, eu preciso expelir este hóspede maldito.
Entro no meio de tanta gente e tanta gente anda por onde eu não consigo caminhar.
Eles tem passos longos e eu ando me arrastando diante dos antigas vizinhas assombradas.
Sou dona de que? Dona de quem?
A vida é minha dona.
Não quero viciar em nada que não seja nela.
Até hoje foi natural eu atravessar noites em claro pensando na vontade de renascer pela manhã,
Só que desta vez, não estou conseguindo acordar.
Vou tentar destruir a torre, e não as pressas, vou usar minhas presas para derrotar aquela fera antiga e voltar a vida pulsante...

sexta-feira, 3 de julho de 2009

::CONSUMO::

O sentido da vida, a re-construção do Self...

O significado da vida, propriamente vivida, eu ainda estou procurando o indivisível.
A aparência dos indivíduos, as portas que abrem e fecham as minhas dores.
Este corpo meu que, suporta por agora todo o peso da minha fúria.
Sinto minhas entranhas serem operadas, meus órgãos fazem um balé magnífico.
Os espíritos rodeiam a minha ausência, quando estou partindo para o mundo imaginário.
Não consigo esquecer do quanto eu caminhei para estar aqui neste momento,
E não lamento, tento surpreender a minha existência com a espera de fenômenos, pelos quais,
Atrevo-me a dizer que ousadia é o que não me falta.
Ousadia em vivenciar as coisas com intensidade, com sinceridade, especial como um sol que espera seu descanso na tarde.
Já não consigo dominar as trevas, elas entram e saem de mim quando querem.
Vejo um novo mecanismo de escape, e não me desatento as coisas que não posso guardar em mim.
Despejo tudo no meu mundo terreno e não consigo me controlar diante deste acontecimento.
Eu choro, tento apreciar o que ainda me resta, eu sempre renasço pela manhã.
Em minha morte mais singela, um sorriso me desperta em meio a uma tempestade pesada.
O mundo está lá fora e aqui dentro o universo faz a sua parte, constrói teias de significados,
Uma mais complexa do que a outra, e eu consumo tudo isso lentamente.
Quando é chegado o final deste processo, sei que sentirei uma suavidade diferente,
Os ventos chegaram por de trás de minha cabeça, levando assim as folhas secas do meu inconsciente para o cosmo.
Estou estudando a minha forma mais humilde de comunicação, o silêncio!

terça-feira, 30 de junho de 2009

::OUTSIDE::

Que gosto horrível é este que está alojado em minha alma...

