quinta-feira, 6 de outubro de 2011

::QUANDO A NOITE CAIR::

É só uma questão de tempo...
As coisas vão se misturando novamente, e o que era parado, move-se rapidamente dentro de mim.
Não que eu possa lentamente ir salientando tudo morre em mim, mas é pura decadência esperar a estrela se apagar.
Os panos estão rasgados e a graça de tudo vai se esvaindo sem honra.
Algo está por baixo e os lençois estão escapando com a força dos ventos do sul.
Se fosse possível falar uma lingua menos insana, as rosas morreriam lentamente no silêncio de uma noite gelada.
E se os ouvidos fossem mais apurados, eu teria um abrigo para ver o mundo ingenuo e mudado.
Escute, agora aquela voz vem vindo na escuridão e não sei aonde me esconder.
Eu poderia preparar uma boa bebida e meditar sobre todas as circunstâncias aonde estive ausente.
Não, de novo não, esta coisa toda me faz querer voar para um lugar novo.
Então eu acabo me abandonando, deixando rastro para o meu passo renegado pela minha coragem.
Preciso dormir, e o meu maior tormento é que, sozinha eu aprendo... e me desprendo de tudo que me faz odiar grande parte minha.
Eu choro, pois, o real para mim, vem com uma grandeza sufocante e acabo não entendendo o que digo, faço e mudo sempre para uma versão desatualizada do que sinto sobre o que vivi.
Eu me deprecio, estou longe sussurrando por um socorro que só pode vir quando a noite voltar a cair sobre minha alma...

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

::Postes Ilustrativos::

É como uma pedra quebrando nas minhas costas.

Esta facilidade que eu tenho para falar da dor, é algo que eu não compreendo.

Falando, gritando, de repente, no silêncio da noite eu procuro algo para não me enlouquecer.

Vou de encontro com uma voz que se insinua dizendo que os meus sonhos são pequenos,

O lugar dos meus desejos deu estadia a uma precoce desconfiança que estou no caminho errado, e não me preocupo pois, quando eu tento parar de caminhar nesta estrada, aparece um atalho, algo maior me atravessa e então, estou de novo na beira do abismo.

Quando tento ir devagar, me prendo a uma situação que me arrasta pelo chão, eu acabo pulando, me curvando a uma circunstancia maior que não me impressiona, que é o peito fechado para receber as coisas que tentam me lançar.

Se a sorte é uma coisa que vem comigo, então eu digo que ela é meio traiçoeira pois, está constantemente transformada em uma pílula de pressão que entra pela minha boca como uma água gelada e atravessa minhas veias e corta minha pele em mil pedaços.

Esta realidade toda que se envolve comigo eu entro numa paranóia de que, uma parede vai cair sobre mim da noite para o dia.

O dia é inconstante e eu ando tão envolvida com o pouco que me resta, e o que resta sou eu dentro de um universo cheio de mágoas e falta de resoluções.

Não desisto, mas falar de curativos quando se tem sempre um peito aberto para agüentar pancadas, é delicado já que, vivo sozinha dentro de uma depressão cheia de inconstâncias frenéticas e insolúveis.

Quando peço um tempo para mim, sou esfaqueada por trás, meu passado me corta feito papel e novamente eu estou dolorida para escrever sobre o que realmente eu sei fazer, lamentar.

E lamentar não é somente viver a espreita de uma constante indagação de onde anda a felicidade, e pedir perdão costuma participar da minha fala extraordinária sobre o que eu não sei dizer quando pergunto como eu estou.

O ataque é rápido e então a fuga é quase irresistível, mas eu se que não posso moldar uma questão dentro de mim, porque, a pergunta que me alcança é a mesma que me cerca por anos.

Talvez eu seja uma presa, um nome dentro de um baú, ou um corpo cheio de paciência, carregado de memórias e extremidades profundamente magoadas.

E se eu tivesse uma chance de mudar tudo isso, eu não mudaria, pois, estou retornando a minha infância e o sangue que escorre dos meus olhos, me trás de volta a ser o que eu estava sendo.

Não me engano, as certezas que um dia eu tive, se foram, e com isso eu tive a oportunidade de conhecer vários ângulos das minhas agonias.

Vou vomitando nervosa sobre uma mesa cheia de tribulações.

O mundo vem me comendo e eu vou apreciando até o ultimo pedaço desta fatia gigantesca de maldade.

