sábado, 28 de fevereiro de 2009

::VALORES::

Alguém me ensina a construir uma torre de palavras?

Eu vi um risco vermelho no céu, vi uma estrela morrer...

Venha, entre dentro de mim, eu vou mostrar como eu fico por aqui.

Falo, insisto, reparo todos os danos um por um, as memórias ardem como brasas,

E o fogo não é eterno por aqui.

Eu sinto falta dos dias de inverno, da solidão que procura aconchego em meus braços,

Dos ímpios que procuram uma verdade para sustentar seus vícios,

Tenho saudades de tudo que entrega meu entretenimento de mãos beijadas para o abismo.

Quando escrevo, tento dizer tudo que não posso calar, e acabo por calar-me diante de mim mesmo.

São dois lados, opacos, trágicos e cômicos, comigo, eu persisto em não ser breve,

O caminho longo sempre me atraiu, e eu não tenho medo destes compromissos,

Fico tão cansada a ponto de nem ao menos conseguir dormir.

Eu faço o desabafo, nem poesia, prosa me satisfazem, eu uso a escrita corrida.

Tenho majestades, magos e humildes em minha vida,

Devoro o caos, trago a morte e vivo a vida pulsante vivida.

E se for para falar de tristeza, eu choro, mancho linhas, desabrochando meu inconsciente.

Se for para falar de amor, crio as frases imperfeitas em busca da perfeição.

Me lembro de cada gota que já derrubei, de tudo que cansei de um dia saber,

De não entender que o mundo está a metros de mim, e eu estou longe sem assim o querer.

Não posso mais me afogar, o mito está morto.

Revivo anjos e demônios, arcanos e inferiores, brinco de Deus!

Vejo o por-do-sol pela janela, sincera, demente porém consciente.

Não tenho uma coleção de acidentes, sou um instrumento frágil,

Penso nas manhas da manhã, construindo gaivotas no horizonte vertical.

A mulher em mim, amada, promove uma jornada errada muitas vezes,

A porta por onde entrei é justamente pela qual nunca quero sair.

Uns entram em mim, e saem atropelados pela densidade,

Outros, nunca experimentam, para estes eu escrevo os líquido da minha existência.

Adoeço todas as manhãs, mas não deixo que minha alma se aborreça o dia todo,

É preciso comer para se viver.

Devorar para se entender que é preciso desfechos, anseios, um útero maior do que o meu para viver em sociedade.

É preciso ser vivida pela vida!

 


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

...ALGUÉM...


Em pequenos passos eu traço meu destino...

E se o destino for algo semelhante a chorar por dias sem saber o que se fez, então, o presente eu rascunho em uma folha florida.

Se for para falar de amor, eu fico em silêncio e vislumbro o céu que me guia.

Se for para falar de dor, eu anuncio que, estou sempre partindo de onde não consegui imaginar.

E se tudo for um pequeno excesso em minha vida, eu aprendo a apreender os instantes em que sou feliz,  e tenho vontade de morrer naquele segundo.

Chorar, brincar que se pode esvaziar-se da angústia, eu sou incapaz!

Mas tudo volta, como grandes círculos tudo volta, desenhando a origem do ressentimento.

Não é preciso que tudo seja perfeito, também tão pouco é preciso que, aja sofrimento em tudo que se sente.

Sentir-se, inundar-se da mais profunda beleza do mistério do existir, compreender!

Quem ama sente tanto, mas tanto, que uma hora não sente que sente.

Para contornar as mudanças, ares novos, paisagens desertas, abismos renunciados.

A aurora grita pela salvação, e neste instante, não adianta reclamar, é só ouvir os sussurros do passado.

Milhares de janelas abertas, rostos brilhando, outros, ofuscados pelo temor do dia seguinte.

Ainda existe luz!

Ainda existe trevas!

Ainda existo!

Persistindo na consciência que busca, a autenticidade aonde é proibido sofisticar os pensamentos.

Lamentos, cobiças, argumentos atrevidos de quem sem saber, acaba por derramar litros de lágrimas salgadas pela miséria de si para com o mundo.

Para todos os dias, paciência, dignidade e saudade do que se foi.

O que habita nos dias de inverno, hoje são sementes para uma primavera saliente, que nasce como o sol  e banha-se de sombras, como o deitar da lua no céu.

Não tem como não permitir sentir-se triste, não é possível deixar de omitir o que se passa conosco.

A vida tem seus caminhos, uns diferentes dos outros, porém, todos tem uma única direção, o des-fecho da jornada.

Uma fornalha que fabrica encontros bons e ruins, aproveitáveis na maioria das vezes em que, nos permitirmos vivenciar tudo se exagero.

Tornar-se um andarilho quando, corremos de um lado para o outro, procurando o instante em que fomos tocados pelo infinito.

