quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

...Contato...

 Eu desenvolvi o meu mal!

Sem medo de poder voltar atrás das coisas que me possuíam.

Desespero é algo que faz com que meu sangue corra em minhas veias de uma forma excitante.

Me desculpe, as vezes eu fico fora de controle, buscando algumas razoes que não existem em meus contextos íntimos.

Mesmo quando eu deixo o vento entrar, ele ainda não respeita meu espaço e arrasta minhas folhas tristes por todo meu quarto.

Então é isso, as coisas estão me puxando para baixo, e eu tenho um apetite insaciável pela busca das memórias que tentam revogar espaços em minha imaginação.

Eu tento escrever com o coração, mas a minha intuição fala mais alto, eu acabo por rabiscar todas as figuras da minha ausência, usando metáforas de quem eu fui.

Não existe tensão maior quando vou arrumar minhas antigas bagagens e um antigo bilhete rouba a cena!

É nesta hora que eu penso que o futuro está me cutucando, procurando minhas respostas, assinalando as perguntas mais subjetivas para que eu possa viver intensamente a vida que um dia roubei de mim mesmo.

Conto até 10, e suspirar as três da manhã é quase um suicídio temporal...

Ascender a luz, rasgar os medos todos ao meio, escrever sobre uma dor que não passa, e um amor avassalador que cura minhas cicatrizes mais profundas, não exige mais de mim de que, o próprio silêncio que me assombra.

Abro e fecho diálogos, agora sem fala rústica, eu desenho nos painéis do meu inconsciente o que eu estou sendo naquele momento, por isso, estou aprendendo a desenvolver um padrão de consciência melhor para com o mundo.

Subo e desço degraus, os ossos meus, rangem como antigas escadas do descaso, e minha boca está fechada para o meu próprio sentido do oculto pensar.

Refletir trás de volta o brilho que eu perdi em uma dessas esquinas qualquer...

...Marcas...

Os sinais estão sumindo, e eu não consigo ver mais nada no mundo que pudesse levar a minha memória para um lugar confortável, eu já não posso mais desculpar-me pelo que causei...

Eu sinto muito, isso é verdade, eu até tentei segurar suas mãos, e eu não pude, você me podou de teu jardim secreto.

Não posso mais voltar atrás, as realidades foram separadas e o tempo tem sido cruel, porque eu olho através do vidro e os campos verdes estão vazios, alguém partiu.

Eu estive por perto, mas errei tanto que,  o inverno tratou de encobrir minhas lamentações.

Aprendi a respirar, apenas respirar, mesmo quando eu percebia que estava tão longe de você, que poderia me perder nas minhas fantasias.

Não posso mais pular o acaso, a separação de tudo me consumiu!

Estou dentro de uma jaula, querendo alegar o quanto eu fui estúpida, para que você soubesse, que, ainda existe algo teu dentro de mim e eu não sei o que fazer.

Eu mudei de linha, teci milhares de colchas, mas nenhuma delas tem o valor que um dia tiveram, pois, mesmo com dor, eu fui capaz de falar de amor, com um ar sereno e fiel.

Eu te fiz chorar, eu derramei tuas últimas esperanças, mas eu corri tentando te alcançar quando você quis fugir, e eu fui incapaz de ter fôlego para te acompanhar.

“Corre, porque em pensamento eu não consigo deixar de te procurar”

Eu começo pelo lado trágico, porque minha comédia está sendo vivida em linhas marcadas pelo passado.

Por mais que eu escreva milhares de palavras, eu não consigo transparecer o quanto sinto a sua falta, o quanto eu daria tudo para poder olhar em teus olhos e dizer que, sim, você estava certa todo este tempo e eu estava aprendendo a lidar com tudo que um dia você me ensinou a jogar fora.

Estou aqui, sentada contando histórias, todas reais, e por Isso, a maioria tristes, porque eu menti tanto, que agora eu sei o quanto você era real para mim.

Ando cansada, mas nada me tira o ar, a não ser que, eu permita que você vá embora por uns dias, mas você sempre volta, e cada vez mais forte para dentro de mim.

Baby, eu sei que eu fiz tudo na escuridão, e queria muito que você pudesse me ver mudar...

Não consigo nem mais me afogar em minhas folhas, algo lá fora me chama e o concreto me trás a revolta de quem eu era dentro do seu mundo tão sofrido, sim, eu fui insensível e amadora, eu deixei você sofrendo enquanto eu ganhava sorrisos  egocêntricos.

Me leve para fora, eu não consigo mais, eu estou correndo a dias e não sei por onde ainda não passei.

Eu quero dizer que, plantei novamente tuas flores, e pintei suas borboletas nos cantos da minha imaginação, agora elas me trazem os dias coloridos, quando as trevas tentam me seduzir.

Eu ascendi a luz!

Ainda estou sozinha...

 

 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

...SUMIR...

Será possível ajeitarmo-nos as mãos que puxam o passado anacrônico para dentro do bolso do mal – estar?

Será que podemos ponderarmos nossos pensamentos ao nível elevado do sossego que nasce nos olhos aflitos do não – revelado?

Se a vida canta, ela vive com sua voz rouca a tentar nos comunicar através do silêncio que nos conturba, instruindo as nossas loucuras água abaixo do entendimento que nos falta.

Se falar Tornou-se tão difícil, agora guardar um silêncio do antigo, é quase como questionarmo-nos a ponto de que, desligamos a nossa fé, por falta de lealdade.

Somos seres humanos protegidos pelo acaso, e a rebeldia que nos jorra vida pelas entranhas do desconhecido existencial, elabora planos, indignados e inquestionáveis projetos obscuros, oportunidades que entram e saem dos nossos olhos, sem nem mesmo condicionar as nossas intenções.

Um dia me perco, um dia desses, eu me lanço da ponta deste navio, e descubro o mar em fúria, este mar que, vejo as ondas arrastarem a minha vivência para a margem do mundo.

Quem é digno de saber de toda a verdade?

Quem vê a verdade a olhos nus?

Acredito que, nenhum ser humano tenha completo acesso a verdade, não falo desta verdade que pensamos conhecer, a verdade minha, tua e dos outros, falo do que existe de maior, a verdade nos atos da ancestralidade.

O que move, o que destrói, o que rima com vaidade, e não se desloca para o racional, o que vive nos esconderijos do presente, e se manifesta poucas vezes no cotidiano, acorda!

Acordar em um dia escuro, aonde a vítima foi morta, e os suspeitos andam de braços abertos para o vento que,  os arrastam pelo descontentamento do contente ser ausente.

Para que dizer tanto, se vive-se tão pouco o que se tem para ser vivido?

Nem mesmo o famoso silêncio coopera...

As vezes é preciso que eu passe dias andando por lugares estreitos em mim, para ver uma nova paisagem abrir-se diante de meus olhos.

