quinta-feira, 27 de agosto de 2009
::CAPTURA DO AGORA::
Sempre quis me apossar das coisas, para tentar alargar minha essência,
E não Vivi, não vivenciei o mundo, não compreendi o sensível no seu “uno”.
Estou me desapegando das coisas, pessoas, sentimentos.
Eu quero ser possuída pelo instante originário primitivo.
Preciso ser tomada por um absurdo cósmico, surpreender-me como que está agora.
O agora, quero ser laçada por ele, sentir o cheiro do perfume da manhã cinza,
Sentir o vazio que brota das almas nas ruas, ouvir os balbucios dos cômicos repertórios de diálogos alheios.
Não quero ficar embalsamada em um período só.
Quero todos os tempos contra meu intelecto, quero um mundo de oportunidades únicas.
Eu ando ouvindo a mim mesma, e esquecendo de ouvir os meus passos nesta terra.
Fértil, eu preciso ser fértil, procriar a liberdade de meu espírito de uma forma singela.
Poder sentir que, cada dia mais, estou me desprendendo da matéria,
Mas para isso, preciso senti-la em seu todo, como eu sendo parte do uno.
Estou em um processo de formação assombrosa.
Aflita, mas com uma força muito grande, vontade de ver as pequenas coisas da vida brotarem.
Fui capturada pelo agora, e ainda não voltei...
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
::A VISÃO::
Não é um cisco em meus olhos, é um tornado formando-se em minha face.
Náusea, eu sinto náusea da minha própria condição no mundo.
Eu preciso sair deste estágio, sinto falta de alguma coisa que me complete como ser-aí.
Avisto um fio dourado, um labirinto cheio de vontades, uma tempestade que está pedindo para ser movida para longe, bem longe de mim...
Não tenho medo mais do perigo da insanidade, eu tenho sido verdadeira comigo mesma.
Eu erro demais, e vivo dormindo em cima da esperança.
Agora eu peco menos, e existo de uma forma mais voraz, eu sou eu mesma em vários lugares com expectativas diferentes.
Quem viu o passado, não consegue me ver diante das possibilidades que aprendi a compreender.
As vezes eu desejo ficar um tempo no universo, viver diante dos buracos negros, no choque exato das consciências, pensar lentamente sobre o tempo daqui com os moldes cósmicos.
Mas não dá, a vida não para, e ser somente cosmo não me serve mais, tenho que unificar as coisas, intensificar minhas mudanças, eu tenho que existir cada vez mais diferentemente.
Apreciar as pequenas coisas, prestar atenção nos sinais e não perder oportunidades únicas.
Estou presenciando a herança do amor, da bondade, fidelidade na sensibilidade.
Estou indo além de um monte de livros, de obras fantásticas literárias.
Eu tenho que ter minha própria obra, ter algo palpável neste mundo.
Existir como eu sempre fui criada para viver, liberta do medo de viver.
E se alguma coisa acabar, eu posso contar com minha fé, ela não me faz desandar.
Eis o firmamento!
O desenvolvimento da minha esta em andamento...
terça-feira, 18 de agosto de 2009
::A MALDIÇÃO DO INDIO::
Um enorme Índio montado em um cavalo negro...
Um moço belo estirado na cama, com o lençol azul manchado de vermelho, sangue puro.
Destruição, maldição, exibição de um ciclo maléfico.
Olhos flamejantes, corpo de Índio forte, com os dez dedos insinuando violência.
Vejo um tridente pendurado na parede, marcando um território conjurado pelo medo.
Eu vejo o suor escorrer do rosto dele, ele parece satisfeito, mas um pouco nervoso.
Este quarto cheia a podridão, a vícios, uma moral corrompida.
Linhas compridas desenham um tetragramaton no teto anunciando uma purificação.
Um jovem deitado em cima de um passado doentio, um bode ofegante em sua cabeceira.
O índio transforma-se em um jovem atraente e despeja melancolia pela ponta do dedo indicador, caindo diretamente na boca do jovem adormecido.
O moço belo, tem uma espada deitada no peito, cheia de remorso, que cheira o perfume de sua mãe.
Seu pai chora no andar debaixo, esperando que o “bode” saia para que ele possa entrar para matar o jovem atormentador de alma ingênua e de um amor doloroso.
O moço chora, em seguida cospe toda melancolia do índio para os vãos da cama, e vomita todo seu sangue amaldiçoado para fora do corpo.
Ele está libertando-se do outro, ele está purificando seus sentimentos, ele está ouvindo a sim mesmo...
Eu vejo o indio ir embora jogando seu coração na fogueira que está montada na sacada do moço belo!!!
terça-feira, 11 de agosto de 2009
:: PAN ::
Uma roda da fortuna de ponta-cabeça,
Um balde de lágrimas,
Uma sensação única de sorte futura.
A janela aberta, o paraíso revelado,
O cavalheiro das sombras em seu cavalo alado.
A visão do céu,
A abertura do inferno sendo desvelado.
É coisa divina,
Coisa única, essência de prometeu em sua cura sagrada.
O corpo escultural, a propagação do natural no imanente revigorado.
A estratégia das Moiras, o Pan nu enjaulado.
É coisa de Deus de mãos dadas com o Diabo.
Vai e volta,
Prende e solta!
A alma pendura na terra,
A terra vira, jorrando todo o cosmo,
Começarei minha nova jornada...
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
:: O LUAR ::
O instante coagulou o presente, e eu de tão ausente me vi correspondente com um astro onipotente.
Um circulo, inaugura um ritual bruto do mundo maligno.
O banco dos inocentes, que lutavam contra aquela força agressiva que tentava nos atirar no lago negro.
Eu vi três demônios em forma de gente.
De gente inconseqüente, demente e doente.
De preto, acompanhados por uma mala cheia de pestes violentas.
A grama verde não escondia o cenário de puro terror, aonde cada passo era calculado pelo divino imaculado estar.
Não se ouviu risadas, só duvida e dor.
Rancor, freneticamente pude observar uma dança, o balançar de um anjo, e presenciei um curador marcando seu território, e uma guerreira abrindo-se para um mundo de pavor.
Vi uma estrela do lado daquele astro luminoso, representando que eles não estavam a sós com o terreno.
Vivificando, anunciando, o prenuncio de uma nova era, absorvendo as penumbras do passado, os excessos de intuições, marchas lentas de ingenuidade sempre rompidas por sussurros inconscientes.
