terça-feira, 1 de maio de 2012

::O LUGAR NU::


Em toda ausência existe uma declaração sofrida no pensamento.
O pensamento é a própria fala que não narra o que se é possível sentir.
E no tamanho desta gigantesca realidade, portas se abrem. Os meios se rompem!
Pelas frestas destas doentias rachaduras, pode-se ver sentimentos.
Sentimentos alados, calados, isolados e vivenciados.
Dar-se-á o perdão então para os que aqui presente nos encontraram.
Neste desencontro de palavras, o que se sente é um vazio.
O vazio que faz brotar a mais perfeita abertura para o que se pode ter.
E o que se tem, no outro instante já se detém.
O que se fecha, não nos cabe decidir resguardar ou não, o destino em que cremos um dia, na noite se tornará em vão.
Ó grande melancolia, tão sábia e tão reprimida, abro meus braços, pode vir.
Com força, com doçura, quero aprender através das suas travessuras.
A língua que possuo não lhe cabe, a definição que tenho de você, não me sabe.
Se não me sei, basta apenas que eu me aquiete e te vigie.
Sentada em galhos conscientes, a altura desta vertigem é maior que o meu medo.
E o meu medo, não é segredo para o mistério.
Ele me tem, de corpo e alma!
E do desconhecido me alimento no sigilo do descontentamento.
Busco sem saber o que achar, descubro presentes que me encontram.
E neste encontro tão inseguro desconcentro-me de tudo que um dia aprendi.
A Aurora me rende, o pôr-do-sol me vinga, eu de tão curiosa aprendi a não ser tão descrente.
O que nasce não é meu, é parte minha, que também logo se esvai como cinza.
O aprendido se desprende, se exprime em palavras chaves, sem portas, com janelas, esperando ser espiadas.
A visão é embaçada, só se vê vultos, se fala com eles, e o inconsciente se encarrega de transportá-las para o lugar nu.
O lugar nu, não tem útero, ideologia,  abrigo, moral ou determinação, ele é profundamente incompreensível.
Dali, só é possível extrair vestígios!
Fico atenta então... já que por este vão, a linguagem passa e no seu contorno me transpassa.
Derretendo-me neste mundo viril, nesta terra virgem, dentre todos os conhecimentos que obtive nenhum deles me abrigou tanto a ponto de eu me sentir completa, nem eu o quero.
Quero viver a margem, ouvindo pedras rolarem, águas rolarem, lágrimas calarem, conversando com o que não tenho palavras, e nesta grande apreensão, viver a gratidão da linguagem sem razão.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

::RETINAS::


Você espera a dor passar e no outro segundo algo derrete o seu coração.
Porque esperar quando algo está queimando dentro de mim?
Os olhares me levam para uma rua sem saída.
Então me diz o que tem lá fora que me dá tanto medo de reagir?
Vamos, podemos desabafar quando o sol não puder queimar nossas retinas.
As portas estão fechadas e as pessoas dormem o sono dos justos e nós aqui esperamos que a noite apareça...
Não temos tantos créditos e o que gastamos na vida, tem nos feito pensar em coisas menores.
Não podemos esperar mais um minuto, agora está ficando tarde demais.
Aquela bebida que gostávamos se esgotou e agora a água está escura.
O mundo está mais engraçado e nosso humor anda tão péssimo.
Então o que estamos esperando?
Acordar de um sonho que nunca podemos idealizar?
Algo não está certo,  não adianta remendarmos o passado.
Para alguma direção temos que correr quando o chão se abrir novamente e tentar nos engolir.
Em outubro tudo vai parecer melhor, só que em breve o inverno irá nos enfraquecer novamente.
Ainda esperamos lidar com o que não podemos imaginar?
Aquele papel ainda está dobrado, com um endereço marcado.
As casas estão desmoronando e alguém disse que isso era provável,
Mas se esqueceram que as pessoas estão dormindo e a noite logo irá chegar.
Sim, me sinto triste e isso nunca foi tão irrelevante!
Então,  espere, você não pode partir e sem levar uma parte de mim, porque eu não consigo carregar tudo isso só...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

::ILUSÃO PRIMARIA::


Um grande rio, uma correnteza delirante.
Nos céus uma fuga legítima, na terra uma vida sentida.
E se o desespero me acordar deste sonho?
Estarei por aqui, como ontem, agora e talvez amanhã.
Rabiscando os delírios mais melancólicos que ainda me fazem companhia.
Acompanham uma existência terrivelmente insana e cheia de gestos obscuros.
Escuridão, ilusão primária.
Quando pensei que estava crescida, minha arrogância fez de mim pequena novamente.
Neste movimento, estou rendida!

A corrida sem pernas de quem vê e sente o solipsismo com outras lentes, por outras lentes, lentamente...

