quinta-feira, 2 de abril de 2009

...EFEITO DO INSTANTE...

Essa será  uma tempestade forte...

Tudo o que era meu, vi carregado por aquelas águas negras.

Não falo de um acordo com o meu próprio intelecto, eu ando por lugares aonde eu deixo o meu rastro de forma triste.

Não digo que não sou feliz, mas a minha felicidade ainda é muito obscura.

Os atos da minha falta de razão refletem no meu dia –a – dia, acabei por viver uma constante vivência de falta de tempo para eu mesmo.

O que acontece comigo desta vez?

Sinto – me tão pequena e magoada, feito criança chorona esperando a mãe para nutrir o mundo fantasmagórico.

Se já não me bastasse, agora tenho que fazer meus esforços matinais, acordar tem sido um pesadelo.

A luz da manhã, não mais é poesia, são aquelas crônicas que eu lia quando adolescente.

Por deus!

O despertar, a intuição, aquela paixão que sinto quando tenho coragem de dizer a vida que estou pronta para ser vivida por ela.

Solitária, vivo uma drama sem foco, meu pensamento substancial ainda é expansivo, eu me perco nas linhas por excesso de equívocos, por considerações tão intimas que, sou capaz de fazer sexo sem usar a genitália para transportar o prazer cósmico para o meu corpo.

Recolher tudo de novo, já que os ventos não podem resumir os ritmos cardíacos que tem, acolhido minhas horas de sofrimento, eu vivo um sonho horrível noturno.

Vamos lá, eu sempre preciso morrer todos os dias, é um luto quase cruel, mas confesso, delicio-me com minhas próprias fantasias.

Do passado mais distante, eu traço minha contestação sobre a individualidade que anda com suas milhares de pernas pelo mundo, procurando um abrigo raso, com medo do ego ser tão profundo.

Que consciência de ego traído este meu!

De fato, estou um pouco mais que apaixonada desta vez, eu sinto!

Pressinto que neste sólido “estar”,  ando sendo alvo do inconsciente mais latente, que de tão ardente, queima-me como brasa, arranca-me este coração e transporta-me para o sub-mundo-vivido.

Já senti muitas coisas pelas quais, fiquei longe do instante verdadeiro, aquele instante pelo qual, eu não trocaria a eternidade, sim, aqueles instantes em que, sou feliz, e esqueço  o porque disso.

Esta descontinuidade deformada da minha existência, me torna criativa, as vezes destrutiva, por outras, sou eu mesmo vivendo o outro com intensidade. 

Que papo é esse, meu altruísmo ainda tenta me deixar muda!

Por outro lado, entregam –me um esquema ingênuo, neurótico e infantil que guardo na minha mente a sete chaves.

Tempo ainda é tempo, e eu quando o vivo , ainda sou muito teórica. Livrai-me disto! Lave-me imaginação!

Eu não quero que tudo dure para sempre, eu apenas quero que tudo dure um tempo, suficiente para que eu , consiga imortalizar o que senti durante a passagem dele.

 

segunda-feira, 23 de março de 2009

...PAINEIS...

Eu sinto, eu posso sentir...

 

Ela aborta suas necessidades, ela está atravessando o rio da dor.

Os ventos são fortes e ela não desiste de dançar.

Os pratos estão todos sujos, as compreensões estão desgastadas.

Reorganizando tudo, ela irá explodir!

Ela está andando fora dos trilhos, eu posso reparar nos seus riscos mais profundos.

Agora eu  não posso lhe dar a mão, o tempo está curto e eu estou separada do mundo.

É fácil, tão fácil, eu vejo a dor, eu vejo a tristeza rondar o medo dela.

A felicidade está apertada, e os olhos dela vivem úmidos.

Eu quero desatar os nós, eu quero destruir os vínculos que temos com a saudade.

Ela suja sua mente, ela abusa do mal que quer o seu próprio corpo destruir.

Ela não quer que o tempo acabe...ela não quer o tempo!

Para onde estamos indo desta vez?

Eu tenho que usar o “nós”, pois, sinto que estou andando rápido demais,

A ponto de ver as janelas abrirem e fecharem muito lentamente.

As conseqüências, para onde estamos indo, para o barco que vive sozinho no fundo do oceano triste.

Que lugar é esse que eu cismo em tentar descrever?

Sorria, seus lábios não podem mais anunciar o seu rancor.