Ando experimentando dores, sofrimentos, recompensas, mas não ando a vontade comigo.
Eu tenho vontade, mas aqui dentro tem um intervalo estranho entre o mundo substancial e o imaginário.
Este intervalo não sei nem ao menos dizer se é de tempo, ou de existência fora do tempo.
As vezes fico farta, e tento combater os meus demônios internos tomando banhos longos de ouvido fechados, o silêncio me ajuda a não pensar sobre o resto.
Sei que é preciso limpar as sujeiras, acessar o meu inconsciente de uma forma menos pesada, e não posso afugentar as minhas mágoas.
A melancolia veste preto, espera-me diante da cerca do consciente, aonde os cavalos alados estão pegando fogo.
Os meus devaneios tornam-se reais, eu me perco dentro das paredes, eu estou presa entre o concreto e o imaginário.
Meus olhos não podem deixar de tocar um espaço aonde eu penso não existir algumas vezes.
Eu não consigo jogar para fora, este vômito azedo, e tenho pressa de viver sem conhecer este ódio pela dor.
Estou diante da maior guerra existencial por mim já vivida, não quero triunfar, quero obedecer ao meu espírito ofegante, bravo e sensível.
Não conto mais somente com minhas estranhas falas, quero conseguir engolir o mundo sombrio e lançá-lo para fora da minha mente!
Manifesto antropofágico.
É difícil narrar este tão desconhecido semblante da angústia, esta fala distorcida que mastiga a minha condição como ser-no-mundo.
Quantas armadilhas já desfiz, cai em muitas delas, fui detestável até a última gota de sangue que jorra de minha parte humana.
Adivinhem por si só, corações estúpidos, compenetrados em suas garras insanas.
Chega de dignamente crer somente nos inventores da alma nova!
Quero correr para dentro daquele rio de memórias, me banhar com a água dos homens de bom coração.
Não nego a tragédia, mas não consigo mais somente viver ao redor dos porcos.
Agrada-me sorrir superficialmente quando eu percebo um destruidor de visões, aquele antigo índio que tentou fugir de si mesmo, e foi pego por um leão faminto.
Não ando nem ao menos conseguindo reavaliar o valor do próximo, ouvir o mesmo, tem me causado náusea.
Gosto de perceber os povos que ainda estão afastados deste mundo, que vivem a beira da loucura, que solicitam os meus ouvidos para descarregarem toda malícia da humanidade.
O amor que me domina, cerca-me de tremor, aonde as barreiras do sobrenatural são desconhecidas, eu chego a cidade perdida com um coração preenchido por Eros.
Conduzir este turbilhão de sentimos tem feito eu sentir o gosto da morte na ponta da língua, venho compreendido que não tenho paciência para pessoas que dizem serem tão fortes.
Os braços delas não acolhem a própria fera que dorme no peito do sofredor.
Será que eu tenho que me livrar deste jogo?
Será tudo isso um jogo primário?
Não, ainda não sei, demonstrar que posso entender alguma coisa, seria um suicídio.
Eu vejo as estrelas sugerindo uma nova galáxia individual.
Eu tenho que me livrar das cobiças alheias, do caminho errado, das obrigações frustrantes.
Já não tenho medo de olhar para dentro de mim, as minhas lágrimas, fazem com que eu recobre a consciência de que eu estava sendo...
E antes de tudo isso, pelo que eu estava passando?
Eu não sei, eu não consigo me lembrar.
Estou afundando, em uma água negra, uma água de passado, um rio que tem curvas longas, e as pessoas estão a margem, a minha espreita, vendo eu me debatendo, eu tento me esconder de tudo e de todos, eu ando com vontade de matar tudo e a todos que cruzarem o meu caminho para tentar me enfurecer.
De que eu lembro?
Só me lembro de uma vida cheia de emoções, e este mistério que me cerca é horripilante, pela primeira vez, eu tenho sede, fome de saber o que se passa em mim...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

::Para quem?::

Ventania selvagem que invade meu espírito

Tirando as algemas das minhas conclusões particulares

Agora sem medo de dizer e ofender o que tem me feito morrer durante anos

Sem freios, desgovernada, locomotiva mal amada

Doação sentimental nunca rejeitada, que agora pede passagem

Não quer massagem para o que lhe dói e o que lhe és real

Arco de possibilidades que tocam o finito cheio de mágoas profundas

Imundos redemoinhos sobre as falhas sensoriais que se encontram no eu estrangulado

Cantar as canções que estavam submersas a tempos e ninguém podia escutar

O tempo que devora a vaidade dos homens de bom coração

Mas que controla o severo do artístico que visto de longe

É um mundo insano cheio de tristeza, um toque de glória para quem vai sofrer

Andando sobre as águas injustas que os povos deixaram escorrer entre os vãos dos dedos da existência humana

Mente estática, e usando a tática do instinto para mover –se adiante

Avante, agravante, as trevas não me consomem mais

Eu vivo entre o mal e o bem, sem que ninguém me manipule

Sabendo que minhas revogações sempre serão ignoradas

Mesmo assim eu continuo usando minha velha e antiquada sabedoria

De quem já viveu entre a escuridão e a dança matinal coagida entre lápides selvagens

Mármore escuro que agora abre –se para que os raios de sol

Ascendam as chamas da velha alma que ficou presa por anos

Tempo, porque está tentando me testar?

Não sabe que os segundos que eu passe me trouxeram o ódio quando eu estou sob regência do amor supremo?

Sabes, e ignoro – te, pois, tu me faz querer questões para me aprisionar entre os espinhos que nascem para me machucar

Não permitirei sua entrada em meu mundo, não desta vez

Violentada pelos sentidos que não podem ser percebidos por ninguém

Os segredos foram revelados!