Um segredo ali foi revelado, uma ruptura do instante, um tempo revirado!
Duas sombras que nasciam e corriam para baixo dos braços das árvores, presos no solo assombrado.
Uma sombra que escondia-se entre os arbustos lentamente, observava aquelas três figuras santas em solo marcado pelo deus da escuridão.
Eu vi um anjo de asas grandes e volumosas carregando um curador e uma guerreira para um solo sagrado e depois disso, eu vivo o ontem como o agora....
terça-feira, 4 de agosto de 2009
:: ORIGEM PRIMITIVA ::
Um dia a luz desce as escadas e encontra a escuridão sentada no horizonte...
É difícil falar, mas falar de verdade, com sinceridade sem se preocupar com o outro, os outros.
Ontem diante de uma roda de pessoas, amigas e desconhecidas, descobri que posso falar sem medo de julgamentos e arrogância de meu diálogo.
O segredo é deixar fluir?
Nossa mas em mim tantas coisas fluem ao mesmo tempo, e para que eu possa me concentrar é necessário que eu respire profundamente e acesse uma parte mim cheia de experiências.
Algumas experiências eu ainda tenho que separar da realidade que ali aparece, uma situação delicadíssima, minha velha preocupação de não magoar o outro com as minhas tendências.
Tendências?
Um turbilhão de construções, imaginárias passando para o substancial...
Nesta passagem, eu me entrego, sei que não sou boa quanto a finalizar processos, as ramificações são enormes, eu não sei fechar esta teia enorme que se abre diante de minha psique.
É engraçado quando falamos da vida em seus aspectos mais concretos, quando posso perceber o além do nada, por fim, resulta sempre em um monte de símbolos gigantes que cercam minha mente de significações individuais.
A expressão muda da minha surdez, atrapalha as vezes a minha leveza, recorro sempre a margem da minha realidade.
Funciona.
Eu tenho acesso ao bruto e o lapidado, e hoje em dia não escolho mais nada, eu só me deixo ser possuída pelo instante em que sou tocada pelo agora.
A vida é rara, tratá-la de forma banal ainda não aprendi, cometi erros, enganos, acasos, incidentes, acidentes, sou filha da vitima do passado que não teve desfecho.
Cuspo a introdução da base felicitaria que beneficia a minha jornada para o infinito...
Trago com força a organização do meu mundo substancial.
Estou terrificando, alinhando-me a meus antigos cultos ancestrais primitivos, estou sendo a fera que doma o impalpável.
Estou sendo o foco fosco da natureza em sua origem que por mim estava esquecida...
quinta-feira, 30 de julho de 2009
:: RABISCAR A SAUDADE ::
Procuro uma nova cor que eu não tenha tocado sem manchar...
E sempre encontro, aquela cor cinza nos quadros que visualizo quando penso em amor.
Penso em paredes, estradas congestionadas, corações aflitos, poesia, chuva e sol.
E tudo sempre me leva a você.
Quantas noites eu tentei procurar uma maneira de rabiscar a saudade,
Todas estas foram em vão.
Cada palavra que eu tentava rasgar da minha mente, me levava de volta para você.
Este vazio todo, estes arrepios, esta ingenuidade que vacila, é medo das memórias.
Justamente quando o vento tenta me levar, aflita percebo a tempestade que se aproxima.
Mais um dia sem querer, eu penso em lhe ver.
Para ganhar um sorriso, tomar um café, falar sobre as coisas pelas quais eu tenho ironia, para ainda não lidar com as mesmas na minha profana intensidade.
Eu sei, ainda me falta responsabilidade, coragem, para caminhar por aquele caminho que deixei com medo do final da estrada.
Faltam tantas coisas, palavras, sussurros, desculpas, falta minha alta fala!
A fala que não consegue adormecer, que enlouquece e que eu não posso deixar de em mim escurecer.
Tento sempre renovar tudo, e o que anda em minhas veias é a necessidade da sua sinceridade.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
:: A TEIA ::
O que foi feito diante de tantos episódios de minha vida?
Aqueles episódios em que eu juntava areia nos dedos, e via a umidade das emoções, escorrerem diante de meus olhos.
Sempre fui apta em procurar agulha em palheiros, como uma função inerente a minha natureza.
Na veracidade de minhas palavras, me perdi muitas vezes.
Outras, eu apenas buscava um sentido vazio naquela estrada encoberta de vestidos longos e loucos, com suas pernas amarelas que me levavam ao nada.
Um dia, consegui ver as escadas que ficavam escondidas do lado escuro de minha casa.
Aonde os barcos faziam fila para parar, e ali deixar as bagagens do rio do esquecimento.
Quantas jornadas comecei sem ter vontade de terminar?
Muitas.
E como foi doloroso perceber que um processo havia se separado de mim.
Me separei de homens, mulheres, destinos, casos, acasos e sentimentos desesperados.
Porém, jamais fui capaz de separar as partes de mim mesmo.
Não sei como anda aquela ampulheta que marca o tempo de minha existência.
Medo de morrer, nunca tive, nunca terei.
Medo de viver é o que me move, o que me situa como ser –no-mundo.
Ser, é ser, inconstante ou no ato do firmamento divino.
Escorre o jorrar do prazer infinito das longínquas trevas que me assolam.
Mas, que também servem de instrumento para minha vontade de ter a leveza.
Um amor, mil vidas.
Uma vida inteira de amores e promessas.
O corpo templo de uma era sagrada, um plano finito de vaidade e semelhança aos olhos dos deuses.
Nada deixa de mover-se para o desconhecido.
O que sabemos, iremos entender para compreendemos em um daqueles dias, em que a vida não parece ser parte nossa.
E olha, entender tudo o que se passa, é constrangedor.
É como tentar decifrar um baú aberto cheio de poeiras, com aquelas teias de aranhas ferozes e famintas, beliscando as nossas mãos com fugacidade.
Eu quero sentir sempre o amor na poesia.
E quero também, ser sempre capaz de poder não compreende-lo!
Quero apenas sentir-me viva quando os tempos ruins caírem sobre minha alma.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
::O SER-ALI::
Um gato, um rato, um bicho de pernas longas.
Um arco-íris suspenso no ar.
Um vento noturno do norte, uma folha que vai para bem longe.
Uma critica suave da ponta da laje da criação.
O iceberg da humanidade, a cripta dos sentidos violados.
A colisão do espectro sentido pelo acaso abordado.
A abordagem do espírito livre, o fenômeno cristalizado destruído.