Lá fora todos estão vivos, e aqui o frio é matador.

Os ossos congelados, o rosto arruinado pelas expressões de inércia.

Mantenha –se viva!

Acorde, as nuvens ainda estão lá foras para lavar a sua angústia...

 

sexta-feira, 13 de março de 2009

...SUB MUNDO...

Sinto o gosto do amanhecer secar os meus lábios...

 

Eu ouço o som vindo do meu peito,

Meu coração está em chamas.

Não mais sou triste, não mais triste, por delirar.

O que então sinto que, tanto pressinto triunfar em mim uma criativa vontade de sonhar?

Eu me afogo na atualidade.

Mas volto a ter ar,  no clássico romantismo do eu, calado.

Sinto –me um embrião, louca, com meus devaneios rastejando em meus cabelos.

O desprezo do meu ventre, faz minha mente rodopiar.

Delicados movimentos suaves, agitam as árvores que brotam dos meus pensamentos.

Alguns deles muito insanos, outros carregados com a leveza da minha infância.

Não sinto cheiro de medo, eu ando ausente em acomodar-me com antigos hábitos noturnos.

Aqueles que, alimentam meu passado e fecham as cortinas do meu consciente.

Que chovam os pálidos olhos modernos.

Tudo em mim, nasce do impacto.

Vale dizer que, não prossigo com batalhas cansadas.

Já bebi todo suor que vivia escondido nas minhas feridas juvenis.

Agora as figuras estão caindo no penhasco.

Observo-me atenta, obscuramente não tenho mais vigiado a minha insegurança.

Esbarro no sarcasmo!

Não posso subtrair as sentenças pelas quais, fui julgada e punida pelos fenômenos do mundo.

Eu sempre vejo as portas sendo abertas pelo destino.

Não como previsão, mas como sentido do sensível tocando-me o útero molestado pela vaidade.

Vida humana, vida sub-mundana, vida dentro do sol, o colapso estéril.

Ando histérica e cheia de gente.

Caminho entre os arbustos negros aterrorizados com suas histórias míticas.

A energia é de queimar qualquer karma,

E a experiência é feroz como um bruto desfecho com a alma.

Não mais viverei eu sob a verdade,

Ela agora viverá sobre mim.

Vou restitui-me!

Agarro o acaso pelas pernas, resistindo o doce gosto do prazer momentâneo...

Empenho-me nas palavras par dizer que, hoje eu não vou ser covarde!

Agora o domínio custa caro, e o enigma da vida brota no tédio do cansaço.

Nem mais consigo eu, dormir... exponho-me ao léu.

Nos mundos, sub-mundos, aterrada com sucatas de experiências desafinadas.

Fiquei muda!

Mudei!

 

quarta-feira, 11 de março de 2009

...IDENTIDADE...

Alguém me diz que, eu preciso sorrir.

Mesmo que seja este meu sorriso calado de canto envergonhado, eu tento.

A vida anda em linhas tortas, e eu ando desgovernada.

O tempo anda rápido e as minhas pernas estão cansadas demais deste ritmo louco.

A intensidade me acompanha, nos abraços da saudade eu continuo caminhando.

A lentidão da manhã deita nos meus braços, em traços eu desenho minha humildade.

Se eu não fosse humana, seria um animal que vaga entre as luzes perdidas da cidade,

Procurando abrigo nas horas escuras desta metrópole covarde.

Então, alguém vê a escuridão, por onde eu atravesso instantes cheia de descontentamento?

Não é preciso, é esta a necessidade na qual, vivo atropelando a minha sinceridade.

Um vulgo, um sensível vulgo, a densidade das paixões caem sobre terra.

Eu amo um atraso atrás do outro, eu vivo um antecedente social.

Não existe uma precária situação moral, existe um vinculo social atrapalhado.

Eu fecho meus olhos e o que vejo, novamente um delírio sob um sol de 40 graus.

As minhas mãos estão frias, e hoje o aconchego da minha alma, não basta!

Eu crio situações em que, eu possa estar confortável com o mundo que eu construo,

A partir das coisas que eu tenho visto nos meus sonhos.

Ali, contos de fadas e realidades misturam-se em um perfeito balé de sentimentos.

A tristeza me acompanha, não me sinto tão mal, sinto –me apenas responsável pela dor que,

Atravessa meu sorriso e morre no meu coração.