 Não invoco respostas, as perguntas não me sufocam mais!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

::A NOVA CASA::


Estenda suas mãos!
Os olhos estão pregados e sangram muito.
A dor está tentando te curar, não tenha medo.
Você rastejou até quebrar seus joelhos.
Não se sinta tão terrível, as lamentações não resolveram nada.
Eu sei o quanto você tentou fechar a sua boca, e isso te sufocou.
As paredes estão desmoronando, agora pode rir alto, não engula o choro.
O caminho está aberto, e as lágrimas não vão mais te purificar quando você se sentir estrangulada.
As flores estão murchando e o céu está pintado de vermelho.
Não precisa mais fingir que está no mundo, os canaviais estão em chamas.
A serpente está espionando a sua tristeza.
Sinta esta angústia te cortar, essa é sua salvação, o dragão vai te levar para as alturas.
Antigamente você se livraria deste medo, hoje a noite será seu escudo.
Os círculos estão abertos e a sua selvageria te deixa no topo da sua consciência.
Suas veias estão validando a sua partida para o outro lado.
Contemple!!!!
Os dias agora não serão tão longos, você poderá ver o brilho apagado dos infelizes.
Tudo está tão alto assim, que você se sente expirada de dentro para fora?
Sua mente nunca te enganou, você se fixou dentro de uma realidade que não era tão sutil quando parecia.
Deixe os vermes passearem pelo seu corpo, eles vão tragar lentamente a sua solidão.
Escute, sua melancolia está aberta e sua casa renovada, como você sempre quis.
Uma doce viagem que lhe custaria todo um instante carnal.
E este prazer que você sente, te manterá viva por mais um tempo...

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

::GOSTO DA RUÍNA::


A chuva está caindo novamente, e a noite está cheia de medos.
Eu estou cheia de medos!!!
A sanidade tirou suas férias, atrasada!
Um monstro na escuridão segurando uma vela dourada.
A mãe está morrendo no fundo da sala, e ela quer amamentar meus delírios.
Suspensa a claridade, os olhos estão dentro dos corações.
O axioma está montado.
Estou no centro, as mesas estão pegando fogo, lentamente.
Assistir uma miséria não é necessariamente algo muito bom,
Mas com uma pitada de humor negro tudo torna-se excitante.
Ascenda seu isqueiro, os jornais estão perdendo as linhas.
A única noticia boa por aqui é que, quando nos concentrarmos estaremos longe disso tudo.
Feche a boca, lentamente para sentir o gosto da ruína.
É lamentável,  seus passos estão cada vez mais pesados.
Seus pulmões doem, e as minhas mãos tremem.
Seu pai usa um terno vermelho, no centro, o fogo vai queimar suas emoções.
Está tudo estampado e os escudos não servem para mais nada além de, enfeitar minha solidão.
Estou falando sério, existe algo tentando me iluminar,  mas acaba me cegando, a luz me tira da sanidade.
O som está cada vez mais alto, e as crianças agora comem a carne podre de seus antepassados.
É quase meio dia e a tenda está se desfazendo.
Aquela tenda que eu usava para esconder meus restos mortais.
No vão dos dentes, sangue e muita obrigação para com o mundo.
E o mundo não é tão comum quanto meus olhos pensavam.
Minha mente abre lentamente as portas do calabouço.
Não precisa ter medo, ali dentro eu estou sem máscaras...

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

::ESPINHOS DE FERRO::

Flui dentro de mim, uma coisa obvia e destrutiva.

Um demônio que faz coleção de sofrimento.

Toda vez que parece diferente, eu sou arrastada para a decepção.

E no segundo seguinte eu olho através dos meus olhos no espelho,

E vejo lagrimas que brotam dentro de mim.

A sensação não é boa e qualquer coisa que me eleve eu aceito.

O cansaço me trai quando eu tento contar a ele sobre minha tragédia.

É mais prático viver em um mundo real, mas isso não flui normalmente em mim.

Quando observo as pessoas, coloco dentro de um pote e vejo as possibilidades.

Porém, quando descubro que não tenho poder algum de mudar o que sinto,

Despenco de uma escadaria e fico dias no chão rindo da minha comédia invasiva.

Ninguém pode me dizer que eu não tento, pois, o que mais faço é atravessar a neblina.

A réplica está feita e o chão cheio de água salgada.

Não posso tocar nesta parte, não desta vez não posso ficar longe por dias.

Existe algo ruim dentro de mim e aqui dentro as flores não crescem saudáveis.

O que eu sou? Um monstro ferido, uma pessoa que engole suas feridas.

Estou aflorando e tudo que me resta é perceber que o meu conformismo é o meu apego.

Bata três vezes antes de entrar... é como se eu estivesse dormindo.

E o som ensurdecedor dos corações batendo, me deixassem viva por um dia melhor.

Feche a porta, a tristeza é um tiro no escuro e a minha alegria tira férias quando quero sorrir.

A música está alta e agora as roseiras estão envolvendo o meu corpo.

Os espinhos de ferro, encravados no meu peito não me incomodam, me fazem refletir.

O que eu tenho visto? O que tenho vivido? Quanto ainda me resta de expectativas?