Não adianta correr, precisaríamos de ombros amigos, refúgios, uma espécie de outra atmosfera para resistir a pressão que vivemos.

A pressão do que se foi, do que foi lamentado, do que nos faz ofegantes quando observamos que estamos presos naquela estante de desejos, usando amostras do que fomos, e do que não fomos por assim dizer.

E por falar em dizer, nenhum diálogo dói mais que, a resistência de que algumas coisas não mudaram.

Este falatório coletivo não supre nossos quereres, eles enchem, enchem e se vão na tempestade.

Tudo individual, nada constante, absoluto por aqui é, um deslize pelo qual costumamos a aprender a escorregar em nossas próprias memórias.

Quem vive, vê, quem quer morrer, prefere esconder-se a revogar os próprios dizeres íntimos:

“Alguém tem que me ver, alguém, alguém, ninguém, sem ninguém, alguém, eu, sem ninguém

 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

...Contato...

 Eu desenvolvi o meu mal!

Sem medo de poder voltar atrás das coisas que me possuíam.

Desespero é algo que faz com que meu sangue corra em minhas veias de uma forma excitante.

Me desculpe, as vezes eu fico fora de controle, buscando algumas razoes que não existem em meus contextos íntimos.

Mesmo quando eu deixo o vento entrar, ele ainda não respeita meu espaço e arrasta minhas folhas tristes por todo meu quarto.

Então é isso, as coisas estão me puxando para baixo, e eu tenho um apetite insaciável pela busca das memórias que tentam revogar espaços em minha imaginação.

Eu tento escrever com o coração, mas a minha intuição fala mais alto, eu acabo por rabiscar todas as figuras da minha ausência, usando metáforas de quem eu fui.

Não existe tensão maior quando vou arrumar minhas antigas bagagens e um antigo bilhete rouba a cena!

É nesta hora que eu penso que o futuro está me cutucando, procurando minhas respostas, assinalando as perguntas mais subjetivas para que eu possa viver intensamente a vida que um dia roubei de mim mesmo.

Conto até 10, e suspirar as três da manhã é quase um suicídio temporal...

Ascender a luz, rasgar os medos todos ao meio, escrever sobre uma dor que não passa, e um amor avassalador que cura minhas cicatrizes mais profundas, não exige mais de mim de que, o próprio silêncio que me assombra.

Abro e fecho diálogos, agora sem fala rústica, eu desenho nos painéis do meu inconsciente o que eu estou sendo naquele momento, por isso, estou aprendendo a desenvolver um padrão de consciência melhor para com o mundo.

Subo e desço degraus, os ossos meus, rangem como antigas escadas do descaso, e minha boca está fechada para o meu próprio sentido do oculto pensar.

Refletir trás de volta o brilho que eu perdi em uma dessas esquinas qualquer...

...Marcas...

Os sinais estão sumindo, e eu não consigo ver mais nada no mundo que pudesse levar a minha memória para um lugar confortável, eu já não posso mais desculpar-me pelo que causei...

Eu sinto muito, isso é verdade, eu até tentei segurar suas mãos, e eu não pude, você me podou de teu jardim secreto.

Não posso mais voltar atrás, as realidades foram separadas e o tempo tem sido cruel, porque eu olho através do vidro e os campos verdes estão vazios, alguém partiu.

Eu estive por perto, mas errei tanto que,  o inverno tratou de encobrir minhas lamentações.

Aprendi a respirar, apenas respirar, mesmo quando eu percebia que estava tão longe de você, que poderia me perder nas minhas fantasias.

Não posso mais pular o acaso, a separação de tudo me consumiu!

Estou dentro de uma jaula, querendo alegar o quanto eu fui estúpida, para que você soubesse, que, ainda existe algo teu dentro de mim e eu não sei o que fazer.

Eu mudei de linha, teci milhares de colchas, mas nenhuma delas tem o valor que um dia tiveram, pois, mesmo com dor, eu fui capaz de falar de amor, com um ar sereno e fiel.

Eu te fiz chorar, eu derramei tuas últimas esperanças, mas eu corri tentando te alcançar quando você quis fugir, e eu fui incapaz de ter fôlego para te acompanhar.

“Corre, porque em pensamento eu não consigo deixar de te procurar”

Eu começo pelo lado trágico, porque minha comédia está sendo vivida em linhas marcadas pelo passado.

Por mais que eu escreva milhares de palavras, eu não consigo transparecer o quanto sinto a sua falta, o quanto eu daria tudo para poder olhar em teus olhos e dizer que, sim, você estava certa todo este tempo e eu estava aprendendo a lidar com tudo que um dia você me ensinou a jogar fora.