Fantasias, criações, contos, vida, alheios motivos que me movem também, a ser este ser pulsante, que não se ausenta de tantas coisas, que com tanto tempo, aprendeu apenas ter duas pernas.

A quem consiga questionar os mistérios, mas poucos, muito poucos, sabem as respostas, por isso, contemplam o próprio fracasso de dizer que entendem tudo o que se revela.

Eu já não sei mais do que falo, sinceramente, eu me perco!

Eu gosto, confesso, sinto um sabor maravilhoso quando começo a escrever e me enrosco em minhas próprias palavras.

Dali por diante, eu desapareço...

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

...sonhos...

E hoje eu descobri que, tenho de descer até a minha escuridão e levar um pouco de luz para o meu lado inferior.

Estou tão cansada da mesmice da visão contemporânea que me foi dada, hoje eu quero a cegueira do estar.

Deixo – me, esta decida será majestosa, e sem onipotência alguma devo eu descansar.

Se alguém perguntar por mim, eu vou dizer, estou aqui, bem no fundinho, remoendo, procurando um modo de me encontrar novamente.

Se me faltar letras, eu sublinho os antigos dizeres que tanto eu desapreciei um dia, não devo revogar as minhas mágoas.

Se este sol se põem, reluz vida sob meus olhos, esta nitidez cheia de fobias, cheia de múltiplas desgraças, a minha alma reluta por um pedaço no espaço que está por terminar.

Se isso tudo for loucura, me banharei com um perfume doce das manhãs, e deixarei que as abelhas chupem o meu sangue até a última gota, até que elas, enjoem da meu gosto.

Se eu pudesse colocar um sonho dentro de outro sonho, e viver uma realidade fora destes sonhos.

Já que não posso, sonho, mas vejo o real manifestar-se através das fendas da minha vida, por mais que, muitas vezes exista um grande ardor em tentar reviver o sonho que fora gasto.

 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

...Descaso...

Eu vi, senti e menti!

Arremessei as lágrimas para o outro lado da avenida.

Ali estava eu, mais uma vez, abrindo e fechando minha boca maldita tentando silenciar a minha dor.

Quantas vezes eu não pude fingir que estava ali?

E talvez eu estive, mas não resisti tantas sensações.

Fui egoísta, quem deixou de ser um dia, eu fui,  mas omiti.

Foram milhares de adeus, não fui convincente a ponto de não contrariar o que eu fingi existir.

Mas ali eu existi, habitei, criei, sonhei, morri e me levantei, por milhares de segundos.

Da mesma forma em que eu destrocei um coração, eu parti o meu em picados, um monte deles.

Que força psíquica foi aquela que não arrebatou um anjo tão lindo que rodeava o meu inferno?

Foi a minha força, uma estranha e nebulosa força, que não se iguala a dos dias de hoje.

Quantas tempestades eu vivi, sem poder viver a claridade?

Quantos tormentos eu guardei e não chorei por vaidade?

Eu me humilhei e desabotoei alma por alma, acabei convivendo com os vãos de luz que eu não apaguei.

Não fui poeta, não aprendi a escrever, eu apenas sentia, via correr o meu pânico, minha cegueira, meu papel de farsante primária, e me arrependi.

Talvez tarde, ou esperava eu que a noite me abrigasse, não vi o retorno, não fiquei, fui para o final.

Eram acordes desordenados, vulcões acesos queimando belos jardins virgens.

Não fui mulher, nem menina, nem sonhadora, eu fui e construí a própria tragédia encarnada.

E por mais que eu possa deixar em linhas o meu descaso, eu ainda me caso com a solidão.

Não a quem vem dos outros, mas a que vem de mim mesma, que rompeu com o mundo.

Agora sinto como se, alguma coisa me ofuscasse depois de tanto tempo,

Algo ainda resta, e os restos me fazem rastejar atrás das paredes verdes.

 

 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

...VIDA...

Com o tempo aprendi a enxergar de olhos atentos diferenças. A reconhecer a sociedade pelo que ela escolher ser vista.

Eu ainda procuro vestígios de pureza, as vezes encontro, as vezes é rápido demais, eu desapareço e minha esperança, persegue as minhas crises.

Os meus conflitos não são mais como antigamente, eles tem outra forma, cheiro, não mais juvenis, apesar de que, vivem brincando com minha idade, formando pré-conceitos do que por mim fora vivido no antigo quadro existencial.

Eu já sonhei bastante de olhos abertos, já fechei portas com medo das saídas, mas as janelas do inconsciente fazem de meu espírito, um moinho aberto.

Hoje não comparo situações, aprendi a ver nos meus traços vividos, a origem do fenômeno do agora nunca jamais se repetir.

No mundo antigo, não fui quem eu era, criei personagens, não atuei no papel principal com medo da rejeição mundana. Tudo que é real é desigual!

Não tem como eu viver mais negando a vida, os que me vêem hoje, nunca me enxergaram no passado, e não tenho orgulho de ter sido tão pouco, eu mesma!

Não adianta tentar alinhar uma vida social, quando, as pessoas não podem criar laços com quem não quer a si próprio.

Estar no mundo, é mais do que reagir aos impactos, é vivenciar o que a vida entrega de mãos beijadas, e nem sempre é fácil, e é mais prático desistir, reinventar algo que nunca se pode sentir.

Não procuro uma estadia qualquer no mundo, até as coisas mais simples tem um grande valor agora, eu não rompo mais com o desconhecido, eu faço minha aliança singela com o mesmo.

Um dia sonhei em ser escritora, no outro, não entendia quem escrevia tantas coisas, eu me perdia, e caminhava para tão longe, agora quero saber para onde eu fugia.

Posso nunca vir-a- ser uma escritora, mas de vida um pouco eu entendo, da minha, ainda tenho muito para aprender.

Estou a caminho do rompimento com as coisas que eu não suportava...

Estou a caminho de aprender a ter uma vida leve, suave e verdadeira, não universal.

Não quero só as diferenças, eu quero o igual, para aprender a romper sempre que ele me instigar a vive-lo por muito tempo.

Quero me entregar ao amor, o verdadeiro amor de estar viva, eu quero ser vivida pelo tempo, para sentir que eu vivo nele, sem estar fora de minha liberdade.

 

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

...a guerra..

Abrindo o peito!

A sensação é como ter um buraco negro no meio da alma.

É um entra e sai de cosmos, uma intensidade mágica,

Vozes, sussurros, absurdos, condolências universais abrem a nova morada.

Não, não falo com onipotência, o ato do agir pratica teus rituais em silêncio.

A morada do sol rasga a escuridão e liberta tuas antigas existências.

Quem fica, não anuncia tua estadia na horizontal,

Junta-se ao silêncio milenar, desalinha a temporalidade,

Os dois lados, multiplicam-se, consomem –se, existem!