A conspiração do gene violento da modernidade.
A iluminação artificial da mente.
O burlador do sistema, o firmamento do alicerce democrata.
O vício das virtudes cartesianas.
A falsa liberdade do barco perdido na imensidão do ser.
O frio trepido do silêncio vivido.
O extração do amor, o utilitarismo da juventude imatura.
O verbo conjugado pelo individuo-objeto do caos moderno.
A sensação da morte pós-existência.
Nódulos pendurados de ponta-cabeça no horizonte.
Tudo é vida!
E morte também!
É raio que corta a 360 graus.
O ser-alí... abrindo-se para a incerteza!
quinta-feira, 16 de julho de 2009
::O TERCEIRO MUNDO::
Mesmo quando eu procuro estar em meio a uma multidão ofegante,
É preciso que eu esteja só.
Enquanto eu tento fingir que posso agrupar as coincidências, as incidências ocorrem, eu fico presa na teia do tecido das Moiras... a roda não para...
Um termo e apaixonado estar, uma construção de vida, um pouco menos de tempo, um pouco mais de experiência, o nada se revela.
A revelação dos instantes, eu ando tentando trocar passos com as coisas do antigo testamento, é preciso que eu re-aprenda a não divulgar o meu estado de sonambulismo.
Este artigo contínuo que em mim anda brotando, precisa de uma nova esfera, uma nova visão de humanidade, um pouco menos de razão, mais explosão em meu espírito.
Esta minha resistência não tem sido autêntica, eu preciso aceitar uma solidão, mas não imortal, um estar só em si sem medo...
Não é eterno, é inconstante, os excessos dos outros corpos me trazem coisas com as quais eu por agora não tenho que lidar.
Tenho medo de mim, medo das minhas figuras simbólicas, medo das vozes que se concentram em minha mente.
O passo tem que ser dado, a névoa está sob meus pés e minha cabeça está tomada pelas trevas.
Não há como escapar, eu vou aceitar esta condição agora, este por hoje, o já estou!
Preciso sentir, receber este sentimento do presente, o sentir-me na essência do divino, para trocar vivências no terreno.
Este térreo que vive me assombrando, este banho de dúvidas indolentes, eu preciso captar os laços do infinito, deitar com minhas mágoas, acordar tomada pelo cósmico, digerir as situações que vem me puxando para a morte-existencial.
Poucos caminharam comigo, estes, serão os amores da minha vida, todos em pedaços, espalhados, cultivados, adorados e bem guardados em minha existência.
Quanto aos outros, tenho de respeitar o processo, como venho fazendo por estes tempos, e não me deixar iludir pelo universo alheio, apenas entrar no mesmo, quando me sentir contagiada pela poesia do ser-ali.
Eu vivo, vivendo o risco do interno, o terceiro mundo faz sua abertura em mim....
segunda-feira, 13 de julho de 2009
::PENSANDO::
Um sopro desconhecido em meu ventre.
Uma saudade da vaidade que me cercava de chamas.
Um suspiro que nascia do infinito.
Uma teia nova de possibilidade.
A poesia que fala,transpira que chora.
Tenho lágrimas, muitas, um lago delas.
Elas me sustentam, amamentam minha alma.
Com calma, eu preciso atravessar a ponte do desejo,
Para chegar ao meu novo lar.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
:: O HIEROFANTE::
Se é que posso dizer que eu tenho corrido!
Minhas asas andam pesadas de mais, e os fardos são bagagens desnecessárias,
Rabisco uma virtude, penduro um quadro meu no mundo.
O mundo anda obscuro, e o tom da escuridão é poético, singelo e cúmplice da minha existência.
Punir, agir, reagir, coagir, resistir!
Simplesmente o que resta é o que me falta, a falta de comunicação.
Ao invés de trocar o sonho pela realidade, troco a irritabilidade pela sensualidade da vida que transmite suas ondas loucas que passam para dentro do meu ventre.
Eu estou enlouquecendo, pulando da torre, abraçando a fera, iludindo os sentidos, vivo caminhando aonde os atritos tem sido desnecessários.
Existe um facho de luz, uma iluminaria linda, grudada na parede do abismo.
Luzes vermelhas, roxas, verdes, fazendo o caminho da descida até o “fundo” ficar mais intrigante.
O mistério do outro que, anda calado a meu lado, aquele feroz cão que guarda a ponte que leva ao paraíso das luzes está dormindo...
Eu vejo dragões brigando no céu, vejo fogo por todos os lados, eu vejo cavalos alados cansados de vigiar minha alma por toda a noite.
Jogo a tocha para longe, bem distante...
Não preciso mais deste fogo, o Hierofante conversou comigo, falou da minha caminhada, eu só tenho de seguir em frente.
Sei que irei lutar com monstros e comigo mesma, e já não me importo, APENAS tenho de estar preparada!
segunda-feira, 6 de julho de 2009
::RETARDO INFIEL::
A vida tem sido incomunicável estes tempos, eu não sei por onde estou andando agora.
Não sei como acalmar minha voracidade, minha viagem parece maligna.
Porque eu adormeci, e estou correndo dentro de um túnel.
De vem em quando eu ouço um ruído, vozes murmurando a minha ausência.
Estou deitada aonde o tempo passa muito rápido e as pedras voam para dentro do universo.
Venho tentando traduzir um palhaço assanhado que vive tentando comer minhas úlceras.
Eu ouço relinchos dos deuses, as piadas internas do passado, eu ando comendo grama do jardim do inimigo.
Tenho que levantar e bater palmas para o minha nova aprendiz, a minha Vivi que quer nascer.
Eu quero parto normal, quero parir o novo, mesmo que eu tenha de suportar uma dor terrível, eu preciso expelir este hóspede maldito.
Entro no meio de tanta gente e tanta gente anda por onde eu não consigo caminhar.
Eles tem passos longos e eu ando me arrastando diante dos antigas vizinhas assombradas.
Sou dona de que? Dona de quem?
A vida é minha dona.
Não quero viciar em nada que não seja nela.
Até hoje foi natural eu atravessar noites em claro pensando na vontade de renascer pela manhã,
Só que desta vez, não estou conseguindo acordar.
Vou tentar destruir a torre, e não as pressas, vou usar minhas presas para derrotar aquela fera antiga e voltar a vida pulsante...
sexta-feira, 3 de julho de 2009
::CONSUMO::
O significado da vida, propriamente vivida, eu ainda estou procurando o indivisível.