Estou aqui, sentada contando histórias, todas reais, e por Isso, a maioria tristes, porque eu menti tanto, que agora eu sei o quanto você era real para mim.

Ando cansada, mas nada me tira o ar, a não ser que, eu permita que você vá embora por uns dias, mas você sempre volta, e cada vez mais forte para dentro de mim.

Baby, eu sei que eu fiz tudo na escuridão, e queria muito que você pudesse me ver mudar...

Não consigo nem mais me afogar em minhas folhas, algo lá fora me chama e o concreto me trás a revolta de quem eu era dentro do seu mundo tão sofrido, sim, eu fui insensível e amadora, eu deixei você sofrendo enquanto eu ganhava sorrisos  egocêntricos.

Me leve para fora, eu não consigo mais, eu estou correndo a dias e não sei por onde ainda não passei.

Eu quero dizer que, plantei novamente tuas flores, e pintei suas borboletas nos cantos da minha imaginação, agora elas me trazem os dias coloridos, quando as trevas tentam me seduzir.

Eu ascendi a luz!

Ainda estou sozinha...

 

 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

...SUMIR...

Será possível ajeitarmo-nos as mãos que puxam o passado anacrônico para dentro do bolso do mal – estar?

Será que podemos ponderarmos nossos pensamentos ao nível elevado do sossego que nasce nos olhos aflitos do não – revelado?

Se a vida canta, ela vive com sua voz rouca a tentar nos comunicar através do silêncio que nos conturba, instruindo as nossas loucuras água abaixo do entendimento que nos falta.

Se falar Tornou-se tão difícil, agora guardar um silêncio do antigo, é quase como questionarmo-nos a ponto de que, desligamos a nossa fé, por falta de lealdade.

Somos seres humanos protegidos pelo acaso, e a rebeldia que nos jorra vida pelas entranhas do desconhecido existencial, elabora planos, indignados e inquestionáveis projetos obscuros, oportunidades que entram e saem dos nossos olhos, sem nem mesmo condicionar as nossas intenções.

Um dia me perco, um dia desses, eu me lanço da ponta deste navio, e descubro o mar em fúria, este mar que, vejo as ondas arrastarem a minha vivência para a margem do mundo.

Quem é digno de saber de toda a verdade?

Quem vê a verdade a olhos nus?

Acredito que, nenhum ser humano tenha completo acesso a verdade, não falo desta verdade que pensamos conhecer, a verdade minha, tua e dos outros, falo do que existe de maior, a verdade nos atos da ancestralidade.

O que move, o que destrói, o que rima com vaidade, e não se desloca para o racional, o que vive nos esconderijos do presente, e se manifesta poucas vezes no cotidiano, acorda!

Acordar em um dia escuro, aonde a vítima foi morta, e os suspeitos andam de braços abertos para o vento que,  os arrastam pelo descontentamento do contente ser ausente.

Para que dizer tanto, se vive-se tão pouco o que se tem para ser vivido?

Nem mesmo o famoso silêncio coopera...

As vezes é preciso que eu passe dias andando por lugares estreitos em mim, para ver uma nova paisagem abrir-se diante de meus olhos.

Fantasias, criações, contos, vida, alheios motivos que me movem também, a ser este ser pulsante, que não se ausenta de tantas coisas, que com tanto tempo, aprendeu apenas ter duas pernas.

A quem consiga questionar os mistérios, mas poucos, muito poucos, sabem as respostas, por isso, contemplam o próprio fracasso de dizer que entendem tudo o que se revela.

Eu já não sei mais do que falo, sinceramente, eu me perco!

Eu gosto, confesso, sinto um sabor maravilhoso quando começo a escrever e me enrosco em minhas próprias palavras.

Dali por diante, eu desapareço...

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

...sonhos...

E hoje eu descobri que, tenho de descer até a minha escuridão e levar um pouco de luz para o meu lado inferior.

Estou tão cansada da mesmice da visão contemporânea que me foi dada, hoje eu quero a cegueira do estar.

Deixo – me, esta decida será majestosa, e sem onipotência alguma devo eu descansar.

Se alguém perguntar por mim, eu vou dizer, estou aqui, bem no fundinho, remoendo, procurando um modo de me encontrar novamente.

Se me faltar letras, eu sublinho os antigos dizeres que tanto eu desapreciei um dia, não devo revogar as minhas mágoas.

Se este sol se põem, reluz vida sob meus olhos, esta nitidez cheia de fobias, cheia de múltiplas desgraças, a minha alma reluta por um pedaço no espaço que está por terminar.

Se isso tudo for loucura, me banharei com um perfume doce das manhãs, e deixarei que as abelhas chupem o meu sangue até a última gota, até que elas, enjoem da meu gosto.

Se eu pudesse colocar um sonho dentro de outro sonho, e viver uma realidade fora destes sonhos.