Na perseverança da fé, alinha-se o caminho da verdade.

Vá de ré quem se confunda dizer que sabe o que aqui acontece!

Estamos atrás, na beira de um cometa louco, que cospe fogo na alma pura.

E não é loucura, ser louco é saber tão pouco, quanto sabemos de nossa audaciosa lucidez.

Quem fica lúcido demais, aprofunda – se no tédio e rasura sua temente fé em si,

Para construir uma jornada coletiva, devaneios!

Anjos, demônios, coitados, dementes, santos, perdidos e nunca achados,

Vasculham a esfera flutuante a procura da simplicidade.

Renova-se a construção do novo elo, o selo da vida é descolado da parede do mistério.

Ele voa, faz saltos gigantescos, abre e fecha abrigos melancólicos,

Definha mentes que, viciam – se apenas no passado.

Caminhos, famintos, desejos, frutos da imaginação penitente, agora batem suas asas com força.

A forca está armada, no canto do horizonte cinzento que transporta nossa gente para o desconhecido.

Desta vez, rezar, orar, conjurar, não adianta, é preciso crer mais do que em nós mesmos para isso tudo viver.

É preciso viver, sem querer sempre compreender tudo, o nada abre tua boca bendita e nos lança a beira da estrada.

Nossa carne pelo sofrimento é cortada por uma navalha ancestral, que não teme nosso destino,

Que alcança metas, sem esquecer da metamorfose que ocorre em nosso útero ferido...

 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

...alguma coisa...

Abrindo os olhos.

As luzes se revelam, a noite fala, atravesso o asfalto cheio de lágrimas.

Algumas vezes eu tento dizer o que sinto, e peco duas vezes.

O que foi dito, não resume um futuro, e então eu pulo a sensibilidade que não tem prática.

Tenho mil nomes, mil fontes, mil maneiras de procurar uma nova visão,

E isso ainda não é o suficiente.

Eu converso comigo mesmo, e ela me diz que eu posso progredir,

E então eu rasuro as coisas, eu fundo um novo conceito, eu perco o juízo,

Falo de tudo que eu pensei que estava perdido.

O sol vai descer no horizonte, e comer um pedaço do dia, já não é lamentável.

Eu tomo o último trem, a espera de que, em uma estação eu esteja não mais segura e sim,

Consiga eu, uma maneira de não perder as esperanças, quando sinto minhas veias congelarem.

Se me falta emoção, eu não recorro a nada, eu deixo acontecer.

Os meus entendimentos andam velhos demais, eu tenho me portado como criança

Estou aprendendo a brincar na ponta dos pés.

Eu andei pensando em todos, e pensando que eu não posso criar um desapego,

Eu sinto que não sou a única, eu tento registrar as memórias antigas desoladas,

Naquele momento eu penso que, não posso revirar sempre as mesmas gavetas.

Bebendo uma dose, forte, de adrenalina momentânea,

Com a cabeça entre o céu e a terra, eu tenho apertado os olhos, chorado demais,

Mas, assim eu sinto que estou ajudando a amanhecer mais rápido.

A válvula está aberta, e as condições para que eu não me aborreça são ótimas,

Mas eu prefiro acreditar no dia seguinte, vendo os meus dedos criarem presságios loucos.

Estou de volta, abrindo as portas, e tantas maneiras eu busquei para ir ao antigo bosque,

Andar sobre aquelas árvores que um dia fizeram sombra para o meu passado,

Mas o inverno chegou, e eu agora ardo em um sol de 40 graus sem saber o que está por vir.

Vivendo sobre o sol que queima, entre as nuvens negras, eu vou prosseguindo a viagem,

Não mais preocupo – me em, solucionar as tragédias, algo vive sempre fora do lugar,

E eu não posso ficar me deslocando tanto tempo do mundo que vivo, eu posso magoar tudo,

Explodindo minha cabeça com escolhas inadequadas, quando nem mesmo posso voar como pensei.

Alguma coisa se move em mim.

Alguma coisa se move em mim.

Eu sei, eu falo da dor como se fosse vitima, mas eu não acredito em foco alojado, eu rebusco minha pele todos os dias quando me deito.

Não posso cair, eu sei, não sei, procurei, insisti e encontrei o que nunca pensei,

E ali eu abri uma grande cratera, os sons que vêem a minha penumbra, eu não minto quando digo que não tenho medo, eu apenas não compreendo o que sinto, e não persisto.

Alguma coisa se move fora de mim.

Alguma coisa se move fora de mim.

 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

...LINHA DA VIDA...

O pulsar da vida,

O instante em que sentimos que a morte quer nos abater, é um alívio provisório, nada mais.

Como dizer em particular que, articulando as coisas que eu penso, eu posso fazer de mim, um ser vivente?

Não posso.

Posso deduzir, substituir as perdas, justificar os atos, atrasar o que por mim foi pensado, na tentativa de resgatar um pedaço meu, que anda fora da matéria.

Para mim colher sonhos, realidades, é como se eu pudesse distrair uma linha da vida, para um outro lugar, um lugar, do qual não sei falar, mas sei que existe, e não explico o porque.

Tem uma hora que de tanto eu perguntar, eu aprendi a me calar diante das minhas absurdas resposta prepotentes. Foi ali, naquele momento em que eu percebi que falava demais, e vivia tão pouco o que eu não era capaz de decifrar.

Não que eu perdesse tempo em falar, mas falar, requeria de mim, um entendimento do silêncio subjetivo, aquele silêncio que dói, mas que constrói o diálogo para o molde a forma que, moldado este, torna-se um lindo quadro de existência.

Ninguém é sábio, e ser sábio, e também admitir certas ignorâncias, não ser intolerante, e nem buscar abrigo na dissimulação alheia, é um trabalho que exige mais do que pensamos pensar, é necessário abrir as portas para o eu sozinho.

Este eu sozinho que, por tanto tempo criei mitos, que por tanto tempo, construí atritos insanos, contos de vitima, de quem corria da realidade que, eu mesmo, havia construído para reinar sozinha.

Isso não resolve nada, também não posso dizer que não vive tudo aquilo sem emoção, vivi de uma maneira que não sei explicar, talvez explicando o que eu vivi, eu me perdesse cada vez mais no que eu criei.

Não importa, a vida bateu em minha porta e me exorcizou! Não tive nem mesmo um instante para pensar, refletir, nada disso, eu fui tomada pelas mãos da vida, e que mãos ! Desde aquele momento eu senti que agora sim, eu estava a viver intensamente, ou não, talvez daqui a alguns instantes eu receba outra vez, um puxão do presente.

O pulsar da morte, o enigma da vida, o exercício do bem – estar, a utopia, a grande chave dos mistérios, o próprio mistério, não se abriga em um casulo, não se abre, não se fecha, se vive.