Eu soluço alto, algo está fazendo sentido!

Logo eu volto, paralisada, esperando uma ação que não me destitua novamente...

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

::QUANDO A NOITE CAIR::

É só uma questão de tempo...
As coisas vão se misturando novamente, e o que era parado, move-se rapidamente dentro de mim.
Não que eu possa lentamente ir salientando tudo morre em mim, mas é pura decadência esperar a estrela se apagar.
Os panos estão rasgados e a graça de tudo vai se esvaindo sem honra.
Algo está por baixo e os lençois estão escapando com a força dos ventos do sul.
Se fosse possível falar uma lingua menos insana, as rosas morreriam lentamente no silêncio de uma noite gelada.
E se os ouvidos fossem mais apurados, eu teria um abrigo para ver o mundo ingenuo e mudado.
Escute, agora aquela voz vem vindo na escuridão e não sei aonde me esconder.
Eu poderia preparar uma boa bebida e meditar sobre todas as circunstâncias aonde estive ausente.
Não, de novo não, esta coisa toda me faz querer voar para um lugar novo.
Então eu acabo me abandonando, deixando rastro para o meu passo renegado pela minha coragem.
Preciso dormir, e o meu maior tormento é que, sozinha eu aprendo... e me desprendo de tudo que me faz odiar grande parte minha.
Eu choro, pois, o real para mim, vem com uma grandeza sufocante e acabo não entendendo o que digo, faço e mudo sempre para uma versão desatualizada do que sinto sobre o que vivi.
Eu me deprecio, estou longe sussurrando por um socorro que só pode vir quando a noite voltar a cair sobre minha alma...

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

::Postes Ilustrativos::

É como uma pedra quebrando nas minhas costas.

Esta facilidade que eu tenho para falar da dor, é algo que eu não compreendo.

Falando, gritando, de repente, no silêncio da noite eu procuro algo para não me enlouquecer.

Vou de encontro com uma voz que se insinua dizendo que os meus sonhos são pequenos,

O lugar dos meus desejos deu estadia a uma precoce desconfiança que estou no caminho errado, e não me preocupo pois, quando eu tento parar de caminhar nesta estrada, aparece um atalho, algo maior me atravessa e então, estou de novo na beira do abismo.

Quando tento ir devagar, me prendo a uma situação que me arrasta pelo chão, eu acabo pulando, me curvando a uma circunstancia maior que não me impressiona, que é o peito fechado para receber as coisas que tentam me lançar.

Se a sorte é uma coisa que vem comigo, então eu digo que ela é meio traiçoeira pois, está constantemente transformada em uma pílula de pressão que entra pela minha boca como uma água gelada e atravessa minhas veias e corta minha pele em mil pedaços.

Esta realidade toda que se envolve comigo eu entro numa paranóia de que, uma parede vai cair sobre mim da noite para o dia.

O dia é inconstante e eu ando tão envolvida com o pouco que me resta, e o que resta sou eu dentro de um universo cheio de mágoas e falta de resoluções.

Não desisto, mas falar de curativos quando se tem sempre um peito aberto para agüentar pancadas, é delicado já que, vivo sozinha dentro de uma depressão cheia de inconstâncias frenéticas e insolúveis.

Quando peço um tempo para mim, sou esfaqueada por trás, meu passado me corta feito papel e novamente eu estou dolorida para escrever sobre o que realmente eu sei fazer, lamentar.

E lamentar não é somente viver a espreita de uma constante indagação de onde anda a felicidade, e pedir perdão costuma participar da minha fala extraordinária sobre o que eu não sei dizer quando pergunto como eu estou.

O ataque é rápido e então a fuga é quase irresistível, mas eu se que não posso moldar uma questão dentro de mim, porque, a pergunta que me alcança é a mesma que me cerca por anos.

Talvez eu seja uma presa, um nome dentro de um baú, ou um corpo cheio de paciência, carregado de memórias e extremidades profundamente magoadas.

E se eu tivesse uma chance de mudar tudo isso, eu não mudaria, pois, estou retornando a minha infância e o sangue que escorre dos meus olhos, me trás de volta a ser o que eu estava sendo.

Não me engano, as certezas que um dia eu tive, se foram, e com isso eu tive a oportunidade de conhecer vários ângulos das minhas agonias.

Vou vomitando nervosa sobre uma mesa cheia de tribulações.

O mundo vem me comendo e eu vou apreciando até o ultimo pedaço desta fatia gigantesca de maldade.

Estou em um labirinto, adentrando aonde a música mais sonolenta não chega, aqui é tudo agitado, eu não paro um segundo, minha respiração faz com que eu exploda todos os dias.

Escapar, não, uma rainha torturada conversa comigo, e ela diz que a vida vem passando e que as virtudes que eu quero, estão próximas e eu acabo por destroçá-las com medo de perder o valor da esperança.

Tenho meus dias de glória e eles costumam durar até quando eu prendo o suspiro e choro alto como se eu pudesse achar um amplificador dentro do meu cérebro.