Já que não posso, sonho, mas vejo o real manifestar-se através das fendas da minha vida, por mais que, muitas vezes exista um grande ardor em tentar reviver o sonho que fora gasto.

 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

...Descaso...

Eu vi, senti e menti!

Arremessei as lágrimas para o outro lado da avenida.

Ali estava eu, mais uma vez, abrindo e fechando minha boca maldita tentando silenciar a minha dor.

Quantas vezes eu não pude fingir que estava ali?

E talvez eu estive, mas não resisti tantas sensações.

Fui egoísta, quem deixou de ser um dia, eu fui,  mas omiti.

Foram milhares de adeus, não fui convincente a ponto de não contrariar o que eu fingi existir.

Mas ali eu existi, habitei, criei, sonhei, morri e me levantei, por milhares de segundos.

Da mesma forma em que eu destrocei um coração, eu parti o meu em picados, um monte deles.

Que força psíquica foi aquela que não arrebatou um anjo tão lindo que rodeava o meu inferno?

Foi a minha força, uma estranha e nebulosa força, que não se iguala a dos dias de hoje.

Quantas tempestades eu vivi, sem poder viver a claridade?

Quantos tormentos eu guardei e não chorei por vaidade?

Eu me humilhei e desabotoei alma por alma, acabei convivendo com os vãos de luz que eu não apaguei.

Não fui poeta, não aprendi a escrever, eu apenas sentia, via correr o meu pânico, minha cegueira, meu papel de farsante primária, e me arrependi.

Talvez tarde, ou esperava eu que a noite me abrigasse, não vi o retorno, não fiquei, fui para o final.

Eram acordes desordenados, vulcões acesos queimando belos jardins virgens.

Não fui mulher, nem menina, nem sonhadora, eu fui e construí a própria tragédia encarnada.

E por mais que eu possa deixar em linhas o meu descaso, eu ainda me caso com a solidão.

Não a quem vem dos outros, mas a que vem de mim mesma, que rompeu com o mundo.

Agora sinto como se, alguma coisa me ofuscasse depois de tanto tempo,

Algo ainda resta, e os restos me fazem rastejar atrás das paredes verdes.

 

 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

...VIDA...

Com o tempo aprendi a enxergar de olhos atentos diferenças. A reconhecer a sociedade pelo que ela escolher ser vista.

Eu ainda procuro vestígios de pureza, as vezes encontro, as vezes é rápido demais, eu desapareço e minha esperança, persegue as minhas crises.

Os meus conflitos não são mais como antigamente, eles tem outra forma, cheiro, não mais juvenis, apesar de que, vivem brincando com minha idade, formando pré-conceitos do que por mim fora vivido no antigo quadro existencial.

Eu já sonhei bastante de olhos abertos, já fechei portas com medo das saídas, mas as janelas do inconsciente fazem de meu espírito, um moinho aberto.

Hoje não comparo situações, aprendi a ver nos meus traços vividos, a origem do fenômeno do agora nunca jamais se repetir.

No mundo antigo, não fui quem eu era, criei personagens, não atuei no papel principal com medo da rejeição mundana. Tudo que é real é desigual!

Não tem como eu viver mais negando a vida, os que me vêem hoje, nunca me enxergaram no passado, e não tenho orgulho de ter sido tão pouco, eu mesma!

Não adianta tentar alinhar uma vida social, quando, as pessoas não podem criar laços com quem não quer a si próprio.

Estar no mundo, é mais do que reagir aos impactos, é vivenciar o que a vida entrega de mãos beijadas, e nem sempre é fácil, e é mais prático desistir, reinventar algo que nunca se pode sentir.

Não procuro uma estadia qualquer no mundo, até as coisas mais simples tem um grande valor agora, eu não rompo mais com o desconhecido, eu faço minha aliança singela com o mesmo.

Um dia sonhei em ser escritora, no outro, não entendia quem escrevia tantas coisas, eu me perdia, e caminhava para tão longe, agora quero saber para onde eu fugia.

Posso nunca vir-a- ser uma escritora, mas de vida um pouco eu entendo, da minha, ainda tenho muito para aprender.

Estou a caminho do rompimento com as coisas que eu não suportava...

Estou a caminho de aprender a ter uma vida leve, suave e verdadeira, não universal.

Não quero só as diferenças, eu quero o igual, para aprender a romper sempre que ele me instigar a vive-lo por muito tempo.

Quero me entregar ao amor, o verdadeiro amor de estar viva, eu quero ser vivida pelo tempo, para sentir que eu vivo nele, sem estar fora de minha liberdade.

 

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

...a guerra..

Abrindo o peito!

A sensação é como ter um buraco negro no meio da alma.