Eu não aprendi a dizer as coisas que estão no meu ego, meu ego anda infantil demais,

Chorando, trabalhando, constituindo a minha fala egoíca – sensorial.

Ah quem diga que, eu possa morrer tentando descobrir a vida.

A vida morre todos os dias, e eu renasço em um estardalhaço da minha existência.

E, existir, é difícil, complexo e mui prazeroso.

Viver diante do bem e do mal, trás de volta a minha paz, leveza e paixão pelo desconhecido.

Estou conectada a algo que não sei descrever, não monto planos, eles me consomem.

Sou possuída pelo agora, e agora eu vivo intensamente este viver dentro do mundo substancial.

O imaginário cria a minha identidade que, perco todas as vezes que tento manter uma certeza.

Eu desmonto a vida, preencho meus vazios e logo, volto a ser o que eu não imaginei que seria.

Eu, no outro eu, sendo teu no meu eu !

quinta-feira, 5 de março de 2009

...EXIGENCIA...

Então, eu ouvia todo aquele barulho que brotava dentro de mim...

 

Meus lábios mexiam –se mas nada diziam!

Em nome de que eu estava muda?

Parecia que meus olhos estavam prestes a explodir de vez, a imensidão da minha dor, era mais do física e sentimental, era divina!

Pouco importava para mim, prestei atenção nos ângulos de minha existência que queriam me prender neste lugar estranho chamado , desconhecido.

Não fui grossa, em nenhum momento eu me abstive de dizer nada, por isso a luz apagou-se lentamente.

Que maldito diálogo era aquele?

Eu falava mais de que meus ouvidos mereciam de presente. Eu estava ali apenas atuando como julgadora.

Lagrimas finas, com camadas de solidão áspera, quase vulgar.

E esta necessidade terrível de praticar o sistema evolutivo mental, causou-me náusea.

O que era aquilo que brotava de mim?

Lamas escorriam pelos meus olhos, meus pés inchados de tanta persistência, eu não queria descansar, queria o fim de tudo.

Não era esse o real prazer das coisas, eu ainda fico tremula quando penso que o peso da minha consciência  causa atraso na minha imanência.

Minhas veias pareciam vermes gigantes, prontos para cuspir ódio.

Era inegavelmente um sonho dentro de uma vida sonhada.

Um inferno, eu vivi um inferno em menos de uma vida toda.

Que sofrimento voraz este que me consome?

É mais do que amor, é como querer morrer amando eternamente, não faço sentido algum neste momento.

Vou perpetuando algumas conseqüências, o dia de abrir a mente e deixar a lua me banhar de escuridão.

Ora ora, não sei mais ser tão mórbida, brinco com a realidade como se ela fosse irreal.

Mas olha, que grandiosa diferença faz pensar em mim neste segundo....

Pensar, olhar, reclamar, chorar e ser mimada por mim mesma.

E tudo por causa de, sei lá o que acontece quando eu penso sozinha no meu quarto.

As horas ali parecem intermináveis, mas eu existo, bom, até onde eu sei, existo e preciso ser absolvida pela minha própria moral.

Ser sensível não era possível para mim ser neste instante.

Eu me teria usada por anos... as minhas bordas estavam arregaçadas pela angústia.

Fui infernal e livre, não me preocupando com o quanto eu teria de me contorcer para entrar neste mundo.

E cá estou eu!

Pequena....

terça-feira, 3 de março de 2009

....ABSURDOS...

o que realmente acontecia que eu não estava percebendo que poderia mudar?

Falo do que reina dentro, lá no fundo da minha alma!

Quanto acatamento de regras, reportar ao fundo da minha existência uma salvação para os meus dias de morte.

Eu ando perdida, carregando esperança debaixo dos braços cansados, fadiga múltipla de quem, obviamente trata-se de uma viajante.

Um ventre que não assopra os ventos do oriente, eu parecida mais com uma idosa cheia de evidencias de uma juventude pouco ingênua.

Dezenas de pensamentos rodeiam os meus ancestrais sucessores da minha carência.

Não vou falar que não farejo maldade de longe, meu faro é de loba, não tem mistério,

Quando aprendi a abrir-me para os jornais dos mortos, reparei o quanto estava mística.

Ao mesmo tempo que nas recordações eu me perdia, eu recriava um mundo cheio de ossos,

Valiosos, um trânsito pesado de sentidos violados.

Eu nunca temi a morte, mas, corria da vida quando ela tentava me abraçar.