O fato vai dilacerando meu temperamento, e o que é racional vira um filme repetitivo, e então eu peço um bis, mas isso não me consola.

O demônio dentro de mim está sempre mudando de lugar e então eu tento pegar uma distração para que ele envelheça antes que eu possa me tornar sua filha preferida.

A cidade continua prateada e cheia de perigos e estou trancada em uma fantasia que alguém pode vir e ver que o escuro é bem mais emocionante.

Quando eu perco o controle eu vejo o que os meus olhos não tem medo de construir.

Esta construção vai me levando até o submundo aonde eu me criei, aonde a luz chega de vez enquanto para me iluminar e me tirar do tédio.

No minuto seguinte eu começo a repetir tudo de uma vez só, só que os valores são diferentes, eu procuro não me julgar, mas é quase inevitável e de novo, bum, eu explodo e vou para todos os cantos da onde eu aprendi a me virar sozinha com o que tenho para sobreviver.

Viver aonde o sol também nasce e aonde a lua vira minha adorável companhia.

Muitas pessoas vão e vem na minha vida, o amor que vem brotando sobre este distanciamento fez com que eu aprecia-se o consolo que vem das palavras que preciso quando estou sonhando alto demais.

As pessoas vão sentindo e elas podem se policiar todo tempo e não o faz, em particular as partículas vão se dissolvendo diante dos meus olhos.

Os segundos vão surgindo na minha ótica distorcida sobre o que penso o que é o mundo problemático que eu sinto.

Existe amor em tudo, mas o ódio alimenta uma coisa em mim que é como se o único combustível que me mantem de olhos abertos é o desespero.

Imagine só, eu de bem e de mal, todo tempo mudando as coisas, rastejando pelos esgotos sombrios, aonde a maioria da população se esconde e tem vergonha de admitir.

É prazeroso falar do imundo, mas estar suja todo tempo faz de mim uma pessoa pendendo para um infinito desabor do que é viver.

Não existe problema, eu gosto de viver como vivo, as minhas bagagens estão pesadas, e todos estes anos eu tenho deixado algumas conexões de lado.

Meus ombros doem, meu coração está a flor-da-pele.

Classes vão nascendo e eu morrendo tentando ser uma pessoa um pouco menos idiota de sentidos.

Sou sensível e minhas cavidades estão ai para quem quiser ver o que habita o meu inconsciente.

O consciente vem brincando, e eu vou satirando com tudo que vem se mostrando.

O que levo a sério é esta coisa de luta contra a ignorância parcial da humanidade ilustrativa.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

::DIA INTERMINÁVEL::

Posso acessar o silêncio?

Talvez não.

Não que eu não queira, mas querer está longe de tudo que no tempo passa.

E o tempo passa, rápido, sorrateiro e barato.

Caro, quando consigo me redimir dos danos malignos que causei a mim mesmo.

Mesmo quando eu fico apavorada quando percebo o tamanho do sentido que as coisas se dão para mim.

Para mim o dia é noite, e a noite é um dia interminável.

Termina, e eu que queria uma juventude modesta, hoje sou desonesta com o que sinto, puro desespero.

Desespero porque eu ainda não sei o que quero ser.

Ser talvez, qualquer coisa, ou uma coisa em si que seja algo pra mim.

Pra mim tudo é algo, e algo é alto demais, vago e isolado da minha concepção de realidade.

Real, ai está a falta do sujeito imperfeito que se transformou meu consciente.

Inconsciente que desloca para baixo toda minha fixação por responsabilidade.

Responsabilidade é coisa de vida, destas asas que não me soltam e que são minhas únicas amigas.

Inimigas de qualquer um que tente subornar a minha lealdade.

Maldade que se inicia no meu parto existencial e que violenta minha morte paternal.

Patrimônio vencido desde que foi tomado, arrombado por assim dizer.

Como eu vou dizer algo se sinto que nem mais tenho voz?

Parece que tudo está sendo repetido, não consigo um incentivo para incendiar este pensamento foragido.

Fugitivo, meu laço com o que por mim foi perdido, está rompido.

Desgarrado, ilhado, isolado, assim se encontra o meu destino.

Mas tenho fé, não sei em que, para que, e de onde vem, mas tenho.

Não temo, às vezes fraquejo, enganada por falsas heranças, nada hereditárias.

Sedentárias, cobranças sujas, exílio total da linguagem.

Imagem, não me falta!

Me fala então você!

Você, este monte de coisas que vem e que no outro instante me deixa só.

Que quando chega me fascina e quando vai me desanima.

Não me tornei escrava da solidão, me tornei aliada desta sede pela busca do meu caminho.

Um ninho, sem ser útero e nem refúgio.

Porque ainda me vejo sentada no último vagão daquele trem antigo, partindo, lentamente, para uma cidade fantasma?

Que sensação é essa de que tudo pode ser eterno?

Mas sei que não é.

Porque então insisto em persistir que tudo não passa?