É um entra e sai de cosmos, uma intensidade mágica,

Vozes, sussurros, absurdos, condolências universais abrem a nova morada.

Não, não falo com onipotência, o ato do agir pratica teus rituais em silêncio.

A morada do sol rasga a escuridão e liberta tuas antigas existências.

Quem fica, não anuncia tua estadia na horizontal,

Junta-se ao silêncio milenar, desalinha a temporalidade,

Os dois lados, multiplicam-se, consomem –se, existem!

Na perseverança da fé, alinha-se o caminho da verdade.

Vá de ré quem se confunda dizer que sabe o que aqui acontece!

Estamos atrás, na beira de um cometa louco, que cospe fogo na alma pura.

E não é loucura, ser louco é saber tão pouco, quanto sabemos de nossa audaciosa lucidez.

Quem fica lúcido demais, aprofunda – se no tédio e rasura sua temente fé em si,

Para construir uma jornada coletiva, devaneios!

Anjos, demônios, coitados, dementes, santos, perdidos e nunca achados,

Vasculham a esfera flutuante a procura da simplicidade.

Renova-se a construção do novo elo, o selo da vida é descolado da parede do mistério.

Ele voa, faz saltos gigantescos, abre e fecha abrigos melancólicos,

Definha mentes que, viciam – se apenas no passado.

Caminhos, famintos, desejos, frutos da imaginação penitente, agora batem suas asas com força.

A forca está armada, no canto do horizonte cinzento que transporta nossa gente para o desconhecido.

Desta vez, rezar, orar, conjurar, não adianta, é preciso crer mais do que em nós mesmos para isso tudo viver.

É preciso viver, sem querer sempre compreender tudo, o nada abre tua boca bendita e nos lança a beira da estrada.

Nossa carne pelo sofrimento é cortada por uma navalha ancestral, que não teme nosso destino,

Que alcança metas, sem esquecer da metamorfose que ocorre em nosso útero ferido...

 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

...alguma coisa...

Abrindo os olhos.

As luzes se revelam, a noite fala, atravesso o asfalto cheio de lágrimas.

Algumas vezes eu tento dizer o que sinto, e peco duas vezes.

O que foi dito, não resume um futuro, e então eu pulo a sensibilidade que não tem prática.

Tenho mil nomes, mil fontes, mil maneiras de procurar uma nova visão,

E isso ainda não é o suficiente.

Eu converso comigo mesmo, e ela me diz que eu posso progredir,

E então eu rasuro as coisas, eu fundo um novo conceito, eu perco o juízo,

Falo de tudo que eu pensei que estava perdido.

O sol vai descer no horizonte, e comer um pedaço do dia, já não é lamentável.

Eu tomo o último trem, a espera de que, em uma estação eu esteja não mais segura e sim,

Consiga eu, uma maneira de não perder as esperanças, quando sinto minhas veias congelarem.

Se me falta emoção, eu não recorro a nada, eu deixo acontecer.

Os meus entendimentos andam velhos demais, eu tenho me portado como criança

Estou aprendendo a brincar na ponta dos pés.

Eu andei pensando em todos, e pensando que eu não posso criar um desapego,

Eu sinto que não sou a única, eu tento registrar as memórias antigas desoladas,

Naquele momento eu penso que, não posso revirar sempre as mesmas gavetas.

Bebendo uma dose, forte, de adrenalina momentânea,

Com a cabeça entre o céu e a terra, eu tenho apertado os olhos, chorado demais,

Mas, assim eu sinto que estou ajudando a amanhecer mais rápido.

A válvula está aberta, e as condições para que eu não me aborreça são ótimas,

Mas eu prefiro acreditar no dia seguinte, vendo os meus dedos criarem presságios loucos.

Estou de volta, abrindo as portas, e tantas maneiras eu busquei para ir ao antigo bosque,

Andar sobre aquelas árvores que um dia fizeram sombra para o meu passado,

Mas o inverno chegou, e eu agora ardo em um sol de 40 graus sem saber o que está por vir.

Vivendo sobre o sol que queima, entre as nuvens negras, eu vou prosseguindo a viagem,

Não mais preocupo – me em, solucionar as tragédias, algo vive sempre fora do lugar,

E eu não posso ficar me deslocando tanto tempo do mundo que vivo, eu posso magoar tudo,

Explodindo minha cabeça com escolhas inadequadas, quando nem mesmo posso voar como pensei.

Alguma coisa se move em mim.

Alguma coisa se move em mim.

Eu sei, eu falo da dor como se fosse vitima, mas eu não acredito em foco alojado, eu rebusco minha pele todos os dias quando me deito.

Não posso cair, eu sei, não sei, procurei, insisti e encontrei o que nunca pensei,

E ali eu abri uma grande cratera, os sons que vêem a minha penumbra, eu não minto quando digo que não tenho medo, eu apenas não compreendo o que sinto, e não persisto.