Hoje, apesar da pouca distancia de mim mesmo, aprendi a revogar os meus direitos,

A bater as perninhas quando a minha fonte do desconhecido se esgota.

Abro-me ao novo!

Em poucos minutos vou deixando este mundo...

Em um piscar de olhos, resolvo não mais pronunciar a vaidade que está contida em minha alma.

Quantas luzes, vagalumes loucos, fibras energéticas desfilando na minha frente,

Pudera eu, cheia de descompostura as vezes irrito-me até mesmo com a cor do céu.

Pobre de mim!

Não vou falar mal dos indícios porque, eu não tenho vida irreversível.

Certamente seria um absurdo eu concordar que estou o tempo todo perdida, pois,

Justamente quando estou perdida, entro em um caminho pelo qual já conhecia.

Que diabos eu quero também, vivo sempre rodeando os anfitriões do destino,

Eles as vezes fazem pouco caso e não dão um só sinal de vida quando quero.

Não podem eles imaginar até que ponto eu estou aflita esperando respostas.

É um golpe baixo, eventualidades espalhadas pelos cantos obscuros da minha consciência.

Dali, brotam simbologias, inevitavelmente eu vivo o sonho do nunca – mais.

Vou eu dizer para o mundo que não sou isso mesmo, majestade!

Tratando-se de um assunto um tanto que medíocre, falar de mim, já é absurdo.

Aprendi a ser delicada, boas noites de falta de sono, lá fora eu resgatei a minha permanência suave nesta noz.

Primeiro eu resolvo voar, agora quero fincar-me de vez neste mundo, ah vivi!

Lembrei – me de outonos quentes, de invernos pavorosos, de primaveras sutis, e cai no maior verão cheio de tempestades.

Os devaneios que tanto amo, acolhem – me do falso paraíso.

Estou só, por este caminho, meu coração, dominado pela sensação do novo.

O amor por aqui não grita e nem geme, ele sussurra baixinho, satisfeito.

Se eu resolver morrer de novo, não abstenho- me de sentir a eminência me tocar.

Estou refrescando a mente, a maré está alta.

Está por vir a grande lua cheia!!!!

sábado, 28 de fevereiro de 2009

::JAIL::

A jaula está aberta!
E os truques não estão nas mangas, e os olhos escuros se escondem entre os famintos diálogos exaustos.
A temperatura da cobiça está em alta, a deselegância bate as portas do coração.
Temor, genialidade genuína, abracadabra!
As lanças estão afiadas, os desejos apontados para o céu.
A torre está caindo, a carruagem aproxima-se do bosque!
Não adianta ser leigo, e a inteligência brota do sensível.
A desordem está armada as freqüências estão desorientadas.
A anfitriã tirou férias e não sabes se volta para este mundo.
A caçadora anda comendo carne humana, devorando o sexo frágil coagido.
A dominação encontra repouso no ar e os ventos são pavorosos.
Tempestades aproximam-se do horizonte cinza, e as paredes verdes ao de cair.
A mente está voltada para a fresta da obscuridade.
O mistério chama, a vida cala-se, a vontade de existir clama por silêncio!
Estou levando a vida sussurrando, baixinho, no ouvido do invisível...

::VALORES::

Alguém me ensina a construir uma torre de palavras?

Eu vi um risco vermelho no céu, vi uma estrela morrer...

Venha, entre dentro de mim, eu vou mostrar como eu fico por aqui.

Falo, insisto, reparo todos os danos um por um, as memórias ardem como brasas,

E o fogo não é eterno por aqui.

Eu sinto falta dos dias de inverno, da solidão que procura aconchego em meus braços,

Dos ímpios que procuram uma verdade para sustentar seus vícios,

Tenho saudades de tudo que entrega meu entretenimento de mãos beijadas para o abismo.

Quando escrevo, tento dizer tudo que não posso calar, e acabo por calar-me diante de mim mesmo.

São dois lados, opacos, trágicos e cômicos, comigo, eu persisto em não ser breve,

O caminho longo sempre me atraiu, e eu não tenho medo destes compromissos,

Fico tão cansada a ponto de nem ao menos conseguir dormir.

Eu faço o desabafo, nem poesia, prosa me satisfazem, eu uso a escrita corrida.

Tenho majestades, magos e humildes em minha vida,

Devoro o caos, trago a morte e vivo a vida pulsante vivida.

E se for para falar de tristeza, eu choro, mancho linhas, desabrochando meu inconsciente.