Ora, ora, Viviane, não seja assim

No ventre do abismo você nasceu.

No colo deste mundo insano você cresceu...

segunda-feira, 20 de junho de 2011

::DOIS CORAÇÕES::

Vamos revogar o direito de ter dois corações.

Tirar proveito das péssimas situações.

Vamos ter laços, abraços e pedaços.

Em um pequeno silêncio memorizar nosso cansaço.

Vamos revogar o direito de ter dois irmãos.

Um descaso da vida, um voto de perdão.

Pra compartilhar o dever de estar na solidão.

Se não é só, é em vão.

Se for em vão, trará para a vida a compreensão.

Se desprender, soltaremos uma grande confusão.

Lamentaremos o dia em que aprenderemos a dizer não.

E se dissermos que sim, que estejamos afim,

De continuar uma prosa, mesmo que não se musique,

Soletraremos cada dor com um nó na garganta inspirada de paixão.

E se alguém não quiser voltar, que esta mágoa que eu tenho,

Que cisma em teimar, queime todo meu pavoroso sigilo doloroso e me faça despertar.

E se eu dormir demais, que eu adoeça, para poder assim descobrir como me curar.

E se esta cura não durar, eu possa um verso novo rascunhar...

sábado, 28 de maio de 2011

:: Folhas de piadas::

Quebrando o que sobrou de um muro que eu construi dentro de mim...

A poça está cheia, são lágrimas, antigas e sentimentais.

Parece que eu não consigo ir para frente, alguma coisa me puxa,

Quando eu consigo me libertar, dói.

Eu tento recomeçar de novo, mas minhas pernas estão machucadas.

Estou alta, e então eu percebo as folhas me rodeando, com suas piadas sujas.

E é isso?

Tenho que ser uma, qualquer coisa, pode ser um brinquedo, mas um que faça menos barulho.

Eu venho tentando e isso não me trouxe as estrelas.

Correndo, o grito sai correndo de minha garganta, pois, eu estive só ali.

Embriagada de certezas, escavando um esconderijo que me lembrou um abismo.

E finalmente eu cheguei no fundo, não, eu não cheguei, não existe fundo.

O vazio conversa comigo, e as vozes estão sorrindo dos meus olhos apertados.

Gostaria de parar tudo, simplesmente um pouco mais de paz, ou de ser capaz de me deixar para trás quando minha insegurança tentar me sufocar.

De onde eu venho, o sol é sempre laranja, e o mar sempre verde.

Os olhos são neutros, misteriosos globos anedotas.

Minha especialidade sempre foi perceber o que estava errado, e eu sempre fui indiferente quando as coisas pareciam estar indo bem.

Não consigo reconhecer nada, me tornei egoísta, fechada, isolada e desamparada pela esperança.

Perdi o controle, meu corpo está rachado em milhões de pedaços e cada um deles, narra uma parte minha que quer ser removida para sempre...

sábado, 16 de abril de 2011

::Fio da Morte::

Puxando o fio da vida, conceituando as dores ancestrais.

Não adiantou ter um bom coração, eu estava alta, cutucando o destino com fúria.

Demorou muito, acabei de perceber que esta força que me move, me ergue para uma dimensão aonde as turbulentas memórias me desconstroem.

Agora eu posso ver um par de olhos suplicando carinho, são os meus olhos que um dia eu deixei de notar.

O caminho é longo e estar longe me faz querer ficar para trás.

O que eu poderia descrever sobre tudo que tenho vivido?

Talvez, pelas circunstâncias em que me encontro,a falta de risada brinca com a minha piedade.

Eu disse, lá atrás, que nada era totalmente certo o refúgio que eu sempre desconfiei, me ilude com seus brilhos ofuscantes.

As luzes estão se apagando, e o meu coração bate lentamente, eu estou novamente perto de descobrir algo, e logo, sou acometida por uma coisa maior do que eu julguei ser minha existência.

Por onde começo a procurar os sentidos que perdi?

Como eu posso negar tudo isso?

sábado, 2 de abril de 2011

:: DOENTIO E NEGRO::

Possibilidade carrega perigo...

As vezes eu tento tocar uma parte em mim que está morta,

E tudo fica estranho, eu viro uma massa de ódio.

Uma massa cheia de devaneios e o passado caminha dentro de mim.

Ser franca uma hora destas e abrir a boca e fechar os olhos.

Os problemas vão correndo por todos os lados e as portas estão com as chaves esgotadas.

O que você poderia querer com um coração tão amargurado?

Talvez um adeus, uma brincadeira de mal gosto, e tudo está abalado.

Quando eu tento resistir, eu sou tragada por uma fumaça negra,

Meus ossos doem e minha tosse asquerosa se espalha por todo ar.

Se gosta de tudo isso, masoquismo passa longe.

Veja, as coisas vão ficando de uma cor vermelha

Cancelaram os últimos pedidos para pílulas anti – depressivas,

Então vamos caminhando para a beira do abismo.