Estou em um labirinto, adentrando aonde a música mais sonolenta não chega, aqui é tudo agitado, eu não paro um segundo, minha respiração faz com que eu exploda todos os dias.

Escapar, não, uma rainha torturada conversa comigo, e ela diz que a vida vem passando e que as virtudes que eu quero, estão próximas e eu acabo por destroçá-las com medo de perder o valor da esperança.

Tenho meus dias de glória e eles costumam durar até quando eu prendo o suspiro e choro alto como se eu pudesse achar um amplificador dentro do meu cérebro.

O fato vai dilacerando meu temperamento, e o que é racional vira um filme repetitivo, e então eu peço um bis, mas isso não me consola.

O demônio dentro de mim está sempre mudando de lugar e então eu tento pegar uma distração para que ele envelheça antes que eu possa me tornar sua filha preferida.

A cidade continua prateada e cheia de perigos e estou trancada em uma fantasia que alguém pode vir e ver que o escuro é bem mais emocionante.

Quando eu perco o controle eu vejo o que os meus olhos não tem medo de construir.

Esta construção vai me levando até o submundo aonde eu me criei, aonde a luz chega de vez enquanto para me iluminar e me tirar do tédio.

No minuto seguinte eu começo a repetir tudo de uma vez só, só que os valores são diferentes, eu procuro não me julgar, mas é quase inevitável e de novo, bum, eu explodo e vou para todos os cantos da onde eu aprendi a me virar sozinha com o que tenho para sobreviver.

Viver aonde o sol também nasce e aonde a lua vira minha adorável companhia.

Muitas pessoas vão e vem na minha vida, o amor que vem brotando sobre este distanciamento fez com que eu aprecia-se o consolo que vem das palavras que preciso quando estou sonhando alto demais.

As pessoas vão sentindo e elas podem se policiar todo tempo e não o faz, em particular as partículas vão se dissolvendo diante dos meus olhos.

Os segundos vão surgindo na minha ótica distorcida sobre o que penso o que é o mundo problemático que eu sinto.

Existe amor em tudo, mas o ódio alimenta uma coisa em mim que é como se o único combustível que me mantem de olhos abertos é o desespero.

Imagine só, eu de bem e de mal, todo tempo mudando as coisas, rastejando pelos esgotos sombrios, aonde a maioria da população se esconde e tem vergonha de admitir.

É prazeroso falar do imundo, mas estar suja todo tempo faz de mim uma pessoa pendendo para um infinito desabor do que é viver.

Não existe problema, eu gosto de viver como vivo, as minhas bagagens estão pesadas, e todos estes anos eu tenho deixado algumas conexões de lado.

Meus ombros doem, meu coração está a flor-da-pele.

Classes vão nascendo e eu morrendo tentando ser uma pessoa um pouco menos idiota de sentidos.

Sou sensível e minhas cavidades estão ai para quem quiser ver o que habita o meu inconsciente.

O consciente vem brincando, e eu vou satirando com tudo que vem se mostrando.

O que levo a sério é esta coisa de luta contra a ignorância parcial da humanidade ilustrativa.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

::DIA INTERMINÁVEL::

Posso acessar o silêncio?

Talvez não.

Não que eu não queira, mas querer está longe de tudo que no tempo passa.

E o tempo passa, rápido, sorrateiro e barato.

Caro, quando consigo me redimir dos danos malignos que causei a mim mesmo.

Mesmo quando eu fico apavorada quando percebo o tamanho do sentido que as coisas se dão para mim.

Para mim o dia é noite, e a noite é um dia interminável.

Termina, e eu que queria uma juventude modesta, hoje sou desonesta com o que sinto, puro desespero.

Desespero porque eu ainda não sei o que quero ser.

Ser talvez, qualquer coisa, ou uma coisa em si que seja algo pra mim.

Pra mim tudo é algo, e algo é alto demais, vago e isolado da minha concepção de realidade.

Real, ai está a falta do sujeito imperfeito que se transformou meu consciente.

Inconsciente que desloca para baixo toda minha fixação por responsabilidade.

Responsabilidade é coisa de vida, destas asas que não me soltam e que são minhas únicas amigas.

Inimigas de qualquer um que tente subornar a minha lealdade.

Maldade que se inicia no meu parto existencial e que violenta minha morte paternal.

Patrimônio vencido desde que foi tomado, arrombado por assim dizer.

Como eu vou dizer algo se sinto que nem mais tenho voz?

Parece que tudo está sendo repetido, não consigo um incentivo para incendiar este pensamento foragido.