Se for para falar de amor, crio as frases imperfeitas em busca da perfeição.

Me lembro de cada gota que já derrubei, de tudo que cansei de um dia saber,

De não entender que o mundo está a metros de mim, e eu estou longe sem assim o querer.

Não posso mais me afogar, o mito está morto.

Revivo anjos e demônios, arcanos e inferiores, brinco de Deus!

Vejo o por-do-sol pela janela, sincera, demente porém consciente.

Não tenho uma coleção de acidentes, sou um instrumento frágil,

Penso nas manhas da manhã, construindo gaivotas no horizonte vertical.

A mulher em mim, amada, promove uma jornada errada muitas vezes,

A porta por onde entrei é justamente pela qual nunca quero sair.

Uns entram em mim, e saem atropelados pela densidade,

Outros, nunca experimentam, para estes eu escrevo os líquido da minha existência.

Adoeço todas as manhãs, mas não deixo que minha alma se aborreça o dia todo,

É preciso comer para se viver.

Devorar para se entender que é preciso desfechos, anseios, um útero maior do que o meu para viver em sociedade.

É preciso ser vivida pela vida!

 


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

...ALGUÉM...


Em pequenos passos eu traço meu destino...

E se o destino for algo semelhante a chorar por dias sem saber o que se fez, então, o presente eu rascunho em uma folha florida.

Se for para falar de amor, eu fico em silêncio e vislumbro o céu que me guia.

Se for para falar de dor, eu anuncio que, estou sempre partindo de onde não consegui imaginar.

E se tudo for um pequeno excesso em minha vida, eu aprendo a apreender os instantes em que sou feliz,  e tenho vontade de morrer naquele segundo.

Chorar, brincar que se pode esvaziar-se da angústia, eu sou incapaz!

Mas tudo volta, como grandes círculos tudo volta, desenhando a origem do ressentimento.

Não é preciso que tudo seja perfeito, também tão pouco é preciso que, aja sofrimento em tudo que se sente.

Sentir-se, inundar-se da mais profunda beleza do mistério do existir, compreender!

Quem ama sente tanto, mas tanto, que uma hora não sente que sente.

Para contornar as mudanças, ares novos, paisagens desertas, abismos renunciados.

A aurora grita pela salvação, e neste instante, não adianta reclamar, é só ouvir os sussurros do passado.

Milhares de janelas abertas, rostos brilhando, outros, ofuscados pelo temor do dia seguinte.

Ainda existe luz!

Ainda existe trevas!

Ainda existo!

Persistindo na consciência que busca, a autenticidade aonde é proibido sofisticar os pensamentos.

Lamentos, cobiças, argumentos atrevidos de quem sem saber, acaba por derramar litros de lágrimas salgadas pela miséria de si para com o mundo.

Para todos os dias, paciência, dignidade e saudade do que se foi.

O que habita nos dias de inverno, hoje são sementes para uma primavera saliente, que nasce como o sol  e banha-se de sombras, como o deitar da lua no céu.

Não tem como não permitir sentir-se triste, não é possível deixar de omitir o que se passa conosco.

A vida tem seus caminhos, uns diferentes dos outros, porém, todos tem uma única direção, o des-fecho da jornada.

Uma fornalha que fabrica encontros bons e ruins, aproveitáveis na maioria das vezes em que, nos permitirmos vivenciar tudo se exagero.

Tornar-se um andarilho quando, corremos de um lado para o outro, procurando o instante em que fomos tocados pelo infinito.

Não adianta correr, precisaríamos de ombros amigos, refúgios, uma espécie de outra atmosfera para resistir a pressão que vivemos.

A pressão do que se foi, do que foi lamentado, do que nos faz ofegantes quando observamos que estamos presos naquela estante de desejos, usando amostras do que fomos, e do que não fomos por assim dizer.

E por falar em dizer, nenhum diálogo dói mais que, a resistência de que algumas coisas não mudaram.

Este falatório coletivo não supre nossos quereres, eles enchem, enchem e se vão na tempestade.

Tudo individual, nada constante, absoluto por aqui é, um deslize pelo qual costumamos a aprender a escorregar em nossas próprias memórias.

Quem vive, vê, quem quer morrer, prefere esconder-se a revogar os próprios dizeres íntimos:

“Alguém tem que me ver, alguém, alguém, ninguém, sem ninguém, alguém, eu, sem ninguém

 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

...Contato...