A aparência dos indivíduos, as portas que abrem e fecham as minhas dores.
Este corpo meu que, suporta por agora todo o peso da minha fúria.
Sinto minhas entranhas serem operadas, meus órgãos fazem um balé magnífico.
Os espíritos rodeiam a minha ausência, quando estou partindo para o mundo imaginário.
Não consigo esquecer do quanto eu caminhei para estar aqui neste momento,
E não lamento, tento surpreender a minha existência com a espera de fenômenos, pelos quais,
Atrevo-me a dizer que ousadia é o que não me falta.
Ousadia em vivenciar as coisas com intensidade, com sinceridade, especial como um sol que espera seu descanso na tarde.
Já não consigo dominar as trevas, elas entram e saem de mim quando querem.
Vejo um novo mecanismo de escape, e não me desatento as coisas que não posso guardar em mim.
Despejo tudo no meu mundo terreno e não consigo me controlar diante deste acontecimento.
Eu choro, tento apreciar o que ainda me resta, eu sempre renasço pela manhã.
Em minha morte mais singela, um sorriso me desperta em meio a uma tempestade pesada.
O mundo está lá fora e aqui dentro o universo faz a sua parte, constrói teias de significados,
Uma mais complexa do que a outra, e eu consumo tudo isso lentamente.
Quando é chegado o final deste processo, sei que sentirei uma suavidade diferente,
Os ventos chegaram por de trás de minha cabeça, levando assim as folhas secas do meu inconsciente para o cosmo.
Estou estudando a minha forma mais humilde de comunicação, o silêncio!
terça-feira, 30 de junho de 2009
::OUTSIDE::
Ando experimentando dores, sofrimentos, recompensas, mas não ando a vontade comigo.
Eu tenho vontade, mas aqui dentro tem um intervalo estranho entre o mundo substancial e o imaginário.
Este intervalo não sei nem ao menos dizer se é de tempo, ou de existência fora do tempo.
As vezes fico farta, e tento combater os meus demônios internos tomando banhos longos de ouvido fechados, o silêncio me ajuda a não pensar sobre o resto.
Sei que é preciso limpar as sujeiras, acessar o meu inconsciente de uma forma menos pesada, e não posso afugentar as minhas mágoas.
A melancolia veste preto, espera-me diante da cerca do consciente, aonde os cavalos alados estão pegando fogo.
Os meus devaneios tornam-se reais, eu me perco dentro das paredes, eu estou presa entre o concreto e o imaginário.
Meus olhos não podem deixar de tocar um espaço aonde eu penso não existir algumas vezes.
Eu não consigo jogar para fora, este vômito azedo, e tenho pressa de viver sem conhecer este ódio pela dor.
Estou diante da maior guerra existencial por mim já vivida, não quero triunfar, quero obedecer ao meu espírito ofegante, bravo e sensível.
Não conto mais somente com minhas estranhas falas, quero conseguir engolir o mundo sombrio e lançá-lo para fora da minha mente!
Manifesto antropofágico.
É difícil narrar este tão desconhecido semblante da angústia, esta fala distorcida que mastiga a minha condição como ser-no-mundo.
Quantas armadilhas já desfiz, cai em muitas delas, fui detestável até a última gota de sangue que jorra de minha parte humana.
Adivinhem por si só, corações estúpidos, compenetrados em suas garras insanas.
Chega de dignamente crer somente nos inventores da alma nova!
Quero correr para dentro daquele rio de memórias, me banhar com a água dos homens de bom coração.
Não nego a tragédia, mas não consigo mais somente viver ao redor dos porcos.
Agrada-me sorrir superficialmente quando eu percebo um destruidor de visões, aquele antigo índio que tentou fugir de si mesmo, e foi pego por um leão faminto.
Não ando nem ao menos conseguindo reavaliar o valor do próximo, ouvir o mesmo, tem me causado náusea.
Gosto de perceber os povos que ainda estão afastados deste mundo, que vivem a beira da loucura, que solicitam os meus ouvidos para descarregarem toda malícia da humanidade.
O amor que me domina, cerca-me de tremor, aonde as barreiras do sobrenatural são desconhecidas, eu chego a cidade perdida com um coração preenchido por Eros.
Conduzir este turbilhão de sentimos tem feito eu sentir o gosto da morte na ponta da língua, venho compreendido que não tenho paciência para pessoas que dizem serem tão fortes.
Os braços delas não acolhem a própria fera que dorme no peito do sofredor.
Será que eu tenho que me livrar deste jogo?
Será tudo isso um jogo primário?
Não, ainda não sei, demonstrar que posso entender alguma coisa, seria um suicídio.
Eu vejo as estrelas sugerindo uma nova galáxia individual.
Eu tenho que me livrar das cobiças alheias, do caminho errado, das obrigações frustrantes.
Já não tenho medo de olhar para dentro de mim, as minhas lágrimas, fazem com que eu recobre a consciência de que eu estava sendo...
E antes de tudo isso, pelo que eu estava passando?
Eu não sei, eu não consigo me lembrar.
Estou afundando, em uma água negra, uma água de passado, um rio que tem curvas longas, e as pessoas estão a margem, a minha espreita, vendo eu me debatendo, eu tento me esconder de tudo e de todos, eu ando com vontade de matar tudo e a todos que cruzarem o meu caminho para tentar me enfurecer.
De que eu lembro?
Só me lembro de uma vida cheia de emoções, e este mistério que me cerca é horripilante, pela primeira vez, eu tenho sede, fome de saber o que se passa em mim...
segunda-feira, 29 de junho de 2009
::Para quem?::
Ventania selvagem que invade meu espírito
Tirando as algemas das minhas conclusões particulares
Agora sem medo de dizer e ofender o que tem me feito morrer durante anos
Sem freios, desgovernada, locomotiva mal amada
Doação sentimental nunca rejeitada, que agora pede passagem
Não quer massagem para o que lhe dói e o que lhe és real
Arco de possibilidades que tocam o finito cheio de mágoas profundas
Imundos redemoinhos sobre as falhas sensoriais que se encontram no eu estrangulado
Cantar as canções que estavam submersas a tempos e ninguém podia escutar
O tempo que devora a vaidade dos homens de bom coração
Mas que controla o severo do artístico que visto de longe
É um mundo insano cheio de tristeza, um toque de glória para quem vai sofrer
Andando sobre as águas injustas que os povos deixaram escorrer entre os vãos dos dedos da existência humana
Mente estática, e usando a tática do instinto para mover –se adiante
Avante, agravante, as trevas não me consomem mais
Eu vivo entre o mal e o bem, sem que ninguém me manipule
Sabendo que minhas revogações sempre serão ignoradas
Mesmo assim eu continuo usando minha velha e antiquada sabedoria
De quem já viveu entre a escuridão e a dança matinal coagida entre lápides selvagens
Mármore escuro que agora abre –se para que os raios de sol
Ascendam as chamas da velha alma que ficou presa por anos
Tempo, porque está tentando me testar?