Fugitivo, meu laço com o que por mim foi perdido, está rompido.

Desgarrado, ilhado, isolado, assim se encontra o meu destino.

Mas tenho fé, não sei em que, para que, e de onde vem, mas tenho.

Não temo, às vezes fraquejo, enganada por falsas heranças, nada hereditárias.

Sedentárias, cobranças sujas, exílio total da linguagem.

Imagem, não me falta!

Me fala então você!

Você, este monte de coisas que vem e que no outro instante me deixa só.

Que quando chega me fascina e quando vai me desanima.

Não me tornei escrava da solidão, me tornei aliada desta sede pela busca do meu caminho.

Um ninho, sem ser útero e nem refúgio.

Porque ainda me vejo sentada no último vagão daquele trem antigo, partindo, lentamente, para uma cidade fantasma?

Que sensação é essa de que tudo pode ser eterno?

Mas sei que não é.

Porque então insisto em persistir que tudo não passa?

Ora, ora, Viviane, não seja assim

No ventre do abismo você nasceu.

No colo deste mundo insano você cresceu...

segunda-feira, 20 de junho de 2011

::DOIS CORAÇÕES::

Vamos revogar o direito de ter dois corações.

Tirar proveito das péssimas situações.

Vamos ter laços, abraços e pedaços.

Em um pequeno silêncio memorizar nosso cansaço.

Vamos revogar o direito de ter dois irmãos.

Um descaso da vida, um voto de perdão.

Pra compartilhar o dever de estar na solidão.

Se não é só, é em vão.

Se for em vão, trará para a vida a compreensão.

Se desprender, soltaremos uma grande confusão.

Lamentaremos o dia em que aprenderemos a dizer não.

E se dissermos que sim, que estejamos afim,

De continuar uma prosa, mesmo que não se musique,

Soletraremos cada dor com um nó na garganta inspirada de paixão.

E se alguém não quiser voltar, que esta mágoa que eu tenho,

Que cisma em teimar, queime todo meu pavoroso sigilo doloroso e me faça despertar.

E se eu dormir demais, que eu adoeça, para poder assim descobrir como me curar.

E se esta cura não durar, eu possa um verso novo rascunhar...

sábado, 28 de maio de 2011

:: Folhas de piadas::

Quebrando o que sobrou de um muro que eu construi dentro de mim...

A poça está cheia, são lágrimas, antigas e sentimentais.

Parece que eu não consigo ir para frente, alguma coisa me puxa,

Quando eu consigo me libertar, dói.

Eu tento recomeçar de novo, mas minhas pernas estão machucadas.

Estou alta, e então eu percebo as folhas me rodeando, com suas piadas sujas.

E é isso?

Tenho que ser uma, qualquer coisa, pode ser um brinquedo, mas um que faça menos barulho.

Eu venho tentando e isso não me trouxe as estrelas.

Correndo, o grito sai correndo de minha garganta, pois, eu estive só ali.

Embriagada de certezas, escavando um esconderijo que me lembrou um abismo.

E finalmente eu cheguei no fundo, não, eu não cheguei, não existe fundo.

O vazio conversa comigo, e as vozes estão sorrindo dos meus olhos apertados.

Gostaria de parar tudo, simplesmente um pouco mais de paz, ou de ser capaz de me deixar para trás quando minha insegurança tentar me sufocar.

De onde eu venho, o sol é sempre laranja, e o mar sempre verde.

Os olhos são neutros, misteriosos globos anedotas.

Minha especialidade sempre foi perceber o que estava errado, e eu sempre fui indiferente quando as coisas pareciam estar indo bem.

Não consigo reconhecer nada, me tornei egoísta, fechada, isolada e desamparada pela esperança.

Perdi o controle, meu corpo está rachado em milhões de pedaços e cada um deles, narra uma parte minha que quer ser removida para sempre...

sábado, 16 de abril de 2011

::Fio da Morte::

Puxando o fio da vida, conceituando as dores ancestrais.

Não adiantou ter um bom coração, eu estava alta, cutucando o destino com fúria.

Demorou muito, acabei de perceber que esta força que me move, me ergue para uma dimensão aonde as turbulentas memórias me desconstroem.

Agora eu posso ver um par de olhos suplicando carinho, são os meus olhos que um dia eu deixei de notar.

O caminho é longo e estar longe me faz querer ficar para trás.

O que eu poderia descrever sobre tudo que tenho vivido?