 Eu desenvolvi o meu mal!

Sem medo de poder voltar atrás das coisas que me possuíam.

Desespero é algo que faz com que meu sangue corra em minhas veias de uma forma excitante.

Me desculpe, as vezes eu fico fora de controle, buscando algumas razoes que não existem em meus contextos íntimos.

Mesmo quando eu deixo o vento entrar, ele ainda não respeita meu espaço e arrasta minhas folhas tristes por todo meu quarto.

Então é isso, as coisas estão me puxando para baixo, e eu tenho um apetite insaciável pela busca das memórias que tentam revogar espaços em minha imaginação.

Eu tento escrever com o coração, mas a minha intuição fala mais alto, eu acabo por rabiscar todas as figuras da minha ausência, usando metáforas de quem eu fui.

Não existe tensão maior quando vou arrumar minhas antigas bagagens e um antigo bilhete rouba a cena!

É nesta hora que eu penso que o futuro está me cutucando, procurando minhas respostas, assinalando as perguntas mais subjetivas para que eu possa viver intensamente a vida que um dia roubei de mim mesmo.

Conto até 10, e suspirar as três da manhã é quase um suicídio temporal...

Ascender a luz, rasgar os medos todos ao meio, escrever sobre uma dor que não passa, e um amor avassalador que cura minhas cicatrizes mais profundas, não exige mais de mim de que, o próprio silêncio que me assombra.

Abro e fecho diálogos, agora sem fala rústica, eu desenho nos painéis do meu inconsciente o que eu estou sendo naquele momento, por isso, estou aprendendo a desenvolver um padrão de consciência melhor para com o mundo.

Subo e desço degraus, os ossos meus, rangem como antigas escadas do descaso, e minha boca está fechada para o meu próprio sentido do oculto pensar.

Refletir trás de volta o brilho que eu perdi em uma dessas esquinas qualquer...

...Marcas...

Os sinais estão sumindo, e eu não consigo ver mais nada no mundo que pudesse levar a minha memória para um lugar confortável, eu já não posso mais desculpar-me pelo que causei...

Eu sinto muito, isso é verdade, eu até tentei segurar suas mãos, e eu não pude, você me podou de teu jardim secreto.

Não posso mais voltar atrás, as realidades foram separadas e o tempo tem sido cruel, porque eu olho através do vidro e os campos verdes estão vazios, alguém partiu.

Eu estive por perto, mas errei tanto que,  o inverno tratou de encobrir minhas lamentações.

Aprendi a respirar, apenas respirar, mesmo quando eu percebia que estava tão longe de você, que poderia me perder nas minhas fantasias.

Não posso mais pular o acaso, a separação de tudo me consumiu!

Estou dentro de uma jaula, querendo alegar o quanto eu fui estúpida, para que você soubesse, que, ainda existe algo teu dentro de mim e eu não sei o que fazer.

Eu mudei de linha, teci milhares de colchas, mas nenhuma delas tem o valor que um dia tiveram, pois, mesmo com dor, eu fui capaz de falar de amor, com um ar sereno e fiel.

Eu te fiz chorar, eu derramei tuas últimas esperanças, mas eu corri tentando te alcançar quando você quis fugir, e eu fui incapaz de ter fôlego para te acompanhar.

“Corre, porque em pensamento eu não consigo deixar de te procurar”

Eu começo pelo lado trágico, porque minha comédia está sendo vivida em linhas marcadas pelo passado.

Por mais que eu escreva milhares de palavras, eu não consigo transparecer o quanto sinto a sua falta, o quanto eu daria tudo para poder olhar em teus olhos e dizer que, sim, você estava certa todo este tempo e eu estava aprendendo a lidar com tudo que um dia você me ensinou a jogar fora.

Estou aqui, sentada contando histórias, todas reais, e por Isso, a maioria tristes, porque eu menti tanto, que agora eu sei o quanto você era real para mim.

Ando cansada, mas nada me tira o ar, a não ser que, eu permita que você vá embora por uns dias, mas você sempre volta, e cada vez mais forte para dentro de mim.

Baby, eu sei que eu fiz tudo na escuridão, e queria muito que você pudesse me ver mudar...

Não consigo nem mais me afogar em minhas folhas, algo lá fora me chama e o concreto me trás a revolta de quem eu era dentro do seu mundo tão sofrido, sim, eu fui insensível e amadora, eu deixei você sofrendo enquanto eu ganhava sorrisos  egocêntricos.