E viver, hoje em dia, é o dia que nos escolhe para sermos vividos...

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

...O TOQUE DA VIDA...

Do lado de fora...

Um canto novo, a bossa nova desliza entre as mãos do universo,

Remoendo as matrizes suspensas pelos sentimentos cansados.

Não é preciso gritar, o silêncio gera a ordem pelos ruídos do inconsciente.

É nítido, e o vazio, já não incomoda mais,

Gota por gota, do orvalho mais limpo e da matéria existencial, vão tomando aquele espaço antigo que, gerava somente saudade do que nunca tinha sido vivido.

Não faço poesia, minha alegria é não ser acorrentada pela covardia de uma falsa sabedoria.

Respirar, agora é mais fácil, não dói, e tudo que assustava minha alma,

Agora desprende-se com leveza, e vai para os céus, lentamente...

Ergue –se no horizonte a preguiçosa esperança que andava sumida em mim!

A mesma, abre teus braços e entrelaça tuas delicadas mãos, em meus sonhos.

A realidade não mais pesa, ela é incerta, singela e não julga-me onipotente.

Cresce o respeito no peito da amante da vida pulsante.

Por agora, festas, abrigos, conversas noturnas, um amor desvairado rompe a cena:

- Entra narciso, toma este meu corpo, como se eu nunca o tivesse sentido!

O amor próprio não cospe na existência, não exala tua dor, não é crente no que não sente,

O amor próprio, é de aberturas, devaneios, construções mágicas, impérios com tuas torres de vigia encravadas no mar violento, e nem por isso, desabam!

Os redemoinhos puxam para fora todo mal que um dia fora sentido...

Esvazia-me o destino, deixe que meu lugar no mundo, se revele!

Eu apareço, e desapareço nesta roupagem de humana.

Não me aquieto, não uso esperteza, nem sou bruscamente certa de nada.

O nada me consome.

Nasci outra vez para ver o dia brotar dentro de mim.

Fui tragada e cuspida pelo ventre da vida!

Cá estou, não estou, fui, vim, vou, morri, ressuscitei, a vida me tocou!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

...corte.!

Eu tenho muitas criticas, sem expressões anteriores, eu estou de bom humor tentando descrever o meu sentimento que nasce com dor em meu peito, mas que serve como uma grande inspiração de uma realidade escapatória.
Já falei de loucuras, tomei grandes nomes, apelidos insanos, vozes interlocutoras e eu sinto, como sinto, como se alguma coisa ficasse fora do lugar, e é difícil sorrir para algumas coisas que parecem sempre estarem morrendo.
Eu puxo o gatilho, agora não adianta chorar, porque, ninguém pode estar dentro de mim, e algumas apologias trancafiam pensamentos que não correspondem aos sentidos que por mim são dados, com palavras que soam como espelhos escandalosos, espalhando uma tarde chuvosa cheia de lembranças.
Eu uso a escrita para gritar, já que algumas coisas não voltam, eu as liberto de vez, uns sorrisos aqui, outras dores por lá, mas pular desta ponte é algo que eu não quero, eu tenho me alimentado de sementes limpas, e eu não sangro mais se não for apenas para redenção da minha alma.
Escutar é fácil, julgar ainda mais prático, eu abro as aspas, fecho os juízos, e algumas veredas ainda continuam as mesmas, o tempo pede ajuda, e tudo parece de ponta – cabeça, o relógio pula de um lado a outro, e os ponteiros estão desapontados com tantas vinganças pessoais.
Vou contar até três e as sombras vão sumir!
Boom!
As conseqüências estão se misturando, sinto com se eu pudesse atravessar um turbilhão de sentimentos em um segundo sem perder o ar. O mecanismo é fatal, a decência é verbal, a lealdade escorre por ai, algumas passagens abrem as estrelas, as chaves sacudidas na frente do megalomaníaco, a mentira extraordinária, rebelião celestial, loucura, quebra uma mente, uma dosagem de realidade vermelha, os olhos estão calando as versões alteradas da minha verdade.
Então se não podemos ficar quietas, então é melhor correr, seja como for eu ainda estou aqui, não mais lamentado sobre tantas coisas, porque eu tenho observado tantas coisas, e as conexões são todas furadas, umas falhas aqui, outras do outro lado que não pode ser contestado, contexto estragado, o usado, para o ousado agora é castigado.
Tirar os nervos dos outros do lugar nunca foi meu passatempo preferido, não que eu não pudesse, mas não tinha como não ousar experimentar irritar aquilo que fingia brotar do outro que não conseguia calar.
Dou nove passos, os laços estão apertados, os cadarços mal amarrados, o melhor da estima, da rima, praticidade, carnificina, uma explosão, contestação da porta de escape fechada, a rainha normal, leva uma vida de tragédias, e estar sozinha, não tem limite, porque estamos de cabeça para baixo, observando os faróis fecharem um por um.
Floresce, então cresce, estupidamente um canteiro apodrece e ninguém se esquece de que não pode padecer na frente de quem enlouquece.
Um telhado, uma montanha, uma chance, uma luz, expressão de roupagem usada, promessas quebradas, decifrar o acaso alheio, tempo rasgado, trocadilho arcaico, deus, lá fala, a vida troca de visão, a escuridão avisa, o ódio atravessa os olhos com suas formulas ensurdecedoras, e eu vou a um lugar para ver o abismo de perto e ele gargalha de mim, então fazemos nosso sexo preferido sem sermos constrangidos.
Para que dá valor, quando as bagagens já pesam tanto que não podemos mais suportar tudo de uma vez?
E no fundo você sabe, sempre soube, ousou entristecer tudo ao redor para tentar se absolver de algo que nunca havia sentido e eu te denuncio com as mãos limpas.
Agora ninguém precisa correr, já que a agressão maior foi cometida, eu já sei como agir como cúmplice, é só dizer xiu!
Estamos fora de controle, esperando algo vir dos céus, ora, isso tudo parece uma linguagem de outro mundo, um quebra - cabeça que não diz nada, que não busca a partida de onde começamos os nossos erros, uns adoecem e eu continuo no mesmo núcleo de mistério, e não quero mudar o que acontece quando eu vejo o coração frio me entorpecer.!

terça-feira, 4 de novembro de 2008

...perseguida...