Alguma coisa se move fora de mim.

Alguma coisa se move fora de mim.

 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

...LINHA DA VIDA...

O pulsar da vida,

O instante em que sentimos que a morte quer nos abater, é um alívio provisório, nada mais.

Como dizer em particular que, articulando as coisas que eu penso, eu posso fazer de mim, um ser vivente?

Não posso.

Posso deduzir, substituir as perdas, justificar os atos, atrasar o que por mim foi pensado, na tentativa de resgatar um pedaço meu, que anda fora da matéria.

Para mim colher sonhos, realidades, é como se eu pudesse distrair uma linha da vida, para um outro lugar, um lugar, do qual não sei falar, mas sei que existe, e não explico o porque.

Tem uma hora que de tanto eu perguntar, eu aprendi a me calar diante das minhas absurdas resposta prepotentes. Foi ali, naquele momento em que eu percebi que falava demais, e vivia tão pouco o que eu não era capaz de decifrar.

Não que eu perdesse tempo em falar, mas falar, requeria de mim, um entendimento do silêncio subjetivo, aquele silêncio que dói, mas que constrói o diálogo para o molde a forma que, moldado este, torna-se um lindo quadro de existência.

Ninguém é sábio, e ser sábio, e também admitir certas ignorâncias, não ser intolerante, e nem buscar abrigo na dissimulação alheia, é um trabalho que exige mais do que pensamos pensar, é necessário abrir as portas para o eu sozinho.

Este eu sozinho que, por tanto tempo criei mitos, que por tanto tempo, construí atritos insanos, contos de vitima, de quem corria da realidade que, eu mesmo, havia construído para reinar sozinha.

Isso não resolve nada, também não posso dizer que não vive tudo aquilo sem emoção, vivi de uma maneira que não sei explicar, talvez explicando o que eu vivi, eu me perdesse cada vez mais no que eu criei.

Não importa, a vida bateu em minha porta e me exorcizou! Não tive nem mesmo um instante para pensar, refletir, nada disso, eu fui tomada pelas mãos da vida, e que mãos ! Desde aquele momento eu senti que agora sim, eu estava a viver intensamente, ou não, talvez daqui a alguns instantes eu receba outra vez, um puxão do presente.

O pulsar da morte, o enigma da vida, o exercício do bem – estar, a utopia, a grande chave dos mistérios, o próprio mistério, não se abriga em um casulo, não se abre, não se fecha, se vive.

E viver, hoje em dia, é o dia que nos escolhe para sermos vividos...

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

...O TOQUE DA VIDA...

Do lado de fora...

Um canto novo, a bossa nova desliza entre as mãos do universo,

Remoendo as matrizes suspensas pelos sentimentos cansados.

Não é preciso gritar, o silêncio gera a ordem pelos ruídos do inconsciente.

É nítido, e o vazio, já não incomoda mais,

Gota por gota, do orvalho mais limpo e da matéria existencial, vão tomando aquele espaço antigo que, gerava somente saudade do que nunca tinha sido vivido.

Não faço poesia, minha alegria é não ser acorrentada pela covardia de uma falsa sabedoria.

Respirar, agora é mais fácil, não dói, e tudo que assustava minha alma,

Agora desprende-se com leveza, e vai para os céus, lentamente...

Ergue –se no horizonte a preguiçosa esperança que andava sumida em mim!

A mesma, abre teus braços e entrelaça tuas delicadas mãos, em meus sonhos.

A realidade não mais pesa, ela é incerta, singela e não julga-me onipotente.

Cresce o respeito no peito da amante da vida pulsante.

Por agora, festas, abrigos, conversas noturnas, um amor desvairado rompe a cena:

- Entra narciso, toma este meu corpo, como se eu nunca o tivesse sentido!

O amor próprio não cospe na existência, não exala tua dor, não é crente no que não sente,

O amor próprio, é de aberturas, devaneios, construções mágicas, impérios com tuas torres de vigia encravadas no mar violento, e nem por isso, desabam!

Os redemoinhos puxam para fora todo mal que um dia fora sentido...

Esvazia-me o destino, deixe que meu lugar no mundo, se revele!

Eu apareço, e desapareço nesta roupagem de humana.

Não me aquieto, não uso esperteza, nem sou bruscamente certa de nada.

O nada me consome.

Nasci outra vez para ver o dia brotar dentro de mim.

Fui tragada e cuspida pelo ventre da vida!

Cá estou, não estou, fui, vim, vou, morri, ressuscitei, a vida me tocou!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

...corte.!