Talvez, pelas circunstâncias em que me encontro,a falta de risada brinca com a minha piedade.

Eu disse, lá atrás, que nada era totalmente certo o refúgio que eu sempre desconfiei, me ilude com seus brilhos ofuscantes.

As luzes estão se apagando, e o meu coração bate lentamente, eu estou novamente perto de descobrir algo, e logo, sou acometida por uma coisa maior do que eu julguei ser minha existência.

Por onde começo a procurar os sentidos que perdi?

Como eu posso negar tudo isso?

sábado, 2 de abril de 2011

:: DOENTIO E NEGRO::

Possibilidade carrega perigo...

As vezes eu tento tocar uma parte em mim que está morta,

E tudo fica estranho, eu viro uma massa de ódio.

Uma massa cheia de devaneios e o passado caminha dentro de mim.

Ser franca uma hora destas e abrir a boca e fechar os olhos.

Os problemas vão correndo por todos os lados e as portas estão com as chaves esgotadas.

O que você poderia querer com um coração tão amargurado?

Talvez um adeus, uma brincadeira de mal gosto, e tudo está abalado.

Quando eu tento resistir, eu sou tragada por uma fumaça negra,

Meus ossos doem e minha tosse asquerosa se espalha por todo ar.

Se gosta de tudo isso, masoquismo passa longe.

Veja, as coisas vão ficando de uma cor vermelha

Cancelaram os últimos pedidos para pílulas anti – depressivas,

Então vamos caminhando para a beira do abismo.

Lá em baixo estão as incertezas, e aqui em cima os dedos estão silenciando as obras primas.

Deixando rolar, então um grande amor está dilacerado e isso nunca é o fim.

O fim vem quando eu percebo que posso sempre ressuscitar qualquer tipo de sentimento.

E sentir é um vento forte, avalassador e as crianças gostam disso também.

Eu ouvi um barulho, uma veia estourando.

Estou só no meio de milhares de pessoas e não posso escapar disso.

O lugar está todo abandonado, e então se eu quero ter honra é melhor eu ficar quieta.

A noite está horrível e eu sinto que algo está se aproximando.

Um jogo paradoxal, aonde a quântica dos argumentos está estacionada atrás do presente.

O agora faz uma brincadeira insana sobre o que temos pra hoje,

E hoje é extremamente doentio e negro...

domingo, 20 de fevereiro de 2011

::O Castelo::

Porque quando eu imagino um castelo, eu não me vejo dentro dele?

Sabe aonde eu estou nesta paisagem?

Do lado de fora, escondida atrás de uma arvore gigante, observando as rachaduras naquele concreto antigo.

Vendo que toda aquela imensidão de concreto, a qualquer instante pode ser derrubada por uma tempestade...

Naqueles arredores não existem cavalos brancos, são touros fortes, bravos e onipotentes.

Gramas selvagens, ervas daninhas que crescem na borda daquele lago que banha as estruturas fajutas daquele castelo.

Aquele lago é sujo, erótico e desprovido de qualquer beleza.

É impróprio para banhos noturnos de melancolia, não lava, ele polui de vez uma alma caída.

Quem tenta entrar no castelo, chegando a ponte, e ela desce lentamente, vê a visão de algo tenebroso, algo tão real que é avassalador.

Quem entra ali, choca-se com o esplendoroso monumento que tem na porta principal.

Um homem de asas negras, abaixado, chorando e suas lágrimas se transformam em veneno mortal.

Alguns bebem daquele veneno, outros são tragados para o intestino da estátua e ali ficam até que crescem tanto que são expelidos para fora.

Naquele castelo, eu só entro quando preciso buscar um jeito real de conversar comigo mesmo, através do meu inconsciente fantasmagórico, brusco e abismal.

E quando eu saio dele, novamente eu me transformo em humana...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

::LINGUAGEM DO ACOLHIMENTO::

Que tipo de linguagem deve eu usar para expressar o que sinto?

Uma vez que, quando tento explicar a linguagem, ela escorre por minhas veias, adentrando em meu inconsciente.

A vida é um experimento, um saber que não se sabe nunca tudo, e o jamais é o acaso do tempo finito.

Uma derradeira viagem sobre o espaço que se rompe quando tento expandir minha consciência, não medito, estou sempre ligada a um acontecimento maior do que o meu eu explicável.

É sol que se parte em dois, transformando – me em cinzas, clareiras se ascendem na montanha, o meu tempo de renovação começa a todo instante.