Não sabe que os segundos que eu passe me trouxeram o ódio quando eu estou sob regência do amor supremo?
Sabes, e ignoro – te, pois, tu me faz querer questões para me aprisionar entre os espinhos que nascem para me machucar
Não permitirei sua entrada em meu mundo, não desta vez
Violentada pelos sentidos que não podem ser percebidos por ninguém
Os segredos foram revelados!
Nua, e livre das dores, ainda me pego chorando entre os vãos temporais
Que me consomem com seus aromas enigmáticos e intensos
O mal pede licença para tomar meu corpo e eu o encurralo entre minhas linhas e que os pensamentos façam florescer o entendimento de tudo que será resolvido com sabedoria.
terça-feira, 16 de junho de 2009
::POSTOS VAZIOS::
Somos residentes de um mundo simbólico...
Quantas vezes fomos interpretes da fala do acaso, rebuscando nos nossos antepassados respostas para o presente que as vezes nos é tão árduo?
Nem sempre nossos fundamentos são justos e os lutos pelos quais deixamos de passar, imortaliza nossas vivências, trazendo arrependimentos e falta de coragem.
Não creio em poucas possibilidades do espírito, vejo e não compreendo a essência no seu todo, e nem por isso, me desvencilho das pestes que derrubam o caos sobre a minha existência.
Não me puno mais com baixarias, extravagâncias ou ironias rasteiras, deixo a vida entorpecer minhas veias de imaginação.
Tenho idéias de ritos, mitos e não anuncio quando estou embaixo da via perigosa do mistério.
Quando sou chamada para buscar, preparo minhas bagagens e parto, sem nem pensar o que por ali irei encontrar, eu apenas vou...
Vôo distante, no instante em que o momento importante não é egocêntrico nem auto – confiante.
Quem ainda teme neste mundo, desencadear um rio de sentimentos?
Não é possível conter-se diante deste espetáculo que é a vida.
As vezes não temos palco para receber tal apresentação, nem por isso, deixemos de existir naquele instante, penduremos nossas falas morais e levantemos para aplaudir o desconhecido.
Jorra alma, joga em mim suas lamúrias, constrói suas moradas, consuma minha falta de estadia neste concreto, eu me permito!
Não me obrigo a passear somente na luz, a escuridão me trás a reflexão da visão da ilusão perdida pela minha ousadia em sempre querer voltar para cá.
Vai vida, o que queres de mim? Faça de mim uma aprendiz serena.
Me dê leveza quando eu não puder respirar, me dê seu sorriso quando eu quiser chorar.
Chorar de graça, jamais!
Meu choro é infantil e cheio de vazios.
Não temo mais a morte, e não arrisco mais a sorte, vivo de sul a norte, do oeste ao violento leste, compreendem a minha estrada selvagem.
Muitas vezes saio do meu caminho desesperadamente, eu sinto a vida me chamar, quantas vezes eu não fui? Porque eu fiquei? Não sei!
Só sei que, se eu quisesse compreender e entender tudo, não teria mais nada bonita em minha vida.
Como eu queria ter um pingo de vontade de não querer sobreviver.
Sobreviver dói e muito, estou aprendendo a viver imensamente a intensidade sem ser onipotente.
Ah quantos deuses ao meu redor gritaram nos meus ouvidos, me convocando a uma nova abertura, e eu não deixei de senti-los.
Se eu estiver com as portas abertas, não temerei o frio e nem o excesso de calor, que eu tenha uma sabedoria nobre para agüentar o pavor do mundo que gira a todo vapor.
Em minha mente não sei mais quem está presente, são muitos, muitas, peças, passos, falas, construções loucas, constelações, galáxias, astros enfurecidos pela temporalidade que rompe-se com a minha fé e inspiração.
Não, ainda não tenho nada eu sei, mas sei também, que não preciso de muito para me sentir satisfeita, satisfação as vezes é uma contradição.
Pecado dizer que não posso voar se tenho sonhos tão delicados.
Fernando Pessoa falou no simbólico e se foi como poeira no vento.
Meu deus, mas estão todos mortos mesmo!
Os grandes, ilustres, quietos que pouco falavam, mas que deixaram nas suas entre - linhas vestígios do sem-fundo.
Ah como eu queria ter um pouco mais de vaidade, dedico-me apenas para o que está aqui dentro, mas e meu corpo, chama-me terra, preciso de seus cuidados.
Meus diálogos cada vez mais, sinto que, não acontecem, a comunicação anda sem freqüência alguma.
Já nem sei mais o que escrevo, leio tanta coisa e no instante seguinte, estou lendo apenas aquilo que me embriagou, não quero!
Sai intelecto embriagado, quero a vácuo do existencialismo!
Quero vida! Vem, vem !!!!
segunda-feira, 8 de junho de 2009
.: SINFONIA :.
Ah então a vida poderia ser um jogo eterno...
Uma espécie de batalha, e não tão simples como eu imaginei.
Se os buracos emocionais fossem somente tampados por estreitos tormentos, seria fácil, o difícil na minha questão toda, é saber porque ainda se vive com a referência do outro que morre a todo tempo.
Já cheguei a um ponto de não conseguir falar mais direito, com medo de justificar demais o que eu tenho sentido.
Não que eu não queira compartilhar a vida, mas a vida está cada vez mais obscura, e o nítido para mim, tem sido tão somente pessoal.
Tenho medo de ir contra qualquer diálogo, por mais absurdo que seja, ou mais prematuro que aconteça, eu os vigio de longe, bem longe , dentro da casca de nozes.
Nós cada vez mais falamos a verdade, e menos aprendemos a ver o que é verdade.
Tenho como sonhos minhas bases menos conceituosas, majestades caladas com seus tronos violentados pelo acaso.
Se existir fosse tão fácil, se resistir a vida fosse usar uma lábia barata para compensar uma retroação do mundo interior, eu estaria enlouquecida pelos furiosos desastres cômicos.