Eu tenho muitas criticas, sem expressões anteriores, eu estou de bom humor tentando descrever o meu sentimento que nasce com dor em meu peito, mas que serve como uma grande inspiração de uma realidade escapatória.
Já falei de loucuras, tomei grandes nomes, apelidos insanos, vozes interlocutoras e eu sinto, como sinto, como se alguma coisa ficasse fora do lugar, e é difícil sorrir para algumas coisas que parecem sempre estarem morrendo.
Eu puxo o gatilho, agora não adianta chorar, porque, ninguém pode estar dentro de mim, e algumas apologias trancafiam pensamentos que não correspondem aos sentidos que por mim são dados, com palavras que soam como espelhos escandalosos, espalhando uma tarde chuvosa cheia de lembranças.
Eu uso a escrita para gritar, já que algumas coisas não voltam, eu as liberto de vez, uns sorrisos aqui, outras dores por lá, mas pular desta ponte é algo que eu não quero, eu tenho me alimentado de sementes limpas, e eu não sangro mais se não for apenas para redenção da minha alma.
Escutar é fácil, julgar ainda mais prático, eu abro as aspas, fecho os juízos, e algumas veredas ainda continuam as mesmas, o tempo pede ajuda, e tudo parece de ponta – cabeça, o relógio pula de um lado a outro, e os ponteiros estão desapontados com tantas vinganças pessoais.
Vou contar até três e as sombras vão sumir!
Boom!
As conseqüências estão se misturando, sinto com se eu pudesse atravessar um turbilhão de sentimentos em um segundo sem perder o ar. O mecanismo é fatal, a decência é verbal, a lealdade escorre por ai, algumas passagens abrem as estrelas, as chaves sacudidas na frente do megalomaníaco, a mentira extraordinária, rebelião celestial, loucura, quebra uma mente, uma dosagem de realidade vermelha, os olhos estão calando as versões alteradas da minha verdade.
Então se não podemos ficar quietas, então é melhor correr, seja como for eu ainda estou aqui, não mais lamentado sobre tantas coisas, porque eu tenho observado tantas coisas, e as conexões são todas furadas, umas falhas aqui, outras do outro lado que não pode ser contestado, contexto estragado, o usado, para o ousado agora é castigado.
Tirar os nervos dos outros do lugar nunca foi meu passatempo preferido, não que eu não pudesse, mas não tinha como não ousar experimentar irritar aquilo que fingia brotar do outro que não conseguia calar.
Dou nove passos, os laços estão apertados, os cadarços mal amarrados, o melhor da estima, da rima, praticidade, carnificina, uma explosão, contestação da porta de escape fechada, a rainha normal, leva uma vida de tragédias, e estar sozinha, não tem limite, porque estamos de cabeça para baixo, observando os faróis fecharem um por um.
Floresce, então cresce, estupidamente um canteiro apodrece e ninguém se esquece de que não pode padecer na frente de quem enlouquece.
Um telhado, uma montanha, uma chance, uma luz, expressão de roupagem usada, promessas quebradas, decifrar o acaso alheio, tempo rasgado, trocadilho arcaico, deus, lá fala, a vida troca de visão, a escuridão avisa, o ódio atravessa os olhos com suas formulas ensurdecedoras, e eu vou a um lugar para ver o abismo de perto e ele gargalha de mim, então fazemos nosso sexo preferido sem sermos constrangidos.
Para que dá valor, quando as bagagens já pesam tanto que não podemos mais suportar tudo de uma vez?
E no fundo você sabe, sempre soube, ousou entristecer tudo ao redor para tentar se absolver de algo que nunca havia sentido e eu te denuncio com as mãos limpas.
Agora ninguém precisa correr, já que a agressão maior foi cometida, eu já sei como agir como cúmplice, é só dizer xiu!
Estamos fora de controle, esperando algo vir dos céus, ora, isso tudo parece uma linguagem de outro mundo, um quebra - cabeça que não diz nada, que não busca a partida de onde começamos os nossos erros, uns adoecem e eu continuo no mesmo núcleo de mistério, e não quero mudar o que acontece quando eu vejo o coração frio me entorpecer.!

terça-feira, 4 de novembro de 2008

...perseguida...