Transporto-me para aonde o meu ser se abre para as coisas do nunca-vivido.

E o nunca-vivido se revela quando eu estou ou não preparada.

Ali, a linguagem se manifesta através do silêncio do oculto.

Oculto que tem fonte no mistério, e deste somente tenho eu vestígios.

Talvez, bem lá no fundo eu tenha sido vivida por milhares de mistérios, pelos quais, ainda adormeço na ingenuidade de encontrar uma trilha de perguntas maiores do que as que criei por meio de um trajeto suicida existencial.

Como vou usar palavras se tudo que disponho é de um vocabulário enriquecido de frustração e amor?

Não uso, as palavras me usam, a vida que me traga e se alivia.

Os manifestos do meu inconsciente desenham um caminho pelo qual eu tenho que passar quando supero a minha própria solidão.

E estar só é grande, difícil e requer muito trabalho.

Neste momento, sou pequena no mundo e grande em espírito.

Não sei por qual razão me questiono sobre a temporalidade, cada vez mais quando estou quase no limite da sensação do agora, o passado me puxa para trás e o futuro me agarra para frente.

Desta briga nasce o acolhimento.

Recolhimento!

Aprofundamento no ser...

sábado, 8 de janeiro de 2011

::Flores no asfalto::

Está acontecendo um grande conflito ali dentro.

Ás vezes eu fico do lado de fora vendo minhas mãos alcançarem o céu.

Então tudo que é sério eu ando percebendo que eu dou volta nos postes sem luz.

Os carros passam sobre minha pele, esta cidade está apertada demais.

O céu está negro, e tudo agora está quieto.

Complicando minha situação, estou ofegante, existe um desvio no final da estrada.

Tudo está ao redor, e esta noite eu quero ficar dentro, porque eu quero chorar sem ser vista.

Com passos curtos vou caminhar dentro das minhas memórias.

Eu preciso de uma chance para rever tudo sem analisar o que eu perdi.

Minhas entranhas estão doloridas.

O meu peito pega fogo, e meus olhos sangram.

Tive uma overdose de tristeza...

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

::Arvore surda::

Era uma voz noturna,

Sussurrando em meus ouvidos uma tempestade de palavras.

Delicadas sementes saiam de meus olhos.

Eu chorava, lançava em meu rosto pétalas negras.

Um sofrimento infeliz, que me deixava perto da felicidade.

Se eu não tive um só momento de solidão neste dia,

Ali eu estava na companhia de uma árvore surda e muda.

Como nunca acredite, aqueles acordes iam se formando,

Conforme o vento assoprava a melodia da melancolia.

Dia que não irradia, noite que me sacia.

Pele macia, assim era a gentil forma da minha outra camada.

A camada externa, sanguinolenta, violada pelos sentidos ocultos do universo.

Pelos cantos, florescem videiras cheias de raiva,

As esperanças de um tecido que se forma através dos passos longos da liberdade.

Era tudo, em nada que eu podia não narrar, mas eu tentava.

Então ensurdeci, enlouqueci com meus próprios gemidos.

Estava eu desejando demais a liberdade?

Não, eu estava apenas em um dia cinza...

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

::Paralisia Local::

Arranque toda minha pele, tente encontrar o sentido da minha tristeza.

Eu ando me sentindo perdida, como se algo se aproximasse de mim,

E quisesse tudo que eu tenho, e então eu me coloco a justificar o resto que construi.

Todas as coisas choram, a liberdade tem ficado estreita perto das salvações.

Justamente quando a serenidade quer se acolher nos meus braços,

Eu me sinto fraca e puxo com força minha agressividade.

Correr para onde, os laços estão rompidos.

É grave, não tem como escapar.

A chave está do lado de dentro.

Vou mergulhar no abismo e sentir aquela chuva me destruir.

Tento me concentrar, e o que eu penso é futuro ou passado.

O agora não aparece, eu não consigo decifrá-lo.

Tento me concentrar, e tudo que eu consigo, náusea.

Você sente o frio que vem de mim?

As conseqüências são gigantes e eu me fecho.

Não é uma brincadeira, os ânimos estão desgastados,

Sorrir é um veneno para mim.

Sinto, sinto que nada mais pode me salvar,

Sou surpreendida por nostálgicos finais de tarde.

Toda vez que eu olho no espelho, eu vejo uma faixa negra no meu rosto.