Lá em baixo estão as incertezas, e aqui em cima os dedos estão silenciando as obras primas.

Deixando rolar, então um grande amor está dilacerado e isso nunca é o fim.

O fim vem quando eu percebo que posso sempre ressuscitar qualquer tipo de sentimento.

E sentir é um vento forte, avalassador e as crianças gostam disso também.

Eu ouvi um barulho, uma veia estourando.

Estou só no meio de milhares de pessoas e não posso escapar disso.

O lugar está todo abandonado, e então se eu quero ter honra é melhor eu ficar quieta.

A noite está horrível e eu sinto que algo está se aproximando.

Um jogo paradoxal, aonde a quântica dos argumentos está estacionada atrás do presente.

O agora faz uma brincadeira insana sobre o que temos pra hoje,

E hoje é extremamente doentio e negro...

domingo, 20 de fevereiro de 2011

::O Castelo::

Porque quando eu imagino um castelo, eu não me vejo dentro dele?

Sabe aonde eu estou nesta paisagem?

Do lado de fora, escondida atrás de uma arvore gigante, observando as rachaduras naquele concreto antigo.

Vendo que toda aquela imensidão de concreto, a qualquer instante pode ser derrubada por uma tempestade...

Naqueles arredores não existem cavalos brancos, são touros fortes, bravos e onipotentes.

Gramas selvagens, ervas daninhas que crescem na borda daquele lago que banha as estruturas fajutas daquele castelo.

Aquele lago é sujo, erótico e desprovido de qualquer beleza.

É impróprio para banhos noturnos de melancolia, não lava, ele polui de vez uma alma caída.

Quem tenta entrar no castelo, chegando a ponte, e ela desce lentamente, vê a visão de algo tenebroso, algo tão real que é avassalador.

Quem entra ali, choca-se com o esplendoroso monumento que tem na porta principal.

Um homem de asas negras, abaixado, chorando e suas lágrimas se transformam em veneno mortal.

Alguns bebem daquele veneno, outros são tragados para o intestino da estátua e ali ficam até que crescem tanto que são expelidos para fora.

Naquele castelo, eu só entro quando preciso buscar um jeito real de conversar comigo mesmo, através do meu inconsciente fantasmagórico, brusco e abismal.

E quando eu saio dele, novamente eu me transformo em humana...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

::LINGUAGEM DO ACOLHIMENTO::

Que tipo de linguagem deve eu usar para expressar o que sinto?

Uma vez que, quando tento explicar a linguagem, ela escorre por minhas veias, adentrando em meu inconsciente.

A vida é um experimento, um saber que não se sabe nunca tudo, e o jamais é o acaso do tempo finito.

Uma derradeira viagem sobre o espaço que se rompe quando tento expandir minha consciência, não medito, estou sempre ligada a um acontecimento maior do que o meu eu explicável.

É sol que se parte em dois, transformando – me em cinzas, clareiras se ascendem na montanha, o meu tempo de renovação começa a todo instante.

Transporto-me para aonde o meu ser se abre para as coisas do nunca-vivido.

E o nunca-vivido se revela quando eu estou ou não preparada.

Ali, a linguagem se manifesta através do silêncio do oculto.

Oculto que tem fonte no mistério, e deste somente tenho eu vestígios.

Talvez, bem lá no fundo eu tenha sido vivida por milhares de mistérios, pelos quais, ainda adormeço na ingenuidade de encontrar uma trilha de perguntas maiores do que as que criei por meio de um trajeto suicida existencial.

Como vou usar palavras se tudo que disponho é de um vocabulário enriquecido de frustração e amor?

Não uso, as palavras me usam, a vida que me traga e se alivia.

Os manifestos do meu inconsciente desenham um caminho pelo qual eu tenho que passar quando supero a minha própria solidão.

E estar só é grande, difícil e requer muito trabalho.

Neste momento, sou pequena no mundo e grande em espírito.

Não sei por qual razão me questiono sobre a temporalidade, cada vez mais quando estou quase no limite da sensação do agora, o passado me puxa para trás e o futuro me agarra para frente.

Desta briga nasce o acolhimento.

Recolhimento!

Aprofundamento no ser...

sábado, 8 de janeiro de 2011

::Flores no asfalto::

Está acontecendo um grande conflito ali dentro.

Ás vezes eu fico do lado de fora vendo minhas mãos alcançarem o céu.

Então tudo que é sério eu ando percebendo que eu dou volta nos postes sem luz.

Os carros passam sobre minha pele, esta cidade está apertada demais.

O céu está negro, e tudo agora está quieto.

Complicando minha situação, estou ofegante, existe um desvio no final da estrada.

Tudo está ao redor, e esta noite eu quero ficar dentro, porque eu quero chorar sem ser vista.

Com passos curtos vou caminhar dentro das minhas memórias.

Eu preciso de uma chance para rever tudo sem analisar o que eu perdi.

Minhas entranhas estão doloridas.

O meu peito pega fogo, e meus olhos sangram.