Se tenho uma reclamação,
Não perco a expressão.
Algumas vezes eu me sinto como se pudesse morrer no frio,
Me atiro em um coma profundo, insano, cheio de dor,
E me recordo de tudo que me faz levantar todas as manhãs.
Eu tenho um grande amor, eu sinto como se a vida rodasse muito rápido.
Acordar as vezes me provoca a sensação de falta de abrigo,
E eu ouço minha voz interior resgatando minhas mágoas,
Eu continuo no caminho do silêncio, sorrindo para o horizonte mortal.
Posso puxar a realidade para qualquer lugar,
Se eu não consigo me mover para a luz, eu aproveito o ultimo instante,
Poluindo as entradas com constantes surtos emotivos,
Eu não me tranco, eu salvo as ultimas memórias.
Os espelhos estão quebrados, e minha heroína anda distraída com o tempo,
Retorno para o que um dia quis me atrapalhar,
Cheia de vozes, eu vou carregando o ultimo gole da ansiedade,
E não me embriago por tão pouco, eu me retiro antes que me vejam padecer.
Alguns dizem que não compreendem minha visão,
Eu sei, eu não posso acreditar em tantas coisas,
Não peço ajuda no escuro, não faço apologias a escuridão,
Caminho dizendo que alguma coisa está sempre fora do lugar,
Vou arranhando os muros da existência, e não quero ser ouvida
Quando eu precisar gritar por socorro, é algo que para mim não é real.
As curvas são perigosas, e eu volto para mim mesma,
Vendo a minha mente refletir a vida que eu nunca neguei,
Tenho milhares de chances, mas elas não costumam escorrer entre meus dedos.
Uma vez que eu tenho a imaginação afiada, não me sinto desonrada eu sido calada,
Mapeada pela jornada que por mim é tão sagrada.
Se tu quiseres falar de ódio, eu lhe dou uma chance
De dizer o que lhe tira do ar, mas não esqueça, as pedras vão rolar.
Alguns bloqueios vêem as coisas embaçadas e nossos olhos ardem,
O que temos não nos pertence, somente quando enxergamos o que está nos provocando.
Eu ando fitando as possibilidades, então eu vejo o que existe por vários ângulos,
Não tem como escapar, a rainha de copas sussurra os múrmuros de dentro do passado,
Eu não mastigo os fantasmas que aparecem para me perturbar,
Não costumo ser possuída pelas sensações de derrota,
Então eu penduro minhas asas, e sigo em frente pelo asfalto dramático.
Sem jogos, eu já disse que muitas vezes eu não posso explicar,
E as pessoas abrem um estágio indecifrável para que eu caminhe,
Assim eu não tenho nome, não tenho idade, não me movo pelas veredas erradas,
Eu tenho meu próprio caminho, e eu tenho uma boa palavra para quando me questionam,
Eu formulo a melhor escapatória quando eu quero falar de mim mesma,
Eu uso a verdadeira invisibilidade que um dia me deram, para fugir dos perigos sociais,
Me torno deus e o próprio demônio quando me sinto perseguida.
Eu sou sombras e luz ao mesmo tempo, sou o tempo dentro do espaço percorrido.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

...PAREDES...

Você pode inventar uma dor maior do que a vida lhe entregou,
E no fundo eu sei, eu vi o seu filme rodar por um bom tempo.
Seu maldito hábito de pensar que pode entender as sombras,
Mesmo que você não pudesse nem por um instante, sentir-se presa a mesma.
Tudo que um dia foi mortal para sua mente, agora oferece uma trégua,
As noites estão abrindo passagem para a nova morada da justiça que um dia você criticou.
Quantos anos você pensou que poderia estar sobrevivendo ao seu próprio caos,
Enquanto seu sangue escorria, cheio de lamentações, pelo asfalto do sub – mundo egoísta?
Agora você não vê sua maldade, você usa as armas, as piedades que um dia te sufocaram,
Precisam do seu peito para abrir as curvas para um novo caminho sombrio.
A vida deu uma volta e acredite, por mais que nos escondêssemos, seriamos lançadas,
Para um ambiente familiar, que esconde a escória e o sofrimento que um dia aplicamos no mundo.
Eu vi suas cicatrizes jorrarem dor pelos seus olhos,
Fiquei sentada esperando o dia seguinte, a festa que nunca acabou, a ultima dança,
O acaso que nunca houve, a passagem para o desconhecido, a sua sangria maldita, que nos condenou,
A viver de um modo doentio e sádico.
Agora já não é hora de olharmos em nossos olhos,
E as bocas estão trancadas, engolindo a saliva do pecado do dia seguinte.
Eu sinto, e pressinto que estamos afundando para o fundo de nossas memórias.
Contam uma história que é capaz de arrebatar os nossos sentimentos mais íntimos,
Enquanto isso, fugimos correndo de uma vida que quer nos entorpecer de magoas...
Sua realização maior era respirar, e eu cortei os seus pulsos com a minha esperança afiada.
Fumei o cigarro que continha as substancias das suas falsas levezas,
Te condenei e fui condenada pela sutil estadia no mundo concreto,
Eu viajei no áspero mundo imaginário e o que eu trouxe de lá, foram somente recordações sujas
Mesmo que eu pudesse escolher, eu teria morrido e vivido todos os dias, matando os segundos,
Com minhas fantasias que um dia você tentou arrancar de mim com tanta presunção!

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

...AGORA...

O que eu não suporto, é o sustento do sustentar o que está suspenso em minha idéia.
E como se minha idéia já não fizesse sentido algum, em algum sentido eu perdi a minha maior idéia do sentir.
Para as nuvens que deslocavam o céu, eu assoprava o ritmo da vida, com um suspiro frio do meu corpo.
Um corpo desalmado, que não calava ao ritmo da chuva.
E se a chuva não mais quisesse minhas delongas, manhosa abria um sorriso, chamando o deus sol.
E ele vinha, todo irradiante, como se naquele instante, eu pudesse ser mais tolerante.
E eu fui, agora para onde, eu já não sabia.
Ou sabia que sabia, e acabei por esquecer o que havia aprendido.
Eu não praguejava, eu existia e persistia com aquela raiva que, Deus me deu desde menina.
Sapeca, atrevida, corrompida pelas horas do dia em que me sentia vazia.
Se é que vazia, eu poderia me sentir, já que me sentava na beira do mundo para assistir a minha vida fingir ser vivida.
Servida de concreto e de sonhos! E bem servida!
Existiam tardes sonâmbulas, quando eu não suportava o caótico bem – estar, então eu invadia a minha própria moradia.
Minha alma!
E ali ficava eu, a fitar os romances das atrapalhadas circunstancias internas, que eu só tinha contato íntimo, quando não dormia.
E se dormia, eu me perdia.
Me enroscava nos trechos dos sonhos que só eu, eu digo, eu mesma, fora de mim, e longe de todos, dentro do mundo, podia descrever sem fugir dos detalhes.
Mas só lembrava o que me interessava.
O que me fazia regressar em um corpo, monumento do passado!
Ancestral da mágica prática do viver, aprender, re- viver e esquecer que, vivi o que um dia não esqueci de viver.
O agora!

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

...TUMULO...