O cavalo se aproxima e eu sei que ele quer ver como eu me saio montada no meu destino.

E eu não vou, simplesmente eu levo um tombo atrás do outro.

Então, eu persisto!

Envolvida por uma dor ancestral, e a realização vem do meu ego.

Deste jeito eu vou arrancando as minhas defesas,

Sem lágrimas, eu vou caindo...caindo... até o fundo da minha alma.

Rastejando, e como se meu corpo não tivesse peso,

Os meus joelhos já não sei dobrar para suplicar.

Ninguém neste deserto sobreviveu nos meus sonhos.

O inferno inflama minhas saudades.

Me dê um tempo, eu preciso ir até aonde eu não tenha medo de voltar.

E a volta é sempre trágica e estranha.

Então, esquecer que respiro é só um detalhe.

Eu vou me deixar, como uma pena sobre uma nuvem no oceano...

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

::Dialogos Obscuros::

Que sonolência estranha é essa?

Parece que existe alguma coisa querendo que eu saia deste mundo.

O outro é desastroso,porém não tem nada de caótico.

Lá o ventre jorra veneno.

Não consigo achar um pedaço de mim.

Algo maior se aproxima, é como se eu pudesse a qualquer momento ser soterrada.

É terra firme, grossa, ingênua, aonde as tempestades fazem suas moradas.

Aonde os ventos fazem curvas e amassam os olhos úmidos e doentes.

São buracos gigantes, portas entre abertas, muros esburacados é a morte.

A cama não está feita, e as figuras agora conversam comigo.

Elas narram suas misérias mais profundas e me fazem rir com toda aquela falsa alegria.

Eu tenho medo, mas medo de que?

Pode ser de quem, de mim?

Ora, se isso não me valesse noites a fora pensando em como eu posso vir-a-ser eu acreditaria.

E acredito, fielmente.

Não é medo deste mundo, talvez, nem do outro e nem dos outros que me cercam.

É medo de uma água rasa que coloco os pés, ela é um rio de ponta cabeça.

Não é da profundidade que eu desconfio.

É de quando eu sair dela, o que eu vou encontrar na margem a me espreitar...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

::FATOR::

A outra metade pode não ter uma saída.

Uma pequena parte de mim, um outro gênero de experiência substancial desqualificada.

São sonhos, aberturas inconscientes.

Uma volta por cima de um espírito inerte.

Misturei tudo, uma escuridão por onde caminho a dias.

Todos os destinos estão cruzados, não posso tentar escapar.

Fugir é remediar o que eu tenho certeza que acontecerá.

É fato, o fator é exato.

Inato, bolhas de água, estou de cabeça para baixo.

Negando as intuições, enferma, os cristais estão rachando.

As partículas estão chegando.

Não adianta correr, a distância me aproxima do meu self.

Aqui eu sou, lá não estou.

Aonde os mundos se conectam.

Preciso voltar a dizer que eu posso sempre estar um pouco mais feroz do que fui ontem.

A minha existência é uma penitência por causa da minha excessiva demência.

Se eu contar, eu narro algo trágico, se eu calar, eu silencio o meu fator isolado.

Estou com meu piloto automático desligado...

terça-feira, 28 de setembro de 2010

::O grande conjunto::

É um novo plano.

E o ataque vem de cima, da onde o meu teto está caindo.

A vida é estranha e eu sei que não dá para querer quebrar tudo de uma vez.

Venenoso, sangue violento, famosa dica de uma nova fórmula de destruição.

Pronto ou não o mundo está de ponta-cabeça.

Um lunático com uma luz verde, a luz vermelha ficou presa no farol.

Luta que equivale a 200 quilos é uma mente acesa eu posso ver o sinal brotar da terra.

Megalomaníaca ou não, a idéia da nova versão de mim vem do abismo.

Comendo os biscoitos enfeitiçados, as letras serão alteradas.

Não tem como para tudo isso, é um som infernal.

Alguma coisa está fora do lugar, e eu sei que posso colocar fé nas mensagens que vem de mim.

Pego um trem carregado de tristeza, estou terrificada.

Pessoas correndo, um sangue intoxicado está sendo dividido entre mil e uma pessoas.

Está tudo lotado, então a via mais acessível para escapar, é a morte.

Um prato frio, palavra vulgar distribuída de forma irregular.

Vou pular da ponta do penhasco, a água é gelada e eu tenho certeza que a dor será menor desta vez.

Idiotice ou não, estou de volta a vida.