Se tenho uma reclamação,
Não perco a expressão.
Algumas vezes eu me sinto como se pudesse morrer no frio,
Me atiro em um coma profundo, insano, cheio de dor,
E me recordo de tudo que me faz levantar todas as manhãs.
Eu tenho um grande amor, eu sinto como se a vida rodasse muito rápido.
Acordar as vezes me provoca a sensação de falta de abrigo,
E eu ouço minha voz interior resgatando minhas mágoas,
Eu continuo no caminho do silêncio, sorrindo para o horizonte mortal.
Posso puxar a realidade para qualquer lugar,
Se eu não consigo me mover para a luz, eu aproveito o ultimo instante,
Poluindo as entradas com constantes surtos emotivos,
Eu não me tranco, eu salvo as ultimas memórias.
Os espelhos estão quebrados, e minha heroína anda distraída com o tempo,
Retorno para o que um dia quis me atrapalhar,
Cheia de vozes, eu vou carregando o ultimo gole da ansiedade,
E não me embriago por tão pouco, eu me retiro antes que me vejam padecer.
Alguns dizem que não compreendem minha visão,
Eu sei, eu não posso acreditar em tantas coisas,
Não peço ajuda no escuro, não faço apologias a escuridão,
Caminho dizendo que alguma coisa está sempre fora do lugar,
Vou arranhando os muros da existência, e não quero ser ouvida
Quando eu precisar gritar por socorro, é algo que para mim não é real.
As curvas são perigosas, e eu volto para mim mesma,
Vendo a minha mente refletir a vida que eu nunca neguei,
Tenho milhares de chances, mas elas não costumam escorrer entre meus dedos.
Uma vez que eu tenho a imaginação afiada, não me sinto desonrada eu sido calada,
Mapeada pela jornada que por mim é tão sagrada.
Se tu quiseres falar de ódio, eu lhe dou uma chance
De dizer o que lhe tira do ar, mas não esqueça, as pedras vão rolar.
Alguns bloqueios vêem as coisas embaçadas e nossos olhos ardem,
O que temos não nos pertence, somente quando enxergamos o que está nos provocando.
Eu ando fitando as possibilidades, então eu vejo o que existe por vários ângulos,
Não tem como escapar, a rainha de copas sussurra os múrmuros de dentro do passado,
Eu não mastigo os fantasmas que aparecem para me perturbar,
Não costumo ser possuída pelas sensações de derrota,
Então eu penduro minhas asas, e sigo em frente pelo asfalto dramático.
Sem jogos, eu já disse que muitas vezes eu não posso explicar,
E as pessoas abrem um estágio indecifrável para que eu caminhe,
Assim eu não tenho nome, não tenho idade, não me movo pelas veredas erradas,
Eu tenho meu próprio caminho, e eu tenho uma boa palavra para quando me questionam,
Eu formulo a melhor escapatória quando eu quero falar de mim mesma,
Eu uso a verdadeira invisibilidade que um dia me deram, para fugir dos perigos sociais,
Me torno deus e o próprio demônio quando me sinto perseguida.
Eu sou sombras e luz ao mesmo tempo, sou o tempo dentro do espaço percorrido.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

...PAREDES...

Você pode inventar uma dor maior do que a vida lhe entregou,
E no fundo eu sei, eu vi o seu filme rodar por um bom tempo.
Seu maldito hábito de pensar que pode entender as sombras,
Mesmo que você não pudesse nem por um instante, sentir-se presa a mesma.
Tudo que um dia foi mortal para sua mente, agora oferece uma trégua,
As noites estão abrindo passagem para a nova morada da justiça que um dia você criticou.
Quantos anos você pensou que poderia estar sobrevivendo ao seu próprio caos,
Enquanto seu sangue escorria, cheio de lamentações, pelo asfalto do sub – mundo egoísta?
Agora você não vê sua maldade, você usa as armas, as piedades que um dia te sufocaram,
Precisam do seu peito para abrir as curvas para um novo caminho sombrio.
A vida deu uma volta e acredite, por mais que nos escondêssemos, seriamos lançadas,
Para um ambiente familiar, que esconde a escória e o sofrimento que um dia aplicamos no mundo.
Eu vi suas cicatrizes jorrarem dor pelos seus olhos,
Fiquei sentada esperando o dia seguinte, a festa que nunca acabou, a ultima dança,
O acaso que nunca houve, a passagem para o desconhecido, a sua sangria maldita, que nos condenou,
A viver de um modo doentio e sádico.
Agora já não é hora de olharmos em nossos olhos,
E as bocas estão trancadas, engolindo a saliva do pecado do dia seguinte.
Eu sinto, e pressinto que estamos afundando para o fundo de nossas memórias.
Contam uma história que é capaz de arrebatar os nossos sentimentos mais íntimos,
Enquanto isso, fugimos correndo de uma vida que quer nos entorpecer de magoas...
Sua realização maior era respirar, e eu cortei os seus pulsos com a minha esperança afiada.
Fumei o cigarro que continha as substancias das suas falsas levezas,
Te condenei e fui condenada pela sutil estadia no mundo concreto,
Eu viajei no áspero mundo imaginário e o que eu trouxe de lá, foram somente recordações sujas
Mesmo que eu pudesse escolher, eu teria morrido e vivido todos os dias, matando os segundos,
Com minhas fantasias que um dia você tentou arrancar de mim com tanta presunção!