Sem concentração alguma, o contexto desconexo da realidade, a densidade quase leviana que, tanto tempo paira entre os dedos da gentil temporalidade paralela, escorrega pelas ladeiras do esquecimento dos criadores íntimos das superfícies remotas da existência coagulada.
A renúncia do que é criado pelo criador enraizado na atmosfera mítica, faz a doação para a minha forma humana misturada com labaredas, chamas vermelhas, interlocutoras da minha vivência raivosa emocional contida em minha alma.
Se já não me fosse mais possível sustentar os tentáculos negros que carrego em minhas costas, procurando abrigo em minhas asas, arrebento o fio que, faz a ligação mundana cordial inexistente fisicamente, para o excesso de massas loucas que, circulam o terreno monstruoso da minha existência sem foco.
Este meu distanciamento descontente do latente sobrevivente espírito existente, persiste em fazer seus círculos enfurecidos, indomáveis devaneios que, abrem e fecham as portas do inconsciente.
Sobrepor a virtude da matéria, a essência primária lançada no abrigo do instigante momento do estar- fora – de- si e perto de um outro mundo. Tempo, um velho amigo, um descendente da solidão partida em pedaços, repartindo assim as esferas sincronizadas que, dançam nas linhas sonâmbulas do universo mágico, máquina de sonhos, refletor de símbolos, marco zero para o inverno pulsante da memória do pós – mortal!
E se existe uma coincidência, é um trágico acidente no cosmo, interferência da esperteza contraditória do que ainda está por vir, e que não se vê, não se compreende, se estende a imperfeição dos atos no acaso do passado.
É uma leitura de si para com o mundo, o mundo na leitura dos lábios incandescentes das cômicas parábolas dos Deuses que abrem o coração do homem, para plantar uma esperança, herança dos tumultos energéticos que brotam do fundo do universo. Nesta hora de agora, tudo é negro, o quebrante do arquétipo da maldade, a fidelidade das palavras que, perdem suas tonalidades quando, a luz de fora apaga o brilho da alma que reina no desatento paladar da sonífera vida transcendente.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

...AUTONOMA...

Eu viajei por muitos lugares. Lugares por onde eu caminhei e voei durante anos, a procura de uma satisfação particular do que me era conhecido como mundo. Ali, naqueles lugares e em mim ao mesmo tempo, pude perceber uma coisa em comum, nada fazia sentido. O sentido me provocava o sentido do vazio, o pendulo feminino que balançava de um lado para o outro, a procura de algo sensível.
Voltei, regressei de um lugar desconhecido! Por aquelas curvas coloridas aonde a morbidez é apreensiva, e que o tédio me faz refletir sobre as planícies pelas quais , eu nunca deveria ter me ausentado.
A relação com o a dor e a prospera sensação de leveza, sempre me acompanharam, mesmo quando eu não podia entender nada, o nada me entendia de uma forma simples.
Acredito ter plantado muitas coisas neste mundo, algumas floresceram, outras, deixei morrer pelas mãos do descaso íntimo. Mas não julgo isso como se, partes do que eu tenha vivido, fossem apenas resíduos do que eu poderia ter abduzido para meu planeta natal passado, presente, o planeta alma.
Eu não faço considerações rasteiras, e tão pouco costumo dizer o que não pode ser consolidado pela imaginação do meu mundo. Eu apenas digo e não digo, calo sem poder muitas vezes deixar de falar como uma louca desvairada. O silêncio surge do nada, como se alguma coisa tapasse minha boca lentamente. É a vida que quer falar mais do que eu, e eu nessa mania de vida, falho e muito, vivo sem saber se estou a mercê de um tempo que desconheço os segundos que me arrastam para o esquecimento.
Melancolia nessas épocas é quase fatal, não digo que de morte morrida, mas de morte praticada pela desumanização provisória sem autoria de culpados. Eu me culpo! Mesmo assim!
Terrificante, ah uma essência toda, jogada nas escadarias da existência. Persistir em ficar parado nestes degraus ambulantes, é como esquecer da jornada da alma perante a vida sofrida. Não tem contagem de pontos, tudo vale e não vale ao mesmo tempo, e ao mesmo tempo que tenho preço em ter desprezo por tanto conceito, me vejo cansada, parecida com uma estátua manchada pelo prazer de me enfiar-se na terra e esperar que a chuva me refresque nos dias quentes.
Acho que me perdi novamente! Ou nunca me achei, ou achei que achava alguma coisa, quando o que e quem está perdida era eu. Mas nem para poesia eu ando com asas! O barulho do relógio parece querer destruir minha paciência. Paciência, está ai uma grande virtude minha. Mentira! Tenho paciência para as coisas do mundo, agora as coisas minhas, aquelas que ardem em chamas, não mesmo, não tenho um pingo sequer de paciência, vivo a correr para o constrangimento.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

...TEMPO...

Algo está para acontecer, e os fatos começam a fazer sentido.
As ramificações montam seus desenhos loucos, destruições eu vejo acontecer na superfície natural, as câmeras estão apontadas para a disposição do caos.
O céu cinza, abre suas janelas, e eu sinto que iremos ficar “histéricos” , com nossos ângulos atômicos voltados para o conhecimento do desconhecer a nós mesmos.
A desordem tem ajudado a colocar as vozes nos ouvidos que navegam na sintonia orgulhosa do que ainda não pode ser exposto via satélite.
A alma que antes dançava, agora está no canto escuro, esperando a nova canção começar, e falando com suas trevas, escolhendo a retórica de um mundo cheio de cartesianos planos de sofrimento mútuo e falido.
Então temos mesmo que levantar, ver as nuvens brigarem com o sol, para tornar tudo novamente escuro, a matéria agora arranca pedaços dos corpos lamentosos.
Nossas punições mais sérias, agora não mais trazem prazer. A infecção está introduzida na escória séria do abduzido zero a esquerda, que poucos podem ver manifestar o estúpido amanhecer nostálgico.
Chegando mais perto, as torneiras inconscientes estão derramando suas ultimas informações, e eu me sinto sozinha, quando penso em deus, eu consigo apagar uma parte de tudo que, entendi até agora como assolação doentia, que eram pensamentos vestidos de rainhas noturnas.
Algo está para acontecer, e eu vejo os balbucios trazerem a lucidez ao contrário para os versos indignados dos inertes corações aflitos por paz e alegria, aquela velha roupagem que não cabe, agora está queimada no interior do nosso traço passado.
Não é preciso conforto, já que, procuramos por tantos anos sonhar sobre coisas pelas quais, queríamos reflexões passageiras, novamente estamos perdidos na liberdade trágica.
A ajuda não vem dos céus, e o chão é acido e transtornado por nossas realizações pessoais. Hoje, não podemos suicidar as nossas escolhas, pois, estamos comendo a falsa verdade, em apelos cheios de resgates provisórios, falando com as luzes espantosas que, afogam nossas cordas vocais no cimento fresco da tarde sombria...