Juntando cacos, conservando o bem estar, e eu estou falando de tudo ao mesmo tempo e não consigo construir algo legítimo.

Se eu perder o controle, eu sinto que a altura da minha imaginação chega ao topo.

Então, se não conseguir compreender tudo, eu fico até feliz.

Já montei um plano, risquei a parede toda, e agora estou enrolando para finalizar.

E então uma voz no fim do túnel me chama para conversar.

Isso pode ser um pouco folk demais, ou uma agressividade se faz mal compreendida.

Porque algumas vezes eu tentei me explicar demais, tive pretensão de sobra,

Mas a mesa virou e eu estou do lado de fora, vendo os cachorros montarem em seus donos.

Eu não digo que alguém caiu do outro lado da rua, eu estava em alta velocidade.

Então posso suprir algumas coisas e em outras ser totalmente egoísta.

Mas o que eu não quero resumir, eu vomito.

Porque a vida pode até ser radical demais, mas eu vou suavemente deslizando nas minhas memórias.

Não existem vitimas, e os que puxam os gatilhos estão suados feito porcos suicidas.

Esperando que uma ordem seja dada.

E quer saber, não tem preço, o valor dado para cada um é menor que a possibilidade deles atirarem na própria cabeça.

Se isso for uma briga consciente, então eu estou montada em um cavalo sem asas.

Pulando de um lado para outro, procurando um buraco para enterrar minha ansiedade.

Estou com as costas doloridas, tudo está confusa.

Porque quando acordo de manhã, sinto uma dor na cabeça, e então estou escrevendo de novo.

Não tem nada de velho, as desculpas dizem sempre a mesma coisa, mudando o trajeto verdadeiro das conseqüências.

Então, se o ônibus atrasar eu vou correr atrás de tudo que perdi um dia.

Não tenho pouco tempo, mas odeio ficar parada personalizando simplesmente o que tenho como propriedade.

A minha prioridade é fazer tudo dentro de mim, explodir...

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

::SEM FIM::

É vento, chuva e fumaça.

A noite me parte ao meio,

Não existe segredo sem medo.

O medo vem da descontração do céu e da terra.

É o som que sai de mim.

Um tipo de som que mata e fere, mas cura e salva.

É cômico e trágico, é vivo!

Vivido em cada rompimento, sentimento de descontentamento.

É ferro que arde, fogo que queima e se espalha.

É palha que voa com a tempestade.

Coisa de bem, nasce da pura maldade.

Vaidade, senso de sinceridade, bondade alojada no negativo.

Positivo quando vicia, inicia um ciclo vital.

Mortal quando se torna banal.

É água que desce com força da cachoeira.

Som da mata, floresta negra, mergulho no infinito.

Falta de ar, concentração e a fala do inconsciente.

Ele não mente, só omite, na hora certa se revela.

Me ascende nos quatro cantos.

Em prantos não perco minha lealdade.

É realidade que se esconde debaixo das asas do dragão.

É melancolia pura, cheiro de honra.

Desonra que afronta a si mesmo,

Descobre que no fundo, esteve brincando com a própria saudade.

Saudosa de mim!

Que viajo sem medo de chegar no fim...

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

::Fogo no céu::

Fogo no céu!

A morte é uma calúnia para os sobreviventes do atentado a vida.

Tulipas e rosas, um cheiro de amargo toma o ar.

Abra os braços, a solidão restaura o amor que anda de cavalos descalços.

Cavalgando por ai, não sabe se vai, ou se fica.

Volta quando o sol não é mais capaz de aquecê-lo.

O quente ardor da angústia é tentador.

É frio, sempre congela o coração abalado.

Cinzas, pétalas choronas, faíscas ranzinzas.

Dorme enquanto some de si.

Em si, acorda sorrindo com lágrimas no colo.

É inverno!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

::Movimento vermelho::

Não cabe em mim.

Nem mesmo ajustando bem forte, ainda assim, não vai!

Um empurrão e lá estou eu novamente andando na corda, o abismo!

Me perco entre sonhos e realidades paralelas, entre os mundos aonde reconheço meus medos e vaidades.

Nesta cidade sem muros, aonde a perseverança não morre e o cheiro de morte não existe.

Aonde a minha fala é sinfonia e os lenços são pintados de vermelho sangue.

Por tanto, me perco aonde existem cinzas.

O pó entra em meu nariz, aspiro o que já fui um dia, transpirando o odor do cansaço.