Tive uma overdose de tristeza...

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

::Arvore surda::

Era uma voz noturna,

Sussurrando em meus ouvidos uma tempestade de palavras.

Delicadas sementes saiam de meus olhos.

Eu chorava, lançava em meu rosto pétalas negras.

Um sofrimento infeliz, que me deixava perto da felicidade.

Se eu não tive um só momento de solidão neste dia,

Ali eu estava na companhia de uma árvore surda e muda.

Como nunca acredite, aqueles acordes iam se formando,

Conforme o vento assoprava a melodia da melancolia.

Dia que não irradia, noite que me sacia.

Pele macia, assim era a gentil forma da minha outra camada.

A camada externa, sanguinolenta, violada pelos sentidos ocultos do universo.

Pelos cantos, florescem videiras cheias de raiva,

As esperanças de um tecido que se forma através dos passos longos da liberdade.

Era tudo, em nada que eu podia não narrar, mas eu tentava.

Então ensurdeci, enlouqueci com meus próprios gemidos.

Estava eu desejando demais a liberdade?

Não, eu estava apenas em um dia cinza...

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

::Paralisia Local::

Arranque toda minha pele, tente encontrar o sentido da minha tristeza.

Eu ando me sentindo perdida, como se algo se aproximasse de mim,

E quisesse tudo que eu tenho, e então eu me coloco a justificar o resto que construi.

Todas as coisas choram, a liberdade tem ficado estreita perto das salvações.

Justamente quando a serenidade quer se acolher nos meus braços,

Eu me sinto fraca e puxo com força minha agressividade.

Correr para onde, os laços estão rompidos.

É grave, não tem como escapar.

A chave está do lado de dentro.

Vou mergulhar no abismo e sentir aquela chuva me destruir.

Tento me concentrar, e o que eu penso é futuro ou passado.

O agora não aparece, eu não consigo decifrá-lo.

Tento me concentrar, e tudo que eu consigo, náusea.

Você sente o frio que vem de mim?

As conseqüências são gigantes e eu me fecho.

Não é uma brincadeira, os ânimos estão desgastados,

Sorrir é um veneno para mim.

Sinto, sinto que nada mais pode me salvar,

Sou surpreendida por nostálgicos finais de tarde.

Toda vez que eu olho no espelho, eu vejo uma faixa negra no meu rosto.

O cavalo se aproxima e eu sei que ele quer ver como eu me saio montada no meu destino.

E eu não vou, simplesmente eu levo um tombo atrás do outro.

Então, eu persisto!

Envolvida por uma dor ancestral, e a realização vem do meu ego.

Deste jeito eu vou arrancando as minhas defesas,

Sem lágrimas, eu vou caindo...caindo... até o fundo da minha alma.

Rastejando, e como se meu corpo não tivesse peso,

Os meus joelhos já não sei dobrar para suplicar.

Ninguém neste deserto sobreviveu nos meus sonhos.

O inferno inflama minhas saudades.

Me dê um tempo, eu preciso ir até aonde eu não tenha medo de voltar.

E a volta é sempre trágica e estranha.

Então, esquecer que respiro é só um detalhe.

Eu vou me deixar, como uma pena sobre uma nuvem no oceano...

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

::Dialogos Obscuros::

Que sonolência estranha é essa?

Parece que existe alguma coisa querendo que eu saia deste mundo.

O outro é desastroso,porém não tem nada de caótico.

Lá o ventre jorra veneno.

Não consigo achar um pedaço de mim.

Algo maior se aproxima, é como se eu pudesse a qualquer momento ser soterrada.

É terra firme, grossa, ingênua, aonde as tempestades fazem suas moradas.

Aonde os ventos fazem curvas e amassam os olhos úmidos e doentes.

São buracos gigantes, portas entre abertas, muros esburacados é a morte.

A cama não está feita, e as figuras agora conversam comigo.

Elas narram suas misérias mais profundas e me fazem rir com toda aquela falsa alegria.

Eu tenho medo, mas medo de que?

Pode ser de quem, de mim?

Ora, se isso não me valesse noites a fora pensando em como eu posso vir-a-ser eu acreditaria.

E acredito, fielmente.

Não é medo deste mundo, talvez, nem do outro e nem dos outros que me cercam.

É medo de uma água rasa que coloco os pés, ela é um rio de ponta cabeça.

Não é da profundidade que eu desconfio.

É de quando eu sair dela, o que eu vou encontrar na margem a me espreitar...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

::FATOR::

A outra metade pode não ter uma saída.

Uma pequena parte de mim, um outro gênero de experiência substancial desqualificada.

São sonhos, aberturas inconscientes.

Uma volta por cima de um espírito inerte.

Misturei tudo, uma escuridão por onde caminho a dias.

Todos os destinos estão cruzados, não posso tentar escapar.

Fugir é remediar o que eu tenho certeza que acontecerá.

É fato, o fator é exato.

Inato, bolhas de água, estou de cabeça para baixo.