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

...FONTE INTERNA...

Vamos acrescentando algumas expressões, não que isso faça com que, algumas coisas tomem rumos diferentes, quando se olha o que acontece aqui por dentro, consigo ver a minha porta escancarada para o mundo e isso entorpece minhas veias com o veneno da utopia.
Não que eu não queira sorrir, mas os meus tímpanos estão pedindo uma voz calma, aquela que venha do espírito puro que não rime com a dor falsa. Por algum tempo eu construiu milhares de bolsos flutuantes, Alpes, círculos, tendências suicidadas que abrigavam minha imagem presa a um espelho cheio de interpretações imundas, eu estava voltando de onde eu nunca pude caminhar comigo mesma.
Olhando melhor cada sentido, eu volto atrás com todas as minhas escolhas, as torres caindo sobre meus olhos, aquela sensação do pulo para o desconhecido, o mergulho no coma mais profundo, o choro sufocado, a respiração sem os pulmões do mundo imaginário, sufocados, pela intoxicação pouco subjetivas.
Colocando as chaves em baixo do tapete, algumas almas voltando para casa, aquele velho índio está espreita da minha solidão, as profecias em flashes paradisíacos, acordando com um grito de realidade, a introdução do vazio, que nasce da mãe esperança que por muitos anos foi uma criança mimada e torturada por um sorriso vago e largo, comprometido com sua evasão substancial.
Bocas enfurecidas, labirintos aprisionados na realidade, o código da violenta saúde que condenava o liquido do divino espírito amargurado, agora embriaga-se com sua falta de certeza. Se eu pudesse expor tudo que me expõem, eu estava querendo queimar uma grande parte da minha historia...
Tirando os panos, agora tudo parece promessas ao vento, e vendo de outro ponto, eu começo a não querer mais pedir desculpas a mim mesma, quando eu peço para que tranquem a minha fantasia íntima dentro de uma realidade dupla.
Não eu não me sinto aprovada para andar 3 segundos adiantados, porque, a falta que sinto de não poder explicar anda corroendo meus ossos, e a vida tem sido tão insana que eu vejo cicatrizes nos corpos que andam feito maníacos matando a sugestão de um novo imanente não domesticado.
O fato de eu não conseguir poetizar com o mundo, as lagrimas que derretem minha expectativas, agora vão se unindo fazendo um quadro, um novo plano em projeções triplas de cosmo – energias do meu próprio eu, lançadas em uma fração do tempo que vivo de costas para o que corre com as pernas do meu destino arrogante.
Olhando bem, sentindo o que tem, o que vem, o que se propõem a ser o vício de ontem, agora é ardente, sorridente, presente, dentro da caixa, encaixa, suaviza a cavidade, realidade, preciosidade divina, que instiga os deuses, apelos apaixonantes, de amantes enfurecidos, com seus arcos, marcos, atos, cheios de serenidade, saudade daquela velha idade.
Um ponto para cima, costurando, imitando, dramatizando aquele fenômeno, anônimo, que escurece o passado, cansado, que balança suas tendas, mesmo que preencha um fim desarmado, arrastado pela turbulência do vôo mais intenso, neste momento eu sou um grão, sem irmão, com ilusão olhando o mundo com os olhos da pureza, cativando a riqueza que tenho em não sentir certeza do que é viver a vida como uma correnteza feroz, voraz, que mesmo que eu não seja capaz de copiar as coisas, as vivencias que eu tenho tido, mantido, apreendido, se revelam, em cascatas luminosas, argilosas perfeições em pedras com seus tumores labiais.
E no desatino, presente menino, constrangido pelos tiros colombinos, agora são feras, deuses adormecidos reviram-se em seus túmulos, causando tumultos na grande terra. Com seus passos tortos, resgatando dos mortos, os limpos e saudáveis homens que abrigam as almas em seu espírito jovem, que amanhecem atolados pela vida da nostalgia.
Que alegria! Um brinde sem o descaso, o acaso ilumina o passado, sofisticado ser amado, que transluz a grandeza divina através do silêncio que capta as emoções e faz jorrar a fonte interna da solidão na paz da sobriedade.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

...OUTROS..

Não adianta, por mais que o mundo conheça tanto de algumas coisas, pouco sabem de si mesmos. Algumas expressões ficam vazias, e as interpretações subjetivas destroem uma mágica, deixando assim o “ente” querido fora de ação. A causa do plano individual destrói uma realidade tão bonita, alguns ainda aglutinam idéias coletivas e jogam dentro de um “pacotão”, classificando assim suas amarguras particulares, seus estudos intelectuais que, hoje em dia contaminados pela metodologia cientifica destrutível começam a revelar uma modernidade totalmente fascista e doente por interpretações que nascem de replicas históricas cartesianas.
Fechar as portas na cara do mundo, é exatamente isso, construir um diálogo olhando o próprio corpo celestial estampado em um espelho negro, que carrega suas ruínas particulares pouco articuladas pelo tempo vivido sem a essência da escuta poética.
Eu vejo algumas coisas das quais, que não me bastariam mil anos, para compreender que, enquanto eu tento aprender a ignorância perante as coisas que um dia alguém recitou em um palanque ( não me refiro a burrice) , outros querem cada vez mais um conhecimento velho, cheio de palavras e sentidos não explorados, e sim condicionados por um sistema pouco mútuo, a cópia de uma realidade não sentida.
Não temos que oferecer nada, temos que compartilhar...
Que loucura! O mundo está carregando suas escolhas, suas bagagens sensíveis com o árduo trabalho de “suportar” e não de sentir paixão por tudo aquilo que foi gritado nos Alpes da imaginação interior subjetiva. Talvez eu entenda hoje o que realmente significa ser vista como Outsider...

terça-feira, 19 de agosto de 2008

...LUZES...

Tudo sem harmonia.
Versos bagunçados, palavras coladas em cartazes negros,
A esfera com suas milhares de cores ardentes,
Picadinhos de essências, fragmentadas no des – contentamento da vida visual ofuscada pelo domínio racional.
E se isso fosse um modo casual de enxergar as paralelas condições humanas, seria muito mais prático não ver, e a simplicidade em sentir, estaria balançando as cordas do lamento do ser errante, praticamente, envolvido com o mundo místico intrigante.
Eu ando tentando mudar o plano de Juíza para espectadora deste mundo cheio de ramificações mágicas, magnéticas, e por ventura de fatos tão grandiosos pelos quais eu aprendi a compreender que, não posso converter o que sinto para tudo aquilo que existe como de fato está sendo revelado.
Sou fruto de um ventre com seus ventos noturnos, sem direção, sem teto, sem chão, com espírito que carrega a paixão da vivencia da ilusão temporal e que arranca da contemporaneidade a incerteza da insustentável condição do não saber o que é sábio.
Estou no caminho, ou fora dele, nas entranhas da busca sem almejar o término, sem fim, enfim, na doce criação da vivência fortificada pelos pensamentos sub – mundanos, procurando a desintoxicação da matéria absorvida pela desordem do plano natural.
É sem nexo, sem anexo do futuro, o desfrute do fruto pecaminoso que desconcerta a essência, que inibi a imanência da minha permanente existência no mundo do sub – imundo des – foque condicional, de amante do mundo louco, que para muitos, o sagrado é banal.
Quem se apresenta, agora não lamenta, o latente estar providenciando as novas glórias, sem lutas forçadas, o caso no casco do acaso, miticamente honrada pela desordem invocada
.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

...RECLAMANDO...