Visto meu casado de pele, pele marcada feito boi.

Aqui não dói, é tudo uma questão de tempo, movimento antropofágico!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

:: Porta de escape::

É para dentro que as coisas correm.

E lá ficam, fabricando armadilhas inconscientes..

Não existe porta de escape, existe o cara a cara com a própria realidade.

Porque, se eu contar os pontos eu saio perdendo.

Servindo a uma rainha interna que sempre quer me deixar para baixo.

Eu fecho a boca para que ninguém saiba o quanto eu ando desapontada com tudo que tenho construído...

quinta-feira, 29 de julho de 2010

::SOBRE O SOL QUE NÃO NASCE::

Eu sei, as vezes tudo é um pouco mais difícil porque eu não costumo deixar que a simplicidade me invada.

E o silêncio faz crescer em mim raízes, negras, suculentas e dolorosas.

O tempo não para de correr e minhas pernas já estão gastas demais para avançar conforme a ampulheta da vida.

Estou construindo um castelo, ele é longe da civilização, ali algumas coisas morrem, eu não.

Os anos vão se passando, e sinto uma necessidade estranha de estar sempre cogitando tudo que tenho e a falta do que não tenho, nunca me incomodou.

É preciso muito, friamente uma dose alta para me incomodar.

Os cômodos estão girando e a toalha ainda está molhada, o meu suor na madrugada, cheira a um campo cheio de flores precisando de água.

Toda vez que eu percebo que alguma coisa vem surgindo em minha direção, viro de costas, e sinto passar por mim um aroma delicado de saudade, e no outro instante, já me perdi neste cheiro azedo de pouca vaidade.

Mármores gelados, sinto como se cada parte do meu corpo estivesse enrijecida, algumas vezes eu penso, penso e só penso, e não consigo deixar de levitar.

Eu viro um balão, cheia de movimento, com uma corda frágil que me prende ao chão.

Quando me puxam, vejo a força que tenho e minha fraqueza é alimento para esta minha falta de terra.

Eu deveria sumir, por um momento inteiro e voltar refeita, não, pensar assim só trás de volta um sentimento de angústia estranho.

Uma melodia atormentadora se forma em mim, uma sinfonia me destrói, sinto as cordas arranharem minha pele, estou envolvida pela mesma música por milênios.

Milênios são segundos, e depois disso, vem àquela famosa queda.

Daquelas de ranger os dentes, me ofereço às cicatrizes, sou drama, perdi o controle da fala.

Agora eu sussurro!

Não sei, acho que eu deveria aprender a falar.

Falar de verdade, sem cochichar, me fazer nítida mesmo quando eu estiver a ponto de derramar todas as lágrimas possíveis, ali, eu seria um pouco infeliz.

Ser feliz é questão de estar, onde eu estou?

As veias entram e saem do meu corpo, a todo tempo.

Não posso resgatar alguma coisa falta, ela volta quando quer me ter por um belo instante.

Sou eu, eu quero me ter por um belo instante.

Mesmo que de costas para tudo, eu estou ali.

Ou ao menos penso que estive...

Não sei se ando triste demais, ou se a felicidade pode ser uma opção.

Optar pelo que?

Aonde começa a felicidade?

E se faz tanto bem, porque vai embora e bate a porta e volta quando quer?

Tanto faz, fez, farei de novo, perderei a vontade de existir como não quero, serei intuição forte.

Sem martírios... Só esta noite, por agora sou eu!

E isso já não me fascina mais.

Enjoei de mim de novo e agora?

Renascerei das cinzas e assoprarei as velas e deitarei no meu túmulo, depois, me cobrirei de terra azul, nomearei a mim mesma de solidão...

sábado, 17 de julho de 2010

::Sem Sol::

Caminhando aonde os limites não existem.

Aonde o fraco esconde a força no sangue.

As pessoas estão andando devagar,

Eu posso ver as lágrimas escorrerem para dentro com violência.

Tudo já está sendo cobrado,

E a dor vai se sentar na porta dos vaidosos.

Lá dentro as coisas são diferentes, elas não deixam de gritar...

terça-feira, 13 de julho de 2010

::Demanda::

Eu quero uma sandália calada, que não seja capaz de contar os meus passos.

A cidade agora está encantada...

Os prédios estão destorcidos, para onde eu vou caminhar?

Então agora não tem prosa, a demanda da morte é longa,

E o relógio grita sem parar, é hora da rosa chorar...