Me leve para fora, eu não consigo mais, eu estou correndo a dias e não sei por onde ainda não passei.

Eu quero dizer que, plantei novamente tuas flores, e pintei suas borboletas nos cantos da minha imaginação, agora elas me trazem os dias coloridos, quando as trevas tentam me seduzir.

Eu ascendi a luz!

Ainda estou sozinha...

 

 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

...SUMIR...

Será possível ajeitarmo-nos as mãos que puxam o passado anacrônico para dentro do bolso do mal – estar?

Será que podemos ponderarmos nossos pensamentos ao nível elevado do sossego que nasce nos olhos aflitos do não – revelado?

Se a vida canta, ela vive com sua voz rouca a tentar nos comunicar através do silêncio que nos conturba, instruindo as nossas loucuras água abaixo do entendimento que nos falta.

Se falar Tornou-se tão difícil, agora guardar um silêncio do antigo, é quase como questionarmo-nos a ponto de que, desligamos a nossa fé, por falta de lealdade.

Somos seres humanos protegidos pelo acaso, e a rebeldia que nos jorra vida pelas entranhas do desconhecido existencial, elabora planos, indignados e inquestionáveis projetos obscuros, oportunidades que entram e saem dos nossos olhos, sem nem mesmo condicionar as nossas intenções.

Um dia me perco, um dia desses, eu me lanço da ponta deste navio, e descubro o mar em fúria, este mar que, vejo as ondas arrastarem a minha vivência para a margem do mundo.

Quem é digno de saber de toda a verdade?

Quem vê a verdade a olhos nus?

Acredito que, nenhum ser humano tenha completo acesso a verdade, não falo desta verdade que pensamos conhecer, a verdade minha, tua e dos outros, falo do que existe de maior, a verdade nos atos da ancestralidade.

O que move, o que destrói, o que rima com vaidade, e não se desloca para o racional, o que vive nos esconderijos do presente, e se manifesta poucas vezes no cotidiano, acorda!

Acordar em um dia escuro, aonde a vítima foi morta, e os suspeitos andam de braços abertos para o vento que,  os arrastam pelo descontentamento do contente ser ausente.

Para que dizer tanto, se vive-se tão pouco o que se tem para ser vivido?

Nem mesmo o famoso silêncio coopera...

As vezes é preciso que eu passe dias andando por lugares estreitos em mim, para ver uma nova paisagem abrir-se diante de meus olhos.

Fantasias, criações, contos, vida, alheios motivos que me movem também, a ser este ser pulsante, que não se ausenta de tantas coisas, que com tanto tempo, aprendeu apenas ter duas pernas.

A quem consiga questionar os mistérios, mas poucos, muito poucos, sabem as respostas, por isso, contemplam o próprio fracasso de dizer que entendem tudo o que se revela.

Eu já não sei mais do que falo, sinceramente, eu me perco!

Eu gosto, confesso, sinto um sabor maravilhoso quando começo a escrever e me enrosco em minhas próprias palavras.

Dali por diante, eu desapareço...

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

...sonhos...

E hoje eu descobri que, tenho de descer até a minha escuridão e levar um pouco de luz para o meu lado inferior.

Estou tão cansada da mesmice da visão contemporânea que me foi dada, hoje eu quero a cegueira do estar.

Deixo – me, esta decida será majestosa, e sem onipotência alguma devo eu descansar.

Se alguém perguntar por mim, eu vou dizer, estou aqui, bem no fundinho, remoendo, procurando um modo de me encontrar novamente.

Se me faltar letras, eu sublinho os antigos dizeres que tanto eu desapreciei um dia, não devo revogar as minhas mágoas.

Se este sol se põem, reluz vida sob meus olhos, esta nitidez cheia de fobias, cheia de múltiplas desgraças, a minha alma reluta por um pedaço no espaço que está por terminar.

Se isso tudo for loucura, me banharei com um perfume doce das manhãs, e deixarei que as abelhas chupem o meu sangue até a última gota, até que elas, enjoem da meu gosto.

Se eu pudesse colocar um sonho dentro de outro sonho, e viver uma realidade fora destes sonhos.

Já que não posso, sonho, mas vejo o real manifestar-se através das fendas da minha vida, por mais que, muitas vezes exista um grande ardor em tentar reviver o sonho que fora gasto.