Nua, e livre das dores, ainda me pego chorando entre os vãos temporais

Que me consomem com seus aromas enigmáticos e intensos

O mal pede licença para tomar meu corpo e eu o encurralo entre minhas linhas e que os pensamentos façam florescer o entendimento de tudo que será resolvido com sabedoria.

terça-feira, 16 de junho de 2009

::POSTOS VAZIOS::

Somos residentes de um mundo simbólico...

Quantas vezes fomos interpretes da fala do acaso, rebuscando nos nossos antepassados respostas para o presente que as vezes nos é tão árduo?

Nem sempre nossos fundamentos são justos e os lutos pelos quais deixamos de passar, imortaliza nossas vivências, trazendo arrependimentos e falta de coragem.

Não creio em poucas possibilidades do espírito, vejo e não compreendo a essência no seu todo, e nem por isso, me desvencilho das pestes que derrubam o caos sobre a minha existência.

Não me puno mais com baixarias, extravagâncias ou ironias rasteiras, deixo a vida entorpecer minhas veias de imaginação.

Tenho idéias de ritos, mitos e não anuncio quando estou embaixo da via perigosa do mistério.

Quando sou chamada para buscar, preparo minhas bagagens e parto, sem nem pensar o que por ali irei encontrar, eu apenas vou...

Vôo distante, no instante em que o momento importante não é egocêntrico nem auto – confiante.

Quem ainda teme neste mundo, desencadear um rio de sentimentos?

Não é possível conter-se diante deste espetáculo que é a vida.

As vezes não temos palco para receber tal apresentação, nem por isso, deixemos de existir naquele instante, penduremos nossas falas morais e levantemos para aplaudir o desconhecido.

Jorra alma, joga em mim suas lamúrias, constrói suas moradas, consuma minha falta de estadia neste concreto, eu me permito!

Não me obrigo a passear somente na luz, a escuridão me trás a reflexão da visão da ilusão perdida pela minha ousadia em sempre querer voltar para cá.

Vai vida, o que queres de mim? Faça de mim uma aprendiz serena.

Me dê leveza quando eu não puder respirar, me dê seu sorriso quando eu quiser chorar.

Chorar de graça, jamais!

Meu choro é infantil e cheio de vazios.

Não temo mais a morte, e não arrisco mais a sorte, vivo de sul a norte, do oeste ao violento leste, compreendem a minha estrada selvagem.

Muitas vezes saio do meu caminho desesperadamente, eu sinto a vida me chamar, quantas vezes eu não fui? Porque eu fiquei? Não sei!

Só sei que, se eu quisesse compreender e entender tudo, não teria mais nada bonita em minha vida.

Como eu queria ter um pingo de vontade de não querer sobreviver.

Sobreviver dói e muito, estou aprendendo a viver imensamente a intensidade sem ser onipotente.

Ah quantos deuses ao meu redor gritaram nos meus ouvidos, me convocando a uma nova abertura, e eu não deixei de senti-los.

Se eu estiver com as portas abertas, não temerei o frio e nem o excesso de calor, que eu tenha uma sabedoria nobre para agüentar o pavor do mundo que gira a todo vapor.

Em minha mente não sei mais quem está presente, são muitos, muitas, peças, passos, falas, construções loucas, constelações, galáxias, astros enfurecidos pela temporalidade que rompe-se com a minha fé e inspiração.

Não, ainda não tenho nada eu sei, mas sei também, que não preciso de muito para me sentir satisfeita, satisfação as vezes é uma contradição.

Pecado dizer que não posso voar se tenho sonhos tão delicados.

Fernando Pessoa falou no simbólico e se foi como poeira no vento.

Meu deus, mas estão todos mortos mesmo!

Os grandes, ilustres, quietos que pouco falavam, mas que deixaram nas suas entre - linhas vestígios do sem-fundo.

Ah como eu queria ter um pouco mais de vaidade, dedico-me apenas para o que está aqui dentro, mas e meu corpo, chama-me terra, preciso de seus cuidados.

Meus diálogos cada vez mais, sinto que, não acontecem, a comunicação anda sem freqüência alguma.

Já nem sei mais o que escrevo, leio tanta coisa e no instante seguinte, estou lendo apenas aquilo que me embriagou, não quero!

Sai intelecto embriagado, quero a vácuo do existencialismo!

Quero vida! Vem, vem !!!!