Negando as intuições, enferma, os cristais estão rachando.

As partículas estão chegando.

Não adianta correr, a distância me aproxima do meu self.

Aqui eu sou, lá não estou.

Aonde os mundos se conectam.

Preciso voltar a dizer que eu posso sempre estar um pouco mais feroz do que fui ontem.

A minha existência é uma penitência por causa da minha excessiva demência.

Se eu contar, eu narro algo trágico, se eu calar, eu silencio o meu fator isolado.

Estou com meu piloto automático desligado...

terça-feira, 28 de setembro de 2010

::O grande conjunto::

É um novo plano.

E o ataque vem de cima, da onde o meu teto está caindo.

A vida é estranha e eu sei que não dá para querer quebrar tudo de uma vez.

Venenoso, sangue violento, famosa dica de uma nova fórmula de destruição.

Pronto ou não o mundo está de ponta-cabeça.

Um lunático com uma luz verde, a luz vermelha ficou presa no farol.

Luta que equivale a 200 quilos é uma mente acesa eu posso ver o sinal brotar da terra.

Megalomaníaca ou não, a idéia da nova versão de mim vem do abismo.

Comendo os biscoitos enfeitiçados, as letras serão alteradas.

Não tem como para tudo isso, é um som infernal.

Alguma coisa está fora do lugar, e eu sei que posso colocar fé nas mensagens que vem de mim.

Pego um trem carregado de tristeza, estou terrificada.

Pessoas correndo, um sangue intoxicado está sendo dividido entre mil e uma pessoas.

Está tudo lotado, então a via mais acessível para escapar, é a morte.

Um prato frio, palavra vulgar distribuída de forma irregular.

Vou pular da ponta do penhasco, a água é gelada e eu tenho certeza que a dor será menor desta vez.

Idiotice ou não, estou de volta a vida.

Juntando cacos, conservando o bem estar, e eu estou falando de tudo ao mesmo tempo e não consigo construir algo legítimo.

Se eu perder o controle, eu sinto que a altura da minha imaginação chega ao topo.

Então, se não conseguir compreender tudo, eu fico até feliz.

Já montei um plano, risquei a parede toda, e agora estou enrolando para finalizar.

E então uma voz no fim do túnel me chama para conversar.

Isso pode ser um pouco folk demais, ou uma agressividade se faz mal compreendida.

Porque algumas vezes eu tentei me explicar demais, tive pretensão de sobra,

Mas a mesa virou e eu estou do lado de fora, vendo os cachorros montarem em seus donos.

Eu não digo que alguém caiu do outro lado da rua, eu estava em alta velocidade.

Então posso suprir algumas coisas e em outras ser totalmente egoísta.

Mas o que eu não quero resumir, eu vomito.

Porque a vida pode até ser radical demais, mas eu vou suavemente deslizando nas minhas memórias.

Não existem vitimas, e os que puxam os gatilhos estão suados feito porcos suicidas.

Esperando que uma ordem seja dada.

E quer saber, não tem preço, o valor dado para cada um é menor que a possibilidade deles atirarem na própria cabeça.

Se isso for uma briga consciente, então eu estou montada em um cavalo sem asas.

Pulando de um lado para outro, procurando um buraco para enterrar minha ansiedade.

Estou com as costas doloridas, tudo está confusa.

Porque quando acordo de manhã, sinto uma dor na cabeça, e então estou escrevendo de novo.

Não tem nada de velho, as desculpas dizem sempre a mesma coisa, mudando o trajeto verdadeiro das conseqüências.

Então, se o ônibus atrasar eu vou correr atrás de tudo que perdi um dia.

Não tenho pouco tempo, mas odeio ficar parada personalizando simplesmente o que tenho como propriedade.

A minha prioridade é fazer tudo dentro de mim, explodir...

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

::SEM FIM::

É vento, chuva e fumaça.

A noite me parte ao meio,

Não existe segredo sem medo.

O medo vem da descontração do céu e da terra.

É o som que sai de mim.

Um tipo de som que mata e fere, mas cura e salva.

É cômico e trágico, é vivo!

Vivido em cada rompimento, sentimento de descontentamento.

É ferro que arde, fogo que queima e se espalha.

É palha que voa com a tempestade.

Coisa de bem, nasce da pura maldade.

Vaidade, senso de sinceridade, bondade alojada no negativo.

Positivo quando vicia, inicia um ciclo vital.

Mortal quando se torna banal.

É água que desce com força da cachoeira.

Som da mata, floresta negra, mergulho no infinito.

Falta de ar, concentração e a fala do inconsciente.

Ele não mente, só omite, na hora certa se revela.

Me ascende nos quatro cantos.

Em prantos não perco minha lealdade.

É realidade que se esconde debaixo das asas do dragão.

É melancolia pura, cheiro de honra.

Desonra que afronta a si mesmo,

Descobre que no fundo, esteve brincando com a própria saudade.

Saudosa de mim!

Que viajo sem medo de chegar no fim...