Eu sim seria uma entre milhares que debruçariam em suas lacunas para ver o sol nascer lentamente.
A imagem fala, os quadros se movem, nós ainda estamos parados, aonde eu não sei.
Em meio a este universo gigantesco, somos formigas tentando nos tornarmos atômicas.
Agora por quais vias isto acontece, me causa pavor pensar a respeito.
Chego a ter nojo até da minha própria sombra que depende de mim para crescer no vão da parede.
Se existe um profeta insano e que trouxe alguma coisa celestial, este já está por ai caído, solitário, mas feliz consigo mesmo, está ali, vivendo o aqui, esvaziando-se de tudo que um dia falou a outro.
E o outro, passa diante daquela figura serena do profeta e, silencia por não ter de volta as palavras para acariciá-lo.
Sem gestos de afeto, nenhum, aquele sorriso maroto se foi com o tempo, o moço andou falando demais sobre a própria vida, e viu aos poucos sua fala engolindo-o profundamente.
O sol dele nasce cinza, a lua dele, trás a luz da individualização.
Quem quiser, o show está aberto, os palcos estão prontos para receber comédias e tragédias.
Só não sabemos mais o que é diferente no ser presente.
O que é intenso e verdadeiramente presente, se faz ausente para uma multidão de calorosos calouros espertos.
Caso alguém sinta a nádega formigar, não estranhe, será difícil uma manifestação que não seja duradoura.
Os momentos bons, ninguém irá perceber, estarão preocupados com a hora que está se passando.
Por aqui não tem bravos nem fracos, todos somos humanos desvairados , quase chegando ao ponto de sermos desmascarados pelo nosso tão aclamado tédio.
Não basta chorar, nem sorrir de mais,
Se tentarmos provocar alguma emoção, ficaremos catatônicos.
Quem for inteligente, irá se esvaziar do intelecto, quem for ignorante, irá ter que aprender com a própria demência.
Não adianta ser sábio por aqui, e nem tão pouco ser astuto, a fera que move a vida é sagaz.
Fúria, descontrole, sentimentalismo, isso então, nem se fala, a vida joga conforme o tempo nos invade.
E ser invadido pela vida, deve ser algo monstruoso, não catastrófico, mas algo que, nossa não sei falar.
É como se às vezes todos nós entrássemos em um túnel e com medo da distancia dele, saíssemos antes do grande final.
Arrogância demais, fios de Ariadne por todos os lados, somos quase sufocados pelos nossos melhores atributos, não basta só isso, é preciso não ser autentico, é proveitoso que sejamos nós mesmos.
Fora de si caminhemos, nesta nossa vida que é única e por isso, turbulenta, um orquestra rebelde diante de um maestro teimoso.
Que não aceita aplausos mesquinhos, e nem tão pouco considera um bom músico só quem sabe o que é música.
Ele rege bem, não é Deus nem o Diabo encarnado, ele é homem, super, magnífico, e quer saber, ele é próprio desconhecido.
Tudo que sabemos sobre divino, ainda é muito humano, estaríamos estrangulando a beldade deste ser.
Então que falemos mais nada, só contemplemos a sinfonia da vida.
.:ABORDAGEM CÔMICA:.
Eu sei que pode parecer loucura, em um instante eu estou de malas para voltar, e agora estou partindo novamente...
As bagagens andam pesadas demais e os sinais cada vez mais são intensos e fortes,
Eu ainda prefiro comentar algumas coisas para os outros, porém, não consigo mais me abrir com facilidade.
Talvez eu tenha cansado de ficar bem, e isso pode ser árduo!
O trem já partiu e sorrir não tem sido muito meu forte, eu tenho andando a beira da linha do trem sentindo a ar gelado de quem está partindo por entre aquelas ferragens.
Eu não tenho visto nada que eu consiga ignorar, por isso, algumas vezes eu procuro ouvir os sinos daquela igreja distante.
A madrugada é gelada, tem sido um sufoco conviver comigo mesmo sem saber mais com expressar quando estou de saco cheio de algum atrito com o mundo.
Tudo parece fácil demais, então eu quebro tudo no meio para tentar revelar o núcleo do meu descontentamento.
O sentimento de vida me dobra ao meio, e minhas veias estão enxadas, ninguém consegue acertar a minha margem, porque, eu estou nadando contra a correnteza.
Tenho vontade de pegar a tristeza no colo e niná-la para que ela possa me deixar dormir pelo menos esta noite.
Não quero que as coisas façam com que eu tenha sempre que ir embora com o remorso no olhar.
Claro que eu não posso deixar que as coisas fiquem em branco e preto, já que novas cores vão aparecendo e eu as pego no pé do horizonte com paciência.
Estou alta, e então eu adormeço e começo a fantasiar sem lamentar as lágrimas que eu deixei em alguma esquina desta jornada.
De alguma maneira eu ainda penso no que eu posso perder, pois, eu tenho chorado quando penso em mim mesmo com nostalgia.
O futuro tem estado tão longe e procurar em mim mesmo alguma coisa para acreditar, tem feito brotar sementes de raiva muito intensificadas, eu não consigo ficar em silêncio quando estou sozinha, mas quando existe outra pessoa eu sinto um bloqueio enorme acontecer e não sei o que fazer para ficar presente.
E se eu pudesse lembrar de mim todo tempo, o que eu faria com isso?
Talvez eu tenha deixado que todos estes anos, ficassem presos atrás do brilho do sol, e amar aquela velha mania de jogar tudo fora, tenha me causado um mal-estar desnecessário.
E isso não é nada, porque, eu ando de ponta – cabeça com minha dignidade, eu tenho escondido o tanto que tenho pensado sobre as minhas dobraduras existenciais.
Não adianta chegar tão perto demais, porque, as casas estão todas inundadas e eu vejo as pessoas desesperadas por um abrigo que é cobiçado por milhares de dores.
Abrir os olhos em meio esta tempestade de areia poderia vir-á me cegar de vez.
Uma vez feliz e três vezes, insolente, demente e insuficiente.
Eu quero acreditar que, estou esbarrando no desconhecido, separada da minha amargura de vez, e não posso mais deixar de dizer que é verdade, do outro lado, estou voltando a congelar.
Não tenho nome mais, eu sou um monte de folhas voando por ai, arrastada pelo vento, e quando a tempestade passa, estarei de volta a porta de minha vivência.
Talvez ninguém possa me compreender por agora, já que eu não quero nomear nada por um tempo.