Veja bem, eu estou montando novamente uma maneira de não ser atingida sem poder ter a oportunidade de me defender. Eu busco um momento para capturar a minha fúria . vou vomitar o que não está terminado, estou preparada para usar todo meu silêncio. Estou de volta a realidade, já que eu mantive um monte de segundos inertes, montando minhas melhores fantasias, agora sinto que estou pesada por demais, e eu quero uma chance de despejar minha mágoa neste papel.
A vida tem escapado com facilidade de minhas mãos, e eu não estou preparada para ter algo normal, fora dos parâmetros que um dia eu quis para mim, então eu suspendo toda queda que tem me puxado para baixo, com uma velocidade incrível, fazendo assim, com que eu adoeça nos braços do presente.
Sou de amizade de poucos, e os excessos me querem debaixo de 7 palmos, eu dou o ultimo suspiro e eles alegram – se. Estou explorando uma consciência pela qual, eu não vivo de promessas baixas, e a dor tem sido uma fuga em tanto, quando eu pulo os muros da inconsciência.
Eu sei, eu ainda conservo minha vida em um vidro com uma proteção potente, e eu não quero um nome diferente por isso. Eu odeio ter que formular mais de uma vez, o meu sucesso, já que os aplausos vem de meus piores contingentes. Aqui dentro eu posso contar até 3 e tudo fica bem, eu mudo a paisagem e escolho quantos tempos eu posso passar sem ser percebida. Eu durmo de olhos abertos, e com os ouvidos atentos, acordo na hora da morte alheia, mas isso nunca tem acontecido.
Julgar um espírito como o meu, requer muito trabalho, nada rasteiro, já que estamos falando em algo que realmente se faz quando se é bem sujo, uma megalomaníaca tendência que se obtêm através de tanta mesquinhez demoníaca.
As armas estão apontadas para minha fronte, e eu não tenho medo do impacto das palavras que vão brotando diante de meus olhos, e eu experimento correr com uma navalha, eu apunha-lo minhas vitimas uma por uma, com a própria Mao que elas esticam para me servir com seus ápices de ignorância pura.
Não quero uma fixação em cadeias enterradas em solos tão pouco férteis, eu venho de um lugar aonde a liberdade se conquista, e eu tenho visto muitas correntes me cercando, e eu não nego que isso as vezes me faz sentir vontade de espancar este maldito presente, com uma boa dose da minha maldade, e não o faço.
O que acontece, eu saio de mim, e assumo algo que não consigo controlar, ali tenho força em dobro, e minhas palavras não tem freios, e tudo o que eu não quero me aconteça , vira fato, fenômeno escancarado, e eu volto sempre mais machucada do que eu pressinto.
Um puxão para a direita, eu estou de volta, agora com um gosto amargo em minha alma, e os pés sujos com as lamas de falta de veracidade nas palavras que me foram lançadas para meus ouvidos histéricos e tão cheios de devaneios.
Alguém vem querer me ferir, e eu peço para que não seja tão intenso, porque eu mostro minha intensidade quando fecho meus olhos e deixo que o meu outro lado, quebre tudo ao redor sem a maior piedade.
Graça, uma risada que pode destruir quadras e quadras, e eu me penduro nos braços dos que vivem arrojando suas vidas por ruas cheias de movimentos bruscos que terminam em um beco insano de um quarto em um infarto desprezível e angustiante.
Segundos, e eu vejo o relógio criar os meus piores versos, mesmo assim não reparto a minha tempestade com ninguém, eu não tenho mais as cápsulas para me aliviar, então eu não peço para que ninguém possuía paciência para aturar minhas desavenças.
Todos sabem que eu faço o que eu quero e isso faz muito tempo, se ainda tentam testar a minha fé, conseguem arrancar de mim uma fera carregada de desprezo e rancor pelos que rodeiam a minha sobrevivência.
Uma gota de suor perdida, eu sinto que estou abafando alguma coisa, e eu engulo a seco toda minha reclamação, desatinando as conseqüências, criando amor, aonde eu vejo que existe uma maldita lacuna.
Então eu posso rir com tudo isso aqui, porque eu não entrei para um grande espetáculo de imagens perdidas, e os sons que dominam minha mente, fazem uma tortura com minhas lembranças. Não pense por um instante que eu não posso ser indolente, ou que sofri demais, talvez eu tenha explodido tantas vezes, que o que restou já não me satisfaça mais.
As situações vão aparecendo, recriando algo que já estava morte, e eu ressuscito o que está tentando falar comigo através das minhas conexões com o que é revelado com tanta fragilidade.
Depois de um tempo eu descobri que até mesmo o amor foi banalizado e as ordens subjetivas são tão comuns, e tão horripilantes. Eu sinto que tudo está prestes a desmoronar. Eu sinto vontade de ficar dias trancafiada em um lugar sem portas, para tentar entender porque tantas coisas ainda podem me ferir com tanta voracidade.
Não sei para onde ir, ou em que tempo entrar, para ver as coisas acalmarem dentro de mim...
As vezes eu ouço mil berros de esperança, depois os mesmos fazem com que eu engula as minhas lastimas transformando – me em um monstro terrível, é como se fosse sempre o ultimo dia, mas outro dia chega, e o tormento não acabe.
As figuras estão dispersas, e as vezes é tão difícil sentir que existe uma heroína dentro de mim, quando eu percebo que por tantas vezes eu corri de coisas tão pequenas.
Eu fico assustada comigo mesma, converso por horas com meus sentimentos, e eles trazem algumas receitas de como eu posso controlar esta locomotiva presa ao sensível mundo imaginário.
Posso ser perversa comigo mesma, e eu prefiro não querer acreditar em algumas coisas, por enquanto é o que resta, e o eu não me contento com o resto, a minha voz fala enquanto alguém tenta invadir a minha historia, e eu vejo, sou eu mesma novamente, travando um conflito e isso não me deixa gritar para poder acordar...
Eu faço as curvas no pensamento e em outro instante, estou calma e envolvida com minha felicidade, mas eu sinto falta de sentir que eu posso cuidar de mim mesma com os meus dois lados unificados em mim....