 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

...Descaso...

Eu vi, senti e menti!

Arremessei as lágrimas para o outro lado da avenida.

Ali estava eu, mais uma vez, abrindo e fechando minha boca maldita tentando silenciar a minha dor.

Quantas vezes eu não pude fingir que estava ali?

E talvez eu estive, mas não resisti tantas sensações.

Fui egoísta, quem deixou de ser um dia, eu fui,  mas omiti.

Foram milhares de adeus, não fui convincente a ponto de não contrariar o que eu fingi existir.

Mas ali eu existi, habitei, criei, sonhei, morri e me levantei, por milhares de segundos.

Da mesma forma em que eu destrocei um coração, eu parti o meu em picados, um monte deles.

Que força psíquica foi aquela que não arrebatou um anjo tão lindo que rodeava o meu inferno?

Foi a minha força, uma estranha e nebulosa força, que não se iguala a dos dias de hoje.

Quantas tempestades eu vivi, sem poder viver a claridade?

Quantos tormentos eu guardei e não chorei por vaidade?

Eu me humilhei e desabotoei alma por alma, acabei convivendo com os vãos de luz que eu não apaguei.

Não fui poeta, não aprendi a escrever, eu apenas sentia, via correr o meu pânico, minha cegueira, meu papel de farsante primária, e me arrependi.

Talvez tarde, ou esperava eu que a noite me abrigasse, não vi o retorno, não fiquei, fui para o final.

Eram acordes desordenados, vulcões acesos queimando belos jardins virgens.

Não fui mulher, nem menina, nem sonhadora, eu fui e construí a própria tragédia encarnada.

E por mais que eu possa deixar em linhas o meu descaso, eu ainda me caso com a solidão.

Não a quem vem dos outros, mas a que vem de mim mesma, que rompeu com o mundo.

Agora sinto como se, alguma coisa me ofuscasse depois de tanto tempo,

Algo ainda resta, e os restos me fazem rastejar atrás das paredes verdes.

 

 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

...VIDA...

Com o tempo aprendi a enxergar de olhos atentos diferenças. A reconhecer a sociedade pelo que ela escolher ser vista.

Eu ainda procuro vestígios de pureza, as vezes encontro, as vezes é rápido demais, eu desapareço e minha esperança, persegue as minhas crises.

Os meus conflitos não são mais como antigamente, eles tem outra forma, cheiro, não mais juvenis, apesar de que, vivem brincando com minha idade, formando pré-conceitos do que por mim fora vivido no antigo quadro existencial.

Eu já sonhei bastante de olhos abertos, já fechei portas com medo das saídas, mas as janelas do inconsciente fazem de meu espírito, um moinho aberto.

Hoje não comparo situações, aprendi a ver nos meus traços vividos, a origem do fenômeno do agora nunca jamais se repetir.

No mundo antigo, não fui quem eu era, criei personagens, não atuei no papel principal com medo da rejeição mundana. Tudo que é real é desigual!

Não tem como eu viver mais negando a vida, os que me vêem hoje, nunca me enxergaram no passado, e não tenho orgulho de ter sido tão pouco, eu mesma!

Não adianta tentar alinhar uma vida social, quando, as pessoas não podem criar laços com quem não quer a si próprio.

Estar no mundo, é mais do que reagir aos impactos, é vivenciar o que a vida entrega de mãos beijadas, e nem sempre é fácil, e é mais prático desistir, reinventar algo que nunca se pode sentir.

Não procuro uma estadia qualquer no mundo, até as coisas mais simples tem um grande valor agora, eu não rompo mais com o desconhecido, eu faço minha aliança singela com o mesmo.

Um dia sonhei em ser escritora, no outro, não entendia quem escrevia tantas coisas, eu me perdia, e caminhava para tão longe, agora quero saber para onde eu fugia.

Posso nunca vir-a- ser uma escritora, mas de vida um pouco eu entendo, da minha, ainda tenho muito para aprender.

Estou a caminho do rompimento com as coisas que eu não suportava...

Estou a caminho de aprender a ter uma vida leve, suave e verdadeira, não universal.

Não quero só as diferenças, eu quero o igual, para aprender a romper sempre que ele me instigar a vive-lo por muito tempo.

Quero me entregar ao amor, o verdadeiro amor de estar viva, eu quero ser vivida pelo tempo, para sentir que eu vivo nele, sem estar fora de minha liberdade.