Estou com problemas na comunicação e o farol está apagado em dias em que o mar encontra-se extremamente violento...
terça-feira, 2 de junho de 2009
.:DUELO:.
Palavras fortes, silêncio dobrado, a paz que reina em mim, nasce do meu lado mais isolado.
Eu tentei nadar até a margem mais próxima, por hoje não tenho forças para conseguir este trajeto acabar.
Falo das coisas belas, sinto-me uma brisa leve do amanhecer em um dia de inverno rigoroso.
A ponta da boca das lágrimas que comem lentamente cada pedaço do meu rosto, traçam em mim um dia negro.
Se eu canto para encantar a minha tarde, hoje porém, não haverá música e nem falatório.
O auditório dos fantasmas está vazio, eles se perderam na solidão do outro mundo.
Não posso partir esta noite deixando as janelas abertas para a angústia.
Não devo suportar esta tristeza que me ronda, que me assombra.
As minhas marcas, meus traços em minha face, deixam bem claro que as vezes eu tenho que expressar o quanto estou amarga as vezes, sorrir ainda não é uma boa saída para mim.
Ninguém nunca precisou me dizer que a vida não era fácil, eu senti ela em minhas veias todos os dias.
No começo era terrível tinha um gosto azedo, mas com o tempo eu fui expurgando os restos que sobraram do meu ancestral que não foi resolvido.
O tempo passou, e por muitos anos permaneci dentro de uma geleira enorme, aonde não haviam sentimentos bons, aonde eu construí minha própria penitência.
Ali vivi substanciais causas com efeitos absurdamente dolorosos.
Mas, a Aurora voltou, ela sempre vem trazendo em suas asas um vão de esperança.
Sempre me apego a minha fé mais obscura, a minha abstinência de medo das coisas que ainda não senti.
Eu estou caminhando para onde o sol dorme e a lua me trás a inspiração para desabafar os meus sentimentos.
É só a noite que as coisas acontecem, ali o mundo onírico se apresenta como meu mentor.
Eu sinto um grande inferno passar por minha carne, e eu tenho a sensação de viver as coisas repetidamente, repentinamente, desvairadamente...
quarta-feira, 27 de maio de 2009
.:NOVO INSTANTE:.
Um dia me disseram que eu jamais poderia amar alguém.
Erraram, e feio nisso que vomitaram em mim.
Eu amo alguém que diz que vivo uma vida bela por mais que eu não veja brilho nela às vezes.
Este sentimento que tenho é grandioso, o amor que sinto é largo, mas não se perde.
Eu vi brotar uma flor triste em um canto escuro do meu jardim secreto.
E a partir disso, observei a vida com sensibilidade e vi um mundo cheio de plantas carnívoras comendo pessoas por todos os lados.
Estive todo o tempo sendo movida por esta razão egocêntrica de achar que meu jardim era só meu, enquanto isso, eu andava no mundo que é minha floresta particular.
Eu vi pessoas ficarem desapontadas com minha esperteza e aprendi a chorar por causa disso.
Mas, não estranhei quando aprendi a sorrir quando elas não podiam me entender.
A verdade mais suave que eu aprendi foi que, eu não quero entender tudo nesta vida, pois, somente assim a vida me consumirá com sinceridade.
Por isso, eu estou sempre chorando e sorrindo feito uma desvairada quando eu me finjo de morta com saudades da hipocrisia que me divertiu por tanto tempo.
Sou carente em excesso às vezes, e quando quero suprir minhas necessidades acolho alguém carente para não morrer com a minha falta de sobriedade.
Eu ouço vozes que me enlouquecem nas noites vazias, mas não me sinto só com elas, então aprendi a dizer para elas que eu estou sempre por aqui quando elas precisarem falar sobre o que eu tenho medo de ouvir.
Estou sempre pronta, vestida de preto, com os olhos apontados para o céu, e não temo em seguir os sinais que estão sempre brincando com minha sanidade por debaixo dos tapetes.
Já sangrei demais, mas estou sempre entrando na embarcação que tem como destino o desconhecido.
Sonho tanto, e nenhuma cama é capaz de suportar o peso das minhas ilusões, por isso, estou sempre procurando um lugar para descansar a minha imaginação.
Então eu me deito nas linhas das páginas brancas e tento dormir um sono repentino que me trás um conforto involuntário e inquieto.
Neste sono eu descanso e volto mansa para acordar para um novo instante da vida substancial.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
.:A FALA DA ESCURIDÃO:.
Ali eu consegui ver milhares de cores juntarem-se fazendo a construção de uma vida toda em poucas horas.
Eu vi o meu reflexo no espelho de minha alma e me assustei demais com tudo que senti.
Não consigo com perfeição descrever aquelas sensações que entravam de mim com tanta rapidez e força.
Parecia por um instante que eu estava sendo atacada por um leão feroz, como se as garras dele pudessem arrancar de mim os perdoes que jamais consegui consentir que existissem.
Perdoar, perdoar, eu não conseguia suportar aquela intuição toda que jorrava dentro da minha cabeça como uma avalanche de sentidos misturados com minhas memórias mais primitivas.
Eu conversei com a morte e ela estava rindo junto comigo da minha vinda ao mundo e, também eu podia através dela ver os meus traços mais infantis construírem quem eu queria ser.
Eu fui ali um alvo, o meu próprio alvo vivo, a vida foi transmitida para mim de uma forma sangrenta, porém, por um segundo eu pensei não ter alicerces para suportar aquela dor toda, mas no final o choro contido que de mim saia, silenciou as minhas falsas constatações do que eu estava vivendo.
E aquela isolamento maldito?
Era um isolamento danificado pela existência que eu tanto negava, mas que pensei por um tempo que havia controle sobre o que eu via e ouvia das pessoas.
Ali eu fui tomada por uma estranha sensação de perda, abuso e violência.
Calcificada pelas cicatrizes que não queria aparecer, eu fui danificada pelas chamas antigas que estavam esquecidas em minha alma ancestral.
Aquele fogo todo me consumiu, restaram cinzas, eu me vi vivendo uma centena de acontecimentos nos quais, eu não era capaz de existir de verdade, eu estava morrendo todo tempo.
Foi difícil, pesado e árduo, fui eu mesma com minhas recordações mais ardidas e sórdidas.
Vi um espelho gigante brotar do meu inconsciente, eu vi águas voarem frente a minha personalidade.
Vi rainhas descerem do trono, vi uma princesa chorar porque sentia que estava em coma.
Vi uma mãe gritar por ajuda, eu era a coluna dela eu sentia o peso da bagagem que ela levou sozinha a vida toda.
Eu alucinei, recordei, me sufoquei dentro daquele abismo cheio de discórdia.
Ali, haviam luzes, muitas delas, mas a escuridão foi para onde eu corri assim que vi que a passagem da minha construção mental estava corrompida.
E toda minha essência se fez ausente, eu recebi um presente do cosmo, eu vi baixar diante dos meus olhos a cortina do imaginário.
Tive muito medo, confesso, em alguns instantes pensei que pudesse morrer, eu só não fiquei ali por um bom tempo, porque não suportaria mais aquela carga de sentimentalismo puro.
Senti ali, o quanto ainda eu era boa demais e, por isso, eu estava desrespeitando a ordem da minha consciência.
Eu havia engolido a terra que estava querendo me enterrar de vez neste túmulo que quer me sufocar, o mundo.
Eu não preciso disso, aquilo que me resta é o que me falta, o que me é tão precioso, e eu deixei passar por tanto tempo.
Reconheci rostos familiares em meio aquelas paisagens cheias de cores, eu vi a galáxia negra banhar-se de vida com os meus olhos fechados.
Contemplei a jornada cansativa pela qual eu não tive coragem de deixar vir coisas melhores.
Ali, não tive medo do novo, e não conseguia gritar, os meus gemidos eram internos.
O que eram aquelas facas cravadas no meus estomago?
Aquele gosto azedo e que me causou náusea quando senti que estava abrindo os meus pensamentos de uma vez por todas.
Senti como se entrasse em um túnel, e haviam fotos de lances da minha vida nos quais eu esqueci de me lembrar por tanto tempo o quanto eu estava ausente.
Ausente?
Ah isso é pouco, no meu corpo eu sentia só cala frios, aquela conexão louca com alma causou suor em excesso e dor sem recesso.
Foi real eu sinto que foi real, eu não consigo entender algumas coisas, aquelas que brotavam tão radicalmente de meu “self”.
Fiz construções belíssimas, me deu uma vontade de ter liberdade, ali eu tive asas e passei voando sobre meu passado.
Vi muitas ilusões perdidas, culpas, ressentimentos, miséria de espírito e uma falha comunicativa com meu eu mais ingênuo.
Agora eu sinto, estou mudando, ali algo se rompeu, e eu ainda não sei como cheguei até aqui, sendo tudo isso que eu pensei ser.
Me falta tudo, mas eu confio na minha própria decisão de existir, confio na minha agulha, no meu tecido, no meu brilho mais pequenino e suave.
Tive fé aonde o medo tentou me arrancar a sanidade, porém tudo que eu conhecia como estar sendo sã, foi por água abaixo.
Aquele mundo todo era meu, e eu estava brincando de ser deus, habitando minhas lembranças mais dolorosas de cima, lá no alto, aonde eu sempre tive medo de subir.
Fui analisada, senti a regressão do meu espírito e do meu corpo, os dois estavam ligados por um fio feito de pó cósmico.
Vi a margem de um rio doce, aonde eu me banhei por horas e não esqueci de tudo que deixei nele.
Voltei, com o sentimento de que, algo ali foi rompido e que a partir desta viagem eu jamais seria a mesma.
Não consigo deixar de lado tudo o que senti, aquele buraco todo, aonde a terra é negra e as chamas do presente estão sempre ameaçando me apagar de vez.
Tenho que mudar, mas não para que eu possa construir uma identidade, eu preciso destruir tudo aquilo que ainda me resta de compaixão para comigo mesmo.
Preciso não mais ter a alma tola, necessito do entendimento do acaso, de não me envolver em pequenos fragmentos que não são meus.
Preciso aglutinar a minha essência espiritual ao meu corpo, dar valor as minhas preces, aprender com todos os pequenos circuitos de fé, elaborar uma vida sem valores sujos.
Agora eu necessito do mundo!
Preciso aprender a viver sem os valores mesquinhos que empreguei a mim mesmo.
Evoco agora as minhas juras, promessas e medos para fora.
Lamentações que me causaram enjôo pode expelir de mim todo mal, não posso ser mais severa comigo mesmo... ou irei apodrecer...
O que mais me chocou foi a relação minha com as pessoas que tanto amo, porque eu não conseguia demonstrar para elas o quanto elas me enchiam de alegria.
Vi meu estado de vitima lançado sobre meus olhos, e não consigo puxar a alavanca da realidade.
Vi minhas mentiras se desfazerem ao pó, me vi pisando sobre elas, e senti um alivio que posso dizer que foi um prazer único.
Eu gargalhei com as minhas certezas quando percebi que ainda eu estava entupida de coisas velhas e constrangidas pelo tempo.
E naquele buraco, imenso, cheio de podridão, tinham coisas boas também, vi minha face mais amarga ser cuspida para fora, e retornar em mim na forma de uma risada infantil e feliz.
Vi cada célula minha desgarrar-se lentamente diante de meus olhos, isso me apavorou e me causou dor, mas fiquei aliviada quando vi que eu estava retornando a minha antiga feição.
Logo após, vi meu corpo ser refeito pedaço por pedaço, cada órgão tinha um cheiro diferente, o meu coração cheirava a maça.
Fui inundada pelo mundo das sensações, me vi como uma caixa, aonde todo mundo despejava algo e parti, eu rompi com este elo tenebroso, eu me transformei em águia e larguei aquelas coisas dos outros somente para eles.
Eu fui mas não sei se voltei daquele buraco.
Algo em mim foi modificado, o que eu não sei, não faço idéia.
Não consigo mais dizer o que o meu ego perdeu.
Eu me perdi naquele jardim suspenso de ilusões e a vida que eu achei que era concreta, despejei para fora de mim.
Eu morri ali...
E renasci depois que abri meus olhos para o mundo sensível...
Fui surpreendida por miragens, milagres e pesares.
Tudo que eu acredito fielmente, foi por água abaixo.
É tudo maior, milhares de vezes maior do que eu pensei.
Existe um outro mundo, aliás, milhares de outros mundos aonde eu também existo, aonde meu pensamento não tem medo de existir.
Não posso mais resistir a essa vida que me chama.
É chegado a minha hora de voltar para o mundo inacabado e santificar minha existência sem receio, covardia e desistência dos meus desejos mais íntimos.
Eu preciso aceitar de verdade a vida...